sábado, 17 de janeiro de 2015

Mamilos planos ou invertidos


Retirado de: Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: nutrição infantil: aleitamento materno e alimentação complementar. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2009, p.38.

Todos os tipos de bico de peito possibilitam a amamentação. A criança mama o peito e não o bico.
Não há necessidade de cuidados especiais com os bicos durante a gestação.

Dica para facilitar a pega com mamilos planos ou invertidos: direcionar o bico pra cima sentido o céu da boca e segurar fazendo um C. 

Mamilos planos ou invertidos podem dificultar o início da amamentação, mas não necessariamente a impedem, pois o bebê faz o “bico” com a aréola. Para fazer o diagnóstico de mamilos invertidos, pressiona-se a aréola entre o polegar e o dedo indicador: se o mamilo for invertido, ele se retrai; caso contrário, não é mamilo invertido. Para um mãe com mamilos planos ou invertidos amamentar com sucesso, é fundamental que ela receba ajuda logo após o nascimento do bebê, que consiste em:
  • Promover a confiança e empoderar a mãe - deve ser transmitido a ela que com paciência e perseverança o problema poderá ser superado e que com a sucção do bebe os mamilos vão se tornando mais propícios à amamentação; 
  • Ajudar a mãe a favorecer a pega do bebê - a mãe pode precisar de ajuda para fazer com que o bebê abocanhe o mamilo e parte da aréola se ele, inicialmente, não conseguir; é importante que a aréola esteja macia; 
  • Tentar diferentes posições para ver em qual delas a mãe e o bebê adaptam-se melhor; 
  • Mostrar à mãe manobras que podem ajudar a aumentar o mamilo antes das mamadas, como simples estímulo (toque) no mamilo, compressas frias nos mamilos e sucção com bomba manual ou seringa de 10ml ou 20ml adaptada (criada para eliminar a saída estreita e com o êmbolo inserido na extremidade cortada). Recomenda-se essa técnica antes das mamadas e nos intervalos se assim a mãe o desejar. O mamilo deve ser mantido em sucção por 30 a 60 segundos, ou menos, se houver desconforto. A sucção não deve ser muito vigorosa para não causar dor ou mesmo macular os mamilos. Orientar as mães a ordenhar o seu leite enquanto o bebê não sugar efetivamente - isso ajuda a manter a produção do leite e deixa as mamas macias, facilitando a pega; o leite ordenhado deve ser oferecido ao bebê, de preferência, em copinho.



Angústia da separação (Crise dos 8 meses)

Tradução de Anna Arena
Revisão: Mariana Santana

Quando o bebê chega aos seis ou oito meses de idade, começa a operar a angústia da separação que, geralmente, continua a se manifestar de uma forma ou outra até os cinco anos. Em breve, o bebê começa a sentir pânico quando não vê sua mãe. É preciso levar a sério a intensidade dos seus sentimentos. A mãe é o seu mundo, é tudo para o bebê, representa sua segurança.


Um pouco de compreensãoO bebê não está “chatinho” ou “grudento”. O sistema de angústia da separação, localizado no cérebro inferior, está geneticamente programado para ser hipersensível. Nos primeiros estágios da evolução era muito perigoso que o bebê estivesse longe da sua mãe e, se não chorasse para alertar seus pais do seu paradeiro, não conseguiria sobreviver. O desenvolvimento dos lóbulos frontais inibe naturalmente este sistema e, como adultos, aprendemos a controlá-lo com distrações cognitivas.
 

Se você não está, como ele sabe que não foi embora pra sempre?Você não pode explicar que vai voltar logo, porque os centros verbais do cérebro do bebê ainda não funcionam. Quando ele aprender a engatinhar, deixe-o segui-la por todas as partes. Sim, até ao banheiro. Livrar-se dele ou deixa-lo no cercadinho não só é muito cruel, também pode produzir efeitos adversos permanentes. Ele pode sentir pânico, o que significa um aumento importante e perigoso das substâncias estressantes no seu cérebro. Isso pode resultar em uma hiperssensibilização do seu sistema de medo, o que lhe afetará na sua vida adulta, causando fobias, obsessões ou comportamentos de isolamento temeroso. Pouco a pouco, ele vai se sentir mais seguro da sua presença na casa, principalmente quando começar a falar.

A separação aflige as crianças tanto quanto a dor físicaQuando o bebê sofre pela ausência de seus pais, no seu cérebro ativam-se as mesmas zonas que quando sofre uma dor física. Ou seja, a linguagem da perda é idêntica à linguagem da dor. Não tem sentido aliviar as dores físicas, como um corte no joelho, e não consolar as dores emocionais, como a angústia da separação. Mas, tristemente, é isto o que muitos pais fazem. Não conseguem aceitar que a dor emocional de seu filho é tão real como a física. Essa é uma verdade neurobiológica que todos deveríamos respeitar.

As separações de curto prazo são prejudiciaisAlguns estudos detectaram alterações a longo prazo do eixo HPA do cérebro infantil, devido a separações curtas, quando a criança fica aos cuidados de uma pessoa desconhecida. Esse sistema de resposta ao estresse é fundamental para nossa capacidade de enfrentar bem o estresse na vida adulta - ele é muito vulnerável aos efeitos adversos do estresse prematuro. Os estudos com mamíferos superiores revelam que os bebês separados de suas mães deixam de chorar para entrar num estado depressivo. Param de brincar com os amigos e ignoram os objetos do quarto. À hora de dormir, há mais choro e agitação. Se a separação continuava, o estado de auto-absorção do filho se agravava e lhe conduzia à letargia e a uma depressão mais profunda.
Pesquisas realizadas nos anos setenta demonstraram que alguns bebês cuidados por pessoas desconhecidas durante vários dias entravam em um estado de luto, sofriam de um trauma que continuava a afligir-lhes anos depois. Os bebês estudados estavam sob os cuidados de adultos bem intencionados ou em creches residenciais durante alguns dias. Seus pais iam visitá-los, mas, basicamente, estavam em mãos de adultos que eles não conheciam. Um menino que se viu separado de sua mãe durante onze dias deixou de comer, chorava sem parar e se jogava no chão desesperado. Passados seis anos, ele ainda estava ressentido com sua mãe. Os pesquisadores observaram a inúmeras crianças que haviam sido separadas de seus pais durante vários dias e se encontravam em estado de ansiedade permanente. Muitos passavam horas imóveis, olhando a porta pela qual havia saído sua mãe. Aquele estudo, em grande parte gravado em filme, mudou no mundo inteiro a atitude em relação às crianças que visitam suas mães no hospital.

Às vezes, impulsionamos nossos filhos a serem independentes antes do tempoNossas decisões como pais podem empurrar nossos filhos a uma separação prematura. Um exemplo seria enviá-los a um internato (1) pequenos demais. As crianças de oito anos ainda podem ser hipersensíveis à angústia da separação e terem muita dificuldade em passar longos períodos de tempo longe dos seus pais. Sua dor emocional deve ser levada a sério. O Sistema GABA do cérebro é sensível às mais sensíveis mudanças do seu entorno, como a separação de seus pais. Estudos relacionam a separação a pouca idade com alterações desse sistema anti-ansiedade.

Mas não é bom o estresse?Algumas pessoas justificam sua decisão de deixar o bebê desconsolado como uma forma de “inoculação do estresse”. O que significa apresentar ao bebê situações moderadamente estressantes para que aprenda a lidar com a tensão. Aqueles que afirmam que os bebês que choram por um prolongado período de tempo só sofre um estresse moderado estão enganando a si mesmos.

(1) Nota da tradutora: a autora é inglesa e o sistema de internato é muito comum no Reino Unido.
 

Tradução de um trecho do capítulo O Choro e as Separações, do livro The Science of Parenting, de Margot Sunderland. Este livro foi premiado em 2007 pela Academia Britânica de Medicina como o melhor livro de medicina popular. Não é um simples livro de conselhos para pais, mas sim um livro que, baseado em mais de 800 experimentos científicos, explica o que a ciência nos diz sobre como os diferentes tipos de criação afetam nossos filhos.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

O jogo hormonal entre mãe e filho na cama compartilhada

Quando dormem juntos, a mãe, ainda sonolenta, precisa auxiliar o bebê a adormecer no meio da noite após uma mamada. Mas os hormônios tranquilizantes liberados na mãe e bebê na amamentação ajudam a mãe a voltar a dormir (quem não se lembra de sentir relaxada e sonolenta após uma sessão de amamentação né?).

Ou seja, quando se dorme com o bebê geralmente não existem acordadas totais com muito choro, não existe aumento na adrenalina, tentativas de ficar acordada enquanto o bebê mama, tentativas de colocar o bebê que estava quentinho nos braços da mamãe de volta no berço gelado (promovendo mais adrenalina nessa transferência de local e mais choro) e então tentar adormecer novamente, já temendo a próxima chamada para a próxima mamada.

Hormônios do stress são presentes em níveis mais baixos em mães e bebês que dormem juntos, especificamente o balanço do hormônio CORTISOL, cujo controle é essencial para crescimento saudável do bebê.

Em estudos com animais, bebês que permaneceram juntos às suas mães tinham maiores níveis de hormônios do crescimento e enzimas necessários para crescimento do coração e cérebro (Butler, S.R., et al., "Maternal behavior as a regulator of polyamine biosynthesis in brain and heart of developing rat pups", Science, 1978, p 445-447; Kuhn, C.M., et al., "Selective depression of serum growth hormone during maternal deprivation in rat pups", Science, 1978, p. 1035-1036).

Ocitocina sozinha é parte de um balanço hormonal complexo. Um aumento repentino de ocitocina dá motivação ao amor que pode ser direcionado em caminhos diferentes, e por isso existem diferentes tipos de amor (por exemplo, com alto nível de prolactina esse desejo é direcionado aos bebês).

Quando mulheres amamentam, por exemplo, elas recebem altas doces de ocitocina – que estimula reflexo de ejeção do leite e prolactina, que tem um efeito calmante na mãe quando amamenta. Endorfinas, os hormônios do prazer e superioridade também são liberados durante amamentação e encorajam a mãe a repetir a experiência de amamentar. Então endorfinas são transferidas do leite materno para o bebê, dando-lhe um senso de contentamento enquanto amamenta. Considerando que níveis de prolactina são os maiores durante a noite, faz sentido considerar a proximidade com seu bebê à noite um fator importante na elevação de sentimentos de amor que a mãe sente por seu bebê. Talvez, sem a pressão de ensinar os bebês a dormirem a noite toda o quanto antes, mães poderiam apreciar as mamadas noturnas como uma oportunidade extra de ligação com seus bebês.

Observação: como citado, a prolactina (hormônio responsável pela produção do leite) é mais produzida durante as mamadas noturnas. Portanto, é mais do que importante manter e incentivar essa rotina de amamentar nas madrugadas para elevar a produção desse hormônio. Bebês que são levados a dormir a noite toda desde cedo correm o risco de serem desmamados antes do tempo.
Para mães que curtem dividirem as camas com seus bebês, as pesquisas afirmam: toque e proximidade são elementos essenciais no apego entre vocês, o status hormonal que aumenta o apego é mais efetivo durante as mamadas noturnas, amamentação é mais sucessiva e continuada quando mães e bebês dormem juntos (McKenna JJ, Why babies should never sleep alone: a review of the co-sleeping controversy in relation to SIDS, bedsharing and breast feeding, Paediatr Respir Rev. 2005 Jun;6(2):134-52; McKenna JJ, Mosko SS, Richard CA. Bedsharing promotes breastfeeding. Pediatrics. 1997 Aug;100(2 Pt 1):214-9; Mosko S, Richard C, McKenna J, Drummond S, Mukai D.; Mosko S, Richard C, McKenna J. Maternal sleep and arousals during bedsharing with infants. Sleep. 1997 Feb;20(2):142-50.)


Vários estudos mostram que a fisiologia de bebês que dormem com suas mães é mais estável, incluindo temperatura, regulação de ritmos cardíacos e menos pausas na respiração que bebês que dormem sozinhos (Field, T., Touch in early development, N.J.: Lawrence Earlbaum and Assoc., 1995; Reite, M. and J.P. Capitanio, "On the nature of social separation and social attachment", The psychobiology of attachment and separation, New York: Academic Press, 1985, p. 228-238).

Dois dos maiores responsáveis desse coquetel hormonal são Ocitocina, o hormônio das ligações de afeto - também conhecido como “hormônio do amor”, e prolactina um hormônio critico para iniciação da lactação que é chamado frequentemente de “hormônio da maternidade”. Ocitocina está envolvida em seja qual face do amor considerarmos - é liberada durante o sexo e também foi relacionada a evocar comportamento maternal se injetado em cérebros de ratas virgens.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Hiperlactação ou hipergalactia: eu estou produzindo muito leite?


por Sarita Oliveira

Fonte: “Am I making too much milk?” Artigo por Diana West, BA, consultora de amamentação certificada pela ILCA. Disponível em http://www.llli.org/faq/oversupply.html


Muitas mulheres passam por um período de grande produção de leite após a apojadura, que pode se estender por algumas semanas. Essa grande produção, que pode levar a ingurgitamento e a um fluxo intenso de saída de leite, é normal, porque o corpo da mulher precisa aprender qual a demanda e qual o padrão de mamada do bebê. Com o tempo, praticando a livre demanda e adotando as medidas sugeridas para o ingurgitamento, a tendência é que a produção de leite estabilize e o fluxo reduza de intensidade. 

Em alguns casos, porém, a mãe pode continuar produzindo muito leite mesmo após esse período de adaptação. Apesar de a ideia de ter muito leite não parecer um problema, a rápida descida do leite em um peito muito cheio pode tornar as mamadas estressantes e incômodas tanto para a mãe quanto para o bebê. O bebê também pode ficar irritado e agitado entre as mamadas quando a mãe tem muito leite.

Os bebês cujas mães têm muito leite podem ganhar peso mais rápido que o esperado, mas isso não é um problema em se tratando de um bebê que mama apenas leite materno. O que pode ser um problema é a reação do bebê ao excesso de leite e as dificuldades com a amamentação que surgem daí.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Alimentos, chás ou homeopatias podem aumentar o leite?

Por Fernanda Rezende Silva e Zioneth Garcia

É muito comum ouvir mães pedindo dicas de alimentos, chás ou remédios homeopáticos para aumentar a produção de leite. Você já deve ter ouvido várias dessas dicas de amigas, tias, vizinhas, mas as evidências científicas sugerem que menos de 1% das mulheres obtêm o efeito desejado ao consumir tais medicamentos, alimentos, chás ou homeopatias para aumentar a produção de leite. Muitas vezes o que acontece é o efeito placebo, melhora a confiança da mãe, o bebê suga mais e aí sim, a produção realmente aumenta: por isso algumas mulheres podem ter a sensação de funcionar e outras não.
Sabemos que o corpo humano é uma máquina inteligente, e por isso não desperdiça recursos. Quando você está com fome, uma das primeiras coisas que acontece é você ficar desanimado, perder o pique para continuar a atividade que estava fazendo, certo? Isso é o equilíbrio do corpo humano: ele sabe que está faltando energia então te força a entrar num estado de "economia" - enquanto você estiver com fome não terá pique mesmo para continuar trabalhando, correndo ou estudando, e isso é maravilhoso - só prova que seu corpo está funcionando direitinho.
Com a produção de leite materno acontece a mesma coisa: o corpo sabe que na produção de leite se gasta muita energia, então ele verifica continuamente como está a demanda -> só vai produzir o que for realmente necessário. Quando a mulher toma algum medicamento que de fato lhe cause o esperado (e pouco provável) efeito sobre aumento da prolactina (hormônio que controla a produção de leite) ela pode perceber um aumento da produção, mas ao mesmo tempo o corpo estará trabalhando no sentido inverso: ele identifica que não existe uma demanda tão grande então se esforça para voltar ao nível de produção normal. Quando o medicamento é consumido de forma rotineira, o corpo da mulher se vê obrigado diminuir a produção da prolactina natural para manter o equilíbrio geral contando com a fonte externa, por essa razão também é comum ter uma queda brusca dos níveis de prolactina e sensação de “peito seco” após parar abruptamente o consumo de algumas medicações.
A sucção correta do bebê (ou seja, sem interferência de bicos artificiais) é o que realmente estimula o peito da mãe e é dessa forma que se pode aumentar a produção de leite: quanto mais estímulo maior será a produção! Medicamentos e alimentos sozinhos não vão aumentar a produção de leite materno: na melhor das hipóteses eles aumentariam temporariamente a prolactina, até o corpo equilibrar novamente a produção conforme a oferta, mas se a sucção se mantém no mesmo ritmo é inevitável que a produção volte ao ponto inicial.
Ao entender que a produção de leite materno acontece conforme a demanda parece óbvio que as mães de bebês que usam chupeta são as que mais reclamam da falta de leite. O bebê nasceu "programado" para sugar conforme a sua necessidade - ao transferir parte desta sucção para a chupeta, o bebê mama menos o peito,  e aí o corpo da mãe ajusta a produção à demanda, pois entende que realmente pode produzir menos leite.
Para finalizar a reflexão: será que você precisa mesmo aumentar a produção de leite? O texto abaixo fala sobre a sensação de pouco leite -> a mãe está produzindo exatamente a quantidade de leite que o bebê precisa mas mesmo assim se sente insegura: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/08/sensacao-de-pouco-leite.html

Dica de leitura: porque bicos artificiais realmente atrapalham a produção de leite materno: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/07/mamadeira-contem-substancia-que-seca-o.html

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Sobre desmame: a "técnica do mamá dodói"

Por Luzinete R. C. Carvalho ( Psicanalista )

Algumas pessoas pensam que para quem defende a amamentação continuada a palavra "desmame" é proibida.
Isto está bem longe da verdade, eu mesma não tenho nenhum problema em falar sobre desmame.
Apenas gosto de deixar vários aspectos claros antes de mergulhar neste ponto específico.
Gosto de tratar o assunto com o cuidado e a profundidade que ele merece.
Já que há tanto envolvido, para se falar em desmame não se pode ser superficial, não dá para ser simplista.
É preciso entender que desmame e amamentação não são assuntos separados, não são coisas diferentes!
Desmame é uma parte do processo, é uma parte da história, é a parte final da história de amamentação!
E acredito que quanto mais falarmos sobre desmame melhor será, pois iremos compreender cada vez mais sobre tudo que envolve a amamentação, inclusive sua fase final que é o desmame.
A amamentação deve ser exclusiva até os 6 meses e continuada por até dois anos ou mais.
Existem muitos estudos que comprovam os benefícios da amamentação por vários anos, existem estudos sérios que comprovam que o leite materno não "vira água" após 1 ou 2 anos, na verdade, o leite materno continua sendo rica fonte de nutrientes e anticorpos por todo o tempo que durar a amamentação.
Vale lembrar que o desmame natural existe, um desmame em que mesmo sem sofrer interferências, mesmo sem sofrer reprimendas e sem ter seu acesso ao peito negado, a criança vai diminuindo as mamadas aos poucos, até que deixa de mamar definitivamente.
A criança vai encontrando, com a ajuda da mãe, outros meios de se sentir consolada, protegida e segura, vai encontrando outros meios se conectar com a mãe, substituindo cada vez mais o peito por abraços, carinhos, beijos, brincadeiras, danças, palavras, etc.
O leite materno continua sendo o principal alimento do bebê até pelo menos 12 meses, e é fato que algumas vezes os bebês realmente gostam de mamar mais do que gostam de comer, mas é falsa a ideia de que passam fome porque "só" mamam.
Aos poucos, conforme vão conhecendo outros alimentos, de preferência saudáveis, frescos e livres de industrializados, eles vão se interessando por outras fontes de nutrição além do peito. E podem continuar sendo amamentados sem nenhum problema, na verdade, obtendo muitos benefícios físicos e emocionais.
Enfim, tudo isso é necessário falar antes de entrarmos de fato no assunto desmame.
Depois de ter realmente avaliado suas verdadeiras razões, se a mãe decide desmamar seu filho, se ela, por suas razões, não quiser esperar pelo desmame natural, ela deve conduzir o desmame de forma gradual, respeitando o tempo da criança, nunca abrupto, negando ou criando artimanhas e estratégias para manter o peito inacessível.
Mas eis que entre os piores métodos que se usa para desmamar uma criança, está a técnica do "mamá dodói".
Quem nunca ouviu falar de alguém que desmamou um bebê dizendo que o mamá estava dodói, machucado ou doente?
E que para tornar mais convincente a estratégia, usou de curativos, faixas, band-eids, tintas vermelhas simulando sangue, pequenas encenações de dor?
Eu levo em conta os vários casos de gente que usou desta "técnica" e diz que o filho não ficou traumatizado, mas alerto que o trauma advindo deste tipo de desmame poderá refletir na vida adulta!
Pensar que o peito é limitado a alimentação física é desconsiderar muitas coisas relacionadas a amamentação.
Pode-se trocar o leite pelo suco, por leite de vaca, ou por qualquer outro alimento, mas o peito também é a sensação de segurança, afeto, aconchego e prazer, e isso não pode ser simplesmente ignorado ou retirado abruptamente.
Existem pessoas que não se acham merecedoras de coisas boas, ou estão sempre temerosas de que quando algo bom acontece logo algo ruim também acontecerá, pessoas que não creem que aquilo que acontece é bom "de verdade", nunca conseguem simplesmente desfrutar das boas coisas.
Pessoas que não conseguem sentir prazer sem sentir medo!
Estão sempre desconfiadas e/ou com medo.
A ansiedade está sempre presente.
Pessoas assim acabam deixando passar oportunidades, não conseguem se entregar verdadeiramente em um relacionamento, não conseguem manter a mente positiva.
Não conseguem desfrutar da alegria por medo de que algo ruim aconteça.
Pessoas que não lidam de forma positiva com o prazer.
Pessoas que se encaixam neste perfil podem ter em comum que foram desmamadas através da história do "mamá doente", do "mamá machucado".
Pessoas que quando bebês/crianças tiveram o peito, que era fonte de alegria, prazer e carinho, tirado e transformado em fonte de doença, ferimento, coisa ruim!
Colocar band-aid, esparadrapo, passar remédio no peito, ou pior: deixar a criança provar do peito com alguma substância de gosto ruim, pode causar tudo isso no futuro!
Claro que não se pode afirmar que todos que passaram por um desmame através desta técnica sofreram ou sofrerão danos, existem muitas variáveis que podem interferir, a vida é composta de muitos outros acontecimentos e cada um vai lidar com as experiências que teve de um modo muito particular.
Para alguns, isso nem contará como parte das lembranças, ou realmente não interferirá de modo algum em sua vida.
Mas podemos afirmar que é um risco.
Se não se convencer pelas hipóteses de prováveis futuros problemas, se não quiser ouvir falar em danos psicológicos, se quiser ignorar os riscos, este é um direito seu que eu compreendo.
Para algumas pessoas tomar decisões baseadas em possibilidades é algo impraticável.  Para algumas pessoas, decidir algo hoje pensando no que pode acontecer daqui 20 ou 30 anos pode soar absurdo, e eu realmente compreendo isso.
Portanto, se esta linha de "prevenir algo incerto" não lhe agrada, sugiro que a gente use uma outra linha de raciocínio para entender as razões para esta técnica não ser adequada, pense apenas nos fatos: podemos afirmar que dizer que o peito está dodói e usar de artimanhas e encenações para convencer a criança de que isso está acontecendo é uma MENTIRA.
E certamente não é este o tipo de relação que você quer criar com seu filho, não é mesmo?
Sem falar que é privar de uma hora para outra, o acesso da criança a algo que é importante para ela. Para isso basta que pense em algo que goste, que lhe seja muito importante, e que esteja habituado a ter, e imaginar como seria se lhe tirassem isso de uma hora para a outra, por conta de um problema sério que nada tem a ver com você.
É sem dúvidas, causar sofrimento, ansiedade, preocupações (que não são por um motivo real) e tristeza para a criança.
Preciso ressaltar que o uso desta técnica não tem nada a ver com a mãe avisar o bebê ou criança que o jeito dela mamar pode estar machucando seu seio.
São coisas absolutamente diferentes.
Levando em conta que a amamentação é uma relação íntima e profunda entre mãe e filho, tudo que diz respeito a esta relação deve ser comunicado ao bebê/criança, obviamente levando em conta o grau de entendimento da criança e a linguagem usada para que ela possa compreender.
Se o bebê ou criança está mamando de um jeito que causa dor, que machuca, que causa desconforto para a mãe, ela precisa ser ajudada a compreender isso.
A criança precisa ser ajudada a aprender a mamar com cuidado, com carinho, sem gestos que causem dor ou incômodo.
É preciso que a criança seja avisada e ensinada a como cuidar do mamá.
Justamente para que a amamentação seja saudável e alegre para os principais envolvidos.
A amamentação é um forte elo, uma das (muitas) maneiras de criar um vínculo poderoso entre mãe e filho, e justamente por isso, a amamentação deve ser sempre fonte de aprendizagem e crescimento para ambos.
Poder conversar de forma clara e sincera é estabelecer bases sólidas para o diálogo, e construir uma relação de confiança que existirá para sempre entre mãe e filho.
E falar que determinado jeito de mamar, ou determinado gesto é incômodo ou causa dor, é falar a VERDADE, ou seja, muito distante de toda a encenação, de toda a artimanha que envolve a tal "técnica do mamá dodói".
Ajudar a criança a entender que precisa tomar cuidado com o peito da mãe ou até pedir para que ela mame menos, é dizer a verdade, dizer que o leite "estragou", que o peito está doente, e por isso a criança não poderá mais mamar, é MENTIRA.
Cedo ou tarde a criança saberá que foi enganada, que tudo que viu e ouviu sobre o mamá era uma invenção, uma maneira de enganá-la, uma grande mentira, contada principalmente por quem ela mais ama e confia.
Caso já tenha usado desta técnica para tentar o desmame, se ainda houver tempo, simplesmente reconsidere e volte atras, diga que o mamá sarou, e conduza o desmame de outra maneira.
Se o desmame já é irreversível, tente focar sua relação com seu filho na verdade e sinceridade, se houver meios ou motivos aparentes, conte a verdade para ele, diga que não sabia que seria ruim fazer daquele jeito, que sente muito e que não mais vai contar mentiras para ele.
Eu nunca soube de um único caso em que a amamentação por muitos anos foi um problema na vida da pessoa, mas já vi casos em que o tipo de desmame feito causou prejuízos.
Portanto, o problema nem sempre é o desmame, e sim a maneira como ele foi conduzido.
Lembre-se, que embora raro hoje em dia, cercado de preconceitos e ignorância, o desmame natural é plenamente possível, a criança vai deixando de mamar aos poucos até que deixa definitivamente, tendo suprido todas as suas necessidades físicas e emocionais, crescendo bem resolvida, e forte emocional e psiquicamente.
O mais importante é construir uma relação de confiança com os filhos, e a amamentação pode ajudar muito nesta construção, mas é preciso que os adultos envolvidos sejam atentos, sensíveis e empáticos ao lidar com os bebês e crianças.
Confiança se constrói um pouco a cada dia, baseando a relação no carinho, no respeito e na sinceridade.
Crianças compreendem muito bem aquilo que dizemos, e compreendem ainda melhor aquilo que nem falamos, por isso reflita bem antes de tomar qualquer decisão.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Enquete sobre o atendimento na Rede de Bancos de Leite do Brasil


O Grupo Virtual de Amamentação conta com mais de 36000 membros entre mães, pais, famílias e profissionais que todos os dias recorrem à comunidade, ao blog ou ao grupo à procura de informação, incentivo, apoio ou orientação para a solução de diversos problemas com a amamentação. A moderação do GVA tem observado que são cada vez mais frequentes as queixas sobre o atendimento nos Bancos de leite e é por isso que desejamos dar voz a essas reclamações que estão se tornando rotineiras. Esta enquete tem como objetivo identificar os maiores problemas no atendimento da rede de Bancos de Leite para comunicá-los aos órgãos competentes e, dessa forma, contribuir para um melhor atendimento para todas as mães que procuram seus serviços. Nos ajudem com sua experiencia respondendo a enquete no link:
http://goo.gl/forms/PPMz6NJPXB
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