segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Crianças escolhem sozinhas uma dieta equilibrada


  • Há mais de sessenta anos, a dra. Davis demonstrou, numa série de experimentos, que as crianças podem escolher por si mesmas uma dieta equilibrada. Oferecia a um grupo de bebês, entre seis e dezoito meses de idade, dez ou doze alimentos diferentes em cada refeição. Eram alimentos puros, sem misturar: cenoura, arroz, frango, ovo...As crianças comiam a quantidade que queriam do alimento que queriam, sem que nenhum adulto tentasse controlar. Os maiores comiam sozinhos, os menores um adulto lhes dava sem a menor insistência: começava com o primeiro alimento até que o bebê fechasse a boca, depois o segundo e assim até o final. Durante meses, o crescimento dos bebês foi normal e a ingestão de nutrientes adequada a médio prazo, mesmo que as variações de uma comida a outra eram enormes, "o pesadelo de um nutricionista". Os bebês às vezes "comiam como um passarinho" e às vezes "como um cavalo", e passavam por épocas em que comiam só um ou dois alimentos durante dias, para depois esquecê-los. De uma maneira ou de outra, ao final acabavam consumindo uma dieta equilibrada.Outros estudos mais modernos confirmaram que as crianças pequenas, quando se permite que comam o que queiram, tanto em condições de laboratório quanto em sua própria casa, ingerem uma quantidade de calorias bastante constante cada dia, mesmo que as variações de uma refeição a outra sejam enormes. Mas não vai se empanturrar de chocolate?Oras, se você deixar, claro que sim! Ou, pelo menos, imaginamos que sim, já que não há estudos científicos que o demonstrem. Pode até ser que se empanturrem no primeiro dia, depois se cansam e continuam comendo uma dieta equilibrada.
     As crianças (e os adultos) adoram doces e salgados e estamos acostumados a comer excessivamente as duas coisas. Se elas têm um mecanismo inato para comer o que precisam, porque comem tantas porcarias?

    Para entender porque falha às vezes o mecanismo de controle é preciso considerar a teoria da evolução. Quando um animal come adequadamente vive mais e tem mais filhos, portanto a seleção natural favorece aqueles animais que mostram uma conduta alimentar adequada. Mas a seleção natural demora milhares de anos para atuar e a conduta que foi adequada num dado momento pode deixar de sê-lo se as circunstâncias ambientais mudam.

    De que serviria às crianças da caverna o gosto pelos doces e salgados? Não só não havia chocolate, mas também não existia sal nem açúcar. O mais doce que tinham era o leite materno, seu principal alimento, e a fruta, cheinha de vitaminas. O mais salgado, provavelmente, era a carne, una fonte de ferro e proteínas. Assim, suas preferências lhes ajudavam a escolher uma dieta saudável e equilibrada. Mas agora temos doces mais doces que a fruta e salgadinhos mais salgados que a carne e o mecanismo de seleção se descompensou um pouco.

    Mesmo asism, é surpreendente como é forte o instinto na hora de escolher uma dieta adequada. Preste atenção à publicidade: quanto mais insalubre é um alimento, mas têm que anunciar. Salgadinhos, doces, refrigerantes...Algumas marcas, que já vendem milhões, continuam fazendo propaganda todos os dias; sabem que não podem descansar nem um minuto porque, se não fazem propaganda, as vendas diminuiríam espetacularmente. No entanto, o feijão, as maçãs, o arroz ou o pão não se anunciam quase nunca e as pessoas continuam comendo.

    Para que fique claro, os especialistas acreditam que as crianças podem escolher uma dieta saudável, com a condição que lhe demos coisas saudáveis entre as quais escolher. Se você oferece ao seu filho fruta, macarrão, frango e ervilha e deixa que ele escolha o quê e quanto come, com certeza a longo prazo, ele terá uma dieta adequada...mesmo que passe dois dias só com ervilhas e depois um dia só com frango. Mas se você oferece para que escolha entre fruta, macarrão, ervilha e chocolate, então ninguém garante que a dieta seja equilibrada.

    Em resumo: a responsabilidade dos pais se limita em oferecer uma variedade de alimentos saudáveis. A responsabilidade de escolher e decidir a quantidade que come de cada um não corresponde aos pais, mas sim ao filho.

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    Postado originalmente na comunidade do Orkut "Meu filho não quer comer" em 16/02/2009 por Bel Kock-Allaman
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