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domingo, 8 de fevereiro de 2015

Como estimular o bebê a aprender (ou reaprender) a mamar

Por Zioneth Garcia, Fernanda Rezende Silva, Marcos Mendes e Ana Beatriz Herreros

Existem várias situações nas quais um bebê pode precisar de ajuda para aprender (ou reaprender) a mamar no peito: logo que nasce, quando passa por períodos longos de internação sem a possibilidade de mamar e quando passa por confusão de bicos - para todas essas situações as técnicas descritas neste texto serão úteis.
É estranho pensar que um bebê que acabou de nascer possa precisar de ajuda para mamar, pois este ato deveria ser instintivo. Sim, mamar é instintivo, o bebê precisa mamar para sobreviver, mas mamar e estimular corretamente o seio é uma aprendizagem e esta pode levar mais tempo em alguns casos. Na prática isso não deveria ser um problema - é normal a dupla mãe/bebê demorar um pouco a se acertar - mas nós sabemos que existe uma expectativa muito grande para que este bebê ganhe peso logo, então, para tentar evitar a indicação precoce de LA, é uma boa ideia dar uma ajudinha para que o bebê fique logo craque na arte de mamar.
Algumas interferências sofridas no nascimento, que levam à separação do bebê de sua mãe, podem atrapalhar o instinto de sucção do recém nascido, por exemplo: prematuridade (mesmo tardia), hipoglicemia, desconforto respiratório, falta de preparo da equipe médica (que acaba separando mãe e filho sem necessidade). É importante ressaltar que mesmo em casos de cesárea, se o bebê se encontra saudável, o alojamento conjunto desde o momento do nascimento é um direito da dupla protegido por lei. O bebê pode e deve ser colocado no colo da mãe para ter seu primeiro contato físico e tentar mamar, ativando assim seus instintos de sucção inatos.
E porque falamos em reaprender a mamar? Porque as dificuldades enfrentadas desde o nascimento têm provocado desmames cada vez mais precoces, porém queremos que as mães saibam que é possível reverter o quadro na maioria das vezes. Muitos bebês passam por confusão de bicos o que os leva a desaprender a mamar no peito - eles se acostumam com o tipo de sucção da chupeta e/ou da mamadeira (e com o fluxo contínuo da mamadeira, que não é o mesmo do peito) e por isso têm dificuldade para mamar no seio - tentam fazer no peito o mesmo tipo de sucção da mamadeira/chupeta, mas a sucção/ordenha do peito é completamente diferente da sucção dos bicos artificiais (no peito o bebê ordenha o leite antes de mamar), por isso bebês em confusão de bicos estão desaprendendo a mamar: são incapazes de obter do seio da mãe o alimento e o conforto emocional que ele deve oferecer.
O que pode ser feito então quando um bebê precisa de ajuda para mamar? O primeiro passo é, sem dúvida eliminar os bicos artificiais. Não adianta nada tentar ensinar um bebê a mamar se ele continua usando chupeta e/ou mamadeira - isso só trará mais sofrimento para mãe e bebê. Se o bebê toma LA (leite artificial) este deve continuar a ser oferecido até sua mãe garantir a sucção eficiente do seio (que estimula a volta da produção de leite materno na quantidade que o bebê precisa), porém esse LA deve ser oferecido de outra forma (copinho, por exemplo).
O segundo passo é estimular o bebê a procurar o seio. A mãe pode ficar sem sutiã e sem blusa, deitada na cama, de forma confortável (por exemplo, apoiada em travesseiros) com o bebê deitado de bruços (só de fralda) sobre seu peito, perto do seu coração, acariciando-lhe as costas e conversando com ele, de forma que ele fique tranquilo, relaxado - assim ele terá estímulo para procurar o seio. Outra ideia é a mãe ficar sem blusa e sem sutiã e colocar o bebê só de fralda em um sling - ele ficará coladinho no corpo da mãe, sentindo seu cheiro - isso ajudará a estimular a vontade de mamar, e o livre acesso ao peito facilitará as tentativas do bebê. O contato pele a pele sempre acalma, fazendo disso uma rotina o bebê passará a associar o seio a essa sensação de calma e segurança.
Especialmente para casos de confusão de bicos, costuma funcionar: amamentar o bebê quando ele estiver sonolento, tomar banho de chuveiro com o bebê (e tentar amamentar o bebê no banho).
As dicas acima ajudam, mas sempre é melhor (e muito mais fácil) prevenir do que remediar: não tenha bicos artificiais em casa, não use nunca - esta atitude pode parecer difícil mas com certeza evitará problemas futuros.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Mamadeira contém “substância” que seca o leite materno

Por Fernanda Rezende Silva
Você leu o título deste texto e já está imaginando alguma substância parecida com BPA, que passaria da boca do bebê para o seio da mãe e faria o leite secar? Não é bem assim que acontece, mas você vai entender que o resultado é o mesmo: mamadeiras e chupetas fazem sim o leite secar.
Já ouviu falar sobre “confusão de bicos” – a grande causadora de desmames precoces? Resumindo: é quando o bebê aprende a sugar a mamadeira (ou outro bico plástico, por exemplo: a chupeta) e por isso desaprende a mamar no peito – se o bebê não suga o peito ou suga de foram incorreta a mãe deixa de produzir leite. Muita gente ainda duvida da confusão de bicos, principalmente porque conhece algum bebê que usou mamadeira e continuou mamando no peito.
Mas e se pensarmos nesta questão no sentido inverso: você conhece algum bebê que desmamou precocemente (antes de 2 anos), por iniciativa do bebê (não da mãe), mamava em livre demanda e não usava mamadeira ou similares? Eu conheço poucos – quase todos os casos que já vi até hoje foram de bebês que usavam mamadeira ou chupeta. Repense a pergunta acima com cuidado, sem tentar tirar a culpa da mamadeira/chupetaÉ comum ouvirmos respostas sem nenhum fundamento como essa: “usava mamadeira sim, mas não foi culpa da mamadeira”, como se fosse possível um bebê com menos de 1 ano simplesmente decidir, por si só, que não quer mais mamar.
Por que então muitas mães dizem “ele largou o peito porque quis”, e não associam o desmame à mamadeira? Porque quase sempre o processo não é imediato – o bebê passa alguns meses mamando peito e mamadeira, muda a forma de sucção (o que interfere na produção de leite da mãe) e depois disso acaba por desmamar.
Um exemplo que mostra claramente a confusão de bicos é o desmame da volta ao trabalho: a mãe precisa voltar a trabalhar e introduz a mamadeira – geralmente ela precisa forçar, insistir, já que o bebê só sabe sugar o peito. Depois de tanta insistência o bebê aprende a sugar a mamadeira e começa a desaprender a sucção do peito, num processo lento e gradual que pode levar meses até o bebê largar o peito totalmente: é por isso que vemos tantos casos de bebês desmamados entre 7 e 10 meses (é praticamente impossível um bebê dessa idade desmamar naturalmente, sem mamadeira ou chupeta).
Dicas para quem quer evitar o desmame da volta ao trabalho: é possível usar alternativas à mamadeira, por exemplo, copos de transição com bico rígido ou a colher-mamadeira (também chamada colher-dosadora – aquela que vendem para papinha mas que também serve para leite). Outra possibilidade (para bebês com mais de 6 meses) é o bebê comer alimentos sólidos e beber água enquanto estiver longe da mãe, desde que mame em livre demanda sempre que estiver com a mãe.
Não entendo as razões de alguns pediatras recomendarem a introdução da mamadeira aos 6 meses até para bebês que passam o dia todo com a mãe. O que mais se vê nesses casos, infelizmente, é o bebê desmamando aos poucos mesmo tendo a mãe em casa.
Algumas pessoas dizem absurdos como “Mamou 9 meses – está bom, né?”. Segundo a OMS, nenhum bebê deveria desmamar antes de 2 anos, pois além de ser alimento, o leite materno também contribui na formação do sistema imunológico.
Apesar de ser tão claro que mamadeira gera confusão de bicos e esta provoca desmames, ainda existem muitas mães que pensam: “Não vai acontecer comigo”. Eu achava que os grandes culpados desse pensamento fossem os pediatras desatualizados e as avós ou tias que insistem em dizer que mamadeira é bom, mas também tenho visto casos em que a mãe busca informação e infelizmente recebe informações erradas. Um exemplo disso é o livro “Encantadora de Bebês”. A autora coloca a amamentação como algo opcional, o que por si só é desmotivador, já que para amamentar uma mãe precisa de apoio – precisa que todos à sua volta entendam os benefícios da amamentação. Numa parte do livro a autora sugere que o bebê deve ser acostumado a uma mamadeira por dia para não passar fome quando a mãe se ausentar: aqui a autora errou feio ao incentivar a confusão de bicos e consequentemente o desmame precoce. Um bebê não passa fome se não usar mamadeira – existem muitas alternativas à mamadeira que não causam desmame, como as citadas acima.
A frase "Não dê mamadeira" não é sinônimo de "Não dê leite artificial" - alguns bebês realmente precisam de leite artificial, mas podem continuar também mamando no peito sem problemas se o complemento for oferecido em copo ou colher (veja alternativas à mamadeira aqui: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/03/alternativas-mamadeira.html).
Até mesmo quando a mãe precisa voltar a trabalhar é possível seguir amamentando sem usar mamadeira - veja aqui depoimentos inspiradores: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/08/semana-mundial-de-aleitamento-materno.html .
 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Uso de mamadeira é prejudicial em qualquer idade?

Quando o bebê é novinho, muitos acham que uso de mamadeira é praticamente automático, é prático, rápido, e conveniente.

A pergunta que não quer calar é: Mamadeira deve ser usada ou não na alimentação complementar?
A resposta é não! Mesmo que seja imprescindível dar complementos aos bebês, não precisamos e não devemos dar em mamadeiras. Veja por quê:

Esther Mandelbaum Gonçalves Bianchini, Fonoaudióloga clínica, especialista em Motricidade Oral, mestre em Distúrbios da Comunicação, diz:
O problema é que a fase de necessidade de sucção do bebê passa, porém a chupeta e a mamadeira ficam. Muitas crianças não sugam a chupeta, permanecem com ela na boca, às vezes de boca aberta, com acúmulo de saliva, mordendo-a ou até colocando seu êmbolo embaixo dos lábios. A mamadeira freqüentemente tem o furo aumentado e é oferecida à criança deitada, o que gera excessivo fluxo de leite. A criança, para bloqueá-lo, realiza um movimento de língua inverso do que seria um padrão adequado de sucção.

Essas situações podem contribuir para o desequilíbrio muscular e funcional da face. A musculatura pode tornar-se flácida, a posição dos dentes anteriores pode modificar-se, o palato (céu da boca) pode ficar mais estreito e profundo aparecendo dificuldade em manter a boca fechada, mastigação desordenada e até um padrão de fala com a língua entre as arcadas dentárias distorcendo os sons. Pesquisas mostram que tais efeitos prejudiciais dependem da duração, freqüência e intensidade do hábito. Os efeitos dependem do tipo de face da criança, ou seja, da direção de crescimento craniofacial (geneticamente determinada). Alguns tipos de face, como as mais longas e estreitas são mais suscetíveis às interferências negativas destes hábitos.


Com a mamadeira, a criança atinge a plenitude alimentar, sem contudo atingir a plenitude da sucção, devido ao orifício do bico da mamadeira ser bem maior que o do seio.A mamadeira torna o mamar muito mais fácil, pois o exercício muscular dos músculos da face é mínimo. Daí, advém a necessidade da maioria das crianças, em aleitamento artificial,de chupar chupeta, dedo, paninho para satisfazer essa deficiência.

Com bebês prematuros (que alguns médicos indicam o uso de mamadeira até o bebê se adaptar aos copos de transição ou a sugar o peito),pode-se utilizar copinho mesmo. Para a mãe que pensa em amamentar no peito, recomenda-se a utilização de sonda , (http://www.aleitamento.com/a_artigos.asp?id=4&id_artigo=537&id_subcategoria=5), seringa, ou copinho mesmo, pois não causa "confusão de bicos" depois.

É assim que se faz em maternidades e hospitais com o selo Amigo da Criança (que incentivam o aleitamento materno).
Neste link um texto sobre a os cuidados que se deve ter ao utilizar o copinho e como saber se o bebê está satisfeito e bem alimentado. Se copinho é bom para o prematuro, não tem problema nenhum oferecê-lo a um bebê nascido a termo.


Muito se fala da possibilidade do uso de mamadeira causar confusão de bicos e desmame precoces. Mas e depois de 1 ano, há prejuízos no uso da mamadeira?

A resposta é sim! A fonoaudióloga Rosário Bezerra diz que oferecer mamadeira pra um bebê de mais de 01 ano está totalmente fora de lógica. E, antes de entender os prejuízos que a mamadeira pode trazer ainda nesta idade, primeiramente faz-se necessário restringir a participação negativa da sua família sobre a sua conduta com seu filho.
Uma criança de 01 ano está em pleno desenvolvimento. A musculatura da face cresce, desenvolve-se de acordo com as características genéticas programadas. No entanto, alguns hábitos deletérios podem interferir neste crescimento e determinar desarranjos dento-oclusais importantes. O uso de chupetas e mamadeiras no inicio da vida do bebê podem causar desmame precoce. Já o uso prolongado (em qualquer idade que seja introduzido) pode levar a deformações na cavidade oral e na face (estreitamento do palato, hipotonia de lingua e bochechas, apinhamento dentário, mudança no padrão respiratório). Uma vez que nos deparamos com essas alterações, temos que estar prepaparados para enfrentar desde possíveis correções ortodônticas, à alterações de fala e propensão à problemas de ordem alérgico-respiratória. Na clínica fonoaudiológica denominamos essas alterações de distúrbios oromiofuncionais.
Portanto, o mais acertado a fazer é evitar a introdução da mamadeira que a essa altura, não traria o mínimo de benefício.


Além disso, os hábitos de sucção do bebê pode afetar sua FALA!
O uso persistente de chupeta, mamadeira e sugar o dedo pode dificultar o desenvolvimento da fala infantil se o hábito persistir por muito tempo

Em um estudo feito na Patagonia (Chile), pesquisadores associaram a persistência desses hábitos de sucção com risco aumentado de distúrbios da fala em crianças de idade pré escolar. As crianças motraram maior tendência a dificuldades de pronúncia de certos sons e a simplificação de certas pronúncias.

Analisou-se um grupo de 128 crianças entre 3 e 5 anos de idade, onde os pesquisadores reuniram relatórios os pais de cada criança sobre hábitos de alimentação e sucção durante a infância e avaliaram a sua fala.

Os pesquisadores descobriram que atrasar a introdução de mamadeira até que a criança tivesse pelo menos 9 meses de idade reduziu o risco de desenvolver distúrbios da fala, enquanto que crianças que sugaram dedos ou usaram chupeta por mais de 3 anos tiveram três vezes mais riscos de desenvolver impedimentos da fala.

"Esses resultados sugerem que a sucção prolongada fora da amamentação pode ter efeitos nocivos no desenvolvimento da fala em crianças" de acordo com Barbosa.

Essa descoberta é particularmente relevante, considerando-se que o uso de mamadeiras e chupetas tem aumentado muito nas últimas décadas.
Entretanto, Barbosa tem o cuidado de comentar, "Embora os resultados desse estudo fornece evidências dos benefícios da maior duração de amamentação para as crianças, deve-se interpretar com cuidado pois esses dados são de observação."

Estudos anteriores de outros pesquisadores sugeriram que os hábitos de sucção de bebês e crianças até 5 anos podem influenciar a anatomia oral, maxilar e dental.

Pesquisas também sugerem que a amamentação pode ser benéfica para o desenvolvimento coordenado da respiração, para o mecanismo de engolir e a articulação da fala.

A equipe time foi conduzida por Clarita Barbosa da Corporacion de Rehabilitacion Club De Leones Cruz Del Sur, com colaboradores do Grupo Multidisciplinar International de Pesquisas (MIRT) da Universidade de Washington (UW), Programa de Saúde Pública, Departmento de Epidemiologia e o Departmento de Saúde Global.

Em adição a Barbosa, outros pesquisadores no estudo entitulado "The Relationship of Bottle Feeding and Other Sucking Behaviors with Speech Disorder in Patagonian Preschoolers" foram Sandra Vasquez e Juan Carlos Velez Gonzales da Corporacion de Rehabilitacion Club De Leones Cruz Del Sur, Chile e Mary A. Parada, Chanaye Jackson, N. David Yanez, Bizu Gelaye, e Annette L. Fitzpatrick, Professor associado pesquisador de epidemiologia, da Universidade de Washington, Escola de Saúde Púlbica, Seattle.

Publicado em 21 de outubro de 2009 no BMC Pediatrics, uma revista médica online de acesso aberto.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Sobre um dos meus erros e seus reflexos - A Chupeta!


Esse texto é um relato de um ponto de vista peculiar, cercado de auto crítica e sensibilidade no que diz respeito aos sentimentos do filho, e extremamente tocante....! 

A linha tênue entre os conceitos de culpa e responsabilidade, quando um sobrepõe ao outro nesse caminho da maternidade ativa e o quanto isso nos liberta e nos permite crescer

Se você mãe, está cogitando oferecer uma chupeta ao seu filho, ou já a utiliza, leia esse relato com a mente e o coração abertos, porque empatia pelo filho é um processo interno e as vezes difícil, mas muito necessário para construir uma relação de confiança mútua nessa dupla mãe bebê


"visando curar minha ausência de voz... visando passar para os 5 anos sem essa... buscando essa cura enfim... "


Por Fabíola Souto, Mãe do Davi, advogada por profissão, doula e voluntária de coração


"Eu não canso de dizer que a maternidade para mim foi minha maior yoga – meu caminho de auto descobrimento, de encarar sombras e clareá-las na medida do possível, de descobrir o que me serve ou não nesse mundo para o meu mundo.

E maternidade vem acompanhada de uma praga – a mãe vai morder a língua ou se afogar com ela em vários momentos.

E o pior, por mais que você saiba que suas escolhas refletem no resto do mundo, com seu filho isso é escancarado e exposto na sua cara o tempo todo!

Eu não acreditava tanto no poder da amamentação antes de meu filho nascer, mas queria amamentar o que desse, até porque eu pensava em voltar ao trabalho, se possível na primeira semana. Mas eu estava me preparando para amamentar, não tinha comprado chupetas nem mamadeiras e negava qualquer indicação sobre estas.

Mas aí, eu recebi uma falsa indicação de cesariana e aceitei. Por que eu conto isso?

Porque eu acho que foi nesse momento que eu perdi o poder sobre o processo que fez com que eu fraquejasse em algumas decisões. Em alguns momentos eu realmente tive esse pensamento consciente: agora já deu merda mesmo! Foi assim com o plano de parto, com o leite artificial na maternidade e com outras coisas mais.

Mas a chupeta foi mais inconsciente, embora hoje eu veja ligação sim. Eu estava cansada, com o peito rachado, sentindo-me incapaz, fraca, cortada, violentada. Meu filho, como todo bebê recém-nascido demandava meu peito, demandava seu alimento, seu calor, seu contato e alguns momentos 24 horas por dia.

E as pessoas mais amadas por mim levavam chupetas diversas para que ele aceitasse mais fácil. E eu me rendi mais uma vez à indicação de algo que nos traria diversos problemas.

Primeiro e mais rápido – a pega que já estava melhorando, voltou a piorar e o peito a rachar.  Meu filho que já não ganhava peso bem continuou em um ritmo muito lento. Não introduzi leite artificial porque ele era APLV e resolvi insistir na AME.

Mas, eu agora tinha pena de tirar a chupeta, medo dele sentir sua falta, porque com 4 meses eu realmente precisei voltar ao trabalho e pensei que ela serviria de consolo.

Meu filho, mesmo com a chupeta, nunca aceitou trocar o peito por ela, principalmente a noite. Ele mamou a noite até 2 anos. Por sorte ele não desmamou precocemente, porque mamou até 2 anos, 11 meses e 3 semanas, sendo que seu desmame foi espontâneo.

"Mas disso, desse desmame espontâneo, hoje eu tenho dúvidas... Ele desmamou, mas usou chupeta até 4 anos e 8 meses..."

Em diversas fases nesse período eu tentei tirar a chupeta – com 2 anos reduzimos e limitamos para a hora de dormir e ele passou a roer unhas. Uma vez tentamos tirar de vez e ele voltou a roer unhas e a chorar desmedidamente.

Eu mostrei fotos de dentes e arcadas dentárias afetadas pelo uso da chupeta e ele ficou horrorizado, teve pesadelos, mas não largou o “bá” (nome carinhoso do pedaço de plástico que já é conhecido da minha família há gerações).

Tive épocas de chamar a chupeta de nojenta, feia, fedida até um dia que uma colega me disse que usou chupeta até a adolescência escondida e sentia-a suja, criminosa, indigna por conta das coisas que ouvia dos pais e tios que sabiam de seu hábito. Parei de me referir assim ao objeto tão amado pelo meu filho.

É amado sim. E fui eu que incentivei esse relacionamento de amor. Fui eu que impus. Foi a chupeta que eu ofereci quando ele queria se comunicar comigo, através do choro e do contato físico. E por isso eu tinha tanta raiva e nojo dela.

Davi pediu para parar de usar a chupeta sozinho, chorando, implorando ajuda. Eu disse que sim. Ele pediu que eu o abraçasse e que eu colocasse um prazo e um prêmio no final e eu fiz.

Ele nunca mais chorou, mas ele agora sabe falar o que sente e o que pensa. Ele disse estar sofrendo, estar com saudades, estar se sentido sozinho. Ele disse ter pena do bá, que foi seu amigo por tanto tempo, e agora estava no lixo (local que ele pediu para eu colocar para não ser tentado a pedir).

Ele passou a chupar mangas das roupas, golas, pontas de travesseiros e tudo mais que ele encontrasse pela frente depois que parou de usar a chupeta. Esse hábito vem diminuindo aos poucos, mas ainda persiste e tentamos não reprimir, mas desviar a atenção para alguma coisa.

Ele foi à dentista essa semana e ela perguntou sobre o uso de chupetas e mamadeiras. Ele contou que não usa mais, mas depois, no caminho para casa, disse que ainda sentia muita falta de chupar, mas que não queria fazer 5 anos usando bá, que nenhum dos amigos usa mais e ele então precisou jogar fora. Mas os olhos dele brilham de vontade de chorar, ainda...

 Por que eu estou relatando isso aqui?

Porque sim, pode ser que seu filho use chupeta e mamadeira e lá, no fim das contas, a amamentação dure mais tempo, mas vocês não sairão ilesos dessa escolha (errada!).

A amamentação será sim prejudicada.
A dentição e a respiração de seu filho será sim prejudicada.
Além do desmame você terá que participar da “deschupetação” (se tiver palavra melhor, substitui aí – eu só achei esta).
Que se houver benefícios como acalmar um bebê por alguns instantes a mais, esses não serão maiores do que os prejuízos para o seu filho.
Que a escolha não foi do seu filho, que só queria seu peito e seu calor. A escolha foi sua. A responsabilidade é sua.
Você é a mãe dele e só você pode escolher isso em algum momento.

E eu não estou falando de culpa. Eu quero dizer que me sinto responsável por todo esse processo e que se eu pudesse voltar no tempo eu não deixaria meu filho descobrir o que é uma chupeta. Que foi essa mesma responsabilidade que me fez perceber que não era justo antecipar a “deschupetação” nem fazer de forma violenta, drástica, em troca de presentes do Papai Noel ou qualquer outra coisa chantagem (rolou um presente, mas ele pediu).


É essa responsabilidade que me move hoje a respeitar os limites e as necessidades do meu filho. Ele não tinha necessidade de chupeta. Ele tinha necessidade de se comunicar comigo, sua mãe. Hoje, estou tentando suprir essa necessidade de outras formas, mas posso dizer, que as nossas marcas ainda estão expostas, as vezes doem, as vezes tornam a comunicação mais difícil, as vezes nos obrigam a voltar ao princípio, só que hoje eu não tenho mais o peito para oferecer... 

E era tão simples e fácil quando só o peito resolvia tudo..."



Leituras recomendadas:
http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2012/09/chupeta-o-que-toda-mae-e-pai-deveria.html

https://www.facebook.com/pages/VIVAVITA-Odontologia-e-Sa%C3%BAde/154050994702678?fref=ts
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