quarta-feira, 18 de março de 2015

O que acontece com os músculos bucais quando um bebê usa qualquer bico artificial (chupetas, mamadeiras, bicos de silicone)

Por Fernanda Rezende Silva e Zioneth Garcia

Muitas pessoas não entendem porque a chupeta pode causar desmame, afinal chupeta não serve para alimentar o bebê como a mamadeira. Vamos fazer uma comparação para entender o que acontece nestes casos.
Imagine que você é um atleta que pratica o esporte EXP e você precisa malhar a panturrilha para conseguir o máximo de performance no seu esporte. Ok, você sabendo disso vai investir na malhação da panturrilha, mas num belo dia você pensa "vamos engrossar a coxa", aí você começa a malhar a coxa também. Deu certo, você não viu nenhum prejuízo imediato, aí você pensa "vou continuar". Não dá para dobrar o tempo de malhação (seria esforço demais) então ao aumentar o tempo da coxa automaticamente você diminui o da panturrilha. Nisso se passam algumas semanas e você está feliz malhando cada vez mais a coxa e menos a panturrilha. O problema é que depois desse tempo sua performance no esporte diminuiu - você começa a ficar preocupado, procura consultorias esportivas e ouve o que já sabia mas achava que não iria acontecer com você: "precisa malhar SÓ a panturrilha, investir todo seu esforço nela, senão os músculos dela vão perdendo a força e logo você não vai mais conseguir exercer o esporte EXP". 
Você resolve voltar a exercitar só a panturrilha, investindo todo o seu tempo de malhação nela e... Sente MUITA dor, afinal os músculos dela estavam sendo pouco exercitados. Você chora de dor, de arrependimento, e neste momento você precisa tomar uma decisão importante: vencer a dor, voltando a malhar a panturrilha com dedicação, ou desistir do seu esporte. Você que é adulto, consciente, pode se forçar a esse trabalho e tem chances de corrigir o problema - agora pense: e se fosse um bebê? 
O esporte descrito acima não existe, mas a situação pode acontecer: se você deixar de exercitar um músculo ele perde o tônus e aí quando for preciso usar este músculo novamente você pode ter dificuldade ou até mesmo sentir dor. A comparação que queremos fazer é com o uso por bebês de bicos artificiais (mamadeiras, chupetas e bicos de silicone) e a sucção do peito. Quando um bebê suga o peito da mãe ele está exercitando principalmente os músculos usados na mastigação, movimentando toda a mandíbula (imagine você pronunciando a sílaba AE - é este movimento que o bebê faz para sugar no peito). Quando um bebê suga bicos artificiais ele exercita os músculos usados ao assoviar - um grupo restrito que apenas consegue realizar um movimento curto (imagine você pronunciando a sílaba UI - é este movimento que o bebê faz para sugar bicos artificiais). Cada vez que o bebê suga um bico artificial ele está deixando de sugar o peito, ou seja, ele está investindo seu esforço de sucção nos músculos errados. Aos poucos o bebê começa a ter dificuldades em sugar o peito da mãe, porque os músculos envolvidos nesta tarefa estão caindo em desuso. Aí a mãe pensa: "mas eu continuei oferecendo o peito!". Ok, mas é claro que se o bebê usa qualquer outro bico ele passa menos tempo no peito do que deveria, e o estímulo dos músculos da sucção do peito vai diminuindo. Chega um momento em que o bebê começa a sugar o peito como se fosse a mamadeira/chupeta - ele pode até obter algum leite mas não faz uma mamada efetiva. Os músculos envolvidos na sucção do peito vão cada vez mais perdendo o tônus até que chega um momento em que mamar no peito se torna uma tarefa muito difícil - o bebê demonstra esta dificuldade rejeitando o seio.
Se entendemos esta questão dos músculos fica mais fácil compreender porque bebês que só usam chupeta (não usam mamadeira) também desmamam, ou seja, a chupeta sozinha é capaz de causar desmame, já que ela também provoca essa alteração de músculos trabalhados. Isso também explica porque mamadeiras não devem ser usadas nem para tomar água: o problema da mamadeira não é o conteúdo, é o tipo de sucção incorreto que ela provoca.
Ao entender que a alteração do tônus dos músculos é gradual também conseguimos entender porque a maioria dos desmames não acontece de um dia para o outro: os músculos vão perdendo o tônus devagar, não é de uma hora para o outra que um músculo perde a força a ponto de ser difícil utilizá-lo (pode levar meses) e é claro que muitos fatores influenciam a duração desse processo até chegar ao desmame (idade do bebê, tempo de uso de bicos artificiais, uso de mais de um tipo de bico, etc.).
Você pode estar se perguntando neste momento: se os músculos errados são exercitados e todo o corpo da criança está em formação então isso pode ter mais efeitos além da amamentação. Sim, a arcada dentária pode ser prejudicada, a fala e até a respiração - é aí que começam problemas como a respiração bucal, que só serão diagnosticados anos mais tarde, quando ninguém mais se lembra dos bicos artificiais.

Referência: 
- Pesquisa mostra que copo deve substituir mamadeira: https://www.facebook.com/notes/167481276637578/

Mamas Acessórias e Amamentação


As mamas acessórias ou supranumerárias são tecidos mamários ectópicos (fora do local usual de implantação), que podem se formar ao longo da “linha láctea” (linha que se localiza da axila à face interna da coxa, próxima à região inguinal). Nos mamíferos, comumente se observam mamas ao longo da linha láctea (como nos cães e gatos, por exemplo). Nos humanos, há a regressão do tecido mamário nos demais pontos da linha láctea durante o desenvolvimento embrionário, restando apenas o tecido na região torácica anterior. Entretanto, cerca de 1% da população (homens e mulheres) possuem tecidos mamários ectópicos formados por glândula mamária (polimastia), por mamilos (politelia) ou por tecido glandular e mamilo. O sítio anatômico mais comum de implantação da mama supranumerária é a região axilar. Já o local mais comum de implantação dos mamilos supranumerários é em posição inferior à mama normal. 
Do ponto de vista clínico, a indicação de remoção do tecido mamário acessório é dada pelo desconforto estético, pela dor ou incômodo local ou pela percepção de alterações locais, como nódulos. Não há a indicação formal de procedimentos cirúrgicos durante a amamentação, embora muitas pacientes optem pela cirurgia antes da gestação como forma de evitar o edema local durante a lactação, que pode constituir um considerável desconforto durante o aleitamento materno. 
As recomendações para as mães em amamentação que possuam mamas acessórias assemelham-se àquelas dadas para todas as nutrizes: manter a amamentação normalmente para evitar o ingurgitamento mamário, utilizar antinflamatórios não-esteroidais, como o acetaminofeno (paracetamol) ou ibuprofeno em caso de dor e aplicar frio local no tecido mamário ectópico como estratégia de diminuição do edema regional e da produção láctea pelo tecido mamário ali existente. Tecidos mamários completos ectópicos (com glândula mamária e mamilos) podem, eventualmente, eliminar leite pelo sistema ductal rudimentar formado na área. Nesta situação, pode-se massagear o local e proceder o esvaziamento glandular manual, uma vez que dificilmente a estrutura mamária 
ectópica pode ser aproveitada para aleitar o lactente. 
Em caso de dúvidas, procure o seu médico. 

Thiago Silva Becker 
Médico Mastologista 
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Mastologia 
CRMMG 55048 

domingo, 15 de março de 2015

Relactação passo-a-passo


1) Adquirir a sonda:

Compre em farmácia sonda nasográstrica número 4 ou 5 - às vezes só é encontrada em farmácias que vendem material hospitalar.
Compre várias sondas, pois pode ser melhor descartá-las após o uso já que é difícil lavá-las bem (mas é possível esterilizar em água fervente cada vez que for usada). Essas sondas nada mais são do que tubinhos fininhos.



2) Preparações:

Colocar o leite artificial no recipiente escolhido (seringa, copo ou mamadeira). 
Colocar uma ponta da sonda no recipiente e a outra deve ser presa ao seio, com sua extremidade perto do mamilo (pode usar esparadrapo, micropore). A ponta que fica no peito tem que ficar bem na aréola.
Tentar colocar o recipiente com o leite num local próximo e acima do nível do peito, para que a ação da gravidade facilite o fluxo do leite, e de preferência numa superfície firme para evitar que caia no chão. Nas primeiras tentativas vale a pena pedir ajuda de outra pessoa que segure o recipiente com o leite. 
É possível cortar a sonda em pedaços menores (10 cm) quando já estiver habituada, deixando o recipiente mais próximo do peito.


3) Iniciando: 

Coloque o bebê no seio para mamar. A criança sugará o peito e a sonda ao mesmo tempo e, à medida em que se alimenta, também estimula a produção do leite materno. A altura em que é colocado o leite e a força de sucção da criança determinam a velocidade de ingestão. O fluxo é controlado ao se dobrar um pouco a sonda. Desse modo o bebê começa a associar o peito com alimento e é estimulado a sugar o peito.
Se o bebê estiver recusando o seio, pingue leite sobre o seio para que ele queira sugar.



4) Quanto tempo preciso usar esse sistema?

O tempo para que a produção de leite seja estabelecida é de no mínimo uma semana, requer paciência e persistência para se obter sucesso. O leite ministrado pela sonda é o que a criança estava usando e, na medida do aumento de produção pela mãe, este é restringido progressivamente.

A relactação deve ter um começo e um fim, desde o primeiro dia que se começa deve se ter claro que não é para sempre, que num certo dia ela vai terminar. O recomendado geralmente é não estender a relactação por mais do que 6 semanas.



5) Que mais posso fazer para aumentar minha produção de leite?



- A sucção do bebê é a mais poderosa que existe, então amamente em livre demanda, mesmo sem a sonda, sempre que puder.

- Utilize uma bomba elétrica de boa qualidade e tente ordenhar seu leite também sempre que possível - isso ajuda a estimular a produção, mesmo se ainda não estiver saindo leite. A ordenha manual bem feita é igualmente eficiente. 

- Descarte o uso de qualquer bico artificial: mamadeiras, chupetas, bicos de silicone.

- Carregue seu bebê num sling, sempre que possível. Sentir o cheiro da mamãe acalma o bebê e o incentiva a sugar.

- Descanse quando puder, tire sonecas quando o bebê também o fizer. Durma perto de seu bebê (tomando precauções para prática da cama compartilhada): pesquisas mostram que cama familiar pode ajudar no estabelecimento da amamentação.


Vídeo explicativo: http://www.youtube.com/watch?v=p9-Y4A8lLNU

ATENÇÃO: A técnica de relactação é justamente para RE-lactar, usada quando a mãe deixou por qualquer motivo de oferecer seu peito ou em casos de mães adotivas que desejam amamentar.

RELACTAÇÃO NÃO É UM MÉTODO DE COMPLEMENTAÇÃO PARA SUBSTITUIR A MAMADEIRA. 

É importante que desde o começo o fluxo da sonda seja regulado, para que o bebê se acostume com o fluxo de LM (leite materno) do peito - nem toda sucção deve levar leite. 

A relactação sozinha não faz milagres, deve ser associada à livre demanda e auto-confiança. SE A MÃE PRODUZ QUALQUER QUANTIDADE DE LM A RELACTAÇÃO TEVE SUCESSO E NÃO É MAIS NECESSÁRIA: pode começar a diminuir o LA (leite artificial) usando copinho. 
Uma vez se consegue LM em volume aceitável o ideal é passar oferecer o complemento num copinho e deixar de usar a sonda. Lembre que existe sucção não alimentar, na sonda fica difícil saber até onde o bebê continua com fome e até onde está sugando por conforto.
Toda mamada deve começar e terminar pelo peito sozinho. Se o bebê adormece no peito, que seja no peito sem sonda.





sábado, 7 de março de 2015

Porque alguns sites e blogs não vão te contar que mamadeiras e chupetas causam desmame e muitos outros prejuízos

Por Moderadoras do GVA

Logo que você se descobre grávida começa a procurar na internet tudo que possa lhe ajudar: busca informações, pesquisa produtos, e acaba descobrindo alguns sites e blogs maternos com os quais você mais se identifica. Alguns vão lhe sugerir uma lista de compras para o enxoval - se você for mãe de primeira viagem a tendência é escolher a maior lista (mesmo se seus amigos lhe avisarem que metade daquilo será inútil) afinal você pensa que dessa forma está fazendo o melhor pelo seu bebê - tem sempre aquela conversa de que "não foi útil para fulano mas pode ser útil para mim". Ok, bebês precisam mesmo de alguns itens, mas é inegável que a indústria da maternidade lucra muito com mães inexperientes e tenta enfiar goela abaixo várias invenções que de fato não servem para nada ou até podem prejudicar o bebê. Aí vem o primeiro susto: "se é algo que prejudica então não deveria ser proibido?" - pois é, deveria, mas o caminho que se percorre até conseguir uma proibição pode levar décadas e enquanto isso nós e nossos bebês continuamos sendo cobaias.
Chega então um momento em que você já tem alguma malícia para perceber se um item é desnecessário - já sabe, por exemplo, que seu bebê não precisa de um penico que tenha um tablet acoplado. Maravilha - isso já evita muito desperdício - mas você ainda tem dúvidas sobre alguns itens, como chupetas e mamadeiras, então pensa: "vou pesquisar naquele site (ou blog), pois é mantido por profissionais de saúde, então deve ser sério". Você encontra muita informação de qualidade neste site e fica feliz por poder contar com ele. Você acha estranho algumas propagandas no canto da tela mas pensa "eles precisam ter alguma forma de ganhar dinheiro para manter este site". Seria tudo muito lindo se o objetivo fosse SÓ manter o site - na verdade o site tem parceiros comerciais e por isso não pode falar mal dos produtos que estes parceiros vendem. 
É isso mesmo que você leu - o site não pode falar mal dos produtos que os parceiros vendem, afinal isso limitaria (ou até atrapalharia) as vendas desse parceiro comercial. Dando nomes aos bois: um site que tem parceria com empresas que vendem mamadeiras e chupetas nunca vai te contar que mamadeiras e chupetas podem causar desmame precoce e muitos outros prejuízos ao bebê (deglutição atípica, problemas na fala, problemas respiratórios, desordens do sono, problemas posturais, distúrbios alimentares e psicopedagógicos, deformidades esqueléticas e maloclusões dentárias, maior risco de infecções, alergias, cáries, etc.) - ao contrário, ele pode até mesmo escolher pesquisas científicas duvidosas para lhe dizer que chupeta "previne a morte súbita" (não caia nessa hein) ou dizer que mamadeira depois de 6 meses não causa desmame (causa sim, e muitos). Podemos ir um pouco mais longe? Bebês desmamados geram muito lucro: consomem leite artificial, mamadeiras, chupetas, esterilizadores de mamadeiras, escovas de lavar mamadeira, prendedores de chupeta, etc.Não se assuste - nada disso que falamos aqui fere as leis brasileiras, logo as empresas não estão fazendo nada oficialmente errado. Como é possível então obter informação de qualidade, sem interesses financeiros? Busque evidências científicas e grupos/sites/blogs realmente voluntários - estes sim estão fazendo um grande trabalho pelo bem dos bebês, sem ganhar nada em troca - aliás, ganham sim: cada mãe que conta "tirei a mamadeira/chupeta e evitei o desmame!" representa uma medalha de vitória, é motivo de orgulho, dá forças para seguir com o trabalho adiante!

Perguntas frequentes:
1) Chupeta não é melhor que dedo? Não, não é - veja:
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/01/se-o-bebe-esta-chupando-o-dedo-o-que.html
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/07/a-chupeta-o-que-toda-mae-e-pai-deveria.html

2) Mamadeira é ruim até depois dos 6 meses? Sim, é muito ruim - veja:
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/uso-de-mamadeira-e-prejudicial-em.html
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2013/11/confusao-de-bicos-artificiais-por.html

3) Como oferecer água e sucos sem mamadeira? Existem várias alternativas, como os copinhos de bico rígido, colher, colher-dosadora:
https://www.facebook.com/media/set/?set=oa.276411499141800&type=1


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Campanha Põe no rótulo: por regras claras para a rotulagem de alérgenos



Alergia alimentar não é brincadeira, é uma realidade que muitas famílias enfrentam diariamente com seus filhos.  
Se não bastasse toda a pressão que a mãe que amamenta sofre hoje, as mães que amamentam bebês e crianças com alergia alimentar  tem uma adicional: O descaso das indústrias com a rotulagem correta e clara dos ing
redientes que causam alergia. Esse é um fator que desanima, que desestimula, pois na dúvida se aquele produto vai fazer bem ou mal para seu bebê, você deixa de consumi-lo ou, se sucumbir à pressão, deixa de amamentá-lo. As mães que se mantem firmes na dieta, são muitas vezes obrigadas a fazer muita coisa em casa pela falta de confiança na indústria. A cura da alergia alimentar depende do período de estabilidade conseguido unicamente através da dieta restritiva feita corretamente.

As coisas seriam mais fáceis se o Brasil possuísse regras claras para a rotulagem de alérgenos. A Anvisa está montando sua agenda para os próximos dois anos e quer saber qual a prioridade do assunto.

É muito importante a nossa participação, não só como cidadãos, mas como mães, como apoiadores e incentivadores da amamentação e como amigos das crianças com alergia. 

É rápido, é fácil, pode ser feito pelo celular. São apenas 3 perguntas.

Clique no link, preencha seus dados, escolha macrotema 12 e siga o exemplo da foto. Contamos com vocês!

http://formsus.datasus.gov.br/site/formulario.php?id_aplicacao=19227




*Agradecemos a imagem e a informação a Fernanda Mainier Hack‎


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

GUIA FACIL PARA INTRODUÇÃO ALIMENTAR USANDO O MÉTODO BLW : Baby-led Weaning

Por Zioneth Garcia. 

BLW significa Desmame guiado pelo bebê. O princípio desse método é a transição à alimentação por sólidos de forma natural acompanhando as necessidades organicas e habilidades motoras do bebê. O bebê deve e pode ter o controle total. Não exite restrição enquanto ao numero de refeições diarias já que acreditasse que o organismo do bebê sozinho vai priorizar os nutrientes que mais precisa: alimentação complementar ou Leite materno, por isto a livre demanda do Leite materno é fundamental. 

O leite materno é o principal alimento até os 12 meses, e oferece uma fonte completa de nutrientes para o bebê. Limitar as mamadas não só é uma péssima estratégia para ajudar o bebê aceitar mais alimentos, se não também pode colocar em risco o desenvolvimento normal de seu filho. Lembre que leite materno não atrapalha absorção de nutrientes, pode oferecer antes durante ou depois de todas as refeições. 

O mel e a leite de vaca não são indicados para menores de 1 ano. No caso do mel, os menores de um ano de idade correm o risco de contrair botulismo, caso o mel esteja contaminado pela bactéria Clostridium botulinum, nociva apenas aos mais sensíveis. O leite de vaca ou formulas especiais não são necessárias enquanto o bebê se mantenha no aleitamento materno. Danoninho NÃO É ALIMENTO DE LACTANTES! 

Ter uma boa alimentação familiar, variada, equilibrada e saudavel é essencial. Coma hoje como espera que seus filhos comam a manhã! 

Em casos com histórico de alergias alimentares particulares na  família próxima ou suspeita de alergia alimentar no  bebê devem ser evitados os alimentos com alto potencial de sensibilização alergênica até os 2 anos. Se há suspeita ou diagnostico certeiro de alergia alimentar deve se avaliar com o profissional (gastropediatra ou alergista) os riscos de contaminação cruzada de alimentos

Como funciona BLW:

*O bebê come no seu ritmo pelos seus próprios meios.

*O bebê participa de todas as refeições da família ativamente desde  primeiro dia de alimentação complementar.

*Oferecem-se os alimentos que a família consome, alguns são adaptados para ele pegar sozinho para levar à boca.

*Se recomenda respeitar o esquema de introdução de apenas um novo alimento ou ingrediente a cada 2 dias. Dessa forma em 15 dias o bebê já poderá acompanhar a alimentação diária da família podendo escolher entre um universo de 5-6 itens. Ao final do 7° mês ele poderá ter experimentado até 30 ingredientes, praticamente todos os itens que configuram a base da dieta Brasileira saudável.  

*Sugere-se começar com “finger foods” , alimentos para comer com as mãos , para depois introduzir as texturas menores: pedacinhos, grãos inteiros etc;  e por ultimo aquelas que precisam de talheres. Para oferecer papas, purês ou molhos se sugere oferecer usando palitos de legumes, ou mesmo colocando a colher frente ao bebê para ele SOZINHO levar à boca. 

*O bebê escolhe o que deseja comer conforme suas necessidades orgânicas. A quantidade de comida é regulada pelo bebê. Acreditasse que a traves da vontade de comer o bebê expressa suas necessidades orgânicas de nutrientes, por isso é importante oferecer escolhas nutricionalmente diferentes e complementares dentro do mesmo prato quando ele já conhece variedade de ingredientes.  

*Não existem papinhas, papas ou refeições separadas para o bebê, ele vai acompanhar a dieta familiar, por tanto,  o principal reto é avaliar a dieta da família deixando-a o mais saudável possivel. Programe o cardápio da família para que o bebê consiga acompanhar pelo menos uma das preparações. 

*NÃO SE DA COMIDA NA BOCA DO BEBÊ. Se ele não consegue levar à boca sozinho não está pronto para comer esse tipo de alimento ou textura.

*Não se oferece para o bebê o que ele não consiga comer sozinho.

*Não se força o bebê a comer determinado alimento e nem determinada quantidade. A vontade do bebê de comer é a expressão de suas necessidades organicas de nutrientes. Esse principio é essencial para o método dar certo.

*Não se coage o bebê a terminar o prato de nenhuma forma, nem premios nem castigos. A alimentação deve ser da forma mais natural possivel.  

*Não se distrai o bebê com músicas, brinquedos, televisão ou qualquer outro truque para que ele coma mais.

*Vai ter bagunça e lambança em toda refeição. Relaxe e desfrute. Essa fase durará pouco tempo.

*Você vai ter a sensação que o bebê não come nas primeiras refeições,  e prossivelmente só descobra o que comeu e quanto comeu após ver o coco. 

*O bebê vai estar completamente no controle de seu proprio apetite e satisfação. Se ele quer comer come, senão quer comer não vai comer! O seu papel será oferecer. 

* Quando o bebê come ou morde mais do que é capaz de engolir você vai ver episodios de pseudo engasgamento onde poderá presenciar o "gag-reflex", o bebê desengasgando sozinho, NÃO SE APAVOREE NÃO TIRE O BEBÊ DO LUGAR. Respire conte até 10 enquanto observa, o bebê sozinho se desengasga e cuspira para fora o que lhe atrapalhou. O risco de engasgamento real em BLW é menor ou igual ao de o método tradicional.


Medidas de Segurança 
 *O bebê deve ser capaz de se sentar sozinho, segurar objetos e levar a boca por própria conta. 
*NUNCA deixe o bebê sozinho com a comida.
*NUNCA ofereça alimentos em posição deitada ou semi-deitada.
*O dorso deve ficar livre para se mexer para frente e para atrás. Se possue cadeirão de 5 pontos use apenas o cinto ao redor da cintura.  
*NUNCA abra a boca à força. Nem force engolir a comida.
*Não o engane ou distraia para colocar comida na boca.
*Não se apavore, não grite e nem assuste o bebê se o ele manifesta o pseudo-engasgamento ou gag-reflex.
*A alimentação da família que é oferecida deve ser de alimentos saudáveis. Nada de industrializados, leite de vaca e derivados ou mel antes de 1 ano. 


Fontes: 
Gill Rapley e Tracey Murkett. Baby-Led Weaning: The Essential Guide to Introducing Solid Foods - and Helping Your Baby to Grow Up a Happy and Confident Eater.http://www.rapleyweaning.com/assets/blwleaflet.pdf

UW Integrative medicine. Department of family medicine. An Integrative Approach to Feeding Your Baby: Starting Solids and Baby-Led Weaning (Baby-Led Solids). http://www.fammed.wisc.edu/sites/default/files//webfm-uploads/documents/outreach/im/handout_baby-led_weaning.pdf

WHO Complementary feeding. e-Library of Evidence for Nutrition Actions (eLENA).http://www.who.int/elena/titles/complementary_feeding/en/

Brown A, Lee M. Maternal control of child feeding during the weaning period: differences between mothers following a baby-led or standard weaning approach. Matern Child Health J. 2011 Nov;15(8):1265-71. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20830511?dopt=Abstract

Ministério da saúde. Saúde da criança: Nutrição Infantil. Aleitamento materno e alimentação complementar. Caderno de atenção Básica n° 23. Brasilia. 2010.http://www.sbp.com.br/pdfs/Aleitamento_Complementar_MS.pdf

Sociedade Brasileira de pediatria. Manual de orientação departamento de nutrologia. 3° edição revisada.2012. http://www.sbp.com.br/pdfs/Aleitamento_Complementar_MS.pdf

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Como estimular o bebê a aprender (ou reaprender) a mamar

Por Zioneth Garcia, Fernanda Rezende Silva, Marcos Mendes e Ana Beatriz Herreros

Existem várias situações nas quais um bebê pode precisar de ajuda para aprender (ou reaprender) a mamar no peito: logo que nasce, quando passa por períodos longos de internação sem a possibilidade de mamar e quando passa por confusão de bicos - para todas essas situações as técnicas descritas neste texto serão úteis.
É estranho pensar que um bebê que acabou de nascer possa precisar de ajuda para mamar, pois este ato deveria ser instintivo. Sim, mamar é instintivo, o bebê precisa mamar para sobreviver, mas mamar e estimular corretamente o seio é uma aprendizagem e esta pode levar mais tempo em alguns casos. Na prática isso não deveria ser um problema - é normal a dupla mãe/bebê demorar um pouco a se acertar - mas nós sabemos que existe uma expectativa muito grande para que este bebê ganhe peso logo, então, para tentar evitar a indicação precoce de LA, é uma boa ideia dar uma ajudinha para que o bebê fique logo craque na arte de mamar.
Algumas interferências sofridas no nascimento, que levam à separação do bebê de sua mãe, podem atrapalhar o instinto de sucção do recém nascido, por exemplo: prematuridade (mesmo tardia), hipoglicemia, desconforto respiratório, falta de preparo da equipe médica (que acaba separando mãe e filho sem necessidade). É importante ressaltar que mesmo em casos de cesárea, se o bebê se encontra saudável, o alojamento conjunto desde o momento do nascimento é um direito da dupla protegido por lei. O bebê pode e deve ser colocado no colo da mãe para ter seu primeiro contato físico e tentar mamar, ativando assim seus instintos de sucção inatos.
E porque falamos em reaprender a mamar? Porque as dificuldades enfrentadas desde o nascimento têm provocado desmames cada vez mais precoces, porém queremos que as mães saibam que é possível reverter o quadro na maioria das vezes. Muitos bebês passam por confusão de bicos o que os leva a desaprender a mamar no peito - eles se acostumam com o tipo de sucção da chupeta e/ou da mamadeira (e com o fluxo contínuo da mamadeira, que não é o mesmo do peito) e por isso têm dificuldade para mamar no seio - tentam fazer no peito o mesmo tipo de sucção da mamadeira/chupeta, mas a sucção/ordenha do peito é completamente diferente da sucção dos bicos artificiais (no peito o bebê ordenha o leite antes de mamar), por isso bebês em confusão de bicos estão desaprendendo a mamar: são incapazes de obter do seio da mãe o alimento e o conforto emocional que ele deve oferecer.
O que pode ser feito então quando um bebê precisa de ajuda para mamar? O primeiro passo é, sem dúvida eliminar os bicos artificiais. Não adianta nada tentar ensinar um bebê a mamar se ele continua usando chupeta e/ou mamadeira - isso só trará mais sofrimento para mãe e bebê. Se o bebê toma LA (leite artificial) este deve continuar a ser oferecido até sua mãe garantir a sucção eficiente do seio (que estimula a volta da produção de leite materno na quantidade que o bebê precisa), porém esse LA deve ser oferecido de outra forma (copinho, por exemplo).
O segundo passo é estimular o bebê a procurar o seio. A mãe pode ficar sem sutiã e sem blusa, deitada na cama, de forma confortável (por exemplo, apoiada em travesseiros) com o bebê deitado de bruços (só de fralda) sobre seu peito, perto do seu coração, acariciando-lhe as costas e conversando com ele, de forma que ele fique tranquilo, relaxado - assim ele terá estímulo para procurar o seio. Outra ideia é a mãe ficar sem blusa e sem sutiã e colocar o bebê só de fralda em um sling - ele ficará coladinho no corpo da mãe, sentindo seu cheiro - isso ajudará a estimular a vontade de mamar, e o livre acesso ao peito facilitará as tentativas do bebê. O contato pele a pele sempre acalma, fazendo disso uma rotina o bebê passará a associar o seio a essa sensação de calma e segurança.
Especialmente para casos de confusão de bicos, costuma funcionar: amamentar o bebê quando ele estiver sonolento, tomar banho de chuveiro com o bebê (e tentar amamentar o bebê no banho).
As dicas acima ajudam, mas sempre é melhor (e muito mais fácil) prevenir do que remediar: não tenha bicos artificiais em casa, não use nunca - esta atitude pode parecer difícil mas com certeza evitará problemas futuros.
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