Por Fernanda Rezende Silva
Revisão: Luciana Freitas e Zioneth Garcia
O
título deste texto pode parecer absurdo, mas não é. O bebê influencia
sim, e muito, no processo de produção do leite materno. É ele quem
comanda.
Vamos imaginar que o peito da mãe é uma máquina de
produzir alimento, e o bebê é o operador desta máquina. Se o operador
nem chegar perto da máquina é óbvio que ela permanecerá desligada e
nenhum alimento será produzido, e o contrário também é verdadeiro, se o
operador estiver em permanente contato com esta máquina, operando-a o
tempo todo, muito alimento será produzido. Ok, esta parte não é
novidade. Sabemos que quanto mais o bebê suga, mais leite é produzido,e
que se o bebê não suga (ou suga errado) a produção de leite é
comprometida, então vamos entender como funciona o processo (se você
ainda não sabia que o leite materno é produzido enquanto o bebê mama
então leia este texto: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/09/voce-esta-amamentando-e-seu-peito-esta.html).
O bebê nasceu com a missão de operar a máquina-peito, e esta operação
não se resume a ligar/desligar, ele decide em que momento que tipo de
alimento será produzido. Ele é um operador inteligente: pode enviar um
comando do tipo "agora quero o alimento X", ou "chega de X, agora quero
Y". Traduzindo isso: o bebê, por meio do tempo de mamada e de potência
da sucção, “diz” ao corpo da mãe que agora ele quer um leite menos
gorduroso, ou que quer o leite mais gorduroso. O leite vai aumentando
sua quantidade de gorduras, então não existe um leite “fraco” e um leite
“gordo”, é algo gradual . Alguns exemplos do que o bebê diria para a mãe:
-
"Mamãe, já mamei 10 minutos de leite com menos gordura e matei a sede,
agora quero mamar mais 20 minutos, então vai aumentando a gordura
desse!".
- "Mamãe, não se assuste - dessa vez só quero matar a
sede, não tenho fome - assim que eu tiver fome eu mamo mais e lhe peço
um leite com mais gordura".
- "Mamãe, já estou tão craque que agora
quero só 1 minuto de leite com menos gordura e nos 4 minutos seguintes,
vai aumentando a gordura desse leite. Ah! Mamãe, agora consigo me
satisfazer em apenas 5 minutos".
Sim, é o bebê que diz ao corpo da mãe que tipo de leite quer, quanto
quer, em que momento quer, por isso a livre demanda verdadeira é tão
importante (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/07/livre-demanda-o-que-e-realmente-dr.html).
E como o bebê pode executar este processo mágico de ir mudando a
gordura do leite no meio da mamada? Ele intensifica a mamada, fica mais
tempo no peito… Um bebê saudável nasce pronto para operar a
máquina-peito e, se ele não sofrer interferências externas ele vai
executar este processo perfeitamente.
"Ah, mas meu bebê ganhou
pouco peso neste mês". Porque isso nem sempre é um problema? O ganho de
peso isoladamente não significa saúde
(http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2013/06/por-que-nao-tiramos-balanca-do-pedestal.html).
Se um bebê saudável ganhou pouco peso em um mês específico mas cresce e
se desenvolve bem então pode não haver motivo para preocupação, depende
de cada caso - ele vai engordar conforme a sua necessidade.
"Mas meu bebê tem mamado horas seguidas, meu leite não satisfaz!". Hora de desfazer o mito "bebê só mama e dorme" e aprender um pouco sobre picos de crescimento e saltos de desenvolvimento. Peito não é só alimento - bebês novinhos querem mesmo grudar na mãe (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/o-conceito-do-continuum-importancia-da.html), e nos picos e saltos grudam mais ainda (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/pico-de-crescimento-e-salto-de.html).
O que poderia então atrapalhar o bebê a ponto dele não conseguir
mamar bem? Existem alguns fatores como a prematuridade, por exemplo, que
fazem com que o bebê tenha dificuldade para mamar (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/02/como-estimular-o-bebe-aprender-ou.html).
Outro exemplo é a anquiloglossia: se o bebê tem o freio de língua curto
então pode ser que ele não consiga executar perfeitamente todos os
movimentos necessários com a boca e língua, e isso sim pode atrapalhar
as mamadas e consequentemente a produção de leite (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/11/anquiloglossia-freio-de-lingua-curto.html).
Porque
então tantas mulheres dizem "Não tive leite" ou "Meu leite secou",
mesmo quando o bebê não tem nenhum problema para "operar a máquina"?
Nesses casos o bebê nasce preparado para operar a máquina-peito, mas ele
sofre interferências externas dos tais bicos artificiais (chupetas e
mamadeiras). Imagine que o operador usa os 5 dedos da mão direita para
executar o comando "produzir alimento X", mas aí ele começa a carregar
um objeto com esta mão e passa a não dispor mais dos 5 dedos para esta
ação (passa a fazê-lo só com 4 dedos) - ele sentirá cada vez mais
dificuldade para fazer este movimento até que a tarefa se torne muito
difícil e ele pode até desistir. Este texto explica o que acontece
nestes casos: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/03/o-que-acontece-com-os-musculos-bucais.html.
Você já entendeu que quem produz leite materno não é a máquina-peito
sozinha - o bebê é quem comanda o processo. Pois é, então isso também
significa que não adianta NADA empanturrar a máquina com matéria-prima -
o operador-bebê só vai pedir o alimento que ele realmente necessita.
Algumas mães pensam que precisam comer muita comida calórica para ter o
leite mais gorduroso e assim o bebê engordar melhor - isso não faz
sentido, basta você lembrar que os bebês das africanas mal nutridas
também engordam. Já vimos o caso de uma mãe que comia muita comida
calórica enquanto a filha engordava no ritmo normal e esperado para o
biotipo dela - o que esta mãe conseguiu foram 32 kg extras ao final da
amamentação (ou seja, o que a mãe comeu a mais virou gordura no corpo
dela, já que o bebê não requisitava esta gordura no leite materno).
A
matéria-prima é importante, então a mãe deve se alimentar bem? Sim, a
mãe deve se alimentar bem, mas sem neuras. Sabe a tal máquina-peito?
Então, ela tem as receitas armazenadas, o que significa que seu
resultado final varia muito pouco: a maior parte dos nutrientes do leite
materno vem das reservas nutricionais da mãe (todos os seres humanos
possuem reservas de nutrientes no corpo) então a mãe na verdade precisa
se alimentar bem para repor estas reservas, e não para produzir leite de
qualidade. Um exemplo: já foi comprovado que a mãe pode aumentar
bastante o consumo de alimentos com ferro e mesmo assim o leite materno
terá sempre a mesma quantidade de ferro, independente do que a mãe
comeu. Se a mãe simplesmente não está comendo alimentos com ferro o
leite também continua bom, mas este caso representa perigo de anemia
para a mãe, por isso ela não pode fazer dietas malucas e precisa mesmo
se alimentar bem.
Se o leite materno tem uma receita pronta, que praticamente não varia, e
só se produz leite conforme o bebê solicita, faz sentido pensar que a
mãe precisa beber X litros de água por dia, ou pensar que beber mais
água ajuda a produzir mais leite? Não, isso também não faz sentido. Uma
mulher que amamenta sentirá mais sede naturalmente, mas não precisa se
obrigar a tomar vários litros de água por dia para garantir a produção
de leite (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/beber-muita-agua-para-ter-mais-leite.html).
Lembra da receita do leite materno? Então, nela consta a proporção de
água necessária para produzir leite - tudo que vier além disso será
eliminado pelo corpo.Você estava aí se culpando porque não comeu o
alimento X ou Y, pensando que seu leite não seria bom por causa disso?
Pode desencanar - agora você já sabe que quem comanda a produção é o
bebê e que todas as mulheres têm em seus corpos a receita do leite
perfeito - nenhuma mulher precisa de canjica ou suco de uva para ter
mais leite ou um leite de melhor qualidade.
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segunda-feira, 18 de maio de 2015
domingo, 15 de março de 2015
Relactação passo-a-passo
1) Adquirir a sonda:
Compre em farmácia sonda nasográstrica número 4 ou 5 - às vezes só é encontrada em farmácias que vendem material hospitalar.
Compre várias sondas, pois pode ser melhor descartá-las após o uso já que é difícil lavá-las bem (mas é possível esterilizar em água fervente cada vez que for usada). Essas sondas nada mais são do que tubinhos fininhos.
2) Preparações:
Colocar o leite artificial no recipiente escolhido (seringa, copo ou mamadeira).
Colocar uma ponta da sonda no recipiente e a outra deve ser presa ao seio, com sua extremidade perto do mamilo (pode usar esparadrapo, micropore). A ponta que fica no peito tem que ficar bem na aréola.
Tentar colocar o recipiente com o leite num local próximo e acima do nível do peito, para que a ação da gravidade facilite o fluxo do leite, e de preferência numa superfície firme para evitar que caia no chão. Nas primeiras tentativas vale a pena pedir ajuda de outra pessoa que segure o recipiente com o leite.
É possível cortar a sonda em pedaços menores (10 cm) quando já estiver habituada, deixando o recipiente mais próximo do peito.
3) Iniciando:
Coloque o bebê no seio para mamar. A criança sugará o peito e a sonda ao mesmo tempo e, à medida em que se alimenta, também estimula a produção do leite materno. A altura em que é colocado o leite e a força de sucção da criança determinam a velocidade de ingestão. O fluxo é controlado ao se dobrar um pouco a sonda. Desse modo o bebê começa a associar o peito com alimento e é estimulado a sugar o peito.
Se o bebê estiver recusando o seio, pingue leite sobre o seio para que ele queira sugar.
4) Quanto tempo preciso usar esse sistema?
O tempo para que a produção de leite seja estabelecida é de no mínimo uma semana, requer paciência e persistência para se obter sucesso. O leite ministrado pela sonda é o que a criança estava usando e, na medida do aumento de produção pela mãe, este é restringido progressivamente.
A relactação deve ter um começo e um fim, desde o primeiro dia que se começa deve se ter claro que não é para sempre, que num certo dia ela vai terminar. O recomendado geralmente é não estender a relactação por mais do que 6 semanas.
5) Que mais posso fazer para aumentar minha produção de leite?
- A sucção do bebê é a mais poderosa que existe, então amamente em livre demanda, mesmo sem a sonda, sempre que puder.
- Utilize uma bomba elétrica de boa qualidade e tente ordenhar seu leite também sempre que possível - isso ajuda a estimular a produção, mesmo se ainda não estiver saindo leite. A ordenha manual bem feita é igualmente eficiente.
- Descarte o uso de qualquer bico artificial: mamadeiras, chupetas, bicos de silicone.
- Carregue seu bebê num sling, sempre que possível. Sentir o cheiro da mamãe acalma o bebê e o incentiva a sugar.
- Descanse quando puder, tire sonecas quando o bebê também o fizer. Durma perto de seu bebê (tomando precauções para prática da cama compartilhada): pesquisas mostram que cama familiar pode ajudar no estabelecimento da amamentação.
Vídeo explicativo: http://www.youtube.com/watch?v=p9-Y4A8lLNU
ATENÇÃO: A técnica de relactação é justamente para RE-lactar, usada quando a mãe deixou por qualquer motivo de oferecer seu peito ou em casos de mães adotivas que desejam amamentar.
RELACTAÇÃO NÃO É UM MÉTODO DE COMPLEMENTAÇÃO PARA SUBSTITUIR A MAMADEIRA.
É importante que desde o começo o fluxo da sonda seja regulado, para que o bebê se acostume com o fluxo de LM (leite materno) do peito - nem toda sucção deve levar leite.
A relactação sozinha não faz milagres, deve ser associada à livre demanda e auto-confiança. SE A MÃE PRODUZ QUALQUER QUANTIDADE DE LM A RELACTAÇÃO TEVE SUCESSO E NÃO É MAIS NECESSÁRIA: pode começar a diminuir o LA (leite artificial) usando copinho.
Uma vez se consegue LM em volume aceitável o ideal é passar oferecer o complemento num copinho e deixar de usar a sonda. Lembre que existe sucção não alimentar, na sonda fica difícil saber até onde o bebê continua com fome e até onde está sugando por conforto.
Toda mamada deve começar e terminar pelo peito sozinho. Se o bebê adormece no peito, que seja no peito sem sonda.
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Alimentos, chás ou homeopatias podem aumentar o leite?
Por Fernanda Rezende Silva e Zioneth Garcia
É muito comum ouvir mães pedindo dicas de alimentos, chás ou remédios homeopáticos para aumentar a produção de leite. Você já deve ter ouvido várias dessas dicas de amigas, tias, vizinhas, mas as evidências científicas sugerem que menos de 1% das mulheres obtêm o efeito desejado ao consumir tais medicamentos, alimentos, chás ou homeopatias para aumentar a produção de leite. Muitas vezes o que acontece é o efeito placebo, melhora a confiança da mãe, o bebê suga mais e aí sim, a produção realmente aumenta: por isso algumas mulheres podem ter a sensação de funcionar e outras não.
Sabemos que o corpo humano é uma máquina inteligente, e por isso não desperdiça recursos. Quando você está com fome, uma das primeiras coisas que acontece é você ficar desanimado, perder o pique para continuar a atividade que estava fazendo, certo? Isso é o equilíbrio do corpo humano: ele sabe que está faltando energia então te força a entrar num estado de "economia" - enquanto você estiver com fome não terá pique mesmo para continuar trabalhando, correndo ou estudando, e isso é maravilhoso - só prova que seu corpo está funcionando direitinho.
Com a produção de leite materno acontece a mesma coisa: o corpo sabe que na produção de leite se gasta muita energia, então ele verifica continuamente como está a demanda -> só vai produzir o que for realmente necessário. Quando a mulher toma algum medicamento que de fato lhe cause o esperado (e pouco provável) efeito sobre aumento da prolactina (hormônio que controla a produção de leite) ela pode perceber um aumento da produção, mas ao mesmo tempo o corpo estará trabalhando no sentido inverso: ele identifica que não existe uma demanda tão grande então se esforça para voltar ao nível de produção normal. Quando o medicamento é consumido de forma rotineira, o corpo da mulher se vê obrigado diminuir a produção da prolactina natural para manter o equilíbrio geral contando com a fonte externa, por essa razão também é comum ter uma queda brusca dos níveis de prolactina e sensação de “peito seco” após parar abruptamente o consumo de algumas medicações.
A sucção correta do bebê (ou seja, sem interferência de bicos artificiais) é o que realmente estimula o peito da mãe e é dessa forma que se pode aumentar a produção de leite: quanto mais estímulo maior será a produção! Medicamentos e alimentos sozinhos não vão aumentar a produção de leite materno: na melhor das hipóteses eles aumentariam temporariamente a prolactina, até o corpo equilibrar novamente a produção conforme a oferta, mas se a sucção se mantém no mesmo ritmo é inevitável que a produção volte ao ponto inicial.
Ao entender que a produção de leite materno acontece conforme a demanda parece óbvio que as mães de bebês que usam chupeta são as que mais reclamam da falta de leite. O bebê nasceu "programado" para sugar conforme a sua necessidade - ao transferir parte desta sucção para a chupeta, o bebê mama menos o peito, e aí o corpo da mãe ajusta a produção à demanda, pois entende que realmente pode produzir menos leite.
Para finalizar a reflexão: será que você precisa mesmo aumentar a produção de leite? O texto abaixo fala sobre a sensação de pouco leite -> a mãe está produzindo exatamente a quantidade de leite que o bebê precisa mas mesmo assim se sente insegura: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/08/sensacao-de-pouco-leite.html
Dica de leitura: porque bicos artificiais realmente atrapalham a produção de leite materno: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/07/mamadeira-contem-substancia-que-seca-o.html
É muito comum ouvir mães pedindo dicas de alimentos, chás ou remédios homeopáticos para aumentar a produção de leite. Você já deve ter ouvido várias dessas dicas de amigas, tias, vizinhas, mas as evidências científicas sugerem que menos de 1% das mulheres obtêm o efeito desejado ao consumir tais medicamentos, alimentos, chás ou homeopatias para aumentar a produção de leite. Muitas vezes o que acontece é o efeito placebo, melhora a confiança da mãe, o bebê suga mais e aí sim, a produção realmente aumenta: por isso algumas mulheres podem ter a sensação de funcionar e outras não.
Sabemos que o corpo humano é uma máquina inteligente, e por isso não desperdiça recursos. Quando você está com fome, uma das primeiras coisas que acontece é você ficar desanimado, perder o pique para continuar a atividade que estava fazendo, certo? Isso é o equilíbrio do corpo humano: ele sabe que está faltando energia então te força a entrar num estado de "economia" - enquanto você estiver com fome não terá pique mesmo para continuar trabalhando, correndo ou estudando, e isso é maravilhoso - só prova que seu corpo está funcionando direitinho.
Com a produção de leite materno acontece a mesma coisa: o corpo sabe que na produção de leite se gasta muita energia, então ele verifica continuamente como está a demanda -> só vai produzir o que for realmente necessário. Quando a mulher toma algum medicamento que de fato lhe cause o esperado (e pouco provável) efeito sobre aumento da prolactina (hormônio que controla a produção de leite) ela pode perceber um aumento da produção, mas ao mesmo tempo o corpo estará trabalhando no sentido inverso: ele identifica que não existe uma demanda tão grande então se esforça para voltar ao nível de produção normal. Quando o medicamento é consumido de forma rotineira, o corpo da mulher se vê obrigado diminuir a produção da prolactina natural para manter o equilíbrio geral contando com a fonte externa, por essa razão também é comum ter uma queda brusca dos níveis de prolactina e sensação de “peito seco” após parar abruptamente o consumo de algumas medicações.
A sucção correta do bebê (ou seja, sem interferência de bicos artificiais) é o que realmente estimula o peito da mãe e é dessa forma que se pode aumentar a produção de leite: quanto mais estímulo maior será a produção! Medicamentos e alimentos sozinhos não vão aumentar a produção de leite materno: na melhor das hipóteses eles aumentariam temporariamente a prolactina, até o corpo equilibrar novamente a produção conforme a oferta, mas se a sucção se mantém no mesmo ritmo é inevitável que a produção volte ao ponto inicial.
Ao entender que a produção de leite materno acontece conforme a demanda parece óbvio que as mães de bebês que usam chupeta são as que mais reclamam da falta de leite. O bebê nasceu "programado" para sugar conforme a sua necessidade - ao transferir parte desta sucção para a chupeta, o bebê mama menos o peito, e aí o corpo da mãe ajusta a produção à demanda, pois entende que realmente pode produzir menos leite.
Para finalizar a reflexão: será que você precisa mesmo aumentar a produção de leite? O texto abaixo fala sobre a sensação de pouco leite -> a mãe está produzindo exatamente a quantidade de leite que o bebê precisa mas mesmo assim se sente insegura: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/08/sensacao-de-pouco-leite.html
Dica de leitura: porque bicos artificiais realmente atrapalham a produção de leite materno: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/07/mamadeira-contem-substancia-que-seca-o.html
sábado, 22 de novembro de 2014
Alerta: a banalização do uso das sondas de relactação e seus riscos
Por: Fernanda Rezende Silva
Revisão: Zioneth Garcia e Dji Nane
Muitas mães, por acharem que não produzem leite suficiente, recorrem ao uso da sonda de relactação, e ela não deveria ser a primeira opção - vamos entender o porquê.
A técnica de relactação serve para RE-lactar, ou seja, só deveria ser usada por mães que já não produzem mais leite e querem retomar a amamentação. Ok, mas qual o problema em usar a sonda só para complementar?
Vamos começar entendendo como é o fluxo de leite na sonda: o bebê recebe LM e LA. Se o bebê recebe mais leite do que seria o normal, ele vai sugar menos tempo, logo a produção não será realmente estimulada como deveria. Além disso o bebê pode se acostumar a este fluxo (quando a sonda é usada por muito tempo) e depois fica complicado tirar - infelizmente o que acontece nestes casos é que a mãe, por não acreditar que será capaz de produzir leite sozinha, aumenta cada vez mais a quantidade de LA e por fim o bebê já não suga mais LM: é um bebê desmamado tomando LA pela sonda.
Usar a sonda fora de casa é algo complicadíssimo - muitas mães deixam de sair de casa por esse motivo. Algumas saem de casa sem a sonda e aí vem o perigo: pensar que podem dar uma única mamadeira fora de casa, que isso não vai atrapalhar (uma única mamada nestas condições - sonda + mamadeira - pode causar confusão de bicos).
Bebês maiores simplesmente não aceitam a sonda (com razão!). Se um bebê está acostumado ao aconchego do peito, a mamar o peito livre, realmente ele não vai aceitar um "caninho" entrando na sua boca - mais um motivo para restringir o uso da sonda apenas às primeiras semanas do bebê.
Quais seriam então as opções para a mãe que precisa complementar? Copinho comum, colher, colher-dosadora. Todos os bebês precisarão usar alguma destas opções após os 6 meses, quando começarão a tomar água, então aqui não cabe o argumento "é difícil usar copinho ou colher" - mais cedo ou mais tarde o bebê vai usar, pois a mamadeira é contra-indicada totalmente em qualquer idade. Para qualquer uma das opções escolhida: o ideal é que a quantidade de LA seja reduzida gradativamente, de forma que o bebê volte a mamar LM exclusivo e não fique dependente do LA.
A técnica de relactação serve para RE-lactar, ou seja, só deveria ser usada por mães que já não produzem mais leite e querem retomar a amamentação. Ok, mas qual o problema em usar a sonda só para complementar?
Vamos começar entendendo como é o fluxo de leite na sonda: o bebê recebe LM e LA. Se o bebê recebe mais leite do que seria o normal, ele vai sugar menos tempo, logo a produção não será realmente estimulada como deveria. Além disso o bebê pode se acostumar a este fluxo (quando a sonda é usada por muito tempo) e depois fica complicado tirar - infelizmente o que acontece nestes casos é que a mãe, por não acreditar que será capaz de produzir leite sozinha, aumenta cada vez mais a quantidade de LA e por fim o bebê já não suga mais LM: é um bebê desmamado tomando LA pela sonda.
Usar a sonda fora de casa é algo complicadíssimo - muitas mães deixam de sair de casa por esse motivo. Algumas saem de casa sem a sonda e aí vem o perigo: pensar que podem dar uma única mamadeira fora de casa, que isso não vai atrapalhar (uma única mamada nestas condições - sonda + mamadeira - pode causar confusão de bicos).
Bebês maiores simplesmente não aceitam a sonda (com razão!). Se um bebê está acostumado ao aconchego do peito, a mamar o peito livre, realmente ele não vai aceitar um "caninho" entrando na sua boca - mais um motivo para restringir o uso da sonda apenas às primeiras semanas do bebê.
Quais seriam então as opções para a mãe que precisa complementar? Copinho comum, colher, colher-dosadora. Todos os bebês precisarão usar alguma destas opções após os 6 meses, quando começarão a tomar água, então aqui não cabe o argumento "é difícil usar copinho ou colher" - mais cedo ou mais tarde o bebê vai usar, pois a mamadeira é contra-indicada totalmente em qualquer idade. Para qualquer uma das opções escolhida: o ideal é que a quantidade de LA seja reduzida gradativamente, de forma que o bebê volte a mamar LM exclusivo e não fique dependente do LA.
Segue um texto explicativo sobre o uso da sonda, para quem realmente precisa usar:
"A técnica de relactação é justamente para RE-lactar, usada quando a mãe deixou por qualquer motivo de oferecer o peito: mães adotivas, ou em caso de cirurgia mamária com comprometimento de ductos ou glândulas onde a produção foi fisicamente afetada.
A relactação deve ter um começo e um fim, desde o primeiro dia que se começa deve se ter claro que não é para sempre, que num certo dia semana ela vai terminar. O recomendado geralmente é não estender a relactação por mais do que 6 semanas.
É importante que desde o começo o fluxo da sonda seja regulado, para que o bebê se acostume com o fluxo de LM do peito, nem toda sucção deve levar leite.
A relactação sozinha não faz milagres, deve ser associada à livre demanda e auto-confiança. SE A MÃE PRODUZ QUALQUER QUANTIDADE DE LM A RELACTAÇÃO TEVE SUCESSO E NÃO É MAIS NECESSÁRIA: pode começar diminuir o LA usando copinho.
Uma vez que se consegue LM em volume aceitável, é ideal passar oferecer o complemento que está sendo usado na sonda, num copinho. Lembre que existe sucção não-nutritiva, na sonda fica difícil saber até onde o bebê continua com fome e até onde está sugando por conforto.
Toda mamada deve começar e terminar pelo peito sozinho. Se o bebê adormece no peito, que seja no peito sem sonda."
"A técnica de relactação é justamente para RE-lactar, usada quando a mãe deixou por qualquer motivo de oferecer o peito: mães adotivas, ou em caso de cirurgia mamária com comprometimento de ductos ou glândulas onde a produção foi fisicamente afetada.
A relactação deve ter um começo e um fim, desde o primeiro dia que se começa deve se ter claro que não é para sempre, que num certo dia semana ela vai terminar. O recomendado geralmente é não estender a relactação por mais do que 6 semanas.
É importante que desde o começo o fluxo da sonda seja regulado, para que o bebê se acostume com o fluxo de LM do peito, nem toda sucção deve levar leite.
A relactação sozinha não faz milagres, deve ser associada à livre demanda e auto-confiança. SE A MÃE PRODUZ QUALQUER QUANTIDADE DE LM A RELACTAÇÃO TEVE SUCESSO E NÃO É MAIS NECESSÁRIA: pode começar diminuir o LA usando copinho.
Uma vez que se consegue LM em volume aceitável, é ideal passar oferecer o complemento que está sendo usado na sonda, num copinho. Lembre que existe sucção não-nutritiva, na sonda fica difícil saber até onde o bebê continua com fome e até onde está sugando por conforto.
Toda mamada deve começar e terminar pelo peito sozinho. Se o bebê adormece no peito, que seja no peito sem sonda."
Sobre a sonda-dedo: está "na moda" usar esta técnica, mas só deveria ser indicada para prematuros incapazes de sair da incubadora e que não podem ser amamentados ou pegos no colo - para eles sim, se usa a sonda dedo para estimular a sucção ao mesmo tempo em que são alimentados (seja com LM ou LA). A técnica não serve para bebês que têm condições de sugar o peito da mãe.
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