quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Sobre a rejeição da mama

Quando um bebe rejeita a mama é fundamental procurar conhecer as razões. Normalmente é o suficiente para se poder planejar uma intervenção adequada. Entre os principais motivos de rejeição estão:

Falsa rejeição:
- Não tem fome e não necessita mamar (uma causa frequente em que raramente se pensa);
- Mama muito depressa. À medida que adquirem experiência, os bebês mamam mais depressa. Aos três meses alguns apenas precisam de dois ou três minutos, ou mesmo menos, numa mama;
- Reflexo de busca: o recém-nascido move a cabeça de um lado para o outro quando procura o mamilo. Algumas mães podem interpretar esse movimento com um gesto de negação;
- Alguém toca na cabeça do bebé para o pôr a mamar. Se um dedo lhe toca a face, o bebé procurará esse dedo de forma reflexa;
- Alguém empurra a nuca do recém-nascido: o que produz um movimento reflexo de extensão cervical;
- Desmame espontâneo: mais cedo ou mais tarde, todas as crianças se negam a continuar a mamar. Normalmente, fazem-no de forma paulatina, depois dos dois anos. Se o bebé tem menos de um ano, é quase impossível que se trate de desmame natural.

Dor ou doença da criança:
- Fractura da clavícula, vacina recente - procurar a posição em que não se pressione a zona dolorida;
- Obstrução nasal por secreções. Às vezes há que desobstruir o nariz antes de dar de mamar. Instilar soro fisiológico, gota a gota (não de jorro) nas fossas nasais do bebê quando este está deitado com a boca para cima constitui habitualmente um método eficaz. As secreções secam, amolecem e em poucos minutos a criança espirrará e expulsará as secreções;
- Dor ao engolir: otite, faringite;
- Está nervoso, zangado, ou está a chorar há algum tempo - tranquilizá-lo e voltar a oferecer a mama;
- Experiência anterior desagradável (deram-lhe uma injeção enquanto mamava; a mãe zangou-se muito com uma pequena dentada...);
- Hipotonia (hipotonia neonatal transitória, parto com anestesia, sindrome de Down...)
- Alergia a algo que a mãe ingeriu (frequentemente leite de vaca) "chega-lhe o leite ao estômago, e começa a chorar".

Problemas de Técnica:
- Confusão entre peito e mamadeira;
- Má pega: a falta de sucção eficaz é compensada com um excesso de ocitocina; o leite sai a jorro e o bebê engasga-se;
- Pele escorregadia devido aos cremes aplicados no mamilo;
- Mama muito ingurgitada - esvaziar um pouco antes de oferecer a mama.

Alteração que incomoda a criança:
- Aversão oral, devida a experiências desagradáveis no período neonatal (entubação oro-gástrica ou orotraqueal, aspiração, mamadeiras, exploração da boca com um dedo...);
- Separação, a mãe começou a trabalhar. Quando a mãe regressa, a criança pode reagir "agarrando-se" a ela ou rejeitando-a, ou alternando ambas as condutas. É preciso assegurar à mãe que esta reação é normal e que o bebê precisará de muitos mimos para a superar;
- Problemas familiares, mudança de domicílio, visitas;
- Menstruação, nova gravidez (diz-se que o sabor do leite muda);
- Mau sabor do leite causado por algum alimento ou medicamento (é raro, e depende de cada criança);
- Odor (sabão, água-de-colônia, desodorante da mãe);
- Sabor salgado da pele se a mãe esteve a suar;
- Ruídos externos. A criança pode assustar-se com ruídos bruscos ou fortes. As crianças mais velhas distraem-se facilmente com qualquer som ou movimento e, algumas só mama bem se estiverem sozinhas com a mãe num local tranquilo.

Possíveis causas de rejeição unilateral:
Referimo-nos à criança que procura sempre a mesma mama em cada mamada, por exemplo a direita, sem nunca mamar da esquerda. É importante não confundir com a criança que mama numa só mama de cada vez (o que é absolutamente normal), mas que vai alternando as mamas.
- Dor unilateral (fractura da clavícula, vacina, otite);
- Mastite (aumenta o sódio no leite da mama infectada);
- Um mamilo muito menor ou maior que o outro;
- Pior posição num lado (conforme a mãe seja destra ou canhota);
- Gêmeos: às vezes cada um tem uma mama favorita.

(o livro tem mais informação sobre este tema, se quiserem saber mais, enviem mail para omamaraopeito@hotmail.com)

Atitude perante a rejeição
- Procurar a possível causa e quase sempre ocorrer-nos-á a solução
- Nunca esquecer a principal causa de "rejeição": a criança não quer mamar mais porque já mamou bastante;
- Muita paciência, contacto físico e carinho;
- Testar posições diferentes;
- Oferecer a mama com frequência, mas sem impor;
- Extrair leite e dá-lo com um copo ou à colher, se necessário;
- Não tentar vencer a criança pela fome. Quando tiver muita fome, provavelmente mamará ainda pior. É preferível dar-lhe primeiro o leite com um copo e oferecer a mama quando não tiver muita fome nem estiver zangado;
- Não tentar dar-lhe de mamar à força, abrir-lhe a boca, empurrá-lo... Normalmente é contraproducente. A mãe e a criança acabam a chorar e a experiência desagradável contribui para manter a rejeição;
- Contacto pele-a-pele: depois de lhe ter dado o leite com um copo, a mãe, despida da cintura para cima, deita-se na cama com o seu filho, vestido apenas com uma fralda. Coloca-se sobre o seu corpo, como a um recém-nascido na sala de partos e, permite que a criança faça o que pretender. Muitos mamam espontaneamente ao fim de meia ou uma hora e, assim mãe e filho passaram algum tempo a descansar e não angustiados pelos esforços inúteis para o bebê mamar."

Fonte original: Manual Prático do Aleitamento Materno págs. 93-97 - Dr. Carlos Gonzalez

Texto sugerido por Renata Gomes Cardoso
Organizado por Zioneth Garcia
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