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sexta-feira, 27 de junho de 2014

10 Maiores erros que as mães que querem amamentar cometem

Para algumas mulheres, parece que amamentar é simples, claro e óbvio. Mas para outras, cada dia de amamentação é uma vitória, cada gota de leite materno é uma batalha e o ato por si só é carregado de imagens de falhas, tristeza e toneladas de lágrimas e frustações.

A mãe Laila, que tem uma menina mais nova e um menino mais velho, disse que cometeu um erro tremendo com seu filho ao ordenhar LM e colocar numa mamadeira para seu marido oferecê-lo. Rapidamente ele preferiu as mamadeiras, e então ela teve que ordenhar por todo um ano para que ele tomasse LM, pois rejeitou o seio.

Há algumas poucas razões que impedem a mulher realmente de amamentar, mas a vasta maioria é capaz de fazê-lo sim com sucesso. O problema é que muitas pessoas não sabem muito do ato de amamentar, acham que é natural e acontecerá facilmente ou que alguém lhes ensinará no hospital. Até existem alguns profissionais da saúde que ajudam, mas os segredos e erros ninguém ensina, ao menos que você leia alguns livros sobre o tema.
Seguem então 10 maiores erros da amamentação:

1. Não pedir ajuda:  Amamentar é natural e é a maneira mais básica do seu bebê se alimentar, mas não é fácil para muitas mulheres. Consultoras de lactação existem por uma razão. Se você não pode pagar uma, então peça ajuda de amigas que já amamentaram. Elas podem dar dicas de como aumentar a produção de LM, como tratar seios doloridos, como se certificar de que o bebê está mamando suficiente, e todas outras dúvidas que você tem. Elas já passaram por isso também.
2. Assumir que você não tem leite suficiente  Seus seios foram feitos para amamentar seu bebê. Não fique paranóica e desista porque parece que seu bebê está com muita fome. Bebês tem fome, muita fome! Seu trabalho principal é mamar. E mamar. E mamar. 
3. Ter medo de amamentar em publico:  Não se preocupe com o povo que adora julgar e falar asneiras que não gosta de mães que amamentam em público. Se isso te incomoda mesmo, use um paninho para se cobrir. Mas não assuma que eles- e seu orgulho e julgamentos - estão certos.
Eles não estão. Você está. Tenha confiança nisso.

4. Achar que não pode amamentar porque trabalha fora:  Eu tive sorte de amamentar ambos meus filhos por 1 ano e 2 anos e meio quando estava em casa com eles, mas muitas mães que trabalham fora conseguem continuar amamentando, ordenhando LM com auxílio de bombas, estocando e o cuidador (a) oferecendo ao bebê Dá certo com muitas mulheres, e isto é feito em vários lugares do mundo. 
5. Desejo de ‘incluir’ o pai:  Certamente que você deve incluir o pai! Deixe-o segurar o bebê e trazê-lo para você amamentar. Mas somente a mãe pode fazer leite materno e LM é a melhor coisa para o bebê. Não caia na armadilha da mamadeira porque o pai quer ‘fazer parte de tudo’. Sua produção de LM vai diminuir e você pode ter não conseguir amamentar.

6. Não ensinar seu marido: Só porque o pai não pode amamentar, não significa que ele não pode ser parte. Meu marido anotava o tempo que nosso bebê mamava, dormia, o xixi e coco e isso nos ajudou nas consultas com o pediatra. E também me ajudou a lembrar qual peito que foi o último que o bebê mamou quando estava muito exausta e sonolenta.


7. Se deixar influenciar por ‘bullying’: Há muitas pessoas negativas em todo lugar. Vão te falar que seu bebê está muito velho para amamentar (com 7 meses!!), que seu bebê não está no percentile 99th então ela está passando fome, que amamentar é obceno e que seus peitos vão cair, etc, etc. Não ouça! Para que amamentação dê certo, você tem que amamentar e amamentar frequentemente, em livre demanda. Os outros vão dizer o que querem. Seu trabalho é ignorá-los.

8. Esquecer que é benéfico para você, também: Bebês não são os únicos que ganham com a amamentação, mães também podem emagrecer mais rapidamente e ganham alguma proteção contra câncer de mama, ovário, cervical e osteoporose mais tarde na vida. Todo mundo ganha!

9. Amamentar conforme o relógio: O relógio não lhe diz quando o bebê está satisfeito. Quem diz isso é o bebê! Eu cometi o erro de amamentar com hora marcada e isso resultou em produção insuficiente de leite com meu primeiro bebê. Isto me forçou tomar compostos, a acordar a noite para ordenhar LM e outras medidas para tentar consertar os problemas na produção de LM que eu mesma criei no começo. É fácil de evitar, simplesmente não olhe para o relógio.

10. Dar LA cedo demais: se você der LA muito cedo, sua produção de LM vai diminuir. Nas 6 primeiras semanas, tente não desistir de amamentar, é cedo demais. Após isso seu suprimento de leite estará melhor estabelecido e você poderá escolher o que fazer.

Quais foram seus maiores erros?
Por Sasha Brown-Worsham em 11 de julho de 2011
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Pessoal, este artigo foi traduzido diretamente do site acima, mas como esclarecimentos, o GVA não apoia que após as 6 semanas se ofereça LA e não assume que não haveria problema algum. Pelo contrário, sabemos que confusão de bicos podem acontecer a qualquer momento.

O GVA apoia a amamentação exclusiva por 6 meses que tem benefícios para mãe e para o bebê.
Efeito protetor da amamentação exclusiva por 6 meses- artigo na íntegra

Amamentação exclusiva reduz risco de obesidade

Amamentação exclusiva reduz risco de asma


Outro erro que aqui no GVA observamos muito é ter pediatras que não apoiam a amamentação orientando as mães. Claro, se o pediatra é do tipo que acha mais fácil dar mamadeira, que desmama deliberadamente e precocemente, a amamentação está fadada ao insucesso, mesmo que a mãe deseje amamentar.

Sem uma rede de apoio e um profissional da saúde que entenda de manejo de amamentação, a situação é muito difícil. Por isso orientamos que as mães pesquisem e entrevistem pediatras, peçam indicações de pediatras ‘amigos do peito’, perguntem quanto tempo os bebês que eles atendem amamentam em média, etc.


Tradução  e comentários finais de Andréia C. K. Mortensen

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Refluxo

Veja o texto novo sobre refluxo neste link:
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2016/11/refluxo-patologico-em-bebes-conceito_11.html

Passei por uma situação de estresse e meu leite acabou!

Por Luciana Freitas

Sempre ouvimos falar nisso, certo? Mas vamos refletir um pouco sobre essa situação?

Vamos imaginar a seguinte situação: estamos no tempo das cavernas; uma mãe está com seu bebê e, de repente, aparece um animal de 3 metros de altura e 2 toneladas; a mãe leva um susto enorme, estresse maior, impossível. O que você acha que aconteceu com ela? Acabou o leite? Então o filho dela vai morrer, né? Afinal, naquela época não havia fórmula...

Se fosse assim, não estaríamos aqui para contar essa história. Na verdade, sabe o que aconteceu? Com o estresse, ela teve uma descarga de adrenalina que fez com que a saída do leite parasse naquele momento, para que ela não estimulasse ainda mais o predador com o cheiro do seu leite, mas depois de algum tempo, cerca de uma hora, ela já tinha se tranquilizado, a adrenalina voltou aos seus níveis normais e o leite voltou a sair. Ela, então, continuou amamentando normalmente seu bebê, que se transformou num forte troglodita.

Moral da história: susto, estresse, nervoso, nada disso não afeta a produção de leite. Pode cortar a saída do leite momentaneamente, mas a produção, não. "Ah!!!!!" - você pode dizer: "Mas meu leite diminuiu mesmo!!" Claro, né? Nossa cabeça afeta toda a nossa vida, então se você acreditar nesse mito de que susto faz o leite secar, isso pode acabar acontecendo, pelo seu estado psicológico favorável a isso. Solução: não acredite no mito e confie que os milênios de vida humana na terra fizeram nosso corpo capaz de alimentar nossos bebês.

Você tem ou teve "sapinho"? - NOVOS DADOS

Tópico criado originalmente no Orkut, em 18/11/2008, pela Luciana Freitas
Fiz aqui uma compilação do post inicial do tópico e das respostas dadas por ela às dúvidas das mães. Deve ajudar muitas que têm "sapinho" e não conseguem melhorar com o tratamento "clássico" de anti-fúngico no seio e na boquinha do bebê.



Meninas,

Fala-se muito de sapinho (cândida, monilíase) no seio da mulher que amamenta. Quando a mama queima, dá fisgadas após as mamadas e os mamilos estão vermelhos e brilhantes, algumas vezes com fissuras, costuma diagnosticar-se o sapinho, que é uma infecção pelo fungo Candida albicans.

Eu mesma já cansei de levantar a possibilidade de sapinho aqui no GVA. Vi vários casos renitentes, que não se curavam ou que retornavam uns tempos depois.

Pois bem, acabo de receber novas informações que colocam tudo isso por terra! Faço parte de uma lista de discussão argentina sobre amamentação e estes dias o sapinho entrou em debate. Para minha surpresa, o que se discute é que raramente esses casos de dor na mama são infecção por Candida albicans! Na verdade, três integrantes de grupos de apoio à amamentação na Argentina e na Espanha mencionaram que em anos de funcionamento nunca tiveram um resultado de cultura positiva para Candida! O que costumam encontrar é infecção bacteriana, com destaque para o Estafilococo aureus. Recebi um texto sobre o assunto, mas está em espanhol. Vou traduzir assim que puder.
Depois disso, o que eu faria caso tivesse os sintomas supostamente de sapinho? Pediria ao médico uma cultura. Só ela pode detectar com precisão o causador do problema. Se ele insistisse em tratamento contra a Candida eu faria o exame sem o pedido. O plano de saúde não pagaria, mas sairia mais barato que 5 latas de Nan . Não esqueçam que essas infecções podem, infelizmente, arruinar com a amamentação!

Bjs
Luciana

Ai, gente, desculpa, mas tô muito enrolada mesmo! O resumo do artigo original, escrito em inglês, está aqui:
 A tradução ao espanhol está aqui:

Como disse no primeiro post, soube dessa discussão pela lista hispânica de amamentação. O que disseram por lá e eu confirmei pesquisando por conta própria é que o S. Aureus (e a Candida Albicans também) é da flora cutânea, mas que é altamente patogênico, cabe ao médico que faz o exame detectar se a quantidade encontrada é normal ou não.
O que se discute é exatamente essa suposta facilidade de se diagnosticar a Candida, pois com isso se dá por encerrado o assunto e muitas mães ficam meses lutando contra o inimigo errado, inclusive desmamando por causa disso. Por exemplo, os grupos de apoio à amamentação na Espanha sempre enviam material para cultura em casos de dor mamilar para um professor da Universidad Complutense especialista no assunto e o resultado até agora é ZERO Candida!

Eu também nunca tive infecção nos seios, mas depois de ter lido tudo isso, não me trataria sem uma cultura. Os dados são contundentes: em 4000 amostras, recolhidas em 8 anos, apenas 4 foram de fungos (nenhum deles de C. Albicans, que seria o sapinho). A infecção é por bactéria mesmo e precisa ser tratada com antibiótico.

O bom é recolher um pouco de leite e esfregar um swab no peito tb. Vc precisa explicar mesmo, porque as infecções mamárias são tão banalizadas como "sapinho" que isso não é feito nunca, mesmo em cidades grandes.

Com o resultado, o médico receitará o ATB certo e a melhora é rápida, em 2/3 dias vc já deve sentir uma melhora.
Essa bactéria, como as outras causadoras das mastites infecciosas, são da flora da nossa pele. Por alguma razão, uma delas se desenvolve além do normal e causa o problema.

Os dois artigos principais sobre o assunto agora estão online:
e

Não é indicada a suspensão da amamentação. Continue dando o peito.

Temos que colocar o "sapinho" assim, entre aspas. O sintoma de infecção é dor, acompanhada ou não de fissuras, vermelhidão, endurecimento, febre, pus etc.

O grande problema dessa infecção é exatamente isso: não tem os sintomas da mastite "clássica", com febre etc. No entanto, até aqui no Brasil já se falava dela há algum tempo, embora não com tanta pesquisa envolvida.

Uma das maiores especialistas em aleitamento, principal assessora do MS para a área fala de infecção por S. Aureus neste artigo:

Problemas comuns na lactação e seu manejo

Neste tópico reproduzimos um artigo científico. Alguns medicamentos são citados, mas não recomendamos a automedicação. Leia, informe-se e procure seu médico.

Moderação do GVA



PROBLEMAS COMUNS NA LACTAÇÃO E SEU MANEJO

Elsa R. J. Giugliani

Doutora em Medicina pela Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto. Professora de Pediatria, Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria


RESUMO
OBJETIVO: Apresentar uma revisão atualizada sobre problemas comuns relacionados à lactação e seu manejo.
FONTE DOS DADOS:  Foi realizada extensa revisão bibliográfica sobre o tópico, sendo utilizadas publicações selecionadas a partir de pesquisa na base de dados MEDLINE e de organismos nacionais e internacionais. Foram utilizados também livros-texto e alguns artigos-chave selecionados a partir de citações em outros artigos.
SÍNTESE DOS DADOS:  Vários dos problemas comuns enfrentados durante a lactação – ingurgitamento mamário, traumas mamilares, bloqueio de ducto lactífero, infecções mamárias e baixa produção de leite – têm a sua origem em condições que levam a um esvaziamento mamário inadequado. Assim, má técnica de amamentação, mamadas infreqüentes e em horários predeterminados, uso de chupetas e de complementos alimentares constituem importantes fatores que podem predispor ao aparecimento de complicações da lactação. Nessas condições, o manejo adequado é imprescindível, pois, se não tratadas adequadamente, com freqüência levam ao desmame precoce. Para a abordagem dos fatores que dificultam o esvaziamento adequado das mamas, há medidas específicas. Além disso, o suporte emocional e medidas que visem dar maior conforto à lactante não podem ser negligenciadas.
CONCLUSÕES:  A maioria dos problemas comuns relacionados à lactação pode ser prevenida com esvaziamento adequado das mamas. Uma vez presentes, os problemas devem ser manejados adequadamente, evitando-se, assim, o desmame precoce decorrente de situações dolorosas e, por vezes, debilitantes para a nutriz.



A espécie humana é a única entre os mamíferos em que a amamentação e o desmame não são processos desencadeados unicamente pelo instinto. Por isso, eles devem ser aprendidos. Atualmente, sobretudo nas sociedades modernas, as mulheres têm poucas oportunidades de obter o aprendizado relacionado à amamentação, já que as fontes tradicionais de aprendizado – mulheres mais experientes da família – foram perdidas à medida que as famílias extensivas foram sendo substituídas pelas famílias nucleares. Como conseqüência, as mulheres tornam-se mães com pouca ou nenhuma habilidade em levar adiante a amamentação, o que as deixa mais vulneráveis a apresentarem dificuldades ao longo do processo. O profissional de saúde tem um papel importante na prevenção e manejo dessas dificuldades, o que requer conhecimentos, atitudes e habilidades específicos.

O presente artigo apresenta uma revisão sobre as principais dificuldades decorrentes da amamentação e seu manejo. Busca contribuir para o conhecimento dos aspectos técnicos e práticos necessários para que o profissional de saúde possa promover, proteger e apoiar o aleitamento materno. São abordados problemas mamários comuns relacionados com a lactação – ingurgitamento mamário, dor/trauma mamilar, infecção mamilar porStaphylococcus aureus, candidíase, fenômeno de Raynaud, bloqueio de ductos lactíferos, mastite, abscesso mamário e galactocele – além de produção insuficiente de leite ou hipogalactia.



INGURGITAMENTO MAMÁRIO  

No ingurgitamento mamário, há três componentes básicos: congestão/aumento da vascularização, acúmulo de leite e edema decorrente da congestão e obstrução da drenagem do sistema linfático. Já em 1951 foi publicada a seqüência de eventos implicados no ingurgitamento mamário: retenção de leite nos alvéolos -> distensão alveolar -> compressão dos ductos -> obstrução do fluxo do leite -> piora da distensão alveolar -> aumento da obstrução. Secundariamente, aparecerá edema devido à estase vascular e linfática. Não havendo alívio, a produção do leite é interrompida, com posterior reabsorção do leite represado(1). O aumento da pressão intraductal faz com que o leite acumulado sofra um processo de transformação em nível intermolecular, tornando-se mais viscoso. Daí a origem do termo "leite empedrado"(2).

É importante diferenciar o ingurgitamento fisiológico do patológico. O primeiro é discreto e representa um sinal positivo de que o leite está "descendo". Não requer intervenção. Já no ingurgitamento patológico, a distensão tecidual é excessiva, causando grande desconforto, às vezes acompanhado de febre e mal-estar. A mama encontra-se aumentada de tamanho, dolorosa, com áreas difusas avermelhadas, edemaciadas e brilhantes. Os mamilos ficam achatados, dificultando a pega do bebê, e o leite muitas vezes não flui com facilidade. Costuma ocorrer com mais freqüência em torno do terceiro ao quinto dia após o parto e geralmente está associado a um dos seguintes fatores: início tardio da amamentação, mamadas infreqüentes, restrição da duração e freqüência das mamadas, uso de suplementos e sucção ineficaz do bebê(3).

O ingurgitamento pode ficar restrito à aréola (areolar) ou ao corpo da mama (periférico) ou pode acometer ambos. Quando há ingurgitamento areolar, a criança pode ter dificuldade na pega, impedindo o esvaziamento adequado da mama, o que piora o ingurgitamento e a dor.

 PREVENÇÃO

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Uso de mamadeira é prejudicial em qualquer idade?

Quando o bebê é novinho, muitos acham que uso de mamadeira é praticamente automático, é prático, rápido, e conveniente.

A pergunta que não quer calar é: Mamadeira deve ser usada ou não na alimentação complementar?
A resposta é não! Mesmo que seja imprescindível dar complementos aos bebês, não precisamos e não devemos dar em mamadeiras. Veja por quê:

Esther Mandelbaum Gonçalves Bianchini, Fonoaudióloga clínica, especialista em Motricidade Oral, mestre em Distúrbios da Comunicação, diz:
O problema é que a fase de necessidade de sucção do bebê passa, porém a chupeta e a mamadeira ficam. Muitas crianças não sugam a chupeta, permanecem com ela na boca, às vezes de boca aberta, com acúmulo de saliva, mordendo-a ou até colocando seu êmbolo embaixo dos lábios. A mamadeira freqüentemente tem o furo aumentado e é oferecida à criança deitada, o que gera excessivo fluxo de leite. A criança, para bloqueá-lo, realiza um movimento de língua inverso do que seria um padrão adequado de sucção.

Essas situações podem contribuir para o desequilíbrio muscular e funcional da face. A musculatura pode tornar-se flácida, a posição dos dentes anteriores pode modificar-se, o palato (céu da boca) pode ficar mais estreito e profundo aparecendo dificuldade em manter a boca fechada, mastigação desordenada e até um padrão de fala com a língua entre as arcadas dentárias distorcendo os sons. Pesquisas mostram que tais efeitos prejudiciais dependem da duração, freqüência e intensidade do hábito. Os efeitos dependem do tipo de face da criança, ou seja, da direção de crescimento craniofacial (geneticamente determinada). Alguns tipos de face, como as mais longas e estreitas são mais suscetíveis às interferências negativas destes hábitos.


Com a mamadeira, a criança atinge a plenitude alimentar, sem contudo atingir a plenitude da sucção, devido ao orifício do bico da mamadeira ser bem maior que o do seio.A mamadeira torna o mamar muito mais fácil, pois o exercício muscular dos músculos da face é mínimo. Daí, advém a necessidade da maioria das crianças, em aleitamento artificial,de chupar chupeta, dedo, paninho para satisfazer essa deficiência.

Com bebês prematuros (que alguns médicos indicam o uso de mamadeira até o bebê se adaptar aos copos de transição ou a sugar o peito),pode-se utilizar copinho mesmo. Para a mãe que pensa em amamentar no peito, recomenda-se a utilização de sonda , (http://www.aleitamento.com/a_artigos.asp?id=4&id_artigo=537&id_subcategoria=5), seringa, ou copinho mesmo, pois não causa "confusão de bicos" depois.

É assim que se faz em maternidades e hospitais com o selo Amigo da Criança (que incentivam o aleitamento materno).
Neste link um texto sobre a os cuidados que se deve ter ao utilizar o copinho e como saber se o bebê está satisfeito e bem alimentado. Se copinho é bom para o prematuro, não tem problema nenhum oferecê-lo a um bebê nascido a termo.


Muito se fala da possibilidade do uso de mamadeira causar confusão de bicos e desmame precoces. Mas e depois de 1 ano, há prejuízos no uso da mamadeira?

A resposta é sim! A fonoaudióloga Rosário Bezerra diz que oferecer mamadeira pra um bebê de mais de 01 ano está totalmente fora de lógica. E, antes de entender os prejuízos que a mamadeira pode trazer ainda nesta idade, primeiramente faz-se necessário restringir a participação negativa da sua família sobre a sua conduta com seu filho.
Uma criança de 01 ano está em pleno desenvolvimento. A musculatura da face cresce, desenvolve-se de acordo com as características genéticas programadas. No entanto, alguns hábitos deletérios podem interferir neste crescimento e determinar desarranjos dento-oclusais importantes. O uso de chupetas e mamadeiras no inicio da vida do bebê podem causar desmame precoce. Já o uso prolongado (em qualquer idade que seja introduzido) pode levar a deformações na cavidade oral e na face (estreitamento do palato, hipotonia de lingua e bochechas, apinhamento dentário, mudança no padrão respiratório). Uma vez que nos deparamos com essas alterações, temos que estar prepaparados para enfrentar desde possíveis correções ortodônticas, à alterações de fala e propensão à problemas de ordem alérgico-respiratória. Na clínica fonoaudiológica denominamos essas alterações de distúrbios oromiofuncionais.
Portanto, o mais acertado a fazer é evitar a introdução da mamadeira que a essa altura, não traria o mínimo de benefício.


Além disso, os hábitos de sucção do bebê pode afetar sua FALA!
O uso persistente de chupeta, mamadeira e sugar o dedo pode dificultar o desenvolvimento da fala infantil se o hábito persistir por muito tempo

Em um estudo feito na Patagonia (Chile), pesquisadores associaram a persistência desses hábitos de sucção com risco aumentado de distúrbios da fala em crianças de idade pré escolar. As crianças motraram maior tendência a dificuldades de pronúncia de certos sons e a simplificação de certas pronúncias.

Analisou-se um grupo de 128 crianças entre 3 e 5 anos de idade, onde os pesquisadores reuniram relatórios os pais de cada criança sobre hábitos de alimentação e sucção durante a infância e avaliaram a sua fala.

Os pesquisadores descobriram que atrasar a introdução de mamadeira até que a criança tivesse pelo menos 9 meses de idade reduziu o risco de desenvolver distúrbios da fala, enquanto que crianças que sugaram dedos ou usaram chupeta por mais de 3 anos tiveram três vezes mais riscos de desenvolver impedimentos da fala.

"Esses resultados sugerem que a sucção prolongada fora da amamentação pode ter efeitos nocivos no desenvolvimento da fala em crianças" de acordo com Barbosa.

Essa descoberta é particularmente relevante, considerando-se que o uso de mamadeiras e chupetas tem aumentado muito nas últimas décadas.
Entretanto, Barbosa tem o cuidado de comentar, "Embora os resultados desse estudo fornece evidências dos benefícios da maior duração de amamentação para as crianças, deve-se interpretar com cuidado pois esses dados são de observação."

Estudos anteriores de outros pesquisadores sugeriram que os hábitos de sucção de bebês e crianças até 5 anos podem influenciar a anatomia oral, maxilar e dental.

Pesquisas também sugerem que a amamentação pode ser benéfica para o desenvolvimento coordenado da respiração, para o mecanismo de engolir e a articulação da fala.

A equipe time foi conduzida por Clarita Barbosa da Corporacion de Rehabilitacion Club De Leones Cruz Del Sur, com colaboradores do Grupo Multidisciplinar International de Pesquisas (MIRT) da Universidade de Washington (UW), Programa de Saúde Pública, Departmento de Epidemiologia e o Departmento de Saúde Global.

Em adição a Barbosa, outros pesquisadores no estudo entitulado "The Relationship of Bottle Feeding and Other Sucking Behaviors with Speech Disorder in Patagonian Preschoolers" foram Sandra Vasquez e Juan Carlos Velez Gonzales da Corporacion de Rehabilitacion Club De Leones Cruz Del Sur, Chile e Mary A. Parada, Chanaye Jackson, N. David Yanez, Bizu Gelaye, e Annette L. Fitzpatrick, Professor associado pesquisador de epidemiologia, da Universidade de Washington, Escola de Saúde Púlbica, Seattle.

Publicado em 21 de outubro de 2009 no BMC Pediatrics, uma revista médica online de acesso aberto.

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