Frequentemente ouvimos mães preocupadas com seu retorno ao trabalho e
como será a reação do bebê que dorme sendo embalado ou amamentado. A
verdade é que todas as crianças (e todas as mães) vivenciam um período
difícil quando precisam separar-se por causa do trabalho. Neste artigo,
seguem algumas dicas que levam em consideração o estado emocional de
ambos, mãe e filho, para lidar com essa separação.
Fatos importantes a serem considerados quando o retorno ao trabalho está próximo:
1) O desenvolvimento do ser humano no primeiro ano de vida é extraordinário, cada fase, uma necessidade.
O
bebê triplica de peso no primeiro ano, se desenvolve em todos os
aspectos (motores, cognitivos), começa a andar! Então, não se deve
comparar um bebê recém-nascido com um de 4 meses, nem um bebê de 4 meses
com um de 1 ano, por exemplos, pois serão praticamente outros bebês.
Cada
fase, uma necessidade: bebê novinho precisa muito de colo, aconchego,
contato íntimo, amamentação em livre demanda. É da natureza dos bebês
quererem colo de suas mães; na verdade esse é um ótimo hábito que foi
desenvolvido em milhares de anos de evolução, pois os bebês que não
demandavam atenção faleciam e, por isso, a seleção natural fez com que
aqueles que viviam no colo sobrevivessem e esse gene foi passado
adiante. Essas necessidades vão diminuindo conforme sua maturidade.
A
dica é aproveitar essa fase inicial, em que temos disponibilidade, e
ficar com o bebê no colo, amamentar em livre demanda, sem privar o bebê
do carinho e do colo de mãe que ele tanto precisa e tem direito.
2) Os bebês são inteligentes e têm uma capacidade enorme de adaptação e de distinção de seus cuidadores.
Eles
podem reagir totalmente diferente com a mãe e com a babá ou com a
professora do berçário (que eles sabem que não é a mãe). A capacidade e a
inteligência dos bebês de distinguir seus cuidadores permite que eles
criem modos de interação distintos com eles. Porém, é comum e esperado
que o bebê demande sempre mais da mãe, porque sabe que pode, porque
confia mais nela.
Então, o bebê criará laços afetivos com o
novo cuidador e eles se entenderão na nova forma de adormecer. E, no
final do dia e à noite, de volta aos braços da mãe, o bebê pedirá mais
carinho, mais afago, e muito provavelmente pedirá para mamar para
adormecer, mesmo que não o faça com o cuidador durante o dia. Afinal de
contas estarão com saudades e sabem que mamãe pode oferecer o peito e
curtem estar nos braços de sua referência em amor e confiança.
3) Não compensa promover separação prévia para ‘acostumar’ ou ‘preparar’ o bebê com o retorno ao trabalho.
Não
sofram por antecedência achando que têm de acostumar o bebê desde cedo a
adormecer sozinho. Bebês não têm maturidade neurológica e compreensão
para tal, então essa é uma expectativa irreal. Eles podem ter vários
sentimentos e sensações que os perturbem durante a noite e precisam de
nossa ajuda. Bebês demandam a mãe, mesmo no período noturno, e,
especialmente, se ficaram longe dela durante o dia. A criança tem em sua
mãe o referencial de segurança, estabilidade e afeto.
Um
bebê nunca fica ‘mal-acostumado’ por ter colo, embalo, acalanto, pelo
contrário, precisam disso para continuar a se desenvolver. Revisamos
isso em meu artigo anterior ‘A natureza do sono dos bebês’ (1).
Portanto, não faz sentido promover um afastamento prévio entre vocês
‘pensando no futuro’; isso só acaba gerando sofrimentos desnecessários
para ambos, mãe e bebê. Se a criança não tem colo quando pequeno, não
tem no futuro, terá quando, então? Se seu marido tem uma viagem
planejada para semana que vem, para ficar um bom tempo fora, você, para
se acostumar com a ausência dele, já vai se preparando e deixa de dormir
na mesma cama que ele, deixa de beijá-lo e de abraçá-lo? Ou faz o
oposto e trata de aproveitar ao máximo os últimos dias antes da viagem?
A
questão, portanto, não é fazer o bebê 'se desacostumar' de colo, pois
ninguém se desacostuma de uma necessidade física ou psicológica. A
questão é, sim, ajudar o bebê a criar confiança em outro cuidador.
4) "Treinar" ou condicionar o bebê a dormir sozinho vai contra sua natureza, e tem consequências.
Condicionar
o bebê a adormecer sozinho não vai ajudá-lo no próximo período de
afastamento entre vocês, pelo contrário. Para ajudá-lo, é necessário que
exista acolhimento e apego entre vocês, contínuo e íntimo, assim seu
estado emocional vai se fortalecendo, ele se sente acolhido, importante e
atendido, e vai lidar melhor com outras situações de separação.
A
maioria de planos de treinamento para bebês oferece o risco de
dessensibilização dos sinais enviados, especialmente quando há choro sem
consolo envolvido. Em outras palavras, ao invés de ajudar a descobrir o
que os sinais enviados pelo seu bebê significam, esses métodos pedem
que você os ignore. Nem você nem seu bebê aprendem nada de bom com isso.
E, com a separação durante o dia entre vocês pelo retorno ao ao
trabalho, a angústia do bebê tende a piorar (2).
Um estudo
recente mostrou que os bebês têm capacidade de prever respostas
estressantes. Eles foram divididos em dois grupos, no primeiro as mães
interagiam com eles continuamente, enquanto que no segundo bebês foram
ignorados por elas por somente dois minutos. Os níveis de cortisol,
hormônio do estresse, foram medidos após os experimentos. No dia
seguinte, o grupo que foi ignorado teve níveis de cortisol mais elevados
do que o grupo controle, provando que eles têm capacidade de antecipar o
estresse (3).
O cortisol em níveis elevados no cérebro do
bebê pode ser corrosivo. O cérebro do bebê está em pleno
desenvolvimento e a exposição desse hormônio por períodos prolongados
impede a conexão entre alguns nervos e provoca a degeneração de outros. É
possível que bebês que são submetidos a muitas noites de choro sem
consolo sofram efeitos neurológicos prejudiciais que poderão ter
implicações permanentes no desenvolvimento neurológico. Para ler um
compêndio de artigos científicos sobre o tema cortisol e efeitos no
desenvolvimento cerebral, veja a referência 4.
É preciso ter senso crítico e usar de discernimento quando recebemos
conselhos que prometem milagres. Esses métodos de condicionamento
envolvem vários riscos; além dos efeitos neurológicos, podem criar uma
distância entre você e seu bebê, e ele perde a oportunidade de construir
confiança no seu ambiente.
Algumas dicas práticas para mães preocupadas com retorno ao trabalho:
- Busca de um novo cuidador:
procure um novo cuidador que tenha disponibilidade emocional, que tenha
chance de criar um laço afetivo com seu bebê, que tenha empatia e
carinho, que o carregue no colo, não o deixe chorar e que o embale para
dormir. Não é qualquer pessoa que tem preparo emocional para cuidar,
acolher e maternar um bebê. É importante que ele se apegue ao novo
cuidador, pois é dependente por natureza e precisa desse vínculo. A
dependência natural é um fato biológico, e não resultado do excesso de
mimo materno (5).
Sendo creche, babá, parente ou outro
cuidador, lembre-se sempre da disponibilidade emocional como requisito
para cuidar de seu filho, pois não é simplesmente suprir suas
necessidades físicas, mas é também dar amor, ter interesse e prover o
afeto materno na ausência da mãe. Visite várias creches, procure locais
onde dão colo, verifique se deixam os bebês o tempo todo em cadeiras,
andadores ou outros aparatos. Se for esse o caso, é sinal que estão
desprezando a importância do acolhimento emocional no início de vida do
bebê que é tão crítico e fundamental para o resto de nossas vidas.
Para
a criança não é suficiente que lhe troquem as fraldas e lhe deem
comida. O mais necessário e nobre alimento é o afeto, acompanhado de
carinho, prazer e paz (6).
- Envolvimento de outra pessoa no ritual de sono:
encoraje o pai, por exemplo, a participar do ritual de sono do bebê
desde cedo. Ele pode dar o banho e fazer uma massagem, por exemplo.
Depois dos 3-4 meses, em média, se o bebê sempre adormece no peito,
pode-se começar a alternar maneiras de adormecer para que ele não crie
uma associação forte de sugar para dormir (7). Essa dica não é
obrigatória considerando-se que os bebês têm capacidade de distinguir
seus cuidadores (como citado no início do texto) e vai aprender a
adormecer de outra forma com quem ‘não tem peitos’. Existem crianças que
dormem mamando com suas mães em casa e na escolinha adormecem de outra
forma com as cuidadoras, sem problemas.
- Adaptação gradual:
O bebê lidará melhor com essa separação se a adaptação for gradual,
assim terá uma chance de criar um apego com o novo cuidador antes de
separações longas de sua mãe. Para que o novo cuidador crie um bom apego
com ele, criar chances de interação antes de deixá-los sozinhos é
importante.
Recomendo sempre que a mãe vá junto com o bebê
e fique com ele no novo ambiente o tempo todo, pelo menos no início.
Assim ele vai se familiarizando com o local, mas com a segurança de
ainda estar sob os cuidados da mãe. Depois a mãe pode ir se afastando um
pouco, gradualmente, enquanto dá a chance de o bebê se apegar à nova
cuidadora. Porém, não há receita pronta, é questão de observar a criança
e ter sensibilidade. A melhor qualidade que se pode esperar do cuidador
é a empatia com o bebê. Novamente, oriente que lhe dê bastante colo,
não o deixe chorar, mostre quais são os sinais de sono do bebê, deixe
que ele durma as sonecas no colo para dar um consolo afetivo na ausência
da mãe.
- E se o bebê tem ansiedade da separação?
Nos
primeiros meses, a relação mãe e filho é altamente intuitiva, primitiva
mesmo. O bebê não sabe que nasceu e acha que o corpo da mãe é
continuidade do seu e que o seio que o alimenta e lhe dá carinho e
prazer faz parte de um todo ao qual ele pertence. Então, gradualmente e
após o sexto mês é que os bebês vão se dando conta de que são outros
seres e essa percepção de individualidade fica mais clara e evidente.
Assim, progressivamente, vai se estabelecendo o desenvolvimento
psicoafetivo, motor, alimentar e cognitivo da criança (6).
Algumas idéias práticas:
Pratique separações rápidas e diárias
Durante
seus dias juntos crie oportunidades de expor seu bebê a separações
visuais breves, seguras e rápidas (brincar de esconder o rosto e logo
reaparecer é ótimo e eles adoram!). Incentive que seu bebê brinque com
um brinquedo interessante ou com outra pessoa e, quando ele estiver
feliz e distraído com o brinquedo ou com a pessoa, caminhe calma e
lentamente para outro quarto. Assobie, cante, murmure uma canção ou
fale, de modo que seu bebê saiba que você ainda está por perto, mesmo
que não possa vê-la. Pratique essas separações breves algumas vezes ao
dia numa variedade de situações diferentes.
Evite a transferência de colo para colo
É
muito comum passar o bebê do colo de um cuidador para outro. O problema é
que cria ansiedade na criança sair da segurança dos braços da mãe e ser
fisicamente transferido para os braços de outra pessoa que lhe é menos
familiar. Essa separação física é a mais extrema na mente do bebê. Para
reduzir essas sensações de ansiedade faça a mudança com seu bebê num
lugar neutro, como brincando no chão ou sentado numa cadeirinha,
cadeirão de alimentação ou bebê conforto. Peça para o cuidador sentar do
lado de seu bebê e interagir com ele, enquanto isso você fala um
‘tchau’ rápido, porém positivo, num tom feliz. Assim que você sair é um
bom momento para o cuidador pegar seu bebê no colo, e a vantagem é que o
cuidador vai ser colocado na posição de ‘salvador’ e isso pode
ajudá-los nessa relação.
Entenda a ansiedade de separação como um sinal positivo!
É
perfeitamente normal - até maravilhoso - que seu filho tenha esse bom
apego e que deseje essa proximidade com você e sua presença constante.
Parabéns! Isso é a evidência de que o laço afetivo que você criou desde o
início está seguro. Se for o caso, ignore educadamente as pessoas que
te dizem o oposto.
Relaxe em suas expectativas de independência,
isso certamente irá ajudar seu bebê a relaxar também e a ter menos
ansiedade nos momentos de separação entre vocês (8).
- Lembre-se, o acolhimento na infância tem resultado positivo na vida adulta!
Uma
pesquisa recente (9) revelou que a afeição maternal dada aos bebês
torna-os adultos mais bem preparados para enfrentar os problemas da
vida. Cientistas compararam dados das relações de afeto e atenção e
desempenho emocional de bebês de 8 meses com suas mães. Essas pessoas
foram acompanhadas e testadas aos 34 anos de idade sobre vários sintomas
emocionais. Qualquer que fosse o meio social, ficou constatado que os
bebês com bom apego emocional aos 8 meses tinham os níveis de ansiedade,
hostilidade e mal-estar mais baixos quando adultos. Isto confirma que
as experiências na primeira infância têm influências na vida adulta.
D.W. Winnicot, um pediatra famoso que depois se tornou psicanalista
diz que a capacidade de ser feliz de um ser humano depende, além de
todos outros fatores, de um tempo (a infância até os seis anos, mas
principalmente o primeiro ano de vida), e de uma pessoa (uma mulher, a
mãe). Se a mãe não está presente, outro cuidador que entenda esses
conceitos e que atenda as necessidades do bebê se faz necessário.
É
uma responsabilidade sim, de assustar! E é realmente intrigante que
pessoas tenham filhos sem saberem nada disso, sem se darem conta da
importância desse relacionamento profundo, do vínculo necessário que se
forma nesse período, e quando as mães retornam ao trabalho fora de casa
colocam cuidadores em seu lugar que somente cuidam da parte física (6).
- Não ofereça mamadeira e nem desmame seu bebê:
Com o retorno ao trabalho, muitas mães se preocupam porque os bebês não
aceitam a mamadeira e tentam todo tipo de bicos e leites artificiais
diferentes. Às vezes até mesmo o pediatra sugere o desmame. É situação
comum bebês que rejeitam veementemente a mamadeira, isso é sinal de
inteligência, pois a primeira reação da natureza é mesmo rejeitar outros
tipos de alimentação que não o seio materno.
Na verdade é
um erro acreditar que o bebê precisa de uma mamadeira quando você
retorna ao trabalho e que você deve acostumá-lo com antecedência. Se
você treiná-lo a acostumar-se com uma mamadeira, o que provavelmente
acontecerá é um desmame precoce por confusão de bicos. Sempre ouvimos
uma história ou outra de bebês que não desmamaram, mas esse risco é
grande e não há como prever, então é melhor prevenir e alimentar seu
bebê com um copinho.
Além disso, é preciso citar que, mesmo com a oferta de leite materno
ordenhado em uma mamadeira, muitos bebês rejeitam. Dr. González (10)
explica esse fenômeno:
“E a razão é que os
bebês não são bobos. Se a mãe não está em casa e a avó vem com uma
mamadeira (ou melhor ainda, com um copinho para evitar confusão de
bicos), duas coisas podem acontecer. Primeiro, se o bebê não estiver com
fome, ele provavelmente não aceitará nada. Ele vai compensar isso
quando a mãe retornar. Muitos bebês dormem a maior parte do tempo quando
estão distantes das mães, e então vão mamar à noite. A outra
possibilidade é, se o bebê estiver com fome (e especialmente se tiver
leite materno na mamadeira), ele poderá tomá-la e pronto. E ele deve
estar pensando: ‘Bem, ela não está aqui, então é isso que eu tenho que
fazer’. Mas se a mãe está em casa e o bebê pode ver e sentir o peito,
como ele vai aceitar um copinho ou mamadeira? Ele deve pensar: ‘Minha
mãe deve estar louca, ela tem o peito aqui e quer me dar essa
geringonça?’ E ele insiste: ‘É o peito ou nada!’ ”
Se
o bebê é novinho e não há possibilidade de ordenha de leite materno,
pode-se tentar uma alimentação mista, com a mãe amamentando antes e
depois do trabalho e o bebê tomando leite artificial durante o dia.
Muitas mães encontram soluções satisfatórias melhores que oferecer leite
artificial: algumas levam seus bebês para o trabalho (se o ambiente
permite), outras trabalham meio período, algumas conseguem que o bebê
seja levado a elas para serem amamentados, outras ordenham e estocam seu
leite. Se o bebê já tiver mais de seis meses de idade, pode-se planejar
que o bebê se alimente de comida na sua ausência, embora há de se ter
cautela se forem os primeiros alimentos.
A amamentação é
parte essencial da vida do bebê até 2 anos no mínimo e auxilia na
separação parcial entre mãe e filho quando ela retorna ao trabalho fora
de casa. Pode-se planejar ordenha de leite materno e continuação da
amamentação nos períodos que mãe e filhos estão juntos. O desmame junto
com o retorno ao trabalho pode ser bem traumático para o bebê (10):
“Quando você sai para o trabalho (ou quando sai
com o cachorro), o seu bebê não sabe onde você está e quanto tempo você
vai demorar. Ele ficará muito assustado e chorará como se você fosse
deixá-lo para sempre. Vai levar alguns anos até que seu bebê seja capaz
de ficar longe de você sem chorar e antes que ele entenda que a ‘mamãe
vai voltar logo’. Toda vez que você voltar, vai abraçá-lo, amamentá-lo e
o bebê pensará: ‘outro alarme falso!’. Mas se você retornar ao trabalho
e tentar desmamá-lo abruptamente e ao mesmo tempo, quando você volta do
trabalho, o bebê pede para mamar e você recusa, o que o bebê irá
pensar? ‘Ela me abandonou porque não gosta mais de mim.’ Esse é o pior
momento para o desmame.”
- Então como fica a alimentação do bebê?
Se você volta a trabalhar quando o bebê tiver menos de 1 ano, planeje
com antecedência como ordenhar (alugue ou compre uma bomba elétrica),
estocar e oferecer o leite materno para o bebê. Veja orientações na
referência 11. Use um copinho ou mamadeira-colher para oferecer o leite
ordenhado e não mamadeira. Se ele tiver mais de 1 ano, pode alimentar-se
de sólidos e mamar quando estiverem juntos.
- Tenha mente aberta para cama familiar:
Alguns bebês passam a mamar à noite com mais frequência para compensar
as mamadas perdidas durante o dia quando a mãe volta a trabalha fora.
Isso é chamado ‘amamentação em ciclo reverso’ e é um mecanismo de
sobrevivência de nossa espécie. Nesses casos, praticar cama
compartilhada e amamentar deitada pode ajudar a saciar as necessidade do
bebê ao mesmo tempo em que os hormônios da amamentação auxiliam mãe e
bebê a adormecerem novamente (12-14). O bebê fica mais tranquilo ao
saber que, mesmo passando o dia todo longe da mãe, à noite estará com
ela. A proximidade com o corpo materno sintoniza as pautas de sono do
bebê com as da mãe e regula o seu nível de excitação, temperatura
corporal, o ritmo metabólico, níveis hormonais, ritmo cardíaco,
respiração e sistema imunológico, pois o efeito anti-estresse do
estreito contato físico libera ocitocina, que fortalece o sistema
imunológico do bebê (12-15).
Nem todas as famílias adotam cama compartilhada por receio de ser
difícil conseguir que a criança durma sozinha depois. A reflexão aqui é
de que as necessidades mais intensas de proximidade se dão na primeira
infância: bebês têm necessidade de proximidade com a mãe (15) e a cama
compartilhada responderia a essas necessidades. Mais tarde, seria um
outro momento, com o bebê com outra cognição, maturidade e evolução.
Se
a criança dorme longe dos pais à noite, fica longe durante o dia e,
principalmente, se o bebê não mama mais no peito (portanto não tem o
contato íntimo da amamentação), precisa de alguma compensação afetiva e
se beneficiaria da proximidade da cama familiar. O mesmo acontece se o
bebê estiver em processo de angústia da separação, que se inicia entre
6-8 meses e vai até 2-3 anos, com altos e baixos.
Quando
os bebês sinalizam que precisam de contato corporal com os pais, mostrar
empatia, entender e acolher é excelente, pois a criança que se recusa a
dormir pode estar precisando de mais contato corporal com o pai e a
mãe. É uma necessidade primitiva da criança ter contato íntimo com a
pele do corpo de outra pessoa enquanto adormece, mas isso se choca com
todas as regras culturais que exigem que as crianças durmam sozinhas
(16).
- Procure seus direitos de licença maternidade de seis meses,
negocie com o chefe, tire férias junto com a licença, adie alguns
planos, trabalhe meio período, procure um emprego mais flexível, procure
trabalhos que possa fazer em casa.
Esses dois meses a mais fazem toda a diferença para a criança: a
amamentação exclusiva por 6 meses diminui o risco de alergias (17),
dermatite atópica (18), asma (19), infecções gastrointestinais (20),
doenças contagiosas (21), otite média, infecções respiratórias agudas,
gastroenterite, infecções urinárias, conjuntivite e candidíase oral
(22). A introdução de alimentos aos 6 meses é feita na hora ideal,
quando o bebê já tem capacidade fisiológica para assimilar os alimentos
novos (23). Muitos bebês têm reações indesejadas com a introdução de
alimentos antes dos seis meses, como prisão de ventre, refluxo, cólicas e
é claro que tudo isso atrapalha o sono. Se não tem outra solução,
invista na ordenha, estoque e oferecimento de leite materno para o bebê
até os 6 meses. Veja na referência 11 como ordenhar e estocar o leite
materno e utilize um copinho ou mamadeira-colher para oferecer ao seu
bebê. Muitas mães que trabalham podem e devem investir na amamentação
exclusiva por 6 meses e esse trabalho todo compensa.
- Lidando com a separação:
entenda a reação do bebê e mostre empatia (apesar do cansaço): sua
volta ao trabalho e afastamento é algo bem complicado para um bebê,
porque é você a mãe dele, você é insubstituível da forma que você é para
seu filho. Outros cuidadores irão criar vínculos afetivos com seu bebê,
mas a mãe tem outro peso. Entenda a amamentação em ciclo reverso como
uma forma de compensação afetiva. Entenda e acolha as necessidades do
bebê (que são simples, mas são intensas, de muito contato íntimo, colo,
peito). Esse acolhimento é essencial para o desenvolvimento de sua
autoestima no futuro.
O padrão de sono do bebê com outro cuidador pode mudar e essa mudança
pode interferir no sono noturno. O bebê cansado (caso não tire boas
sonecas na escolinha, por exemplo) está secretando mais cortisol, que
causa agitação fisiológica, irritação e dificuldades de adormecer. A
exaustão é contraproducente com o sono, pois quanto mais exausto, mais
lutará contra o sono e mais acordará à noite. Se as sonecas estão muito
curtas na escola é comum que o sono noturno também seja influenciado.
Orientar as cuidadoras a esticarem as sonecas, explicar a importância
das sonecas durarem pelo menos 1 hora para serem restauradoras, usar
algum barulho estático ao fundo para ajudar nas sonecas são atitudes que
você pode tomar.
Referências:
1- A natureza do sono dos bebês
2- William Sears, Martha Sears,
Robert Sears, James Sears. The Baby Sleep Book: The Complete Guide to a
Good Night's Rest for the Whole Family. Little, Brown and Company; 1
edition, 2005.
3- Haley DW, Cordick J, Mackrell S, Antony I, Ryan-Harrison M. Infant anticipatory stress. Biol Lett. 2010 Aug 25.
4- Sears, W. A ciência diz: choro prolongado no bebê pode ser prejudicial ao desenvolvimento cerebral- http://www.askdrsears.com/html/10/handout2.asp
5-
Bowlby, J. Attachment [Vol. 1 of Attachment and Loss]. London: Hogarth
Press; New York, Basic Books; Harmondsworth, UK: Penguin. 1982.
6-
José Martins Filho. A Criança Terceirizada. Os descaminhos das relações
familiares no mundo contemporâneo. Editora Papirus, 2007.
7- Pantley, E. Soluções para noites sem choro. Editora M Books, 2005.
8-
Pantley. E. No-Cry Separation Anxiety Solution: Gentle Ways to Make
Good-Bye Easy from Six Months to Six Years. Editora McGraw-Hill, 2010.
9-
Maselko J, Kubzansky L, Lipsitt L, Buka SL. Mother's affection at 8
months predicts emotional distress in adulthood. J Epidemiol Community
Health. 2010 Jul 26.
10- Carlos González. My Child Won't Eat!: How to Prevent and Solve the Problem (La Leche League International Book). 2005.
11- Extração e Conservação do Leite Materno: http://www.aleitamento.com
12-
McKenna JJ, Why babies should never sleep alone: a review of the
co-sleeping controversy in relation to SIDS, bedsharing and breast
feeding, Paediatr Respir Rev. 2005 Jun;6(2):134-52.
13- McKenna JJ, Mosko SS, Richard CA. Bedsharing promotes breastfeeding. Pediatrics. 1997 Aug;100(2 Pt 1):214-9.
14-
Mosko S, Richard C, McKenna J, Drummond S, Mukai D.; Mosko S, Richard
C, McKenna J. Maternal sleep and arousals during bedsharing with
infants. Sleep. 1997 Feb;20(2):142-50.
15- Margot Sunderland, The Science of Parenting. DK Publishing Inc. 2006.
16- Freud, Anna: Infância normal e patológica: Determinantes do Desenvolvimento, 4ª. ed., Ed. Guanabara, RJ: 1987.
17- Anderson J, Malley K, Snell R. Is 6 months still the best for
exclusive breastfeeding and introduction of solids? A literature review
with consideration to the risk of the development of allergies.
Breastfeed Rev. 2009 Jul;17(2):23-31. Review.
18- Yang YW, Tsai
CL, Lu CY. Exclusive breastfeeding and incident atopic dermatitis in
childhood: a systematic review and meta-analysis of prospective cohort
studies. Br J Dermatol. 2009 Aug;161(2):373-83. 2009 Feb 23. Review.
19-
Fiocchi A, Assa'ad A, Bahna S; Adverse Reactions to Foods Committee;
American College of Allergy, Asthma and Immunology. Food allergy and the
introduction of solid foods to infants: a consensus document. Adverse
Reactions to Foods Committee, American College of Allergy, Asthma and
Immunology. Ann Allergy Asthma Immunol. 2006 Jul;97(1):10-20; quiz 21,
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20- Kramer MS, Kakuma R. Optimal duration of exclusive breastfeeding. Cochrane Database Syst Rev. 2002;(1):CD003517. Review.
21-
Duijts L, Jaddoe VW, Hofman A, Moll HA. Prolonged and exclusive
breastfeeding reduces the risk of infectious diseases in infancy.
Pediatrics. 2010 Jul;126(1):e18-25. 2010 Jun 21.
22- Ladomenou,
F., Moschandreas J., Kafatos A., et al. Protective effect of exclusive
breastfeeding against infections during infancy: a prospective. Study.
Arch Dis Child. Published online September 27, 2010.
23- Kramer MS, Kakuma R. The optimal duration of exclusive breastfeeding: a systematic review. Adv Exp Med Biol. 2004;554:63-77.
Dra. Andréia K. Mortesen, neurocientista
Publicado originalmente no Guia do Bebê, do UOL, em 9/11/2010
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sábado, 1 de agosto de 2015
quarta-feira, 15 de julho de 2015
Cama ou quarto compartilhado: promovendo a independência
Link para o texto original em inglês: http://www.evolutionaryparenting.com/?p=63
Tradução: Gabriela de O. M. da Silva
Não é segredo que sou uma GRANDE fã da cama compartilhada. Além da amamentação, eu acho que é a melhor coisa que você pode fazer pelo seu bebê. E ainda assim, quando você comenta com alguém a respeito de fazer essa prática, sobrancelhas se levantam mais rápido do que com uso de Botox.
Geralmente as pessoas começam com um olhar de espanto e logo perguntam quando você pensa em parar com isso, como se fosse um hábito desagradável, comparável a fumar ou deixar sua criança fazer xixi no chão. Se você questionar essas pessoas a respeito de porquê pensam que é um hábito nocivo, na maioria das vezes é devido ao fato de acreditarem que dormir com seu bebê vai torná-lo menos independente, mais carente, e assim meio que inútil para o restante da vida. Afinal, nós todos queremos que nossos filhos saiam para enfrentar o mundo, e se você tem uma criança que é muito ligada ao pai ou à mãe, como ela poderá ser um indivíduo com personalidade própria? E compartilhar a cama é visto como uma das coisas que tornará a criança dependente da mamã e do papai para sempre. Certo? Bem, se existissem evidências de que esse é realmente o caso, eu não estaria escrevendo esse artigo agora, estaria? Não, e na verdade parece que é justamente o contrário do que muita gente acredita.
Aqui vamos nós… Crianças que dormem em cama/quarto compartilhado tendem a ser – veja só – MENOS medrosas e MAIS independentes do que aquelas que dormem sozinhas. Por alguma razão, as pessoas começaram a acreditar que os bebês precisavam ser mais independentes, e que aprender a dormir sozinhos desde o primeiro dia de nascidos seria uma forma de fazer isso. Primeiramente, é uma besteira enorme dizer que os bebês precisam ser independentes – eles não podem ser, afinal, são bebês! Eles sequer sabem que existem até completarem um aninho de vida ou mais, então como podem ser independentes antes disso? Contudo, conforme as crianças crescem, elas se tornam (felizmente) mais independentes, e nessa fase são as crianças que dormiram com os pais (ou continuam dormindo) e receberam toneladas de carinho e contato corporal que se mostram as mais destemidas, enquanto as que foram deixadas sozinhas para serem "independentes" enquanto bebês tendem a ser mais tímidas, ansiosas e amedrontadas. (Eu adoro ter uma parte de mim que ama esse paradoxo porque é completamente intuitivo quando você pensa pelo ponto de vista de um bebê. É exatamente o que a maioria das pessoas não fazem – elas pensam nos bebês como se fossem adultos, com pensamentos e crenças de adultos, apenas em uma escala menor.)
Parte da explicação desse paradoxo vem do apego – bebês que dormem com os pais tendem a ser mais apegados às mães, e pesquisas mostraram que crianças que são mais apegadas exploram mais e são mais independentes que aquelas que não têm apego com os pais. Bem, é importante notar que pode ser que os pais façam cama/quarto compartilhado por serem mais responsivos aos filhos, e não seja o fato de dormir com o bebê em si que o torne mais apegado/independente. Contudo, existem outros motivos para se acreditar que esse arranjo para dormir promova sim independência.
Tudo gira em torno dos hormônios. Como um dos milhares de apontamentos do Dr. Sears, a hora de dormir à noite é um dos momentos mais estressantes para um bebê. A escuridão e o silêncio da casa são na verdade bastante assustadores para crianças novas, que foram acostumadas com som estático constante dentro do útero (por exemplo as batidas do coração da mamãe) e a sensação de estar sendo mantido apertado, segurado forte. Assim, ser colocado longe de outras pessoas (e sem contato humano) aumenta a resposta ao estresse nessas crianças. O contato entre mãe e bebê a qualquer momento do dia reduz o estresse do pequeno através da liberação de ocitocina, um hormônio que é conhecido por promover contato e comportamento amoroso (também conhecido como hormônio do "aconchego"), especialmente quando há contato pele a pele (ex., Uvnas Moberg, 2003). Dormir com o bebê também diminui no corpinho dele os níveis do hormônio do estresse chamado cortisol (Waynforth, 2007). Então, ao fazer cama/quarto compartilhado você dá ao seu bebê uma carga de hormônios que lhe trarão prazer e são relacionados a ligações afetivas maiores, bem como à redução dos hormônios associados ao estresse.
Mas aí você vai me perguntar: como esses hormônios contribuem para a independência? Pense em você mesmo e em suas reações a várias situações. Todos já tivemos dias em que estávamos super estressados, quase arrancando nossos próprios cabelos. Nesses dias, quão disposto você estava para sair e explorar novos lugares, conhecer pessoas novas, tentar coisas diferentes? Se você estiver no grupo chamado "normal" e está sendo honesto, provavelmente vai dizer "Nem um pouco." Ao invés disso, você pediria uma taça (ou garrafa) de vinho em um lugar seguro, aconchegante, longe das pessoas ou locais potencialmente estressantes, pois evitar o estresse é parte da nossa reação – enfiar a cabeça num buraco e esperar que o que estiver te estressando desapareça. Isso é devido ao fato de que o estresse tem relação com o medo, e dessa forma ambos ativam a resposta de "lutar ou fugir", ainda que em diferentes níveis de intensidade. Logo, um bebê que está constantemente sob estresse tende a procurar lugares seguros e permanecer por lá. Assim como nós adultos fazemos. Agora lembre-se de momentos em que você estava feliz, relaxado e calmo. Durante esses momentos da sua vida você procura fazer coisas novas? Conhecer gente diferente? Ir a outros lugares? Sim, porque esse é o estado de espírito do qual necessitamos para sair e explorar o mundo. Então um bebê que tem níveis mais baixos de cortisol e mais altos de ocitocina, tende a estar mais disposto a conhecer o mundo frequentemente.
Outra razão que associa a cama/quarto compartilhado a independência é que dormir perto do seu bebê gera uma sensação de segurança devido à resposta imediata durante períodos críticos. Todos os recém-nascidos possuem o reflexo de moro, que o faz se assustarem e costuma ocorrer enquanto dormem. (Para aqueles que não têm mais um recém nascido, até os 3 meses de idade, enquanto dorme, os braços e pernas do seu bebê tremem como se ele estivesse caindo. Esse é o reflexo de moro). Se a sua criança estiver no colo de um adulto ou estiver por perto (como em um berço grudado à sua cama, com a grade lateral abaixada), é muito mais fácil controlar o reflexo e acalmá-lo antes que acorde e entre em pânico. Contudo, se você não estiver segurando o bebê, o reflexo de moro vai acordar seu bebê em pânico. O cortisol estará então circulando pela sua corrente sanguínea e vai demorar bem mais tempo até você conseguir acalmá-lo. Muitos pais passam por isso quando são acordados por um bebê que está gritando. Quando isso acontece, o que o bebê aprende a partir dessa experiência? Que o mundo não é um lugar seguro e que deve estar sempre alerta. Quando seus níveis de estresse estão constantemente altos, você aprende a estar mais vigilante para conseguir manter-se longe de perigos em potencial. Honestamente, eu me surpreendo com o fato de tais crianças não estarem clamando para voltar ao útero, após essas boas-vindas ao mundo.
Os bebês que dormem com seus pais aprendem algo bem diferente. Como eles são imediatamente tocados e confortados quando passam por esse reflexo de moro (e muitas vezes nem chegam a acordar), eles aprendem que o mundo é seguro para eles. Alguém estará por perto para socorrer quando precisarem de ajuda. Quando você sabe que tem uma rede de proteção, é muito mais fácil tentar andar na corda bamba do que se você não soubesse se iria ser amparado ou não no caso de uma queda. E uma vez que você começa a acreditar que há uma rede de proteção (chamada mamãe e papai), você se torna mais propenso a se arriscar e tentar coisas novas. Então, através da cama/quarto compartilhado você está oferecendo ao seu filho a base para um forte senso de segurança e sensações duradouras de conforto e proteção. Você está também alterando o balanço hormonal para melhor – reduzindo hormônios negativos (cortisol, por exemplo) e promovendo os positivos (oxitocina, por exemplo). E para culminar, você está aumentando as chances de seu filho ter uma ligação estreita com você, o que traz uma enorme variedade de resultados futuros maravilhosos. Eu acho que isso explica porque evoluímos para a cama/quarto compartilhado. [1].
Então quando você pensar em como você quer que seu filho seja criado e que tipo de pessoa você quer que ele seja – extrovertido ou inibido? Aventureiro ou tímido? Medroso ou corajoso? – pense a respeito do que você está ensinando a respeito do mundo através de suas ações frente ao bebê. E saiba que uma forma de dar à criança uma base sólida é dormir junto dela ou dele – seu filho vai agradecer a longo prazo.
[1] Existem regras a respeito de como fazer a cama/quarto compartilhado com segurança. Leia o artigo a respeito disso se você quiser saber mais, pois existem algumas coisas que podem tornar o ato de dormir com o bebê algo perigoso. Como você vai perceber, algumas dessas coisas (estar bêbado, por exemplo) são bem óbvias e nem precisariam ser ditas, mas existem outras com as quais você vai ficar surpreso.
https://www.facebook.com/notes/solu%C3%A7%C3%B5es-para-noites-sem-choro/normas-gerais-de-seguran%C3%A7a-da-cama-compartilhada/301069299917486
Tradução: Gabriela de O. M. da Silva
Não é segredo que sou uma GRANDE fã da cama compartilhada. Além da amamentação, eu acho que é a melhor coisa que você pode fazer pelo seu bebê. E ainda assim, quando você comenta com alguém a respeito de fazer essa prática, sobrancelhas se levantam mais rápido do que com uso de Botox.
Geralmente as pessoas começam com um olhar de espanto e logo perguntam quando você pensa em parar com isso, como se fosse um hábito desagradável, comparável a fumar ou deixar sua criança fazer xixi no chão. Se você questionar essas pessoas a respeito de porquê pensam que é um hábito nocivo, na maioria das vezes é devido ao fato de acreditarem que dormir com seu bebê vai torná-lo menos independente, mais carente, e assim meio que inútil para o restante da vida. Afinal, nós todos queremos que nossos filhos saiam para enfrentar o mundo, e se você tem uma criança que é muito ligada ao pai ou à mãe, como ela poderá ser um indivíduo com personalidade própria? E compartilhar a cama é visto como uma das coisas que tornará a criança dependente da mamã e do papai para sempre. Certo? Bem, se existissem evidências de que esse é realmente o caso, eu não estaria escrevendo esse artigo agora, estaria? Não, e na verdade parece que é justamente o contrário do que muita gente acredita.
Aqui vamos nós… Crianças que dormem em cama/quarto compartilhado tendem a ser – veja só – MENOS medrosas e MAIS independentes do que aquelas que dormem sozinhas. Por alguma razão, as pessoas começaram a acreditar que os bebês precisavam ser mais independentes, e que aprender a dormir sozinhos desde o primeiro dia de nascidos seria uma forma de fazer isso. Primeiramente, é uma besteira enorme dizer que os bebês precisam ser independentes – eles não podem ser, afinal, são bebês! Eles sequer sabem que existem até completarem um aninho de vida ou mais, então como podem ser independentes antes disso? Contudo, conforme as crianças crescem, elas se tornam (felizmente) mais independentes, e nessa fase são as crianças que dormiram com os pais (ou continuam dormindo) e receberam toneladas de carinho e contato corporal que se mostram as mais destemidas, enquanto as que foram deixadas sozinhas para serem "independentes" enquanto bebês tendem a ser mais tímidas, ansiosas e amedrontadas. (Eu adoro ter uma parte de mim que ama esse paradoxo porque é completamente intuitivo quando você pensa pelo ponto de vista de um bebê. É exatamente o que a maioria das pessoas não fazem – elas pensam nos bebês como se fossem adultos, com pensamentos e crenças de adultos, apenas em uma escala menor.)
Parte da explicação desse paradoxo vem do apego – bebês que dormem com os pais tendem a ser mais apegados às mães, e pesquisas mostraram que crianças que são mais apegadas exploram mais e são mais independentes que aquelas que não têm apego com os pais. Bem, é importante notar que pode ser que os pais façam cama/quarto compartilhado por serem mais responsivos aos filhos, e não seja o fato de dormir com o bebê em si que o torne mais apegado/independente. Contudo, existem outros motivos para se acreditar que esse arranjo para dormir promova sim independência.
Tudo gira em torno dos hormônios. Como um dos milhares de apontamentos do Dr. Sears, a hora de dormir à noite é um dos momentos mais estressantes para um bebê. A escuridão e o silêncio da casa são na verdade bastante assustadores para crianças novas, que foram acostumadas com som estático constante dentro do útero (por exemplo as batidas do coração da mamãe) e a sensação de estar sendo mantido apertado, segurado forte. Assim, ser colocado longe de outras pessoas (e sem contato humano) aumenta a resposta ao estresse nessas crianças. O contato entre mãe e bebê a qualquer momento do dia reduz o estresse do pequeno através da liberação de ocitocina, um hormônio que é conhecido por promover contato e comportamento amoroso (também conhecido como hormônio do "aconchego"), especialmente quando há contato pele a pele (ex., Uvnas Moberg, 2003). Dormir com o bebê também diminui no corpinho dele os níveis do hormônio do estresse chamado cortisol (Waynforth, 2007). Então, ao fazer cama/quarto compartilhado você dá ao seu bebê uma carga de hormônios que lhe trarão prazer e são relacionados a ligações afetivas maiores, bem como à redução dos hormônios associados ao estresse.
Mas aí você vai me perguntar: como esses hormônios contribuem para a independência? Pense em você mesmo e em suas reações a várias situações. Todos já tivemos dias em que estávamos super estressados, quase arrancando nossos próprios cabelos. Nesses dias, quão disposto você estava para sair e explorar novos lugares, conhecer pessoas novas, tentar coisas diferentes? Se você estiver no grupo chamado "normal" e está sendo honesto, provavelmente vai dizer "Nem um pouco." Ao invés disso, você pediria uma taça (ou garrafa) de vinho em um lugar seguro, aconchegante, longe das pessoas ou locais potencialmente estressantes, pois evitar o estresse é parte da nossa reação – enfiar a cabeça num buraco e esperar que o que estiver te estressando desapareça. Isso é devido ao fato de que o estresse tem relação com o medo, e dessa forma ambos ativam a resposta de "lutar ou fugir", ainda que em diferentes níveis de intensidade. Logo, um bebê que está constantemente sob estresse tende a procurar lugares seguros e permanecer por lá. Assim como nós adultos fazemos. Agora lembre-se de momentos em que você estava feliz, relaxado e calmo. Durante esses momentos da sua vida você procura fazer coisas novas? Conhecer gente diferente? Ir a outros lugares? Sim, porque esse é o estado de espírito do qual necessitamos para sair e explorar o mundo. Então um bebê que tem níveis mais baixos de cortisol e mais altos de ocitocina, tende a estar mais disposto a conhecer o mundo frequentemente.
Outra razão que associa a cama/quarto compartilhado a independência é que dormir perto do seu bebê gera uma sensação de segurança devido à resposta imediata durante períodos críticos. Todos os recém-nascidos possuem o reflexo de moro, que o faz se assustarem e costuma ocorrer enquanto dormem. (Para aqueles que não têm mais um recém nascido, até os 3 meses de idade, enquanto dorme, os braços e pernas do seu bebê tremem como se ele estivesse caindo. Esse é o reflexo de moro). Se a sua criança estiver no colo de um adulto ou estiver por perto (como em um berço grudado à sua cama, com a grade lateral abaixada), é muito mais fácil controlar o reflexo e acalmá-lo antes que acorde e entre em pânico. Contudo, se você não estiver segurando o bebê, o reflexo de moro vai acordar seu bebê em pânico. O cortisol estará então circulando pela sua corrente sanguínea e vai demorar bem mais tempo até você conseguir acalmá-lo. Muitos pais passam por isso quando são acordados por um bebê que está gritando. Quando isso acontece, o que o bebê aprende a partir dessa experiência? Que o mundo não é um lugar seguro e que deve estar sempre alerta. Quando seus níveis de estresse estão constantemente altos, você aprende a estar mais vigilante para conseguir manter-se longe de perigos em potencial. Honestamente, eu me surpreendo com o fato de tais crianças não estarem clamando para voltar ao útero, após essas boas-vindas ao mundo.
Os bebês que dormem com seus pais aprendem algo bem diferente. Como eles são imediatamente tocados e confortados quando passam por esse reflexo de moro (e muitas vezes nem chegam a acordar), eles aprendem que o mundo é seguro para eles. Alguém estará por perto para socorrer quando precisarem de ajuda. Quando você sabe que tem uma rede de proteção, é muito mais fácil tentar andar na corda bamba do que se você não soubesse se iria ser amparado ou não no caso de uma queda. E uma vez que você começa a acreditar que há uma rede de proteção (chamada mamãe e papai), você se torna mais propenso a se arriscar e tentar coisas novas. Então, através da cama/quarto compartilhado você está oferecendo ao seu filho a base para um forte senso de segurança e sensações duradouras de conforto e proteção. Você está também alterando o balanço hormonal para melhor – reduzindo hormônios negativos (cortisol, por exemplo) e promovendo os positivos (oxitocina, por exemplo). E para culminar, você está aumentando as chances de seu filho ter uma ligação estreita com você, o que traz uma enorme variedade de resultados futuros maravilhosos. Eu acho que isso explica porque evoluímos para a cama/quarto compartilhado. [1].
Então quando você pensar em como você quer que seu filho seja criado e que tipo de pessoa você quer que ele seja – extrovertido ou inibido? Aventureiro ou tímido? Medroso ou corajoso? – pense a respeito do que você está ensinando a respeito do mundo através de suas ações frente ao bebê. E saiba que uma forma de dar à criança uma base sólida é dormir junto dela ou dele – seu filho vai agradecer a longo prazo.
[1] Existem regras a respeito de como fazer a cama/quarto compartilhado com segurança. Leia o artigo a respeito disso se você quiser saber mais, pois existem algumas coisas que podem tornar o ato de dormir com o bebê algo perigoso. Como você vai perceber, algumas dessas coisas (estar bêbado, por exemplo) são bem óbvias e nem precisariam ser ditas, mas existem outras com as quais você vai ficar surpreso.
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segunda-feira, 30 de março de 2015
Eu deveria deixar meu bebê dormir comigo?
Este artigo foi retirado do Capítulo 4 do livro de Aletha Solter, "The Aware Baby" - "O Bebê Atento” (edição revisada).
Os indivíduos jovens de todos os mamíferos terrestres dormem em proximidade íntima a suas mães. Durante milhões de anos nos tempos pré-históricos, as crianças humanas provavelmente dormiam com suas mães. Nas tradicionais culturas tribais de hoje a prática de dormir com as crianças ainda é totalmente comum. Porém, nas culturas tecnologicamente avançadas da América do Norte e Europa, esta prática foi amplamente abandonada em favor dos berços. Na maioria das casas, a criança nem sequer dorme no mesmo quarto que seus pais.
Quando e como a prática natural de dormir com as crianças se perdeu na Cultura Ocidental? Durante o século 13 na Europa, os padres católicos foram os primeiros a recomendar que as mães parassem de dormir junto com as crianças.(1) Apesar da razão primária para este conselho ter sido provavelmente o surgimento do patriarcado e o medo de muita influência feminina nas crianças (principalmente nos meninos), a razão alegada para a recomendação era o medo de que se pudesse sufocar as crianças, situação mais conhecida como "overlaying" (rolar por sobre o bebê). Agora já se acredita que na maioria dos casos as mortes de crianças durante a Idade Média foram causadas por doença ou infanticídio. Quando um sufocamento acidental ocorria, era provavelmente porque um dos pais estava sob influência do álcool.
Nos séculos 14 e 15, o conselho de não dormir com as crianças começou a fazer efeito, e os berços eram itens comuns da mobília em quase todas as casas européias em que vivessem crianças.(2) A idade em que os bebês eram colocados para dormir nos berços durante a noite, em lugar de nos braços de suas mães, foi ficando cada vez mais jovem. Após a Revolução Industrial no século 18, a noção de "criança mimada/estragada" foi muito difundida nos países industrializados, e as mães eram advertidas para não pegar muito em seus bebês por medo de se criar monstros exigentes.
Durante o século 20, as crianças das sociedades tecnológicas foram mais separadas de suas mães do que em qualquer época anterior na história da nossa espécie. Mais e mais nascimentos aconteceram em hospitais, e os berçários nos hospitais foram inventados para proteger as crianças de infecções. Desde o início, esperava-se que os bebês dormissem sozinhos, longe de suas mães. O declínio da amamentação, promovido pela empresas produtoras de leites substitutos, mais tarde contribuiu para agravar esta separação entre mães e bebês. Durante a amamentação, as mães normalmente produzem hormônios (como a oxitocina e a prolactina), que ajudam a criar um forte desejo de ficar perto dos seus bebês. O aleitamento por mamadeira priva as mães dos hormônios e elimina a necessidade da presença da mãe biológica. O resultado de todas estas influências é que, por volta de 1950, pouquíssimos bebês nas nações industrializadas ocidentais dormiam com suas mães.
Não é de se estranhar que os pais começassem a procurar ajuda para toda uma gama de novos tipos de problemas. Os especialistas no campo de educação infantil se viram procurando soluções para bebês que não dormiam bem à noite, para aqueles que batiam suas próprias cabeças, para criancinhas que fugiam de seus berços e continuavam indo até a cama de seus pais, e para crianças que molhavam suas camas ou tinham pesadelos e medo do escuro. Muitos desses problemas ligados ao sono poderiam ser o resultado de se forçar os bebês a dormirem sozinhos.
Quem sabe o crescente aumento da sexualidade e gravidez na adolescência não esteja relacionado com uma necessidade de ser tocado mais do que um verdadeiro desejo por sexo? A expressão "dormir com alguém" implica em fazer sexo. Talvez esta expressão reflita uma necessidade universal não atendida na infância de dormir junto com os pais e receber carinho e toque deles durante a noite.
Felizmente, a prática de dormir com os bebês e crianças pequenas está começando a ser amplamente recomendada e aceita no Ocidente Industrializado, já que os pais estão começando a confiar em seus impulsos naturais de dividir a cama com seus bebês. A partir de 1970 alguns livros começaram a recomendar que os pais dormissem com os bebês. Agora há muitos livros que recomendam a cama compartilhada, mais conhecida como "co-sleeping" ("sono compartilhado").(3)
Os bebês têm fortes necessidades de conexão que pesquisadores científicos estão apenas começando a entender. A necessidade de contato físico, tanto de dia como de noite, é uma necessidade vital e legítima durante os primeiros anos. Anna Freud, a filha de Sigmund Freud, reconheceu isso quando escreveu: "É uma necessidade primitiva da criança ter contato íntimo e aquecedor com o corpo de outra pessoa enquanto pega no sono.... A necessidade biológica do bebê pela presença constante dos cuidados de um adulto é desconsiderada em nossa cultura ocidental, e as crianças são expostas a muitas horas de solidão devido ao conceito equivocado de que é saudável para o jovem dormir ... sozinho." (4)
Alguns especialistas em educação infantil defendem que os bebês nunca vão querer sair uma vez que tenham sido levados para a cama dos pais. Isto pode ser verdade durante os primeiros anos quando as crianças precisam de intimidade e segurança. Porém, não precisamos forçar as crianças a ficarem independentes. Isto ocorre naturalmente quando a criança supera suas necessidades de bebê.
O forte desejo dos bebês humanos de dormir junto de suas mães deve ter sua base em nossa história evolutiva. No estágio em que nossa espécie se ocupava da caça, os bebês deviam ser extremamente vulneráveis a predadores e ao clima frio, especialmente à noite. Os bebês que temiam o escuro e se recusavam a dormir sozinhos tinham melhores chances de sobreviver do que os bebês que não reclamavam quando eram deixados de lado. Então houve uma forte pressão seletiva em favor desses medos.(5) Apesar dos predadores não serem mais uma ameaça, e de termos casas aquecidas, os reflexos, instintos e necessidades do bebê humano moderno ainda estão ligados ao estilo de vida do estágio da caça. As mudanças culturais ocorreram muito rapidamente para que tivessem um grande impacto na composição genética da nossa espécie desde aquela época...
Pesquisadores estudaram os padrões de sono e as ondas cerebrais dos bebês que dividem a cama com suas mães, comparados aos que dormem sozinhos. Os bebês que dormem com as mães despertam mais vezes e também ficam menos tempo em sono profundo do que os bebês que dormem sozinhos. Isso se deve provavelmente aos sons e movimentos da mãe durante seu próprio sono.(6)
Este estímulo durante a noite foi sugerido como uma possível proteção contra a síndrome da morte súbita infantil (SIDS). Uma teoria para a causa da SIDS é que as crianças dormem tão ruidosamente que são incapazes de despertar a si mesmas e continuar respirando durante um episódio de apnéia.(7) Estudos comparativos entre várias culturas mostraram que, nas culturas em que os bebês são pegos no colo regularmente e em que as mães dormem com as crianças, a média de incidência de SIDS é mais baixa comparada às médias das culturas em que estas práticas não são seguidas.(8) Os pesquisadores não estão dizendo que dormir sozinho causa SIDS, mas sugerem que deixar o bebê dormir com a mãe pode ser um fator de proteção para as crianças que têm o risco de morrer de SIDS.
Dormir com seu bebê pode exigir tempo de adaptação, mas com um pouco de insistência, dividir a cama pode se tornar um prazer para todos. Entretanto, se isso não funcionar bem para você, então pelo menos você pode proporcionar a intimidade física a seu bebê até que ele adormeça, e pode atendê-lo prontamente quando ele acordar durante a noite.
Referências
1. Renggli, F. (1992). Selbstzerstörung aus Verlassenheit: Die Pest als Ausbruch einer Massenpsychose im Mittelalter. Rasch und Röhring Verlag.
2. Renggli, F. (1992). (See 1)
3. Thevenin, T. (1987). The Family Bed: An Age Old Concept in Childrearing. Wayne, NJ: Avery Publishing Group, Inc. (First published in 1976). Sears, W. & Sears, M. (1993). The Baby Book: Everything you Need to Know About Your Baby from Birth to Age Two. Little, Brown & Company. Granju, K.A. & Kennedy, B. (1999). Attachment Parenting: Instinctive Care for Your Baby and Young Child. Pocket Books.
4. Freud, A. (1965). Normality and Pathology in Childhood. New York: International Universities Press.
5. Scott, J.P. (1967). The process of primary socialization in canine and human infants. In J. Hellmuth (Ed.), Exceptional Infant. Vol. 1: The Normal Infant. Seattle: Special Child Publications.
6. Mosko, S., Richard, C., & McKenna, J. (1997). Infant arousals during mother-infant bed sharing: implications for infant sleep and sudden infant death syndrome research. Pediatrics, 100(5), 841-849.
7. Mosko et al. (1997). (See 6)
8. Rognum, O.T. (1995). Sudden Infant Death Syndrome: New Trends in the Nineties. Oslo, Norway: Scandinavian University Press.
Segurança para Compartilhar a Cama
As seguintes dicas de segurança se aplicam a qualquer pessoa que compartilhe a cama com um bebê (não apenas a mãe).
- Não use nenhum tipo de droga que possa afetar seu sono (álcool, tranquilizantes, antidepressivos, drogas ilegais, etc.).
- Nunca fume no quarto onde um bebê dorme.
- Use um colchão firme. Não durma com seu bebê em um colchão macio ou colchão d'água, puff, ou sofá.
- Tome precauções para que seu bebê não caia da cama.
- Evite fendas entre a sua cama e a parede. Tenha certeza de que há um encaixe perfeito entre o colchão e a parede e a cabeceira, e use protetores acolchoados, como no berço.
- Nunca coloque o bebê em um travesseiro.
- Sempre coloque seu bebê para dormir de costas.
- Não use edredons.
- Não coloque na cama nenhum bichinho de pelúcia (ou de verdade!).
- Não durma com seu bebê se você está obeso.
- Prenda o seu cabelo se ele for muito longo.
- Não deixe seu bebê compartilhar a cama com outra criança.
- Não coloque seu bebê próximo a cortinas com cordões pendurados.
- Nunca deixe seu bebê sozinho em uma cama de adulto.
Este texto pode ser lido, original em inglês, em http://www.awareparenting.com/sleep.htm
Tradução: Andreia Mortensen
domingo, 18 de janeiro de 2015
Diga não ao desmame abrupto! (com dicas para desmame gradual)
Diante a tantos relatos de desmames abruptos e precoces que não resultam em melhoria no sono, pelo contrário, resolvi agrupar informações sobre desmame abrupto e possíveis consequências para a mãe e criança. Espero que sirva para reflexões gerais na comunidade.
O desmame abrupto é extremamente traumático para toda a família e isto infelizmente ainda é comum: algumas mães deixam de dar o peito de uma hora para outra, com soluções drásticas como dormir fora e deixar a criança aos cuidados de parentes, aplicar produtos desagradáveis nos seios para que a criança os rejeite pelo gosto ou ainda com mentiras, enganações e choques visuais, como exemplo usar um band-aid nos seios e dizer a criança que estão machucados.
A amamentação é algo TÃO importante na vida da mãe e da criança, foi o início de comunicação entre mãe e filho, foi fonte de nutrição, de afeto e não deve terminar de uma maneira brusca, com artifícios, enganações, mentiras, fazendo com que a criança talvez se sinta culpada por ferir sua mãe. Essa é uma responsabilidade e culpa enormes que são transferidas para o filho no evento de um desmame repentino.
Quando perde o peito de repente, a criança se sente desolada, sofrendo uma perda, pode se sentir rejeitada pela mãe, gerando insegurança e muitas vezes rebeldia. A perda repentina do seio materno pode causar trauma emocional na criança, já que amamentação não é somente fonte de nutrição para o bebê, mas fonte de segurança e conforto emocional também. Não há absolutamente como explicar a um bebê que repentinamente não pode mamar mais.
Desmames abruptos não permitem que ambas partes físicas e emocionais de mãe e filho sejam trabalhadas gradualmente. Por outro lado, ao promover um desmame gradual pode-se compensar aos poucos outros tipos de atenção para compensar a perda do contato íntimo da amamentação.
Na mãe, o desmame abrupto pode resultar em ingurgitamento mamário, bloqueio de ducto lactífero e mastite, além de tristeza ou depressão, por luto pela perda da amamentação ou por mudanças hormonais. Depressão pode surgir por um decréscimo abrupto dos níveis hormonais maternos, portanto mães com história anterior de DPP devem especialmente atentar para as consequências de um desmame abrupto.
O desmame deve ser natural, consensual, em acordo entre mãe-filho, isto é, haverá um tempo e um ritmo próprio, um período da vida da mãe e do filho em que ambos aprendem a dar e receber alimento, aconchego e a se comunicarem de uma maneira nova, que não com os seios. São portanto três elementos a serem considerados de grande importância na amamentação: nutrição, afeto e comunicação. Quando os três itens estão plenamente supridos sem a amamentação num processo de autonomia e maturidade vindo da criança, um desmame gradual pode ser promovido.
Em outras palavras, deve ser resultado de uma maturidade da criança e não uma imposição da mãe ou de outros familiares ou conhecidos, ou ainda médicos. No segundo ano de vida a criança necessita de vários estímulos, brincar, cantar, dançar, adquire destrezas motoras, e começa o linguajar, que é uma forma poderosa de comunicação. Quando uma criança está em um ambiente seguro, rico em estímulos, recebe carinho e atenção também do pai, ela está mais apta ao desmame total com facilidade.
Em termos de desenvolvimento, um desmame antes de 2-3 anos é precoce, o bebê ainda precisa mamar, ainda está em processo de individualização, ainda está na fase oral, os benefícios são muitos, enquanto que a troca por objetos para saciar a necessidade oral não apresenta vantagem alguma.
As consequências para o cérebro em desenvolvimento de um bebê que é submetido a mudanças permanentes e abruptas, com interferência de estranhos, choro sem consolo, negação de afeto e violência emocional podem ser drásticas.
Bons vínculos
Texto de Claudia Rodrigues, jornalista e terapeuta reichiana, sobre desmame e vínculos: O desmame abrupto é o pior dos desmames. Quando a mãe retira a criança do peito forçando a introdução da mamadeira retira da criança um prazer evidente e inimitável, cujo calor, textura, cheiro e sabor jamais serão imitados.
A criança pode acostumar com o objeto substituto do seio, a mamadeira, e com o novo líquido não apresentando qualquer sintoma imediato, mas é bastante comum que poucos meses após um desmame abrupto comecem a ocorrer distúrbios de comportamento alimentar.
Mais cedo ou mais tarde a decepção por ter perdido algo que era tão caro à criança, começa a ser processado. As somatizações, como alergias e intolerâncias a alimentos nem de longe são os piores sintomas. Pode ter menos sorte psíquica a criança que não somatiza nos primeiros anos.
O mais cruel e nocivo dos desmames abruptos é aquele que faz com que a criança prove no seio da mãe algo ácido, azedo ou amargo, especialmente quando isso é associado a uma visão terrível (seios pintados, com band-aid, etc) do seio, objeto que até então só trazia prazer e que aparece repentinamente como algo assustador.
Esses sentimentos e impressões ficam inscritos no córtex para o resto da vida, a confusão entre prazer e desprazer ficará gravada e um dos sintomas mais comuns será a inabilidade da pessoa para acreditar que merece prazer e que ele pode ser algo perene, confiável. Perdurará a impressão de que o prazer pode a qualquer momento virar uma ameaça. Nos piores casos a pessoa não consegue buscar o prazer, já caminha diretamente para a punição.
A amamentação é o prazer absoluto do bebê e ele deve aos poucos, conforme for crescendo, colocar outros prazeres em sua vida até sentir-se apto para se desligar desse primeiro vínculo com sua pulsão pelo prazer.
A mãe pode retirar o peito, mas isso deve ser feito gradualmente, jamais via truques mirabolantes com requintes de perversão e sabotagem ao prazer do bebê.
Não inicie um processo de desmame em momentos conturbados na vida, como início de escola, retorno da mãe ao trabalho, separação dos pais, mudança de casa, doença ou qualquer situação de grande mudança.Texto excelente de Dra. Elsa Giuliani, pediatra, presidente do Departamento de Aleitamento Materno da SBP. Trecho pertinente:
Já se avançou muito na valorização do aleitamento materno nos últimos tempos. A recomendação da duração da amamentação passou de 10 meses na década de 30 para dois anos ou mais nos dias de hoje. Atualmente, fala-se em desmame natural como a forma ideal de desmame, sem especificar uma idade mínima ou máxima para que esse processo ocorra. Apesar desse avanço ainda estamos longe de encararmos o desmame como um marco do desenvolvimento da criança. Para chegarmos a este estágio, faz-se necessário entender e enfrentar as circunstâncias que, segundo Souza e Almeida, “ultrapassam a natureza e desafiam a cultura e a sociedade”.
Segue o relato da mãe Eidi sobre uma situação que fez a filha sofrer como se fosse um desmame abrupto:
Meninas, um dia minha filha estava doentinha e só queria mamar, chegou uma hora que eu disse tranquilamente "filha acabou o mamá, vamos papar tá", ela almoçou (por volta das 13h) e depois disso não mamou mais, chorava, colocava a boca no peito e chorava e não sugava, colocava a cabeça para trás, nesse dia pela primeira vez na vida dela dormiu sem mamar e eu sem entender nada, quando foi de madrugada lá pelas 3h ela acordou chorando muito e dizia "cabou mamá", "cabou", e ali eu entendi o que havia acontecido: ela pensou que havia acabado para sempre então ela nem sugava. Fiquei insistindo com ela até que lá pelas 4h ela pegou e voltou a mamar normalmente. Desde esse episódio, tomo muito cuidado com o que eu digo à Sofia, ela tinha pouco mais de 11 meses e foi capaz de atribuir um sentido definitivo àquela frase.
Esse é o relato e reflexões de Fernanda sobre o desmame abrupto de sua filha mais velha:
Desmamei a minha mais velha abruptamente com 1 ano e 4 meses. Coisa que demorei a perceber que não foi legal. Durante um tempo, tive o discurso do "era a única forma, foi o melhor para ambas e não deixou sequelas".
Mas consegui felizmente rever minha posição (infelizmente não posso voltar no tempo para desfazer as coisas). Eu me sentia extremamente cansada, ela acordava diversas vezes para mamar, dormia mal, comia mal.
O desmame noturno (era essa minha intenção inicial) parecia a solução para os meus problemas. Apliquei uma espécie de Dr. Gordon (nem conhecia na época), mas no último estágio já.
Decidi que ela não mamaria de meia noite às seis da manhã. Obviamente que ela pediu para mamar e eu neguei e ela chorou bastante. Pelo menos não ficou sozinha, eu fiquei com ela no colo tentando ninar, até que dormiu, mas quase às cinco da manhã.
No dia seguinte ainda mamou algumas vezes e no terceiro dia não pediu mais, nem de noite nem de dia.
E eu pensei, meus problemas acabaram. Ledo engano. Ela continuou a comer mal e acordar todas as noites durante mais 1 ano quase.
Analisando hoje, percebo que ela vinha de um rotavírus (com 1 ano e dois meses), quando ficou praticamente só peito por quase 15 dias e do carnaval, quando ficamos juntas durante 1 semana. Depois retornei ao trabalho e ela à creche, e obviamente que ela transferiu todo esse contato para a noite.
Na época, o cansaço extremo e a falta de apoio (já que eu só ouvia "ela é muito grande para ainda mamar") fizeram com que eu não enxergasse o óbvio.
O desmame ainda trouxe outros problemas, como a alergia ao LV.
Hoje, tenho a oportunidade de fazer diferente com a mais nova, agora com 1 ano e 3 meses, igualmente alérgica a LV (mas no caso dela mais grave, a alergia manifestou-se ainda recém-nascida e faço dieta de LV e derivados desde então).
Ela é uma menina feliz, esperta, independente, embora um pouco insegura com grupos e lugares novos, especialmente sem minha presença.
Acredito que o desmame abrupto não a impediu de avançar em vários aspectos, mas que também não foi inocente e salvador como já cheguei a acreditar.
Também preciso dizer que o desmame abrupto trouxe problemas para mim. Duas mastites seguidas, tamanha a quantidade de leite que ainda produzia, mesmo sem estímulo, e ainda precisei tomar remédio para secar.
Em contraste, o relato de desmame natural da Isabela, filha mais nova da Fernanda:
Palavras da pediatra Dra. Relva sobre desmame repentino:
“O bebê mama não só para se alimentar mas para criar um ambiente 'interno' benigno, de chamado á vida."
"Aparentemente, após algum tempo o indivíduo será capaz de constituir memórias de experiências sentidas como boas, de modo que a experiência da mãe sustentando a situação torna-se parte do eu, é assimilada dentro do ego" / Winnicott
Então, amamentar vai muito além das proteínas, gorduras e sais minerais”
E trocar o peito por mamadeira ou chupeta?
Peito é peito, é natural, é o primeiro contato que o bebê tem, é sua fonte de nutrição e de sucção não nutritiva natural também.
Chupeta é uma imitação pobre e artificial do peito, e veio depois do peito, foi inventada. Portanto, na verdade o bebê não faz o peito de chupeta, ele faria a chupeta de peito. No peito ele mama, tem o aconchego dos braços da mãe, leitinho, conforto. Na chupeta não em nada disso, é somente um objeto borrachudo sem cheiro, contato materno, aconchego da mamãe.
Nesse tópico:
Chupeta x Dedo x Peito
Mitos de amamentação X realidade
Mito 13: Sugar sem o propósito de alimentar-se (sucção não nutritiva) não tem objectivo. Realidade: as mães com experiência em amamentação aprendem que os padrões de sucção e as necessidades de cada bebê variam. Ainda que as necessidades de sucção de alguns bebés sejam satisfeitas primordialmente quando mamam, outros bebês requerem mais sucção ao peito, mesmo quando tenham acabado de mamar a alguns minutos. Muitos bebês também mamam quando têm medo, quando se sentem sós ou quando sentem alguma dor.
Mito 14: As mães não devem ser a "chupeta" do filho. Realidade: consolar e suprir as necessidades de sucção ao peito é o que preparou a natureza para mães e filhos. As chupetas são um substituto da mãe. Outras razões para oferecer a mama para acalmar o bebê incluem um melhor desenvolvimento oral e facial, o prolongamento da amenorreia, evitar a confusão de sucção e estimular uma produção adequada de leite que assegure um índice mais elevado de êxito da amamentação. Além disso, um bebê tranquilo que encontra consolo em sua mãe, terá um desenvolvimento emocional fortalecido
Desmames não ajudam no sono, são inúmeros relatos na comunidade.
Quando há troca do seio materno por um consolo oral em objetos a tendência é de um apego a objetos oralizantes, num hábito prolongado.
Acordar a noite faz parte da natureza do sono dos bebês, veja esses textos:
8 fatos sobre o sono dos bebês que todo pai e toda mãe deveriam saber
Quando deixam de acordar à noite - resultado de pesquisa
E se o bebê está muito apego e dependente de mim, o desmame não ajudaria?
Desmames não promovem independência, pelo contrário. O peito não é responsável pelo comportamento do bebê, e sim pela própria FASE de desenvolvimento que se encontram. Leituras essenciais:
A natureza da dependência, artigo excelente e esclarecedor!
A necessidade de Apego, do livro ‘The science of parenting’
E o se o bebê não quer comer?
O desmame não vai melhorar o apetite do bebê, pois é natural e esperado que depois de 1 ano seu apetite diminua mesmo, conforme sua fase de desenvolvimento.
E se o bebê acorda constantemente depois de 1 ano para mamar?
Precisamos analisar sua rotina (ou falta de), apego e proximidade entre mãe e filho, alimentação (produtos industrializados e açúcares prejudicam o sono), existência de ritual de sono, sonecas restauradoras, maneira de adormecer, uso de TV e outros fatores.
No caso de confirmarmos uma associação de sugar para dormir existem alternativas suaves para desmame noturno, mantendo-se a amamentação durante o dia, como RG (Remoção Gentil):
Método Remoção Gentil (RG) para crianças que associam sugar com dormir:
Preciso tomar medicamentos e o médico ordenou o desmame!
A maioria dos medicamentos é compatível com amamentação. Pesquise antes de promover um desmame precoce.
Remédios compatíveis com a amamentação
Acho que chegou mesmo a hora e não quero esperar pelo desmame espontâneo, como faço o desmame gradual?
Dicas do livro "Gentle Baby care", de Elizabeth Pantley
Tradução: Fernanda Mainier
Revisão: Luciana Freitas
Primeira é importante a questão: PORQUE desmamar? Pergunte-se a razão da sua decisão. Não há uma época definida para o desmame, pois esse processo é muito diferente para cada mamãe e bebê. Não há uma razão padrão para a decisão do desmame. As razões são tão variadas quanto as próprias mães e crianças amamentadas. Cada filho seu vai precisar de uma decisão separada sobre o desmame.
1) devagar é melhor: se você permitir que o processo ocorra gradualmente (num período de alguns meses), seu bebê e seu corpo irão se ajustando fazendo o processo mais fácil para ambos.
2) o primeiro passo para o desmame -> tente o método: "não ofereça, não recuse". Isso funciona como um "teste" de quão fácil ou difícil o desmame será. Continue amamentando quando seu bebê pedir, mas não ofereça o tempo todo, automaticamente como algumas mães até acostumam a fazer.
O que pode ser surpreendente é descobrir que algumas crianças estão tão prontas quanto às mães para começar o processo de desmame. Nesse caso, elas estarão abertas a uma rotina que não inclua amamentação.
3) distração funciona! Bebês são ativos, ocupados sempre, tire proveito dessa característica e tente distraí-lo com alguma coisa na hora que ele pede para mamar. Por exemplo, se seu filho geralmente mama quando acorda, você pode chegar com um brinquedo legal ou abrir as janelas e convide-o para ver os passarinhos lá fora. Nas primeiras vezes que você fizer isso seu bebê pode ficar confuso e reclamar um pouco, mas persista um pouco com a distração. Tente mais algumas vezes, mas se o bebê reclamar, chorar muito, amamente. Continue tentando de novo mais pra frente, um belo dia seu bebê vai te surpreender e pedirá pra abrir a janela para ver os passarinhos. Na hora de dormir, uma dica: se você sempre dá de mamar após contar uma estória, prolongue essa estória de modo que ele durma antes do fim.
4) Num minutinho: a tática do "atraso": "Você pode mamar depois que eu terminar de dobrar as roupas", aí quando você olhar ele vai estar ocupado com outras coisas. Ofereça o peito após terminar com as roupas, se seu bebê ainda quiser. Isso reforça a confiança e mostra ao seu bebê que você não está ignorando suas necessidades. Você pode até tentar mais atraso: "Vamos esperar a hora da soneca".
Isso pode ser um modo efetivo de reduzir o número de sessões de amamentação diária.
5) Substitua leite materno por comidas sólidas: Outra técnica que pode ajudar é substituir a mamada por mais comidas (se seu bebê já come e gosta comidas solidas, mais de 1 ano de idade). Se isso já acontece você pode tentar substituir outras formas de conforto e atenção das mamadas por coisas como ler livros, abraços, brincar juntos.
6) Evite seus cantinhos de mamar: a maioria das mães tem um ou dois lugares favoritos para mamar, uma poltrona por exemplo. Se você quiser encorajar o desmame evitar esses lugares que podem despertar no seu bebê o desejo de mamar. Encontre outros lugares e combine essa dica com a técnica de distração (número 3).
7) Encurte as sessões de mamar: outro passo em direção ao desmame é encurtar o tempo que você geralmente amamenta seu filho, e tente incluir uma distração no final da sessão.
8) Substitua brincar por mamar: Algumas mães (às vezes mesmo sem perceber) usam a hora de amamentar como uma maneira de ter um tempo quieto e relaxante com seus bebês. Faça uma decisão consciente de substituir essa sessão de mamar por uma sessão de brincadeiras, em que você dá atenção completa o tempo todo. Seu bebê pode ficar tão contente com isso que poderá até esquecer de pedir para mamar.
10) A dança do desmame: não se surpreenda se seu bebê "captar" seu desejo de desmamar e de repente pedir para mamar como um recém-nascido! Essa é uma resposta natural a uma grande mudança na vidinha deles. Se você atender os desejos e der de mamar por 1-2 dias, isso geralmente passa, e você pode seguir em frente na direção do desmame de novo.
Geralmente o progresso de "amamentar o tempo todo" para o "não amamentar" NÃO é uma linha reta, é mais como uma dança. Mas se você guiar essa dança com afeto e sensibilidade, você acabará dançando no ritmo que escolheu.
Texto organizado por Andréia C. K. Mortensen
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