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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Tem mesmo pouco leite, baixo peso? NAN é a solução?

Por Andréia C. K. Mortensen
Revisão de Luciana Freitas

Diagnóstico precipitado de "pouco leite", baixo peso e introdução precoce de leite artificial

Produção insuficiente de leite materno e baixo ganho de peso do bebê são queixas muito frequentes entre as mães. Geralmente a solução apresentada para esses casos por pediatras e outros profissionais da saúde é a introdução de leite artificial.
Porém, antes de diagnosticar essas duas situações, é preciso prestar atenção nos seguintes pontos:

1) Importantíssimo para o sucesso da amamentação é verificar se a pega no peito está correta: o bebê abre bem a boca, abocanha o mamilo e grande parte da aréola, alcançando os depósitos de leite localizados na região. Ao fechar a boca, os lábios ficam voltados para fora e vedam a passagem de ar, favorecendo o correto padrão de respiração pelo nariz. A língua se posiciona sob o mamilo, à frente, entre os rodetes de gengiva que comprimem a aréola, ajudando o bico a se alongar em até três vezes o seu tamanho dentro da boca do bebê. Tal alongamento é necessário para que alcance e toque o ponto de estímulo neural da deglutição, na região posterior do palato ("céu da boca") da criança. O recém-nascido obtém o leite por trabalho muscular (ordenha), não havendo, em momento algum, pressão negativa ou sucção, como infelizmente ocorre com a mamadeira e a chupeta.
Algumas imagens para ajudar:









Pega incorreta resulta numa ordenha ineficiente, não saciando as duas necessidades básicas do bebê - fisiológica (por leite materno) e neural (de trabalho muscular) -, além de causar fissuras mamilares e outros problemas, o que resulta em dor na mama durante a amamentação. Se notar que a pega não está correta, interrompa a sucção introduzindo delicadamente o dedo mínimo entre a boca do bebê e o seio e reinicie o processo. Não deixe que a criança continue mamando com pega incorreta.

Além de machucar a mama, pode-se iniciar um ciclo vicioso: o bebê não consegue obter todos os nutrientes de que necessita, oferece-se a mamadeira por causa do ganho insuficiente de peso, ele fica confuso, pois abocanha o bico de modo diferente do que faz com o peito da mãe, então a pega no seio nunca é corrigida e tende a piorar gradativamente.


2) A amamentação deve ser praticada em livre demanda para garantir que o bebê seja suprido em todas as suas necessidades nutricionais, inclusive hidratação. Desse modo, ele pode retirar todo o leite de que precisa conforme a sua vontade. Amamentação não combina com relógio: deixe o bebê comandar!

Para maiores informações, dois textos interessantes:
"Amamentação à la carte".

“A importância da livre demanda”
http://www.facebook.com/note.php?note_id=167469133305459

3) Se mesmo com a técnica (pega e posição) adequada e regime de livre demanda o bebê não ganhar peso, é preciso verificar se a mãe não está interrompendo a mamadaou trocando o bebê de peito antes que ele termine. O leite vai aumentando sua quantidade de gordura ao longo da mamada. Se o bebê for interrompido no meio de uma mamada, ele não irá cumprir o seu objetivo que pode ser, naquela mamada, o de mamar bastante leite gorduroso (às vezes ele quer apenas matar a sede). Portanto, deixe-o mamar à vontade, até quando ele quiser, porque ele é que sabe o que precisa naquele momento. Quando o bebê largar uma mama e quiser mamar mais, seja na hora ou mais tarde, você poderá oferecer o outro peito, então os dois vão ser estimulados. Dessa forma, para assegurar um bom ganho de peso é preciso: pega adequada, livre demanda e o respeito à vontade do bebê de permanecer no mesmo peito durante a mamada. Alguns recém-nascidos também sugam muito lentamente nos primeiros dias e precisam de muito tempo no peito (prepare-se, porque essa situação não dura para sempre!).

4) Se o bebê continuar não adquirindo peso apesar da efetivação dos três itens acima, é necessário conferir a hipótese de infecção urinária, que é uma das causas de baixo ganho de peso corpóreo em recém-nascidos.

5) Porém, mais importante que o valor registrado na balança é observar odesenvolvimento da criança. Bebê saudável não é o bebê que engorda muito. Recém-nascidos ganham peso em proporções inconstantes, mas devem dobrar o valor do nascimento até os seis meses e triplicá-lo até um ano de idade de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo as orientações da OMS para o aleitamento materno, a quantificação rigorosa do ganho de peso do bebê pelos pais deve ser desincentivada. Os valores podem variar muito, porque cada criança tem o seu próprio ritmo de crescimento. É importante considerar o biotipo do bebê: como são os pais? Gordinhos, magrinhos, altos, baixos? A genética tem uma grande influência na estrutura física do indivíduo. Além disso, existem flutuações normais no peso. Colocar frequentemente a criança na balança pode levar os pais à insegurança. Pesar o filho antes e depois da mamada também não deve ser parâmetro para medir a quantidade de leite.  
As novas curvas de crescimento revisadas pela OMS baseando-se em bebês alimentados com leite materno estão no link e fotos abaixo. Lembre-se de verificar com o pediatra de seu filho se ele está usando as curvas atualizadas!




6) O colostro, que começa a ser produzido no terceiro trimestre de gestação, é o primeiro alimento e a primeira "vacina" do bebê.
Leia o artigo "Amamentação na primeira hora, proteção sem demora!"-

Ele começa a ser secretado logo após o nascimento e é produzido em baixa quantidade justamente porque o recém-nascido ainda não está com os rins totalmente preparados para processar grande volume de líquidos. No período inicial, enquanto o leite não desce - demora entre três e cinco dias ou mais -, o colostro é suficiente e perfeitamente adequado ao bebê; portanto, continue colocando-o no peito frequentemente. Se a criança estiver mamando colostro em livre demanda e em contato contínuo com a mãe, seu choro nesse início de vida dificilmente poderá ser associado à fome e às colicas. Técnicas muito eficientes para acalmar o bebê na fase imediatamente apósao nascimento são as aplicadas na teoria da Exterogestação. Leia o artigo na íntegra, utilíssimo para bebês novinhos!

Teoria da Extero-gestação para bebes novinhos - Dr. Karp

7) A OMS cita que oferecer água ou leite artificial ao bebê ao invés de permitir-lhe o aproveitamento dos benefícios do colostro enquanto o leite materno não desce não é justificável.

8) Nas primeiras duas semanas de vida é natural o bebê perder até 10% de seu peso(excesso de líquidos retidos que são eliminados) e só voltar a recuperar o peso perdido após esse período, para então começar a ganhar peso propriamente dito.
Permita que seu filho mame o colostro e estimule a produção de leite materno, não interferindo nesse processo natural introduzindo mamadeiras.

9) Geralmente de seis a oito semanas após o parto, a mulher passa a não ter mais ejeções entre as mamadas e seus seios ficam desinchados, porque o corpo para de produzir leite em excesso e se autorregula conforme as necessidades do bebê, contanto que ele seja amamentado em livre demanda e sem uso de chupetas e mamadeiras. Portanto, é normal sentir os peitos murchos depois de um mês. O leite não fica armazenado no peito: a maior parte é produzida na hora da mamada (a não ser na fase imediatamente pós-parto, quando os peitos costumam até vazar). O engurgitamento das mamas nas primeiras semanas nada tem a ver com a quantidade de leite produzida e sim com uma inflamação temporária no início da lactação. Peitos cheios e vazamento são problemas iniciais, que desaparecem assim que a amamentação estiver estabelecida.

10) É absolutamente normal o bebê diminuir o ganho de peso a partir do terceiro mês de vida. O Dr. Carlos González, autor do livro Mi Niño no me Come, recomendado pela La Leche League International, chamou essa fase de "a crise dos três meses": "Por volta de 2-3 meses de idade, alguns bebês tornam-se tão eficientes na mamada que são capazes de mamar tudo o que precisam em 5 ou 7 minutos, algumas vezes em 3 minutos. Se ninguém disso isso para a mãe e ela espera que a criança fique no seio por “pelo menos 10 minutos”, ela vai achar que seu filho não está mamando o suficiente". Além disso, o bebê que ganhava peso rapidamente, agora está caindo na curva de crescimento. A mãe também notou que os seios não enchem mais como antes e não vazam. Todos esses fatos são normais, mas a mulher que não está ciente disso pode achar que há algo errado.

11) Outro mito moderno que muitas vezes ilude a mãe é que as crianças, à medida que o tempo passa, aprendem a dormir mais. Na realidade, elas passam mais tempo acordadas quando vão crescendo. É verdade que um dia vão dormir mais horas seguidas e, finalmente, a noite inteira, mas dificilmente isso acontece aos quatro meses de idade. Ao longo dos primeiros meses de vida, é mais provável que você observe seu bebê dormindo menos. Muitas crianças mamam várias vezes por noite ainda durante os primeiros anos (o que, para a mãe, é muito mais fácil do que preparar mamadeiras de madrugada). Dar LA não ajuda no sono e pode provocar desmame precoce. Estudo recente prova que não há diferenças no sono de bebês amamentados ou que tomam LA. Veja o texto Leite artificial ajuda no sono?? Estudo desmistifica essa noção comum!:

12) Tem mãe que nunca vê o próprio leite, ou seja, nunca consegue ordenhar uma gota com auxílio de bomba (manual ou elétrica) ou mesmo por ordenha manual, mas o bebê mama exclusivamente ao seio e se desenvolve muito bem. Portanto, a quantidade de leite extraída não é confiável para determinar o volume de leite produzidonão deve ser usada como medida de produção de leite suficiente.

13) Nas primeiras semanas, para saber se a produção materna de leite está adequada, pode-se contar quantas vezes por dia a criança urina: 5-6 fraldas molhadas indicam que ela está bem hidratada e a quantidade de leite é suficiente.

Casos reais de baixa produção de leite:
- Quando o bebê tem um repentino ganho de peso ou crescimento e o peito "ainda não teve tempo" de adequar a produção, ele pode pedir para mamar de hora em hora. Os picos/estirões de crescimento acontecem justamente por essa razão: aumentar a produção de leite materno. Esses fenômenos ocorrem por volta dos sete-dez dias, duas-três semanas, quatro-seis semanas, três meses, quatro meses, seis meses e nove meses, em média, e continuam ao longo do desenvolvimento da criança. A mãe deve respeitar os pedidos constantes para mamar e oferecer o peito, ou seja, amamentar em livre demanda, inclusive à noite. Só assim a sua produção se ajustará perfeitamente às necessidades do bebê, o que acontece em alguns dias. Oferecer leite artificial durante os picos de crescimento impede que o organismo da mãe se adapte à nova demanda, podendo iniciar um desmame precoce desnecessário, em alguns casos.


- Quando a mulher está cansada, exausta, beirando uma depressão pós-parto. Nesses casos, são necessários orientação real e efetiva e talvez aconselhamento médico. Apoio de uma rede de mulheres é muito importante. Procure grupos de apoio de amamentação em tua cidade ANTES mesmo do bebê nascer.

Onde achar grupos e bancos de leite (que dão orientação sobre amamentação):

- Quando a mulher começa a desacreditar de sua capacidade de nutrir o bebê. Ao oferecer leite artificial antes da mamada, o organismo entende que não precisa produzir a quantidade extra que a criança já tomou. Sem total confiança na capacidade de amamentar, a mulher coloca o bebê ao seio "já sabendo que não tem leite". Com a autoestima baixa é como se a mãe desistisse, "jogasse a toalha" e, então, pode ter a sensação de que o leite diminuiu.

O que fazer para aumentar a produção?
Quando a mulher passa a achar que produz menos pelos motivos acima citados ou quando o bebê repentinamente aumenta a demanda, pode-se tentar as seguintes medidas antes de recorrer ao leite artificial:

Físicas: descansar durante o dia, beber água sempre que sentir sede, deitar com a criança, amamentar pelo menos uma vez de madrugada (não precisa acordar o bebê, é só pegá-lo e colocá-lo ao seio mesmo dormindo), oferecer o peito mais vezes que o habitual durante o dia e amamentar sempre que a criança demonstrar interesse. Em casos em que a produção efetivamente parou porque a criança já está usando LA, mamadeiras e chupetas, pode-se tentar relactar, técnica muito simples. Ver aqui o texto O que é relactação e para que serve?
Emocionais: conscientize-se que, apesar do seu poder de gerar e nutrir, a mulher, quando tem um filho, fica pode ficar bastante fragilizada. Ela precisa receber muito apoio, boa orientação e amor, caso contrário, é possível que não consiga amamentar com sucesso. É importante cercar-se de pessoas que transmitam mensagens de otimismo, carinho, apoio, e não o contrário, de desestímulo. Parentes (quase sempre com boas intenções) chegam dizendo que amamentar dá muito trabalho, que o leite é fraco, que o bebê precisa de um complemento, etc. Esse tipo de "conselho" pode minar a autoestima da mãe. Não existe leite fraco. A natureza é sabia e poderosa. Nós, seres humanos, não estaríamos aqui se não fosse pelo leite materno. Ele chega sempre, e mais facilmente quando realmente o desejamos e temos orientação. A informação é muito importante, mas o apoio pode ser determinante. Uma criança não é responsabilidade só dos pais, é de todos. Ela é o nosso amanhã. Temos que respeitá-la e apoiar quem tem coragem de gerá-la. Apoio logístico consiste em ajuda efetiva para cuidar do bebê (pode vir do pai, da avó, da tia, de uma babá, de uma amiga, de qualquer um que o faça por amor e com muita atenção e cuidado). Apoio moral consiste no amor, no reconforto, na paciência, no incentivo, no respeito e nas boas vibrações das pessoas próximas. Amamentar é dar amor, mas, para fazê-lo, a mulher precisa recebê-lo!

Entretanto, a tendência parece ser chegar no consultório do pediatra com uma queixa sobre amamentação e sair com uma prescrição de leite artificial, pois é muito mais fácil fechar o diagnóstico de "pouco leite" como algo fixo, definitivo, imutável, do que trabalhar, orientar, aconselhar, visitar e acompanhar a mãe. Quanto mais desesperada estiver a mulher, mais ela terá a tendência de gerar o diagnóstico equivocado, e o pediatra então concluirá que ela não vai conseguir mesmo amamentar. Na maioria dos casos, dar de mamar é um ato de fé e persistência, mas é preciso ter apoio e orientação.

Definitivamente, Leite artificial não é a solução!


Hipogalactia ou agalactia verdadeira (ter pouco ou nenhum leite)

Por Luciana Freitas (Postado originalmente no GVA do Orkut)

Apesar das constantes queixas das mães a respeito da quantidade de leite que produzem, a hipogalactia e a agalactia (baixa ou nenhuma produção) são situações que afetam raras mulheres.

Os problemas que podem gerar essa verdadeiramente baixa ou nenhuma produção de leite são os seguintes:

1) Hipotiroidismo- O tratamento adequado resolve o problema.

2) Retenção de placenta - Com a expulsão da placenta, a produção se normaliza.

3) Agenesia do tecido mamário - Rara atrofia das mamas. Não impede a amamentação, mas a produção é baixa.

4) Cirurgia de redução mamária - Há mães que conseguem amamentar, outras não, outras conseguem com complementação. 

5) Síndrome de Sheehan - Necrose da hipófise. A mulher não produz leite.

6) Déficit congênito de prolactina - Ausência do hormônio produtor de leite. Doença raríssima.

7) Desnutrição grave - O estado de desnutrição pode levar à diminuição da produção de leite.


Fonte das informações: GONZÁLEZ, Carlos. Un regalo para toda la vida – Guía de la lactancia materna. Madrid: Temas de Hoy, 2006.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Problemas comuns na lactação e seu manejo

Neste tópico reproduzimos um artigo científico. Alguns medicamentos são citados, mas não recomendamos a automedicação. Leia, informe-se e procure seu médico.

Moderação do GVA



PROBLEMAS COMUNS NA LACTAÇÃO E SEU MANEJO

Elsa R. J. Giugliani

Doutora em Medicina pela Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto. Professora de Pediatria, Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria


RESUMO
OBJETIVO: Apresentar uma revisão atualizada sobre problemas comuns relacionados à lactação e seu manejo.
FONTE DOS DADOS:  Foi realizada extensa revisão bibliográfica sobre o tópico, sendo utilizadas publicações selecionadas a partir de pesquisa na base de dados MEDLINE e de organismos nacionais e internacionais. Foram utilizados também livros-texto e alguns artigos-chave selecionados a partir de citações em outros artigos.
SÍNTESE DOS DADOS:  Vários dos problemas comuns enfrentados durante a lactação – ingurgitamento mamário, traumas mamilares, bloqueio de ducto lactífero, infecções mamárias e baixa produção de leite – têm a sua origem em condições que levam a um esvaziamento mamário inadequado. Assim, má técnica de amamentação, mamadas infreqüentes e em horários predeterminados, uso de chupetas e de complementos alimentares constituem importantes fatores que podem predispor ao aparecimento de complicações da lactação. Nessas condições, o manejo adequado é imprescindível, pois, se não tratadas adequadamente, com freqüência levam ao desmame precoce. Para a abordagem dos fatores que dificultam o esvaziamento adequado das mamas, há medidas específicas. Além disso, o suporte emocional e medidas que visem dar maior conforto à lactante não podem ser negligenciadas.
CONCLUSÕES:  A maioria dos problemas comuns relacionados à lactação pode ser prevenida com esvaziamento adequado das mamas. Uma vez presentes, os problemas devem ser manejados adequadamente, evitando-se, assim, o desmame precoce decorrente de situações dolorosas e, por vezes, debilitantes para a nutriz.



A espécie humana é a única entre os mamíferos em que a amamentação e o desmame não são processos desencadeados unicamente pelo instinto. Por isso, eles devem ser aprendidos. Atualmente, sobretudo nas sociedades modernas, as mulheres têm poucas oportunidades de obter o aprendizado relacionado à amamentação, já que as fontes tradicionais de aprendizado – mulheres mais experientes da família – foram perdidas à medida que as famílias extensivas foram sendo substituídas pelas famílias nucleares. Como conseqüência, as mulheres tornam-se mães com pouca ou nenhuma habilidade em levar adiante a amamentação, o que as deixa mais vulneráveis a apresentarem dificuldades ao longo do processo. O profissional de saúde tem um papel importante na prevenção e manejo dessas dificuldades, o que requer conhecimentos, atitudes e habilidades específicos.

O presente artigo apresenta uma revisão sobre as principais dificuldades decorrentes da amamentação e seu manejo. Busca contribuir para o conhecimento dos aspectos técnicos e práticos necessários para que o profissional de saúde possa promover, proteger e apoiar o aleitamento materno. São abordados problemas mamários comuns relacionados com a lactação – ingurgitamento mamário, dor/trauma mamilar, infecção mamilar porStaphylococcus aureus, candidíase, fenômeno de Raynaud, bloqueio de ductos lactíferos, mastite, abscesso mamário e galactocele – além de produção insuficiente de leite ou hipogalactia.



INGURGITAMENTO MAMÁRIO  

No ingurgitamento mamário, há três componentes básicos: congestão/aumento da vascularização, acúmulo de leite e edema decorrente da congestão e obstrução da drenagem do sistema linfático. Já em 1951 foi publicada a seqüência de eventos implicados no ingurgitamento mamário: retenção de leite nos alvéolos -> distensão alveolar -> compressão dos ductos -> obstrução do fluxo do leite -> piora da distensão alveolar -> aumento da obstrução. Secundariamente, aparecerá edema devido à estase vascular e linfática. Não havendo alívio, a produção do leite é interrompida, com posterior reabsorção do leite represado(1). O aumento da pressão intraductal faz com que o leite acumulado sofra um processo de transformação em nível intermolecular, tornando-se mais viscoso. Daí a origem do termo "leite empedrado"(2).

É importante diferenciar o ingurgitamento fisiológico do patológico. O primeiro é discreto e representa um sinal positivo de que o leite está "descendo". Não requer intervenção. Já no ingurgitamento patológico, a distensão tecidual é excessiva, causando grande desconforto, às vezes acompanhado de febre e mal-estar. A mama encontra-se aumentada de tamanho, dolorosa, com áreas difusas avermelhadas, edemaciadas e brilhantes. Os mamilos ficam achatados, dificultando a pega do bebê, e o leite muitas vezes não flui com facilidade. Costuma ocorrer com mais freqüência em torno do terceiro ao quinto dia após o parto e geralmente está associado a um dos seguintes fatores: início tardio da amamentação, mamadas infreqüentes, restrição da duração e freqüência das mamadas, uso de suplementos e sucção ineficaz do bebê(3).

O ingurgitamento pode ficar restrito à aréola (areolar) ou ao corpo da mama (periférico) ou pode acometer ambos. Quando há ingurgitamento areolar, a criança pode ter dificuldade na pega, impedindo o esvaziamento adequado da mama, o que piora o ingurgitamento e a dor.

 PREVENÇÃO

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