Efeito protetor da amamentação exclusiva por 6 meses contra infecções na infância: um estudo prospectivo
Autores: Fani Ladomenou, Joanna Moschandreas, Anthony Kafatos, Yiannis Tselentis, Emmanouil Galanakis
O que já se sabia sobre isso:
Bebês amamentados são menos vulneráveis a uma série de infecções, incluindo otites e infecções gastrointestinais e respiratórias.
A contribuição deste estudo:
Amamentação exclusiva por 6 meses protege contra infecções comuns na infância e diminui a frequência e severidade de episódios de infecções não somente em países em desenvolvimento mas também em comunidades com programas de vacinações amplos e padrões de saúde adequados. Amamentação parcial não oferece esse efeito protetor contra infecções.
Resumo
Objetivos
Investigar a longo prazo os efeitos da amamentação na frequência e severidade de infecções numa população de bebês bem definida com vacinação apropriada e padrões de saúde adequados.
Modelo de estudo – Uma amostra representativa de 926 bebês foram seguidos com sucesso por até 12 meses, quanto a alimentação e episódios de infecções que incluiram otite média aguda, infecção respiratória aguda, gastroenterite, infecção do trato urinário, conjuntitive e sapinho, registrados com 1, 3, 6, 9 e 12 meses de vida.
(Nota: o estudo prospectivo é quando a pesquisa vai seguindo os indivíduos ao longo do processo ou tratamento, diferente de estudo retrospectivo, quando a pesquisa usa dados que já aconteceram no passado).
Resultados
Bebês amamentados exclusivamente opr 6 meses, como nas recomendações da OMS, apresentaram menos episódios de infecções do que os bebês não amamentados ou amamentados parcialmente, e e esse efeito protetor persistiu após ajustes de potenciais fatores confundidores de infecção aguda respiratória (OR 0.58, 95% CI 0.36 a 0.92), otite aguda média (OR 0.37, 95% CI 0.13 a 1.05) e sapinho (OR 0.14, 95% CI 0.02 a 1.02).
A amamentação exclusiva prolongada foi associada com menos episódios infecciosos com febre (r s =−0.07, p=0.019) e menos admissões hospitalares para infecções (r s =−0.06, p=0.037) no primeiro ano de vida. Amamentação parcial não teve relação com o efeito protetor. Vários fatores confundidores, como idade e nível escolar dos pais, etnicidade, presença de outros irmãos, exposição a tabaco, e estação de nascimento foram demonstrados ter efeito na frequência de infecções na infância.
(Nota: fatores de confundimento são fatores que podem confundir os resultados. Então o estudo ajustou a frequência de infecções para potenciais fatores de confundimento. Assim, com métodos estatísticos já conhecidos e comprovados, eles conseguem saber se um resultado foi decorrente do que se queria estudar, tirando os possíveis fatores de confundimento, como prematuridade, baixo peso de nascimento ou outros).
Conclusões
Resultados desse estudo prospectivo em larga escala numa população bem definida com condições adequadas de saúde sugerem que a amamentação exclusiva contribue para proteção contra infecções comuns na infância e diminui a frequência e severidade de episódios infecciosos. Amamentação parcial não teve esse efeito protetor.
Leite materno é o leite mais apropriado para o bebê humano e a amamentação exclusiva por pelo menos os 6 primeiros meses de vida é recomendada (1). As muitas vantagens da amamentação já foram estudadas, e incluem benefícios financeiros, psicossociais e no desenvolvimento e prevenção de doenças, incluindo infecções (2-6).
Dado a imaturidade do sistema imune dos bebês, essa proteção é de uma importância imensa. Embora se saiba há um bom tempo que bebês amamentados são menos susceptíveis a infecções, alguns estão certos de que as diferenças nos riscos de infecções entre bebês amamentados e que tomam LA são devidos a fatores confundidores e não tem tanta relevância assim em sociedades com alto padrão de saúde (7- 8). Além disso, estudos recentes tem sempre focalizado em infecções em particular ou no efeito da amamentação nos primeiros meses, com poucas investigações no efeito protetor da amamentação na primeira infância e com pouca atenção a um espectro mais amplo de infecções (2, 9–12). Além disso, mais atenção tem sido dada aos efeitos da amamentação na frequência do que na severidade das infecções.
Neste estudo estudamos prospectivamente o efeito da amamentação em ambas frequência, expressa em números de episódios infecciosos, e severidade, expressa em necessidade de visitas ao médico e hospitalizações para infecções comuns da primeira infância, numa população bem definida, vacinada e com padrões de saúde adequados. Baseado em experiências existentes no campo, o estudo foi designado a investigar: primeiro a hipótese de que a amamentação protege contra infecções comuns, segundo a explorar o impacto da amamentação exclusiva e sua duração e terceiro a investigar seu impacto durante o primeiro e segundo semestres de vida do bebê (1-6 meses e 6-12 meses).
Métodos
Design, ambiente e população estudada
O estudo foi conduzido como observação prospectiva numa população fixa em Creta, uma ilha grega de 601 159 habitantes (dados do censo de 2001). De um total de 6878 nascimentos em 2004, uma amostragem representative de 1049 (15.2%) pares de mães e bebês foram recrutados, como descrito. Amostras foram baseadas nos nascimentos consecutivos em dias randômicos de outubro a dezembro de 2004 e de abril a julho de 2005.
A amostragem feita em dois períodos facilitou a análise dos efeitos da amamentação nas infecções em relação a estação do ano do nascimento. Durante o período do estudo, os bebês foram rotineiramente imunizados com vacina para difteria-tetanus-e pertussis acelular pertussis (3 doses), poliomielite (inativada, 2 ou 3 doses), Haemophilus influenzaedo tipo B (3 doses), Hepatite B (3 doses), Neisseria meningitidis conjugada do grupo C (3 doses) e Streptococcus pneumoniae conjugada 7-valente (3 doses), o que fez dessa amostra uma população bem vacinada. Bebês foram cuidados por pediatras da família, e para consultas fora do horário comercial hospitais com emergências pediátricas eram facilmente encontrados. Vacinações foram financiadas pelos seguros sociais, resultando em alta taxa de imunização na infância. Esses bebês não frequentavam berçários ou escolinhas na primeira infância.
Entrevista
Todas mães foram entrevistadas pelo mesmo investigador (FL) na maternidade.
Ênfase especial foi dada em fazer perguntas simples para facilitar a participação das mães com níveis baixos de alfabetização. As mães receberam informações detalhadas sobre o estudo e seus direitos de se absterem a qualquer momento. Todas concordaram em participar exceto uma mãe imigrante que respondeu ao questionário inicial mas não teve acesso ao telefone para mais contatos.
O questionário da visita na maternidade consistiu de 19 questões de escolha múltipla e 14 questões abertas sober informações da família, fonte de cuidados médicos, etnicidade e anos de educação completados pela mãe e pelo pai, saúde da mãe e bebê durante a gravidez e nascimento e intenção e experiência de amamentação. Subsequentemente as mães foram contactadas por telefone pelo mesmo investigador quando os bebês tinham 1, 3, 6, 9 e 12 meses. Os questionários de seguimento consistiram de questões de múltipla escolha com informações sobre amamentação, vacinações, visitas ao pediatra e hospitalizações e todos episódios de doenças desde a entrevista passada. O Comitê de Pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de Creta aprovou o protocolo de estudo.
Definições
Amamentação exclusiva foi definida como bebê que recebe somente leite materno e nenhum outro tipo de líquido ou sólido. Amamentação parcial foi definida quando o bebê recebe leite materno em combinação com LA ou outros líquidos.
Nossas definições se focalizaram no consumo de leite materno de bebês e não se especificou em outros tipos de alimentos ou líquidos. Entretanto, no estudo bebês como regra receberam leite como única fonte de nutrição e não tomaram líquidos como água glicosilada ou sucos de frutas, então, amamentação exclusiva foi geralmente idêntica como amamentação total.
A maioria dos bebês iniciavam alimentação sólida aos 6 meses. Exposição de tabaco no meio ambiente
