Por Fernanda Rezende Silva
Revisão: Luciana Freitas e Zioneth Garcia
O
título deste texto pode parecer absurdo, mas não é. O bebê influencia
sim, e muito, no processo de produção do leite materno. É ele quem
comanda.
Vamos imaginar que o peito da mãe é uma máquina de
produzir alimento, e o bebê é o operador desta máquina. Se o operador
nem chegar perto da máquina é óbvio que ela permanecerá desligada e
nenhum alimento será produzido, e o contrário também é verdadeiro, se o
operador estiver em permanente contato com esta máquina, operando-a o
tempo todo, muito alimento será produzido. Ok, esta parte não é
novidade. Sabemos que quanto mais o bebê suga, mais leite é produzido,e
que se o bebê não suga (ou suga errado) a produção de leite é
comprometida, então vamos entender como funciona o processo (se você
ainda não sabia que o leite materno é produzido enquanto o bebê mama
então leia este texto: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/09/voce-esta-amamentando-e-seu-peito-esta.html).
O bebê nasceu com a missão de operar a máquina-peito, e esta operação
não se resume a ligar/desligar, ele decide em que momento que tipo de
alimento será produzido. Ele é um operador inteligente: pode enviar um
comando do tipo "agora quero o alimento X", ou "chega de X, agora quero
Y". Traduzindo isso: o bebê, por meio do tempo de mamada e de potência
da sucção, “diz” ao corpo da mãe que agora ele quer um leite menos
gorduroso, ou que quer o leite mais gorduroso. O leite vai aumentando
sua quantidade de gorduras, então não existe um leite “fraco” e um leite
“gordo”, é algo gradual . Alguns exemplos do que o bebê diria para a mãe:
-
"Mamãe, já mamei 10 minutos de leite com menos gordura e matei a sede,
agora quero mamar mais 20 minutos, então vai aumentando a gordura
desse!".
- "Mamãe, não se assuste - dessa vez só quero matar a
sede, não tenho fome - assim que eu tiver fome eu mamo mais e lhe peço
um leite com mais gordura".
- "Mamãe, já estou tão craque que agora
quero só 1 minuto de leite com menos gordura e nos 4 minutos seguintes,
vai aumentando a gordura desse leite. Ah! Mamãe, agora consigo me
satisfazer em apenas 5 minutos".
Sim, é o bebê que diz ao corpo da mãe que tipo de leite quer, quanto
quer, em que momento quer, por isso a livre demanda verdadeira é tão
importante (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/07/livre-demanda-o-que-e-realmente-dr.html).
E como o bebê pode executar este processo mágico de ir mudando a
gordura do leite no meio da mamada? Ele intensifica a mamada, fica mais
tempo no peito… Um bebê saudável nasce pronto para operar a
máquina-peito e, se ele não sofrer interferências externas ele vai
executar este processo perfeitamente.
"Ah, mas meu bebê ganhou
pouco peso neste mês". Porque isso nem sempre é um problema? O ganho de
peso isoladamente não significa saúde
(http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2013/06/por-que-nao-tiramos-balanca-do-pedestal.html).
Se um bebê saudável ganhou pouco peso em um mês específico mas cresce e
se desenvolve bem então pode não haver motivo para preocupação, depende
de cada caso - ele vai engordar conforme a sua necessidade.
"Mas meu bebê tem mamado horas seguidas, meu leite não satisfaz!". Hora de desfazer o mito "bebê só mama e dorme" e aprender um pouco sobre picos de crescimento e saltos de desenvolvimento. Peito não é só alimento - bebês novinhos querem mesmo grudar na mãe (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/o-conceito-do-continuum-importancia-da.html), e nos picos e saltos grudam mais ainda (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/pico-de-crescimento-e-salto-de.html).
O que poderia então atrapalhar o bebê a ponto dele não conseguir
mamar bem? Existem alguns fatores como a prematuridade, por exemplo, que
fazem com que o bebê tenha dificuldade para mamar (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/02/como-estimular-o-bebe-aprender-ou.html).
Outro exemplo é a anquiloglossia: se o bebê tem o freio de língua curto
então pode ser que ele não consiga executar perfeitamente todos os
movimentos necessários com a boca e língua, e isso sim pode atrapalhar
as mamadas e consequentemente a produção de leite (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/11/anquiloglossia-freio-de-lingua-curto.html).
Porque
então tantas mulheres dizem "Não tive leite" ou "Meu leite secou",
mesmo quando o bebê não tem nenhum problema para "operar a máquina"?
Nesses casos o bebê nasce preparado para operar a máquina-peito, mas ele
sofre interferências externas dos tais bicos artificiais (chupetas e
mamadeiras). Imagine que o operador usa os 5 dedos da mão direita para
executar o comando "produzir alimento X", mas aí ele começa a carregar
um objeto com esta mão e passa a não dispor mais dos 5 dedos para esta
ação (passa a fazê-lo só com 4 dedos) - ele sentirá cada vez mais
dificuldade para fazer este movimento até que a tarefa se torne muito
difícil e ele pode até desistir. Este texto explica o que acontece
nestes casos: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/03/o-que-acontece-com-os-musculos-bucais.html.
Você já entendeu que quem produz leite materno não é a máquina-peito
sozinha - o bebê é quem comanda o processo. Pois é, então isso também
significa que não adianta NADA empanturrar a máquina com matéria-prima -
o operador-bebê só vai pedir o alimento que ele realmente necessita.
Algumas mães pensam que precisam comer muita comida calórica para ter o
leite mais gorduroso e assim o bebê engordar melhor - isso não faz
sentido, basta você lembrar que os bebês das africanas mal nutridas
também engordam. Já vimos o caso de uma mãe que comia muita comida
calórica enquanto a filha engordava no ritmo normal e esperado para o
biotipo dela - o que esta mãe conseguiu foram 32 kg extras ao final da
amamentação (ou seja, o que a mãe comeu a mais virou gordura no corpo
dela, já que o bebê não requisitava esta gordura no leite materno).
A
matéria-prima é importante, então a mãe deve se alimentar bem? Sim, a
mãe deve se alimentar bem, mas sem neuras. Sabe a tal máquina-peito?
Então, ela tem as receitas armazenadas, o que significa que seu
resultado final varia muito pouco: a maior parte dos nutrientes do leite
materno vem das reservas nutricionais da mãe (todos os seres humanos
possuem reservas de nutrientes no corpo) então a mãe na verdade precisa
se alimentar bem para repor estas reservas, e não para produzir leite de
qualidade. Um exemplo: já foi comprovado que a mãe pode aumentar
bastante o consumo de alimentos com ferro e mesmo assim o leite materno
terá sempre a mesma quantidade de ferro, independente do que a mãe
comeu. Se a mãe simplesmente não está comendo alimentos com ferro o
leite também continua bom, mas este caso representa perigo de anemia
para a mãe, por isso ela não pode fazer dietas malucas e precisa mesmo
se alimentar bem.
Se o leite materno tem uma receita pronta, que praticamente não varia, e
só se produz leite conforme o bebê solicita, faz sentido pensar que a
mãe precisa beber X litros de água por dia, ou pensar que beber mais
água ajuda a produzir mais leite? Não, isso também não faz sentido. Uma
mulher que amamenta sentirá mais sede naturalmente, mas não precisa se
obrigar a tomar vários litros de água por dia para garantir a produção
de leite (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/beber-muita-agua-para-ter-mais-leite.html).
Lembra da receita do leite materno? Então, nela consta a proporção de
água necessária para produzir leite - tudo que vier além disso será
eliminado pelo corpo.Você estava aí se culpando porque não comeu o
alimento X ou Y, pensando que seu leite não seria bom por causa disso?
Pode desencanar - agora você já sabe que quem comanda a produção é o
bebê e que todas as mulheres têm em seus corpos a receita do leite
perfeito - nenhuma mulher precisa de canjica ou suco de uva para ter
mais leite ou um leite de melhor qualidade.
segunda-feira, 18 de maio de 2015
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Meu leite sempre acaba de tarde
Por: Gabriela Silva e Luciana Freitas
“Meu filho tem dois meses e meu leite diminuiu muito. Todas as vezes que ele vai mamar, especialmente no final da tarde e de noite, ele chora, rejeita o peito, puxa o bico com força. Demora a dormir porque está com fome, só berra e se joga pra trás. Acho também que além do leite diminuindo pode ser refluxo, pelo menos foi o que algumas pessoas disseram. Não pesei ele este mês ainda, mas deve ter ganhado pouco, porque ele só mama bem de manhã e de madrugada, quando tenho bastante leite.”
Ao longo de todos os anos de existência do GVA, recebemos com frequência postagens semelhantes a essa, que relatam problemas em bebês que têm entre 1 e 4 meses, aproximadamente, os quais a mãe atribui a uma diminuição do seu leite. No entanto, esses problemas, que parecem ser com a amamentação, costumam ser, na verdade, com o sono. Sim, com o sono!
Bebês com menos de um mês, em geral, dormem muito, adormecem sozinhos, sem que as mães precisem se preocupar com isso. Porém, após esse período, os bebês começam a precisar de ajuda para dormir. O cuidador deve perceber quando eles estão com sono e precisam ser colocados para dormir, seja por meio do embalo ou de qualquer outro meio que os faça pegar no sono (carrinho, rede, sling,cadeirinha do carro, bola de pilates etc).
Quando isso não acontece e a criança passa muitas horas acordada, e entre os dois e os quatro meses eles não aguentam mais do que 1h30 ou 2h no máximo acordados, inicia-se um processo de irritação que inclui, em muitos casos, rejeitar o peito da mãe e agir como no caso que usamos acima para ilustrar nosso texto. O bebê fica exausto, procura o peito pra dormir porque sabe que a mamãe e o peito são seu porto seguro, mas irritado de sono não tem paciência com nada. Reclama do peito, mas quando o solta reclama porque quer mais peito.Troca de um lado pra outro, chora, se joga pra trás, puxa os cabelos, bate comas mãozinhas no próprio rosto, geralmente os olhinhos estão avermelhados. Tudo isso é sinal de sono, mas nós mães sempre pensamos naquilo que tanto nos assombra: “O peito está secando! Não consigo produzir leite suficiente!”
Sim, ao final da tarde estamos nós também exaustas, afinal a maioria cuida sozinha do bebê e muitas vezes também de outros filhos, sem contar as tarefas domésticas... É um trabalho muito cansativo, apesar de escutarmos piadinhas do tipo “Está aproveitando pra descansar, né? Fica só cuidando do bebê, não trabalha fora mais, aproveite as ‘férias’!”.
Essa exaustão faz com que nossa percepção do choro e incômodo do bebê esteja muito mais sensível, então o mesmo choro que escutamos ainda de manhã cedo, e conseguimos contornar com criatividade e paciência, ao final do dia nos parece um choro desesperador e não temos mais ideia do que fazer para acalmar o bebê e nos acalmarmos também.
O que fazer, então? Mudar de ares, sair do ambiente tenso e assim conseguir respirar pra tentar novamente fazer o bebê dormir e mamar:
- tomar banho juntos (banheira ou chuveiro);
- dançar ao som de músicas que vocês gostem;
- passear de sling pela vizinhança;
- ir à pracinha ou ao play, para se distraírem e ver outras crianças brincando (ajuda a lembrar que tudo passa e logo será o nosso bebê correndo e se divertindo ali).
O principal é lembrar que é ilógico o mesmo peito que produz leite suficiente durante todo o dia, simplesmente secar no final da tarde. Pense: “É sono, vamos relaxar pra dormir. É sono, vamos relaxar pra dormir...”. Tente descobrir o que mais funciona para você como forma de relaxar, e então quando esses dias difíceis surgirem, lembre que é sono e não falta de leite. Seu corpo é perfeitamente capaz de nutrir seu bebê!
Para saber mais a respeito do sono dos bebês e os efeitos de ficarem muito tempo acordados, indicamos os links abaixo:
Tabela de sono
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/05/tabela-de-sono-dos-bebes.html
O efeito vulcânico – como a falta de boas sonecas durante o dia causa irritação e “birras”
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2013/06/o-efeito-vulcao-pular-sonecas-produz.html
“Meu filho tem dois meses e meu leite diminuiu muito. Todas as vezes que ele vai mamar, especialmente no final da tarde e de noite, ele chora, rejeita o peito, puxa o bico com força. Demora a dormir porque está com fome, só berra e se joga pra trás. Acho também que além do leite diminuindo pode ser refluxo, pelo menos foi o que algumas pessoas disseram. Não pesei ele este mês ainda, mas deve ter ganhado pouco, porque ele só mama bem de manhã e de madrugada, quando tenho bastante leite.”
Ao longo de todos os anos de existência do GVA, recebemos com frequência postagens semelhantes a essa, que relatam problemas em bebês que têm entre 1 e 4 meses, aproximadamente, os quais a mãe atribui a uma diminuição do seu leite. No entanto, esses problemas, que parecem ser com a amamentação, costumam ser, na verdade, com o sono. Sim, com o sono!
Bebês com menos de um mês, em geral, dormem muito, adormecem sozinhos, sem que as mães precisem se preocupar com isso. Porém, após esse período, os bebês começam a precisar de ajuda para dormir. O cuidador deve perceber quando eles estão com sono e precisam ser colocados para dormir, seja por meio do embalo ou de qualquer outro meio que os faça pegar no sono (carrinho, rede, sling,cadeirinha do carro, bola de pilates etc).
Quando isso não acontece e a criança passa muitas horas acordada, e entre os dois e os quatro meses eles não aguentam mais do que 1h30 ou 2h no máximo acordados, inicia-se um processo de irritação que inclui, em muitos casos, rejeitar o peito da mãe e agir como no caso que usamos acima para ilustrar nosso texto. O bebê fica exausto, procura o peito pra dormir porque sabe que a mamãe e o peito são seu porto seguro, mas irritado de sono não tem paciência com nada. Reclama do peito, mas quando o solta reclama porque quer mais peito.Troca de um lado pra outro, chora, se joga pra trás, puxa os cabelos, bate comas mãozinhas no próprio rosto, geralmente os olhinhos estão avermelhados. Tudo isso é sinal de sono, mas nós mães sempre pensamos naquilo que tanto nos assombra: “O peito está secando! Não consigo produzir leite suficiente!”
Sim, ao final da tarde estamos nós também exaustas, afinal a maioria cuida sozinha do bebê e muitas vezes também de outros filhos, sem contar as tarefas domésticas... É um trabalho muito cansativo, apesar de escutarmos piadinhas do tipo “Está aproveitando pra descansar, né? Fica só cuidando do bebê, não trabalha fora mais, aproveite as ‘férias’!”.
Essa exaustão faz com que nossa percepção do choro e incômodo do bebê esteja muito mais sensível, então o mesmo choro que escutamos ainda de manhã cedo, e conseguimos contornar com criatividade e paciência, ao final do dia nos parece um choro desesperador e não temos mais ideia do que fazer para acalmar o bebê e nos acalmarmos também.
O que fazer, então? Mudar de ares, sair do ambiente tenso e assim conseguir respirar pra tentar novamente fazer o bebê dormir e mamar:
- tomar banho juntos (banheira ou chuveiro);
- dançar ao som de músicas que vocês gostem;
- passear de sling pela vizinhança;
- ir à pracinha ou ao play, para se distraírem e ver outras crianças brincando (ajuda a lembrar que tudo passa e logo será o nosso bebê correndo e se divertindo ali).
O principal é lembrar que é ilógico o mesmo peito que produz leite suficiente durante todo o dia, simplesmente secar no final da tarde. Pense: “É sono, vamos relaxar pra dormir. É sono, vamos relaxar pra dormir...”. Tente descobrir o que mais funciona para você como forma de relaxar, e então quando esses dias difíceis surgirem, lembre que é sono e não falta de leite. Seu corpo é perfeitamente capaz de nutrir seu bebê!
Para saber mais a respeito do sono dos bebês e os efeitos de ficarem muito tempo acordados, indicamos os links abaixo:
Tabela de sono
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/05/tabela-de-sono-dos-bebes.html
O efeito vulcânico – como a falta de boas sonecas durante o dia causa irritação e “birras”
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2013/06/o-efeito-vulcao-pular-sonecas-produz.html
terça-feira, 12 de maio de 2015
Tabela de Sono dos Bebês
Tempo total de sono para diversas idades.
Recém-nascido: 1 Semana
- Bebê dorme bastante, 15-18 horas/dia
- Geralmente em intervalos de 2-4 horas
- Não há padrão de sono
2 a 4 semanas
- Sem tabela de horários, permita que o bebê durma quando precisa
- Bebê provavelmente não dormirá por períodos longos à noite
- O maior período pode ser de 3-4 horas
5 a 8 semanas
- Bebê está mais interessado em brinquedos e objetos
- O maior período de sono começa a aparecer regularmente nas primeiras horas da noite
- O período mais longo é de 4-6 horas (menos se tem cólicas)
- O bebê "fácil" tem períodos mais regulares
- Ponha-o para dormir aos primeiros sinais de cansaço
- Ponha-o pra dormir: não mais que 2 horas acordado
- Após acordar pela manhã já está pronto para soneca somente 1 hora depois
- O bebê vai se distrair mais facilmente, então precisa de um lugar quieto pra dormir
- Crie uma rotina de atividades que acontecem antes de cada soneca e da hora de dormir à noite
- Sinais de extrema fadiga: irritável, puxa o próprio cabelo, bate na própria orelha
3 a 4 meses
- A necessidade é maior de um lugar calmo e quieto para dormir, pois o bebê se distrai mais facilmente
- Não deixar o bebê acordado por mais de 2 horas (alguns aguentam somente 1 hora)
- 6 semanas de vida é quando o período de sono mais longo deve ser preferencialmente à noite (não de dia)
- O maior período de sono é somente de 4-6 horas
- Comece a colocar o bebê para dormir antes dele começar a ficar irritado ou sonolento
4 a 8 meses
- O sono do bebê se torna mais como o do adulto, com período inicial de não-REM
- A maioria acorda entre 7 da manhã, mas geralmente entre 6-8.
- Se o bebê acordar antes das 6 é bom colocar para dormir após mamar e trocar a fralda
- Não é possível mudar a hora que o bebê acorda de manhã colocando-o para dormir mais tarde
- Comidas sólidas antes de dormir também não resultam em acordar mais tarde
- O período acordado de manhã deve ser de cerca de 2 horas para bebê de 4 meses e 3 horas para bebês de 8 meses
- Então a soneca da manhã é por volta das 9 horas para a maioria
- Tenha um período tranquilo e quieto, parte da rotina de dormir, com duração máxima de 30 minutos. Essa rotina deve começar 30 minutos ANTES do fim do período que o bebê fica acordado
- Um soneca só é restauradora se é de 1 hora ou mais, algumas vezes 40-45 minutos conta, mas 1 hora ou mais é o ideal
- Conte com outra soneca após 2-3 horas acordado
- Evite mini-sonecas no carro ou parque
- Não deixe o bebê tirar uma sonequinha para compensar uma soneca perdida
- Se o bebê tira a soneca quando deveria estar acordado, bagunça a rotina acordado/dormindo
- A segunda soneca é geralmente entre meio-dia e 2 da tarde (antes das 3)
- Deve durar 1-2 horas
- Uma terceira soneca poderá ou não ocorrer, se ocorrer será entre 3-5 da tarde e geralmente bem rápida
- A terceira soneca desaparece por volta dos 9 meses de idade
- A hora de dormir ideal é entre 6-8 da noite, decida pelo quanto a criança está cansada
- Empregue uma rotina antes da cama com a mesma sequência de eventos toda noite, assim a criança começará a predizer o que vem a seguir, ou seja, o sono
- A criança poderá acordar de 4-6 horas depois para mamar, algumas estarão com fome mas outras vão dormir direto, depende do indivíduo
- Uma segunda mamada poderá ocorrer por volta de 4-5 da madrugada.
9 a 12 meses
- A maioria dos bebês dessa idade realmente precisam de 2 sonecas/dia com duração total de 3 horas de sono
- Por o bebê pra dormir à noite mais cedo permitirá que ele durma até mais tarde de manhã (em alguns casos não)
- Rotina usual: acorda às 6-7 da manha, soneca da manhã 9:00, soneca da tarde 13:00 (antes das 15:00 pra não atrapalhar com o sono da noite), dormir à noite entre 18:00-20:00
- Se o bebê que dormia à noite toda começar a acordar, tente antecipar a hora de dormir gradualmente de 20-20 minutos.
12 a 21 meses (1 ano a 1 ano e 9 meses)
- Muda de 2 sonecas para 1 soneca/dia, total duração de sono 2 horas e meia
- Se a mudança para 1 soneca é difícil, tente por na cama mais cedo, a criança poderá tirar 2 sonecas num dia e 1 no outro até estabilizar
21 a 36 meses (1 e 9 meses a 3 anos)
- Maioria das crianças ainda precisam de uma soneca
- Em média a soneca é de 2 horas mas pode ser entre 1-3 horas
- Maioria das crianças dormem entre 7-9 da noite, acordam entre 6:30-8 da manhã
- Se a soneca não aconteceu, é preciso por na cama mais cedo ainda
- Se a criança não dorme bem durante a noite, não permitir que a criança tire a soneca pode ser problemático, causar extrema fadiga
- Se a criança acorda entre 5-6 da manhã, e está bem descansada, pode-se tentar encorajar mais sono com cortinas escuras
- Ir pra cama mais cedo pode resultar em acordar mais tarde de manhã (sono traz mais sono, na maioria dos casos)
3 a 6 anos
- A maioria ainda vai dormir entre 7-9 da noite, acorda entre 6:30 e 8 da manhã
- Aos 3 anos a maioria das crianças precisam de 1 soneca todos os dias
- Aos 4 anos, cerca de 50% das crianças tiram soneca 5 dias/semana
- Aos 5 anos de idade, cerca de 25% das crianças tiram soneca 4 dias/semana
- Aos 6 anos de idade as sonecas geralmente desaparecem
- Aos 3 e 4 anos a soneca dura 1-3 horas
- Aos 5 e 6 anos a soneca dura entre 1-2 horas
7 a 12 anos
- A maioria das crianças de 12 anos vão dormir entre 7:30 e 10 da noite, na média 9 da noite. A maioria dorme 9-12 horas/noite.
- Muitas crianças de 14-16 anos agora precisam de mais sono que quando eram pré-adolescentes para manter a atividade ótima e serem alertas durante o dia
Tradução: Andreia Mortensen
Original em: http://solucoes.multiply.com/journal/item/1
(Baseada no livro 'Healthy Sleep Habits'' de Marc Weissbluth)
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Quando o seu bebê acorda freqüentemente para ser amamentado (Técnica da Remoção Gentil - RG) - adaptado de Soluções para Noites sem Choro, de Elizabeth Pantley
Adaptado por Mariana Elis
Quando seu bebê acorda freqüentemente durante a noite para ser amamentado, ele não necessariamente está com fome ou sede, mas apresenta um ritmo de sono normal em seres humanos, que intercala sono profundo com sono leve e até mesmo breves acordadas. A diferença está no fato de seu bebê ainda não ser capaz de voltar a adormecer sozinho e por isso ser dependente de algo para que volte ao sono, no caso a maioria dos bebês associa a sucção com o sono. Esta associação é natural e muito positiva e prazerosa, e seria o ideal se a mãe pudesse se dedicar exclusivamente ao bebê o tempo todo que ele precisasse. Mas sabemos que essa não é a realidade da maioria das famílias, e portanto esta associação de sucção e sono pode ser manejada de forma a permitir que a mãe consiga se afastar do bebê que dorme, sem acordá-lo, ou fazer uso de bicos artificiais para mantê-lo dormindo.
Elizabeth Pantley, autora do livro "Soluções para noites sem choro" apresenta neste, uma técnica batizada de Remoção Gentil, que consta em, a partir de certa idade do bebê, procurar dissociar seu sono do ato de sugar.
Durante o sono, os bebês emitem sons, como gemidos, grunhidos e até alguns chorinhos. Isso é normal e faz parte da natureza dos bebês, portanto, não há necessidade de a cada som que o bebê emitir, pegá-lo e colocá-lo para mamar imediatamente. Mesmo que pareça que ele está a acordar, observe por um tempo, acaricie-o, ofereça aconchego de outra forma, para que continue dormindo. Nunca deixe o bebê chorando sem conforto, portanto, se notar que as carícias ou o abraço não foram suficientes e o bebê está despertando, ele deve estar a pedir para mamar, então, amamente-o sem preocupação.
Desde o nascimento do bebê, muitas vezes, as mães se adaptam a uma rotina, que geralmente envolve amamentar o bebê para fazê-lo dormir. Para muitos bebês, essa rotina pode permanecer inalterada até seu desmame, porém existem bebês que podem demandar uma mudança nesta rotina para que consigam dormir a noite toda.
Durante o sono, os bebês emitem sons, como gemidos, grunhidos e até alguns chorinhos. Isso é normal e faz parte da natureza dos bebês, portanto, não há necessidade de a cada som que o bebê emitir, pegá-lo e colocá-lo para mamar imediatamente. Mesmo que pareça que ele está a acordar, observe por um tempo, acaricie-o, ofereça aconchego de outra forma, para que continue dormindo. Nunca deixe o bebê chorando sem conforto, portanto, se notar que as carícias ou o abraço não foram suficientes e o bebê está despertando, ele deve estar a pedir para mamar, então, amamente-o sem preocupação.
Desde o nascimento do bebê, muitas vezes, as mães se adaptam a uma rotina, que geralmente envolve amamentar o bebê para fazê-lo dormir. Para muitos bebês, essa rotina pode permanecer inalterada até seu desmame, porém existem bebês que podem demandar uma mudança nesta rotina para que consigam dormir a noite toda.
O plano de Remoção Gentil de Pantley
Elizabeth sugere um plano gradual, que consiste em ensinar o bebê a se manter dormindo, e mais tarde a adormecer, sem precisar estar sugando para tal. Para isto, ela sugere que
"quando o bebê acordar, procurando o peito para mamar, amamente-o normalmente, mas, em lugar de resolver tudo e voltar para a cama ou deixar que ele adormeça no peito, deixe-o sugar por alguns minutos até que o ritmo diminua e ele comece a relaxar para dormir. E então interrompa a sucção com o dedo e gentilmente retire o bico do peito de sua boca.
Quase sempre, e especialmente nas primeiras vezes, o seu bebê vai se assustar e se voltar para o bico. Tente muito gentilmente manter sua boquinha fechada, colocando seu dedo sob o queixo do bebê, mantendo uma pequena pressão, ao mesmo tempo em que o vai acalentando ou ninando. Se ele lutar contra isso e chorar pedindo por você amamente-o, mas repita o processo tantas vezes quanto seja necessário até que ele adormeça."
Para saber quanto tempo esperar para retirar o bebê do peito, a dica é de "observar o ato de sugar do seu bebê. Se o bebê suga com força ou engole regularmente quando está sendo alimentado, espere mais alguns minutos até que ele diminua o ritmo. Normalmente após o primeiro impulso de atividade, seu bebê vai diminuir para um ritmo mais relaxado, e mais "trêmulo"; esta é uma boa hora para começar a técnica da Remoção Gentil."
Isso pode levar de duas a dez (ou até mais) tentativas, mas eventualmente o seu bebê vai adormecer sem manter o bico do peito em sua boca. Quando isso acontecer um número de vezes por um período de dias, você vai notar que a técnica da remoção vai ficar muito mais fácil, e as acordadas durante a noite serão menos freqüentes.
Pantley ainda lembra que se o bebê não dorme bem durante o dia, não se recomenda utilizar a Remoção Gentil para os cochilos durante o dia, uma vez que, segundo ela, "cochilos regulares significam melhores noites de sono - e melhores noites de sono significam melhores cochilos diurnos. Só quando seu bebê começar a dormir melhor durante a noite, você deve então trabalhar em relação aos cochilos do dia", explica.
A melhor hora para usar o Plano de Remoção Gentil de Pantley é o primeiro adormecer da noite. Geralmente o modo como seu bebê adormece vai afetar o resto de suas acordadas pela noite. "Parece que a forma como o bebê adormece é como ele espera ficar por toda a noite", diz a autora.
Paciência, paciência, e um pouco mais de paciência
"Respire fundo e repita comigo: "Isso tudo vai passar". Você está no meio do furacão agora, e está difícil. Tenha em mente que a aparente falta de habilidade do seu bebê em dormir sozinho não é culpa dele. Ele vem fazendo as coisas dessa maneira desde que nasceu, e ficaria completamente feliz em manter tudo como está. Seu objetivo de ajudá-lo a se sentir amado e seguro enquanto descobre formas de adormecer sem precisar de você - sem que você caia na tentação de deixá-lo chorando sozinho no escuro - é admirável. Você tem estas melhores intenções em seu coração. Seja paciente, siga as sugestões para ajudar seu bebê, e quando menos esperar, ele estará dormindo como um anjinho. E você também. Então suas preocupações vão se voltar para a próxima fase desta magnífica, desafiante e recompensadora experiência que chamamos de maternidade/paternidade." conclui Pantley.
Retirado do livro "Soluções para Noites Sem Choro", de Elizabeth Pantley
Tradução de Thania Thaddeu
Você pode ler este trecho do livro Soluções para Noites Sem Choro, original de inglês aqui, no site oficial de Elizabeth Pantley- http://www.pantley.com/elizabeth/books/0071381392.php?nid=172&isbn=0071381392
segunda-feira, 30 de março de 2015
Eu deveria deixar meu bebê dormir comigo?
Este artigo foi retirado do Capítulo 4 do livro de Aletha Solter, "The Aware Baby" - "O Bebê Atento” (edição revisada).
Os indivíduos jovens de todos os mamíferos terrestres dormem em proximidade íntima a suas mães. Durante milhões de anos nos tempos pré-históricos, as crianças humanas provavelmente dormiam com suas mães. Nas tradicionais culturas tribais de hoje a prática de dormir com as crianças ainda é totalmente comum. Porém, nas culturas tecnologicamente avançadas da América do Norte e Europa, esta prática foi amplamente abandonada em favor dos berços. Na maioria das casas, a criança nem sequer dorme no mesmo quarto que seus pais.
Quando e como a prática natural de dormir com as crianças se perdeu na Cultura Ocidental? Durante o século 13 na Europa, os padres católicos foram os primeiros a recomendar que as mães parassem de dormir junto com as crianças.(1) Apesar da razão primária para este conselho ter sido provavelmente o surgimento do patriarcado e o medo de muita influência feminina nas crianças (principalmente nos meninos), a razão alegada para a recomendação era o medo de que se pudesse sufocar as crianças, situação mais conhecida como "overlaying" (rolar por sobre o bebê). Agora já se acredita que na maioria dos casos as mortes de crianças durante a Idade Média foram causadas por doença ou infanticídio. Quando um sufocamento acidental ocorria, era provavelmente porque um dos pais estava sob influência do álcool.
Nos séculos 14 e 15, o conselho de não dormir com as crianças começou a fazer efeito, e os berços eram itens comuns da mobília em quase todas as casas européias em que vivessem crianças.(2) A idade em que os bebês eram colocados para dormir nos berços durante a noite, em lugar de nos braços de suas mães, foi ficando cada vez mais jovem. Após a Revolução Industrial no século 18, a noção de "criança mimada/estragada" foi muito difundida nos países industrializados, e as mães eram advertidas para não pegar muito em seus bebês por medo de se criar monstros exigentes.
Durante o século 20, as crianças das sociedades tecnológicas foram mais separadas de suas mães do que em qualquer época anterior na história da nossa espécie. Mais e mais nascimentos aconteceram em hospitais, e os berçários nos hospitais foram inventados para proteger as crianças de infecções. Desde o início, esperava-se que os bebês dormissem sozinhos, longe de suas mães. O declínio da amamentação, promovido pela empresas produtoras de leites substitutos, mais tarde contribuiu para agravar esta separação entre mães e bebês. Durante a amamentação, as mães normalmente produzem hormônios (como a oxitocina e a prolactina), que ajudam a criar um forte desejo de ficar perto dos seus bebês. O aleitamento por mamadeira priva as mães dos hormônios e elimina a necessidade da presença da mãe biológica. O resultado de todas estas influências é que, por volta de 1950, pouquíssimos bebês nas nações industrializadas ocidentais dormiam com suas mães.
Não é de se estranhar que os pais começassem a procurar ajuda para toda uma gama de novos tipos de problemas. Os especialistas no campo de educação infantil se viram procurando soluções para bebês que não dormiam bem à noite, para aqueles que batiam suas próprias cabeças, para criancinhas que fugiam de seus berços e continuavam indo até a cama de seus pais, e para crianças que molhavam suas camas ou tinham pesadelos e medo do escuro. Muitos desses problemas ligados ao sono poderiam ser o resultado de se forçar os bebês a dormirem sozinhos.
Quem sabe o crescente aumento da sexualidade e gravidez na adolescência não esteja relacionado com uma necessidade de ser tocado mais do que um verdadeiro desejo por sexo? A expressão "dormir com alguém" implica em fazer sexo. Talvez esta expressão reflita uma necessidade universal não atendida na infância de dormir junto com os pais e receber carinho e toque deles durante a noite.
Felizmente, a prática de dormir com os bebês e crianças pequenas está começando a ser amplamente recomendada e aceita no Ocidente Industrializado, já que os pais estão começando a confiar em seus impulsos naturais de dividir a cama com seus bebês. A partir de 1970 alguns livros começaram a recomendar que os pais dormissem com os bebês. Agora há muitos livros que recomendam a cama compartilhada, mais conhecida como "co-sleeping" ("sono compartilhado").(3)
Os bebês têm fortes necessidades de conexão que pesquisadores científicos estão apenas começando a entender. A necessidade de contato físico, tanto de dia como de noite, é uma necessidade vital e legítima durante os primeiros anos. Anna Freud, a filha de Sigmund Freud, reconheceu isso quando escreveu: "É uma necessidade primitiva da criança ter contato íntimo e aquecedor com o corpo de outra pessoa enquanto pega no sono.... A necessidade biológica do bebê pela presença constante dos cuidados de um adulto é desconsiderada em nossa cultura ocidental, e as crianças são expostas a muitas horas de solidão devido ao conceito equivocado de que é saudável para o jovem dormir ... sozinho." (4)
Alguns especialistas em educação infantil defendem que os bebês nunca vão querer sair uma vez que tenham sido levados para a cama dos pais. Isto pode ser verdade durante os primeiros anos quando as crianças precisam de intimidade e segurança. Porém, não precisamos forçar as crianças a ficarem independentes. Isto ocorre naturalmente quando a criança supera suas necessidades de bebê.
O forte desejo dos bebês humanos de dormir junto de suas mães deve ter sua base em nossa história evolutiva. No estágio em que nossa espécie se ocupava da caça, os bebês deviam ser extremamente vulneráveis a predadores e ao clima frio, especialmente à noite. Os bebês que temiam o escuro e se recusavam a dormir sozinhos tinham melhores chances de sobreviver do que os bebês que não reclamavam quando eram deixados de lado. Então houve uma forte pressão seletiva em favor desses medos.(5) Apesar dos predadores não serem mais uma ameaça, e de termos casas aquecidas, os reflexos, instintos e necessidades do bebê humano moderno ainda estão ligados ao estilo de vida do estágio da caça. As mudanças culturais ocorreram muito rapidamente para que tivessem um grande impacto na composição genética da nossa espécie desde aquela época...
Pesquisadores estudaram os padrões de sono e as ondas cerebrais dos bebês que dividem a cama com suas mães, comparados aos que dormem sozinhos. Os bebês que dormem com as mães despertam mais vezes e também ficam menos tempo em sono profundo do que os bebês que dormem sozinhos. Isso se deve provavelmente aos sons e movimentos da mãe durante seu próprio sono.(6)
Este estímulo durante a noite foi sugerido como uma possível proteção contra a síndrome da morte súbita infantil (SIDS). Uma teoria para a causa da SIDS é que as crianças dormem tão ruidosamente que são incapazes de despertar a si mesmas e continuar respirando durante um episódio de apnéia.(7) Estudos comparativos entre várias culturas mostraram que, nas culturas em que os bebês são pegos no colo regularmente e em que as mães dormem com as crianças, a média de incidência de SIDS é mais baixa comparada às médias das culturas em que estas práticas não são seguidas.(8) Os pesquisadores não estão dizendo que dormir sozinho causa SIDS, mas sugerem que deixar o bebê dormir com a mãe pode ser um fator de proteção para as crianças que têm o risco de morrer de SIDS.
Dormir com seu bebê pode exigir tempo de adaptação, mas com um pouco de insistência, dividir a cama pode se tornar um prazer para todos. Entretanto, se isso não funcionar bem para você, então pelo menos você pode proporcionar a intimidade física a seu bebê até que ele adormeça, e pode atendê-lo prontamente quando ele acordar durante a noite.
Referências
1. Renggli, F. (1992). Selbstzerstörung aus Verlassenheit: Die Pest als Ausbruch einer Massenpsychose im Mittelalter. Rasch und Röhring Verlag.
2. Renggli, F. (1992). (See 1)
3. Thevenin, T. (1987). The Family Bed: An Age Old Concept in Childrearing. Wayne, NJ: Avery Publishing Group, Inc. (First published in 1976). Sears, W. & Sears, M. (1993). The Baby Book: Everything you Need to Know About Your Baby from Birth to Age Two. Little, Brown & Company. Granju, K.A. & Kennedy, B. (1999). Attachment Parenting: Instinctive Care for Your Baby and Young Child. Pocket Books.
4. Freud, A. (1965). Normality and Pathology in Childhood. New York: International Universities Press.
5. Scott, J.P. (1967). The process of primary socialization in canine and human infants. In J. Hellmuth (Ed.), Exceptional Infant. Vol. 1: The Normal Infant. Seattle: Special Child Publications.
6. Mosko, S., Richard, C., & McKenna, J. (1997). Infant arousals during mother-infant bed sharing: implications for infant sleep and sudden infant death syndrome research. Pediatrics, 100(5), 841-849.
7. Mosko et al. (1997). (See 6)
8. Rognum, O.T. (1995). Sudden Infant Death Syndrome: New Trends in the Nineties. Oslo, Norway: Scandinavian University Press.
Segurança para Compartilhar a Cama
As seguintes dicas de segurança se aplicam a qualquer pessoa que compartilhe a cama com um bebê (não apenas a mãe).
- Não use nenhum tipo de droga que possa afetar seu sono (álcool, tranquilizantes, antidepressivos, drogas ilegais, etc.).
- Nunca fume no quarto onde um bebê dorme.
- Use um colchão firme. Não durma com seu bebê em um colchão macio ou colchão d'água, puff, ou sofá.
- Tome precauções para que seu bebê não caia da cama.
- Evite fendas entre a sua cama e a parede. Tenha certeza de que há um encaixe perfeito entre o colchão e a parede e a cabeceira, e use protetores acolchoados, como no berço.
- Nunca coloque o bebê em um travesseiro.
- Sempre coloque seu bebê para dormir de costas.
- Não use edredons.
- Não coloque na cama nenhum bichinho de pelúcia (ou de verdade!).
- Não durma com seu bebê se você está obeso.
- Prenda o seu cabelo se ele for muito longo.
- Não deixe seu bebê compartilhar a cama com outra criança.
- Não coloque seu bebê próximo a cortinas com cordões pendurados.
- Nunca deixe seu bebê sozinho em uma cama de adulto.
Este texto pode ser lido, original em inglês, em http://www.awareparenting.com/sleep.htm
Tradução: Andreia Mortensen
Tudo Sobre o Choro dos Bebês
De "Soluções para noites sem choro" - https://www.facebook.com/solucoes.noites.sem.choro?fref=ts
“Por que os bebês choram?
Há cerca de 1,5 milhões de anos, os ancestrais dos humanos caminharam em duas pernas pela primeira vez. Isso deixou os braços livres para realizar tarefas complexas e, com o tempo, a inteligência desenvolveu-se mais. A mudança para o bipedalismo significou que a pelve humana tornou-se mais estreita e, como as capacidades intelectuais aumentaram, o cérebro tornou-se maior. A solução evolucionária a respeito do parto foi fazer com que o bebê humano nascesse muito imaturo, porque de outra forma a cabeça grande não passaria pelo canal estreito da pelve materna. Esta imaturidade significa que os bebês humanos precisam completar grande parte do seu desenvolvimento fora do útero. Sigmund Freud estava certo quando disse que o bebê humano chega ao mundo “inacabado”. Você precisa pensar no seu recém-nascido como um “feto fora do útero”.
Sim, seu bebê é imaturo. Sim, ele é muito sensível. Sim, ele é muito vulnerável ao estresse.
Seu bebê vai chorar por muitas razões. Ele vai chorar porque está cansado ou faminto ou muito estimulado por demasiada distração dos adultos. Ele passa facilmente de um estado de medo do perigo ou choque – choque se o ambiente está muito claro, muito frio, muito quente, muito hostil, muito agitado. A amídala na parte inferior do cérebro, que funciona como um detector de provável perigo funciona perfeitamente a partir do nascimento.
Imagine o mundo do bebê. Como ele pode saber que aquele liquidificador barulhento não é um predador que virá atacá-lo? Como ele pode lidar com o estresse de ser despido e mergulhado na água quando você o coloca no banho?
A princípio, pode ser difícil descobrir o que o choro significa
Com o tempo, você será capaz de decifrar os choros cada vez com mais precisão. Você aprenderá, por exemplo, diferenciar um choro de fome de um choro de cansaço. Tendo dito isso, haverá ocasiões em que você não saberá o porquê do choro. Isso não importa. O que importa é que você acalme seu bebê e que você tenha consciência mental e emocional para ouvir o choro e considerar seriamente o pânico e a dor do seu filho.
Por quanto tempo esta choradeira persiste?
Os três primeiros meses são geralmente os piores. O choro costuma ter um pico quando o bebê está entre 3 e 6 semanas de vida e depois diminui por volta de 12 a 16 semanas. Sheila Kitzinger sugere que o choro diminui por volta dessa idade porque é quando os bebês são mais móveis e podem segurar objetos, brincar com eles, então eles não mais choram por tédio ou frustração.
Bebês mais velhos e crianças entre 18 meses a 4 anos ainda choram quando estão com frio, com fome, cansados, doentes, embora o choque neste mundo tenha dramaticamente diminuído. Mas eles são inundados de sentimentos novos. Eles sofrem com os episódios de pânico pela ansiedade de separação e tornam-se cada vez mais claros a respeito dos seus gostos e desgostos, sobre o que os amedronta e o que os desagrada. Na criança pré-verbal, o choro geralmente significa “não”. “Não, eu não quero que você me tire do seu colo, faz com que eu fique em pânico”. “Não, eu não quero ir no colo de um estranho, eu estava tão bem nos seus braços.” “Não, eu detesto como este casaco arranha minha pele”.
Toda esta resposta de pânico significa altos níveis de substâncias químicas inundando o cérebro do bebê
Estas substâncias químicas não são por si sós perigosas, mas é um caso diferente se elas permanecem circulantes no cérebro por períodos prolongados de crises de choro e ninguém considera seriamente o pânico do bebê e oferece-lhe conforto. Distanciar-se emocionalmente do estresse da criança, não importa o que dizem os livros sobre treinamento para o sono – ou até pior, responder com raiva ao choro do bebê (embora algumas vezes você sinta assim) – nunca é apropriado.
Choro Prolongado
Vamos deixar claro – não é o choro por si só que pode afetar o desenvolvimento do cérebro do bebê. Não é. É o estresse prolongado, ignorado, não confortado. Então não estou defendendo que você corra para o seu filho assim que o lábio inferior comece a tremer ou após um curto protesto de choro que dura poucos minutos (talvez porque ele não tenha recebido sua bala favorita). O choro prolongado é aquele que qualquer pai e mãe sensíveis (ou qualquer pessoa que seja sensível à dor alheia) irá reconhecer como um pedido desesperado de ajuda. É o tipo de choro que dura e eventualmente pára quando a criança está completamente exausta e cai no sono ou, num estado de falta de esperança, deduz que a ajuda nunca chegará.
Se um bebê é deixado chorando com frequência, o sistema de resposta ao estresse no cérebro pode ser afetado para o resto da vida
Existem muitos estudos científicos em vários locais do mundo mostrando como estresse no início da vida pode resultar em mudanças negativas no cérebro do bebê. Uma criança que é abandonada chorando por longos períodos pode desenvolver um sistema de resposta ao estresse que seja super sensível e que vai afetá-la para o resto da vida. Isso pode significar que muito frequentemente a percepção dela sobre o que está acontecendo à sua volta será permeada por um senso de ameaça e ansiedade, mesmo quando tudo está perfeitamente seguro.
Um bebê pode manipular ou controlar os pais através do choro?
Pais podem se perguntar se o bebê deles está usando o choro para manipulá-los, especialmente quando ouvem comentários dos seus amigos e parentes bem intencionados, como “Simplesmente o deixe chorar. Ele está tentando controlar você. Ceda agora e ficará arrependido depois.” Nós agora sabemos que isso é impreciso em termos neurobiológicos.
Para controlar um adulto, um bebê precisa do poder de pensamento claro e, para isso, ele precisa da substância química cerebral glutamato trabalhando bem nos seus lobos frontais. Mas o sistema de glutamato não está apropriadamente estabelecido no cérebro do bebê, então isso significa que ele não é capaz de pensar muito acerca de coisa nenhuma, que dirá manipular os pais.
Alguns pais ficam alheios à dor do filho, e escutam o choro como “é só um choro”. Isso pode ser resultado da forma como foram criados. Uma vez que ninguém respondeu quando eles eram bebês, eles são agora incapazes de sentir o desconforto do filho.
O que está acontecendo no cérebro do bebê?
Pais responsáveis nunca deixariam um bebê numa sala cheia de fumaças tóxicas que poderiam danificar o cérebro da criança. Ainda assim, muitos pais deixam seu bebê num estado de estresse prolongado, desassistido, desconhecendo que ele está sob risco de níveis tóxicos de substâncias químicas inundarem seu cérebro.
Gerações antigas deixavam o bebê chorando porque acreditavam que “exercitava os pulmões”, sem a menor ideia do quão vulnerável ao estresse é o cérebro de um bebê. Num bebê que chora, o hormônio do estresse cortisol é liberado pelas glândulas adrenais. Se a criança é confortada e acalmada, o nível de cortisol diminui novamente, mas se a criança é deixada chorando, o cortisol permanece alto. Isso é uma situação potencialmente perigosa, porque depois de um período prolongado, o cortisol pode atingir níveis tóxicos que podem danificar estruturas-chaves e sistemas no cérebro em desenvolvimento. O cortisol é uma substância química que pode permanecer no cérebro em altos níveis por horas e, em pessoas clinicamente deprimidas, por dias ou até semanas.”
Do livro The Science of Parenting, de Margot Sunderland, 2006.
Tradução de Flávia O. Mandic.
Leituras adicionais:
Sobre as substâncias químicas que inundam o cérebro do bebê em condições de choro e estresses prolongados
Estresse na infância - Choro excessivo no bebê e cortisol
sexta-feira, 27 de março de 2015
Alternativas à mamadeira
Muitas mães pensam que na volta ao trabalho, ao deixar o bebê aos cuidados de terceiros ou na introdução de outros líquidos (leite artificial, água, sucos, etc), a mamadeira é a única opção, mas ela está longe de ser a única e é, de longe, a PIOR opção para a manutenção do aleitamento materno e para a formação da musculatura orofacial do bebê.
A mamadeira causa confusão de bicos, pois o movimento que o bebê faz na mamadeira é diferente do que o bebê faz no peito. Por consequência, o bebê desaprende a mamar, prejudicando a produção de leite e podendo passar a rejeitar o peito.
Existem algumas opções seguras para se oferecer o LM ou outros líquidos, sendo a mais barata e acessível, o copinho de cachaça. Adotar estas alternativas parece algo desafiador, afinal, a cultura do desmame está arraigada no senso comum, depois de décadas de um exaustivo trabalho de marketing promovido pela indústria de leites artificiais. Na prática, sabe-se que oferecer líquidos para o bebê que não no peito demanda um pouco de treinamento da dupla cuidador-bebê e muitas vezes é mais desafiador para o cuidador do que para o bebê.
O movimento de sorver o leite com a língua é inato e é o mesmo utilizado para ordenhar o peito, portanto, se o líquido for oferecido da forma correta, em pequenos goles despejados na boca do bebê ou apenas encostado na língua, o processo se desenrola de forma relativamente simples e, com a prática, tudo passa a ser tão natural que é como se os bebês tivessem nascido sabendo! Ao sorver os leite desta forma, o bebê exercita a musculatura que utilizará para a mastigação, gozando de um melhor desenvolvimento orofacial, que traz benefícios à fala, nutrição e respiração.
O risco de engasgo ao se oferecer líquidos fora da mamadeira também é menor, já que o bebê passa a ter maior controle da quantidade ingerida e permanece com a boca desobstruída para eventualmente colocar pra fora alguma quantidade a mais que tenha caído na boca.
Voltar ao trabalho e manter o aleitamento é possível e é a opção mais barata para a família e saudável para o bebê, que pode receber um alimento de menor custo e melhor qualidade na ausência da mãe. Para isto, sugerimos que a mãe comece a se organizar com antecedência, fazendo o seu estoque de LM (leite materno) e adaptando o bebê ao novo cuidador e a receber o leite em uma das alternativas a seguir.
Copo ou xícara de vidro
São a primeira opção porque nelas o bebê não vai sugar, mas sim sorver o líquido usando a língua como fazem os gatinhos. Aos poucos, o bebê também vai aprendendo a manusear o copo da forma como fazem os adultos, ou seja, dando goles maiores com ajuda dos lábios, empurrando o líquido para a garganta com ajuda da língua.
Devem ser preferencialmente, mas não necessariamente, transparentes. A transparência serve para que o cuidador possa observar se o bebê está posicionando corretamente a língua e se o lábio inferior fica virado para fora, e quanto de líquido há dentro do recipiente.
Podem ser pequenos, como copos de cachaça ou xícara de café, ou maiores, como copos de requeijão ou xícaras de chá. Por serem de fácil acesso (praticamente todas as pessoas já os tem em casa), o cuidador pode testar os diferentes modelos para descobrir ao que melhor se adaptam.
São preferíveis os de vidro ou louça por serem mais fáceis de higienizar e esterilizar.
Copos diferenciados sem bico
São os copos chamados 360º, possuem uma válvula de silicone em que o bebê pressiona a tampa com o lábio superior e o líquido sai sem necessidade de sugar. Estes são menos acessíveis, mas são boas opções por não se proporem a imitar o bico do peito, ao mesmo tempo, não envolvem movimento de sucção.
A limpeza deste tipo deve ser feita cuidadosamente, algumas marcas possuem peças difíceis de higienizar.
Existem também copos de treinamento no estilo do 360, porém sem válvula (ver imagem). Nestes, há uma tampa abaixo de onde o bebê coloca a boca, que serve somente para controlar o volume liberado. O uso é similar ao uso do copo comum, apenas o volume de líquido liberado é menor. Esta tampa intermediária pode ser retirada. Os copos térmicos para café são alternativas similares, conforme imagem.
Colher comum ou colher-dosadora
Também não precisam envolver sucção do bebê durante o uso.
A colher dosadora tem a vantagem de já armazenar dentro de seu corpo o leite que será oferecido, enquanto a colher comum precisará ser continuamente enchida, conforme o bebê terminar cada dose, até conseguir tomar o total de leite separado para aquele horário de alimentação.
A colher comum é de fácil acesso, por ser encontrada em praticamente todas as casas, o cuidador pode também testar os diferentes modelos e formas de oferecer, sem risco de desperdiçar muito leite.
Copo de treinamento com bico duro, sem a válvula
Esta é uma das opções menos segura, deve ser utilizada somente para treinamento e nunca deve ser utilizada pelo bebê sozinho.
Nele, apesar do bebê iniciar o processo apenas engolindo o leite derramado na sua boquinha pelo cuidador, aos poucos percebe que pode sugar para aumentar o fluxo ou mesmo morder o bico. O uso diário, constante e por tempo prolongado pode acabar acarretando em problemas na formação da arcada dentária e fazendo com que o bebê repita estes movimentos no seio, prejudicando a pega, causando dor durante a amamentação ou aumentando a quantidade e força das mordidas no seio. Ainda, pode deixar o bebê eventualmente irritado ao seio pela demora em descer o leite.
Assim, recomenda-se que esta opção seja utilizada como alternativa somente enquanto o bebê aprende a utilizar outras formas mais seguras e deve ser sempre manuseado pelo cuidador, que deve derramar pequenos goles na boca do bebê, evitando que ele sugue ou morda o bico.
Se o copo possuir válvula anti-vazamento, ela deve ser retirada, para que não haja confusão entre a forma de sugar o peito e a forma de sugar o copo (com a válvula o bebê acabaria precisando sugar com força para o leite sair).
Recomenda-se, também, que o vácuo seja diminuído para desestimular que o bebê sugue - sem vácuo, o líquido sai mais facilmente sem necessidade de sucção e a sucção torna-se ineficaz. Alguns copos já possuem este vácuo reduzido, mas isto pode ser feito furando a tampa no lado oposto ao bico, com algum objeto metálico pontudo aquecido (como um clipe de papel).
Seringa ou conta-gotas
Também não são opções totalmente seguras, por isto, recomenda-se que sejam utilizadas em situações emergenciais e por curtos períodos, somente enquanto se treina para que o líquido seja oferecido em uma outra alternativa.
A seringa ou o conta-gotas devem ser colocados no canto da boca, apontando para a bochecha. O posicionamento desta forma é importante para que o bebê não sugue o líquido, por isso, nuca devem ser colocados entre os lábios ou no meio da boca. O cuidador deve apertar levemente o êmbolo da seringa ou liberar o líquido do conta-gotas aos poucos, aguardando o bebê engolir antes de depositar uma nova quantidade na boca.
Não se deve oferecer o leite (materno ou artificial) na seringa ou conta gotas em associação com o ato de sugar o peito ou até mesmo o dedo. A associação entre a sucção e o fluxo da seringa/conta-gotas pode fazer o bebê começar a rejeitar o peito, por estranhar o fluxo inconstante e mais lento.
No geral, tanto a seringa quanto o conta-gotas são descartáveis, mas existem modelos que podem ser reutilizados. Neste caso, siga as orientações do fabricante para fazer a higienização.
Obs.: os preços foram consultados pela internet em sites de venda online. Procuramos pelos modelos mais simples, então os valores podem ser diferentes se a opção escolhida tiver mais detalhes, desenhos de personagens infantis etc. e também levando em conta a variação de preços de acordo com a região do país.
Marcadores:
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