quarta-feira, 10 de junho de 2015

Por que não oferecer sucos antes de 1 ano de idade?

Por Luciana Freitas

O suco é um dos alimentos mais presentes na alimentação de bebês na cultura alimentar brasileira. Costuma ser, inclusive, o primeiro alimento a ser oferecido às crianças quando termina o período de exclusividade do leite materno.

Como se justifica, então, essa recomendação de não oferecer sucos a bebês menores de um ano, que se choca com a nossa tradição?

Bebês têm um estômago muito reduzido.  Se damos a eles um alimento de grande volume e de baixa caloria, como sucos ou sopas, vamos encher o estômago deles com algo que não vai suprir suas necessidades calóricas. Quando adultos propositalmente não consomem alimentos que supram suas necessidades calóricas, à base fundamentalmente de frutas e legumes/verduras, damos a isso o nome bem conhecido de dieta ou regime de emagrecer. É o que queremos para nossos bebês? Que eles emagreçam?

Por exemplo, o suco de laranja lima, um dos mais calóricos e talvez o que é mais oferecido a bebês, tem cerca de 40 calorias/100 ml. Se o bebê tomar 100 ml desse suco, a barriguinha dele ficará cheia por algum tempo e ele não comerá nada mais e não mamará no peito. No entanto, o leite materno, além de infinitamente mais rico em nutrientes, possui cerca de 70 calorias/100 g. Uma diferença e tanto, não é mesmo? Se pensarmos em outros sucos, a diferença é ainda mais gritante. Por exemplo, um suco de melancia tem menos de 30 calorias/100 ml. E, atenção: estamos falando aqui das calorias de sucos feitos apenas com a fruta, sem adição de água. Se acrescentarmos água, eles ficam ainda menos calóricos.

Abaixo estão reproduzidos dois fragmentos do Guia alimentar para crianças menores de 2 anos, documento produzido pelo Ministério da Saúde e pela Organização Pan-Americana da Saúde:

“Para que as crianças supram as suas necessidades energéticas, os alimentos complementares devem ter uma densidade energética mínima de 0,7 kcal/g. Por isso, sucos de frutas ou vegetais e sopas são desaconselhados, por possuírem baixa densidade energética.” (p.30, grifos nossos)

“O volume reduzido do estômago da criança pequena (30-40ml/kg  de peso corporal) é um fator limitante na sua capacidade de aumentar a ingestão de alimentos de baixa densidade energética para suprir suas necessidades calóricas. Além disso, deve-se evitar alimentação muito freqüente em crianças amamentadas, uma vez que quanto mais alimentos ela consome, menos leite materno será ingerido.” (p.34)

No mesmo documento há sugestões de alimentação para bebês de 6 meses a 1 ano e nelas não vemos a presença de sucos, somente das frutas, que são ótimas opções. Os sucos estão presentes apenas na sugestão de alimentação para crianças de 1 a 2 anos.

Sucos? Só após 1 ano de idade!

sábado, 6 de junho de 2015

Estou amamentando - posso tomar medicamentos?


Muitos medicamentos são completamente compatíveis com a amamentação, porém, muitos profissionais da área da saúde desconhecem a lista de medicamentos e outras substâncias que Ministério da Saúde através do Laboratório Fiocruz classificou de acordo com o grau de perigo que oferecem para amamentação de bebês de todas as idades, desde RN até 2 anos ou mais. No desconhecimento indicam o desmame para fazer tratamentos que são completamente compatíveis com amamentação.

Nada lhe impede fazer tratamento dentário tomando anestesia local, cuidar dos seus sintomas da gripe (apenas certifique-se que o anti-histamínico do antigripal que escolheu seja realmente compatível), tratar qualquer infecção com antibióticos, qualquer dor com analgésicos ou anti-inflamatórios e em geral realizar qualquer tratamento médico.
Na dúvida, e caso seu médico se negue lhe prescrever ou tratar, imprima a parte pertinente do guia e consulte com ele tratamentos alternativos e se realmente o tratamento é incompatível.
Veja aqui a lista completa, procure por princípio(s) ativo(s): http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/amamentacao_uso_medicamentos_2ed.pdf

Pág. 30 - Analgésicos e anti-inflamatórios
Pág. 35 - Anti histamínicos (componente anti-gripais)
Pág. 37 - Antibióticos
Pág. 87 - Alimentos e fitoterápicos

Veja essa outra lista procurando pelo nome do medicamento ou substância: http://www.e-lactancia.org/

*Antibióticos para tratar mastite, antifúngicos para tratar candidíases, entre outra ampla gama de antibióticos, analgésicos e anti-inflamatórios são compatíveis com amamentação, se seu médico prescreve um que não seja compatível use a lista para que ele lhe prescreva um que seja. Se o medicamento é de uso pediátrico e adulto, o mais provável é que seja compatível.

*No caso que o medicamento prescrito seja de uso criterioso, verifique com seu médico se existe alguma outra opção compatível que lhe ofereça o mesmo efeito, se não houver mais opções, pode criar um esquema de toma do medicamento considerando a idade do bebê, suas sonecas e os horários de pico de concentração em plasma, evitando oferecer o peito 1 hora antes e 1 hora depois daquele pico (tente que esse período coincida com o sono do bebê). Se seu bebê ainda estiver em amamentação exclusiva, ordenhe o LM antes do horário de pico plasmático para oferecer ao bebê nesse horário. Sempre observe as reações no bebê.


É normal o cabelo cair enquanto amamentamos?


Os hormônios da gestação estacionam a queda natural de cabelo, mas após o parto há uma queda abrupta desses hormônios, e por isso, independente de estar amamentando ou não, o cabelo começa a cair novamente. O volume da queda nos assusta, mas o que acontece é que todos os fios de cabelo que teriam sido renovados durante os 9 meses e não caíram, começam a despencar. É claro que novos fios irão crescer, porém serão ainda curtos e isso faz com que o volume da cabeleira fique bem menor, em comparação ao que era antes. Queda de cabelo é comum, normal e esperado, consequência das mudanças fisiológicas que o nascimento do bebê faz no corpo da mulher.  Se ainda assim estiver preocupada, notando que começam a surgir grandes falhas no couro cabeludo, procure um dermatologista.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Leite Materno não causa cáries


Amamentar não dá cáries, isso é um grande mito amplamente difundido entre os odontólogos, quem dá cáries é a mamadeira de LA. Muitos estudos tem demostrado que o aleitamento materno e a alimentação saudável são fatores que protegem contra a aparição de cáries. 
As cáries são uma doença multifatorial, o LM atua nesse caso como um fator protetor da boca e suas mucosas, porém deve ser sempre acompanhado de uma boa higiene bucal, com pelo menos uma escovação diária eficiente para crianças que já começaram sua introdução alimentar, acompanhada de uma alimentação livre de açúcares industrializados. 

Como prevenir as cáries:
Escovação, alimentação saudável livre de açúcares industrializados (incluindo os do LA, mucilon, bolachas, biscoitos etc.) e amamentação em livre demanda são condutas suficientes para prevenir a aparição de cáries em lactantes.

Amamentar à noite não só é normal mas necessário para o bebê, seja por fatores nutricionais ou afetivos, lembre que amamentar não é só alimentar a criança, e não é preciso ir aos extremos de desmamar na noite ou escovar os dentes após cada mamada para garantir que os dentes fiquem longe da cáries.

Para bebês em aleitamento materno exclusivo (AME) a limpeza da boca e língua é uma medida de condicionamento para costumar o bebê com a higiene bucal, só se faz obrigatória em casos de infecção por sapinho. Basta molhar uma gaze com água filtrada e limpar gengivas e língua com delicadeza.

Recomendamos esse resumo:
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=316381891802920&set=a.313465942094515.73832.154050994702678&type=1

Aqui alguns artigos sobre o tema

Feeding habits as determinants of early childhood caries in a population where prolonged breastfeeding is the norm.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19145723


Association between prolonged breast-feeding and early childhood caries: a hierarchical approach.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22725605

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Quem produz o leite materno - a mãe ou o bebê?

Por Fernanda Rezende Silva
Revisão: Luciana Freitas e Zioneth Garcia

O título deste texto pode parecer absurdo, mas não é. O bebê influencia sim, e muito, no processo de produção do leite materno. É ele quem comanda.
Vamos imaginar que o peito da mãe é uma máquina de produzir alimento, e o bebê é o operador desta máquina. Se o operador nem chegar perto da máquina é óbvio que ela permanecerá desligada e nenhum alimento será produzido, e o contrário também é verdadeiro, se o operador estiver em permanente contato com esta máquina, operando-a o tempo todo, muito alimento será produzido. Ok, esta parte não é novidade. Sabemos que quanto mais o bebê suga, mais leite é produzido,e que se o bebê não suga (ou suga errado) a produção de leite é comprometida, então vamos entender como funciona o processo (se você ainda não sabia que o leite materno é produzido enquanto o bebê mama então leia este texto: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/09/voce-esta-amamentando-e-seu-peito-esta.html).
O bebê nasceu com a missão de operar a máquina-peito, e esta operação não se resume a ligar/desligar, ele decide em que momento que tipo de alimento será produzido. Ele é um operador inteligente: pode enviar um comando do tipo "agora quero o alimento X", ou "chega de X, agora quero Y". Traduzindo isso: o bebê, por meio do tempo de mamada e de potência da sucção, “diz” ao corpo da mãe que agora ele quer um leite menos gorduroso, ou que quer o leite mais gorduroso. O leite vai aumentando sua quantidade de gorduras, então não existe um leite “fraco” e um leite “gordo”, é algo gradual . Alguns exemplos do que o bebê diria para a mãe:
- "Mamãe, já mamei 10 minutos de leite com menos gordura e matei a sede, agora quero mamar mais 20 minutos, então vai aumentando a gordura desse!".
- "Mamãe, não se assuste - dessa vez só quero matar a sede, não tenho fome - assim que eu tiver fome eu mamo mais e lhe peço um leite com mais gordura".
- "Mamãe, já estou tão craque que agora quero só 1 minuto de leite com menos gordura e nos 4 minutos seguintes, vai aumentando a gordura desse leite. Ah! Mamãe, agora consigo me satisfazer em apenas 5 minutos".
Sim, é o bebê que diz ao corpo da mãe que tipo de leite quer, quanto quer, em que momento quer, por isso a livre demanda verdadeira é tão importante (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/07/livre-demanda-o-que-e-realmente-dr.html). E como o bebê pode executar este processo mágico de ir mudando a gordura do leite no meio da mamada? Ele intensifica a mamada, fica mais tempo no peito… Um bebê saudável nasce pronto para operar a máquina-peito e, se ele não sofrer interferências externas ele vai executar este processo perfeitamente.
"Ah, mas meu bebê ganhou pouco peso neste mês". Porque isso nem sempre é um problema? O ganho de peso isoladamente não significa saúde
(http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2013/06/por-que-nao-tiramos-balanca-do-pedestal.html). Se um bebê saudável ganhou pouco peso em um mês específico mas cresce e se desenvolve bem então pode não haver motivo para preocupação, depende de cada caso - ele vai engordar conforme a sua necessidade.
"Mas meu bebê tem mamado horas seguidas, meu leite não satisfaz!". Hora de desfazer o mito "bebê só mama e dorme" e aprender um pouco sobre picos de crescimento e saltos de desenvolvimento. Peito não é só alimento - bebês novinhos querem mesmo grudar na mãe (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/o-conceito-do-continuum-importancia-da.html), e nos picos e saltos grudam mais ainda (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/pico-de-crescimento-e-salto-de.html).
O que poderia então atrapalhar o bebê a ponto dele não conseguir mamar bem? Existem alguns fatores como a prematuridade, por exemplo, que fazem com que o bebê tenha dificuldade para mamar (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/02/como-estimular-o-bebe-aprender-ou.html). Outro exemplo é a anquiloglossia: se o bebê tem o freio de língua curto então pode ser que ele não consiga executar perfeitamente todos os movimentos necessários com a boca e língua, e isso sim pode atrapalhar as mamadas e consequentemente a produção de leite (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/11/anquiloglossia-freio-de-lingua-curto.html).
Porque então tantas mulheres dizem "Não tive leite" ou "Meu leite secou", mesmo quando o bebê não tem nenhum problema para "operar a máquina"? Nesses casos o bebê nasce preparado para operar a máquina-peito, mas ele sofre interferências externas dos tais bicos artificiais (chupetas e mamadeiras). Imagine que o operador usa os 5 dedos da mão direita para executar o comando "produzir alimento X", mas aí ele começa a carregar um objeto com esta mão e passa a não dispor mais dos 5 dedos para esta ação (passa a fazê-lo só com 4 dedos) - ele sentirá cada vez mais dificuldade para fazer este movimento até que a tarefa se torne muito difícil e ele pode até desistir. Este texto explica o que acontece nestes casos: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/03/o-que-acontece-com-os-musculos-bucais.html.
Você já entendeu que quem produz leite materno não é a máquina-peito sozinha - o bebê é quem comanda o processo. Pois é, então isso também significa que não adianta NADA empanturrar a máquina com matéria-prima - o operador-bebê só vai pedir o alimento que ele realmente necessita. Algumas mães pensam que precisam comer muita comida calórica para ter o leite mais gorduroso e assim o bebê engordar melhor - isso não faz sentido, basta você lembrar que os bebês das africanas mal nutridas também engordam. Já vimos o caso de uma mãe que comia muita comida calórica enquanto a filha engordava no ritmo normal e esperado para o biotipo dela - o que esta mãe conseguiu foram 32 kg extras ao final da amamentação (ou seja, o que a mãe comeu a mais virou gordura no corpo dela, já que o bebê não requisitava esta gordura no leite materno).
A matéria-prima é importante, então a mãe deve se alimentar bem? Sim, a mãe deve se alimentar bem, mas sem neuras. Sabe a tal máquina-peito? Então, ela tem as receitas armazenadas, o que significa que seu resultado final varia muito pouco: a maior parte dos nutrientes do leite materno vem das reservas nutricionais da mãe (todos os seres humanos possuem reservas de nutrientes no corpo) então a mãe na verdade precisa se alimentar bem para repor estas reservas, e não para produzir leite de qualidade. Um exemplo: já foi comprovado que a mãe pode aumentar bastante o consumo de alimentos com ferro e mesmo assim o leite materno terá sempre a mesma quantidade de ferro, independente do que a mãe comeu. Se a mãe simplesmente não está comendo alimentos com ferro o leite também continua bom, mas este caso representa perigo de anemia para a mãe, por isso ela não pode fazer dietas malucas e precisa mesmo se alimentar bem.
Se o leite materno tem uma receita pronta, que praticamente não varia, e só se produz leite conforme o bebê solicita, faz sentido pensar que a mãe precisa beber X litros de água por dia, ou pensar que beber mais água ajuda a produzir mais leite? Não, isso também não faz sentido. Uma mulher que amamenta sentirá mais sede naturalmente, mas não precisa se obrigar a tomar vários litros de água por dia para garantir a produção de leite (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/beber-muita-agua-para-ter-mais-leite.html). Lembra da receita do leite materno? Então, nela consta a proporção de água necessária para produzir leite - tudo que vier além disso será eliminado pelo corpo.Você estava aí se culpando porque não comeu o alimento X ou Y, pensando que seu leite não seria bom por causa disso? Pode desencanar - agora você já sabe que quem comanda a produção é o bebê e que todas as mulheres têm em seus corpos a receita do leite perfeito - nenhuma mulher precisa de canjica ou suco de uva para ter mais leite ou um leite de melhor qualidade.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Meu leite sempre acaba de tarde

Por: Gabriela Silva e Luciana Freitas

“Meu filho tem dois meses e meu leite diminuiu muito. Todas as vezes que ele vai mamar, especialmente no final da tarde e de noite, ele chora, rejeita o peito, puxa o bico com força. Demora a dormir porque está com fome, só berra e se joga pra trás. Acho também que além do leite diminuindo pode ser refluxo, pelo menos foi o que algumas pessoas disseram. Não pesei ele este mês ainda, mas deve ter ganhado pouco, porque ele só mama bem de manhã e de madrugada, quando tenho bastante leite.”

Ao longo de todos os anos de existência do GVA, recebemos com frequência postagens semelhantes a essa, que relatam problemas em bebês que têm entre 1 e 4 meses, aproximadamente, os quais a mãe atribui a uma diminuição do seu leite. No entanto, esses problemas, que parecem ser com a amamentação, costumam ser, na verdade, com o sono. Sim, com o sono!

Bebês com menos de um mês, em geral, dormem muito, adormecem sozinhos, sem que as mães precisem se preocupar com isso. Porém, após esse período, os bebês começam a precisar de ajuda para dormir. O cuidador deve perceber quando eles estão com sono e precisam ser colocados para dormir, seja por meio do embalo ou de qualquer outro meio que os faça pegar no sono (carrinho, rede, sling,cadeirinha do carro, bola de pilates etc).

Quando isso não acontece e a criança passa muitas horas acordada, e entre os dois e os quatro meses eles não aguentam mais do que 1h30 ou 2h no máximo acordados, inicia-se um processo de irritação que inclui, em muitos casos, rejeitar o peito da mãe e agir como no caso que usamos acima para ilustrar nosso texto. O bebê fica exausto, procura o peito pra dormir porque sabe que a mamãe e o peito são seu porto seguro, mas irritado de sono não tem paciência com nada. Reclama do peito, mas quando o solta reclama porque quer mais peito.Troca de um lado pra outro, chora, se joga pra trás, puxa os cabelos, bate comas mãozinhas no próprio rosto, geralmente os olhinhos estão avermelhados. Tudo isso é sinal de sono, mas nós mães sempre pensamos naquilo que tanto nos assombra: “O peito está secando! Não consigo produzir leite suficiente!”

Sim, ao final da tarde estamos nós também exaustas, afinal a maioria cuida sozinha do bebê e muitas vezes também de outros filhos, sem contar as tarefas domésticas... É um trabalho muito cansativo, apesar de escutarmos piadinhas do tipo “Está aproveitando pra descansar, né? Fica só cuidando do bebê, não trabalha fora mais, aproveite as ‘férias’!”.

Essa exaustão faz com que nossa percepção do choro e incômodo do bebê esteja muito mais sensível, então o mesmo choro que escutamos ainda de manhã cedo, e conseguimos contornar com criatividade e paciência, ao final do dia nos parece um choro desesperador e não temos mais ideia do que fazer para acalmar o bebê e nos acalmarmos também.

O que fazer, então? Mudar de ares, sair do ambiente tenso e assim conseguir respirar pra tentar novamente fazer o bebê dormir e mamar:
- tomar banho juntos (banheira ou chuveiro);
- dançar ao som de músicas que vocês gostem;
- passear de sling pela vizinhança;
- ir à pracinha ou ao play, para se distraírem e ver outras crianças brincando (ajuda a lembrar que tudo passa e logo será o nosso bebê correndo e se divertindo ali).

O principal é lembrar que é ilógico o mesmo peito que produz leite suficiente durante todo o dia, simplesmente secar no final da tarde. Pense: “É sono, vamos relaxar pra dormir. É sono, vamos relaxar pra dormir...”. Tente descobrir o que mais funciona para você como forma de relaxar, e então quando esses dias difíceis surgirem, lembre que é sono e não falta de leite. Seu corpo é perfeitamente capaz de nutrir seu bebê!

Para saber mais a respeito do sono dos bebês e os efeitos de ficarem muito tempo acordados, indicamos os links abaixo:

Tabela de sono
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/05/tabela-de-sono-dos-bebes.html

O efeito vulcânico – como a falta de boas sonecas durante o dia causa irritação e “birras”
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2013/06/o-efeito-vulcao-pular-sonecas-produz.html

terça-feira, 12 de maio de 2015

Tabela de Sono dos Bebês



Tempo total de sono para diversas idades.


Recém-nascido: 1 Semana
- Bebê dorme bastante, 15-18 horas/dia
- Geralmente em intervalos de 2-4 horas
- Não há padrão de sono

2 a 4 semanas
- Sem tabela de horários, permita que o bebê durma quando precisa
- Bebê provavelmente não dormirá por períodos longos à noite
- O maior período pode ser de 3-4 horas

5 a 8 semanas
- Bebê está mais interessado em brinquedos e objetos
- O maior período de sono começa a aparecer regularmente nas primeiras horas da noite
- O período mais longo é de 4-6 horas (menos se tem cólicas)
- O bebê "fácil" tem períodos mais regulares
- Ponha-o para dormir aos primeiros sinais de cansaço
- Ponha-o pra dormir: não mais que 2 horas acordado
- Após acordar pela manhã já está pronto para soneca somente 1 hora depois
- O bebê vai se distrair mais facilmente, então precisa de um lugar quieto pra dormir
- Crie uma rotina de atividades que acontecem antes de cada soneca e da hora de dormir à noite
- Sinais de extrema fadiga: irritável, puxa o próprio cabelo, bate na própria orelha

3 a 4 meses
- A necessidade é maior de um lugar calmo e quieto para dormir, pois o bebê se distrai mais facilmente
- Não deixar o bebê acordado por mais de 2 horas (alguns aguentam somente 1 hora)
- 6 semanas de vida é quando o período de sono mais longo deve ser preferencialmente à noite (não de dia)
- O maior período de sono é somente de 4-6 horas
- Comece a colocar o bebê para dormir antes dele começar a ficar irritado ou sonolento

4 a 8 meses
- O sono do bebê se torna mais como o do adulto, com período inicial de não-REM
- A maioria acorda entre 7 da manhã, mas geralmente entre 6-8.
- Se o bebê acordar antes das 6 é bom colocar para dormir após mamar e trocar a fralda
- Não é possível mudar a hora que o bebê acorda de manhã colocando-o para dormir mais tarde
- Comidas sólidas antes de dormir também não resultam em acordar mais tarde
- O período acordado de manhã deve ser de cerca de 2 horas para bebê de 4 meses e 3 horas para bebês de 8 meses
- Então a soneca da manhã é por volta das 9 horas para a maioria
- Tenha um período tranquilo e quieto, parte da rotina de dormir, com duração máxima de 30 minutos. Essa rotina deve começar 30 minutos ANTES do fim do período que o bebê fica acordado
- Um soneca só é restauradora se é de 1 hora ou mais, algumas vezes 40-45 minutos conta, mas 1 hora ou mais é o ideal
- Conte com outra soneca após 2-3 horas acordado
- Evite mini-sonecas no carro ou parque
- Não deixe o bebê tirar uma sonequinha para compensar uma soneca perdida
- Se o bebê tira a soneca quando deveria estar acordado, bagunça a rotina acordado/dormindo
- A segunda soneca é geralmente entre meio-dia e 2 da tarde (antes das 3)
- Deve durar 1-2 horas
- Uma terceira soneca poderá ou não ocorrer, se ocorrer será entre 3-5 da tarde e geralmente bem rápida
- A terceira soneca desaparece por volta dos 9 meses de idade
- A hora de dormir ideal é entre 6-8 da noite, decida pelo quanto a criança está cansada
- Empregue uma rotina antes da cama com a mesma sequência de eventos toda noite, assim a criança começará a predizer o que vem a seguir, ou seja, o sono
- A criança poderá acordar de 4-6 horas depois para mamar, algumas estarão com fome mas outras vão dormir direto, depende do indivíduo
- Uma segunda mamada poderá ocorrer por volta de 4-5 da madrugada.

9 a 12 meses
- A maioria dos bebês dessa idade realmente precisam de 2 sonecas/dia com duração total de 3 horas de sono
- Por o bebê pra dormir à noite mais cedo permitirá que ele durma até mais tarde de manhã (em alguns casos não)
- Rotina usual: acorda às 6-7 da manha, soneca da manhã 9:00, soneca da tarde 13:00 (antes das 15:00 pra não atrapalhar com o sono da noite), dormir à noite entre 18:00-20:00
- Se o bebê que dormia à noite toda começar a acordar, tente antecipar a hora de dormir gradualmente de 20-20 minutos.

12 a 21 meses (1 ano a 1 ano e 9 meses)
- Muda de 2 sonecas para 1 soneca/dia, total duração de sono 2 horas e meia
- Se a mudança para 1 soneca é difícil, tente por na cama mais cedo, a criança poderá tirar 2 sonecas num dia e 1 no outro até estabilizar

21 a 36 meses (1 e 9 meses a 3 anos)
- Maioria das crianças ainda precisam de uma soneca
- Em média a soneca é de 2 horas mas pode ser entre 1-3 horas
- Maioria das crianças dormem entre 7-9 da noite, acordam entre 6:30-8 da manhã
- Se a soneca não aconteceu, é preciso por na cama mais cedo ainda
- Se a criança não dorme bem durante a noite, não permitir que a criança tire a soneca pode ser problemático, causar extrema fadiga
- Se a criança acorda entre 5-6 da manhã, e está bem descansada, pode-se tentar encorajar mais sono com cortinas escuras
- Ir pra cama mais cedo pode resultar em acordar mais tarde de manhã (sono traz mais sono, na maioria dos casos)


3 a 6 anos
- A maioria ainda vai dormir entre 7-9 da noite, acorda entre 6:30 e 8 da manhã
- Aos 3 anos a maioria das crianças precisam de 1 soneca todos os dias
- Aos 4 anos, cerca de 50% das crianças tiram soneca 5 dias/semana
- Aos 5 anos de idade, cerca de 25% das crianças tiram soneca 4 dias/semana
- Aos 6 anos de idade as sonecas geralmente desaparecem
- Aos 3 e 4 anos a soneca dura 1-3 horas
- Aos 5 e 6 anos a soneca dura entre 1-2 horas

7 a 12 anos
- A maioria das crianças de 12 anos vão dormir entre 7:30 e 10 da noite, na média 9 da noite. A maioria dorme 9-12 horas/noite.
- Muitas crianças de 14-16 anos agora precisam de mais sono que quando eram pré-adolescentes para manter a atividade ótima e serem alertas durante o dia


Tradução: Andreia Mortensen
Original em: http://solucoes.multiply.com/journal/item/1

 (Baseada no livro 'Healthy Sleep Habits'' de Marc Weissbluth)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...