domingo, 24 de maio de 2015

Sobre os riscos do aleitamento artificial - Dr. Carlos González

Trechos retirados do livro "Manual Prático de Aleitamento Materno", páginas 229 e 230, nos quais o dr. Carlos González fala sobre os riscos do aleitamento artificial e explica porque é arriscado um pediatra indicar leite artificial sem avaliar as contra-indicações.

"[...] muitos especialistas criticam que se fale das “vantagens do aleitamento materno”, o que parece implicar que o aleitamento artificial é o normal e o aleitamento materno é um extra. Na realidade, o normal é o aleitamento materno e qualquer outra forma de alimentação deve ser comparada a ela. Seria mais correto, portanto, falar dos “riscos do aleitamento artificial”, da mesma maneira que falamos dos “perigos do tabaco”.
É importante que o profissional conheça tais perigos para poder avaliar adequadamente as possíveis contra-indicações do aleitamento artificial. É muito frequente, por exemplo, que quando uma mãe tem que tomar um determinado medicamento ou sofre de uma determinada doença se proíba o aleitamento materno porque “foi descrito um caso de…” ou até mesmo porque “existe um risco teórico de…”. Entretanto, o risco associado ao aleitamento artificial não é teórico e foram descritas diversas complicações.[...]"
"Na Escócia (Ball e Wright), comparando 1.000 crianças que não mamavam no peito e outras 1.000 que receberam aleitamento materno exclusivo durante 3 meses, a diferença seria de 60 episódios de doença respiratória, 580 de otite média e 1.053 de gastroenterite durante o primeiro ano, que gerariam 2.033 visitas ao médico, 212 dias de internação hospitalar, 609 receitas e 51 radiografias, por um preço total (em 1999) de 330.000 dólares. Só com três meses de amamentação, só em três doenças e só em gastos médicos diretos.
Um estudo (Quigley) que envolveu mais de 15.000 crianças inglesas concluiu que, se todos recebessem aleitamento materno exclusivo, poderiam ser evitadas 53% das hospitalizações por diarreia e 27% das devido a infecções respiratórias.
O UNICEF calcula que um milhão e meio de crianças morrem a cada ano no mundo por falta de aleitamento materno. Estávamos acostumados a pensar que todas essas mortes ocorrem no terceiro mundo, mas que nos países desenvolvidos, graças à higiene e à atenção médica, o aleitamento artificial pode produzir algumas diarreias sem importância mas certamente não afeta a mortalidade. Havia exceções, é claro, como no caso dos prematuros. Lucas e Cole, em 1990, atribuíam ao aleitamento artificial 100 mortes anuais por enterocolite necrosante no Reino Unido.
Entretanto, uma revisão recente de Chen e Rogan encontrou que o aleitamento materno também está associado a uma mortalidade significativamente menor nos Estados Unidos. Compararam 1.204 lactentes falecidos em 1988 com um grupo controle de 7.740 crianças. [...] Encontraram uma relação dose-resposta: quanto maior a duração da amamentação menor a mortalidade. Calculam que, se a relação é causal, a promoção do aleitamento materno poderia evitar a cada ano umas
720 mortes entre 1 e 12 meses de idade.
E o aleitamento materno não previne somente doenças banais. O aleitamento artificial também está associado a um maior risco de meningite por Haemophilus (Silfverdal), de leucemia (Benner, Shu) e de morte súbita (Alm).
Em médio e longo prazo, as crianças que mamaram no peito continuam tendo menos doenças respiratórias (Wilson), menos obesidade (Von Kries) e um coeficiente intelectual mais alto (Angelsen). O aleitamento materno prolongado protege contra a diabetes tipo I (Ziegler) [...]. Recentemente, a OMS (Horta) revisou os efeitos benéficos a longo prazo do aleitamento materno sobre a pressão arterial, a obesidade, o colesterol, a diabete tipo II e a inteligência."

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