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sábado, 29 de outubro de 2016

Textos da campanha #mandoudesmamar

Você já escutou esse tipo de coisa? Estão te pressionando a desmamar?
Publique no seu Facebook um relato em modo público com a hashtag #mandoudesmamar.
O GVA está fazendo uma campanha para que as mães contem suas experiências: precisamos falar sobre isso!
Todos os dias ouvimos relatos de mães que receberam a sentença: tem que desmamar. Quem decidiu? Profissionais da área da saúde (médicos, enfermeiros, dentistas, ...), a escola, a babá, a avó, vizinhos... sob as mais diversas alegações e motivos, entre os mais comuns: porque a criança não se alimenta conforme as expectativas dos adultos; porque a criança chora quando a mãe se afasta; porque a criança acorda de madrugada; porque a criança tem cárie ou para evitar que tenha; porque a criança "está muito grande" pra mamar; porque a mãe está muito magra; porque a mãe quer emagrecer; porque a mãe precisa fazer tratamento médico ou odontológico.
Salvo raros casos de doenças graves que não possuem tratamento compatível, essas indicações não tem fundamento, seja quando o bebê tem 3-6-9 meses, sejam com 1-2-n anos.
Só cabe à mãe e à criança decidirem a hora do desmame.

Os links abaixo explicam porque a maioria dos motivos usados para indicações de desmame são infundados:

1) Só a mãe e a criança podem decidir a hora do desmame: 

http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/08/para-quem-escolheu-amamentar-liberdade.html

2) Existem muitos medicamentos (e também anestesias, para o caso de cirurgia ou tratamento dentário) que são compatíveis com a amamentação (ou possuem substituto compatível). A maioria das mães não precisa desmamar para fazer tratamentos: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/06/estou-amamentando-posso-tomar.html

3) Leite materno nunca vira água:
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/07/como-o-leite-materno-vira-agua-e-vaca.html

4) A indicação da OMS de amamentar por 2 anos ou mais não serve só para famílias pobres:
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/08/amamentar-nao-e-bom-apenas-por-3-6-ou.html

5) Leite materno não causa cáries:
https://www.facebook.com/gvamamentacao/photos/a.758574380861595.1073741838.166584723393900/774642772588089/?type=1&theater

6) Amamentação não torna a criança dependente nem insegura:
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/08/amamentar-nao-torna-crianca-insegura.html

7) Volta ao trabalho não é motivo para desmame:
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/11/volta-ao-trabalho-e-ausencia-ocacional.html

8) Nova gravidez não é motivo para desmame:
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/07/amamentacao-durante-gravidez.html

9) Amamentar em tandem é possível e é benéfico:
https://www.facebook.com/gvamamentacao/photos/a.758574380861595.1073741838.166584723393900/769839976401702/?type=1&theater

10) Amamentação continuada não é carência materna:
https://www.facebook.com/gvamamentacao/photos/a.758574380861595.1073741838.166584723393900/778931888825844/?type=1&theater

11) A manutenção da amamentação é indicada para bebês com alergia alimentar:
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2016/10/carta-de-uma-mae-aplv-um-pediatra.html

12) Bebê desmamado não dorme melhor. Diferenças no sono do bebê que mama ou toma Leite artificial:
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/03/diferencas-do-sono-do-bebe-que-e.html

13) Amamentação Continuada: Os benefícios da amamentação para lactentes e crianças pequenas nutricional, imunológica e psicologicamente:
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/07/amamentacao-continuada-os-beneficios-da.html

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Carta de uma mãe APLV a um pediatra

Por Luciana Freitas

Prezado Doutor,

Sou profunda admiradora do seu trabalho, da sua história em defesa da amamentação, dos seus textos. Sou sua fã. De verdade.

No entanto, não posso esconder a profunda tristeza que sinto ao ler o que você já disse, mais de uma vez, sobre ter recomendado desmame de bebês com alergia às proteínas do leite de vaca (APLV). Me dá uma tristeza, um desânimo... Só eu sei... Eu vou te pedir uma coisa, doutor: repense. Eu sei o tamanho do meu atrevimento ao dizer isso. Já não sou profissional de saúde, sou uma mãe. Uma mãe APLV, ou melhor, ex-APLV, pois meu filho está curado há mais de um ano. Não pense que não me coloco no seu lugar, porque me coloco. Eu sou pesquisadora, embora não tenha, na minha área, o peso que você tem na pediatria. O que ocorreria se um leigo viesse me pedir para repensar algo sobre a minha especialidade? Não sei. Talvez não gostasse. Talvez repensasse. Realmente não sei.

Se o estímulo ao desmame é enorme entre crianças saudáveis, é maior ainda entre crianças APLV. Imagino que muitas tenham passado pelo seu consultório, não tenho ideia de quantas. Sei que sua experiência é enorme, mas eu gostaria de falar um pouco da minha e peço, por favor, que leia o longo texto que escreverei.

Eu tenho contato com centenas de mães com filhos APLV. Sim, centenas. Temos, há alguns anos, um grupo virtual de apoio às mães. Para ser mais exata, hoje somos 1691* mães. Muitas delas nunca nos relataram suas experiências, é verdade. Mas muitas outras, pelo menos a metade, participa ativamente do nosso grupo. Temos de tudo: mães ricas e mães pobres; mães muito bem informadas e mães pouco informadas; mães que querem amamentar e mães que não querem amamentar; mães que pagam 800 reais por uma consulta médica e mães que mal podem pagar o ônibus até o posto de saúde. Nosso objetivo? Apoio mútuo e informação.

Aprendi algumas coisas ao longo desse tempo. Muitas delas, aprendi estudando. Como tenho acesso a todos os periódicos pela minha universidade, eu leio bastante sobre APLV (e sobre amamentação também). No entanto, aprendi muito mais com as outras mães. Muito mais mesmo!

Não preciso dizer o que aprendi estudando, porque isso você já sabe. Prefiro contar o que eu aprendi com as mães, que passo a relatar abaixo:

1) Por melhor que seja o pediatra, APLV requer acompanhamento de um bom especialista. Na maioria dos casos, a melhor opção é um gastro. O problema é, infelizmente, encontrar um que entenda bem do assunto e, mais ainda, que apóie a manutenção da amamentação, se esse for o desejo da mãe. Eu, sinceramente, depois de tudo o que já vi e ouvi, só entregaria meu filho APLV aos cuidados de três médicos: César Junqueira e Sheila Pércope, ambos da UFRJ, e uma jovem médica pediatra de São Paulo, Barbara Seabra, mãe APLV, que humildemente foi buscar informação e apoio no nosso grupo quando se viu com seu próprio bebê alérgico a leite; Hoje ela entende muito do assunto, embora não seja gastro. Deve haver mais médicos que entendam da APLV e que apoiem a amamentação. Eu desejo demais que haja, mas eu não conheço. Sei de mães que cruzaram o país e uma que cruzou o Atlântico para vir se consultar com esses médicos.

2) Por melhor que seja o gastro, mesmo os que eu citei e que são da minha maior confiança, quem entende de dieta é a mãe. Deixando de lado casos de erros absurdos, como médico que manda a mãe tomar leite sem lactose ou leite de cabra (que acontecem muito mais do que deveria, veja este artigo:  http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-05822007000200002&lng=en&nrm=iss), o fato é que profissionais de saúde não têm como saber, excetuando-se o óbvio, o que tem e o que não tem leite, soja ou qualquer outro ingrediente. Nem eu sei mais. Meu filho está curado há mais de um ano e eu já estou desatualizada quanto a isso, porque não leio mais rótulos, não ligo mais para SACs. Já vi um caso gravíssimo de alergia, criança tratada em um dos mais importantes hospitais de São Paulo e sabe o que aconteceu? A nutricionista, com aval do pediatra, mandou colocar uma determinada marca de maltodextrina, que tem traços de leite, na fórmula de aminoácidos! A mãe confiou, não leu o rótulo e o resultado foi lamentável. Teria muitos exemplos semelhantes para dar.

3) Conheço dezenas de mães que, como eu, fizeram meses ou anos de dieta rigorosíssima. Eu fiz 15 meses de carne e 23 meses de leite (incluindo traços), cítricos e oleaginosas. Conheço várias que fizeram leite, soja e carne; outras que fizeram dietas ainda mais rigorosas, pois precisaram excluir ovo, glúten, frutas. Conheci até mesmo uma que passou meses com arroz e fórmula de aminoácidos. Sim, ela preferiu tomar a fórmula especial para poder amamentar seu filho! Eu acho que não aguentaria, mas ela aguentou. Cada um sabe seu limite, não é? Eu fiz a dieta sem dificuldade. Nunca sofri. As pessoas sofriam por mim, eu não sofria. Sei que há mães que sofrem, umas mais, outras menos. No entanto, ninguém pode decidir pela mãe se o sofrimento dela vai ser grande ou pequeno, se ela vai fazer a dieta direito ou não, se ela vai ou não vai aguentar. Isso só ELA pode saber. Eu ouvi de uma nutricionista que eu não iria aguentar e que meu leite não seria suficiente. Eu ri. Ainda bem. Porque eu poderia ter acreditado nela, mas mas eu preferi acreditar em mim! Minha vontade, quando meu filho fez dois anos sem nenhum tipo de leite exceto o meu, um touro com quase 15kg e 95 cm, embora ainda APLV, era voltar lá, para mostrar a ela a nossa “desnutrição”. Essas dezenas de mães, doutor, estão todas saudáveis. Nenhuma ficou desnutrida. Nenhuma. Nem aquelas que tinham dietas extremamente restritas. Eu me alimentava perfeitamente: no café da manhã e no lanche, pães caseiros, azeite, uma marca permitida de margarina, sucos, bolos caseiros sem leite, até pão de queijo sem queijo existe! No almoço e no jantar, arroz, feijão, aves (frango, pato, peru, avestruz), rã, coelho, ovos, todos os legumes e verduras. Isso desnutre alguém? Pois eu sequer perdi peso, e olha que ia ficar bem feliz se acontecesse! Meus exames foram excelentes durante todo o período, até melhores do que são agora, com colesterol e triglicéridos mais baixos. Algumas mães suplementam ferro e cálcio, mas eu confesso que não tive paciência para isso. E não tem tantos vegetarianos e veganos hoje em dia? Eles ficam desnutridos?

4) A dieta não é de simples manejo, mas também não é um bicho-de-sete-cabeças quando a mãe se sente apoiada e informada. Temos centenas de receitas no nosso grupo. De tudo o que você puder imaginar: bolos, brigadeiros, salgadinhos, tudo mesmo! Muitos deles sem leite, soja, ovo, carne e glúten. Eu sou um zero à esquerda na cozinha, mas botei a mão na massa, literalmente. Eu sou impaciente, mas aprendi a passar horas para fazer compras no supermercado, para ler todos os rótulos minúsculos e infames.

5) Meu filho tinha sangue nas fezes. Sangue MESMO, fralda cheia, visível. Nada de raios, não. Outra criança teve 10 meses de sangue oculto positivo. Outras mais tempo que isso. Casos graves, mas que foram acompanhados por médicos que acreditam que o poder de cura do leite materno é superior a qualquer deslize na dieta. E, obviamente, mães que desejavam amamentar e persistiam. Com dieta, com perseverança, essas crianças  foram amamentadas por logo tempo e muitas delas já se curaram. Inclusive o meu. Inclusive a que teve 10 meses de sangue oculto positivo. Inclusive muitas outras que tinham alergias gravíssimas e cujas mães fizeram dietas rigorosíssimas.

6) Bebê APLV, amamentado. Criança com reação, médico “manda” suspender aleitamento e dar extensamente hidrolisado (que sempre deve ser a 1ª opção, segundo o Consenso Brasileiro de Alergia Alimentar, documento que deveria ser lido por todos os que tratam de crianças alérgicas) ou fórmula de aminoácidos. A mãe desmama uma criança doente; ela sofre, a criança, mais ainda. A criança faz 6 meses, começa a introdução dos sólidos, mas seu organismo não mais conhece proteínas inteiras e o resultado, ao receber o sólido, podemos imaginar qual é... De fato, não é uma nenhuma evidência, mas o que observamos é isso: a criança APLV amamentada pode até demorar mais tempo a ficar assintomática, mas a médio e a longo prazo, tudo é melhor, inclusive a tolerância aos sólidos. Continuando a historinha: a criança faz 8 meses e começa a engatinhar... Um espetáculo de traços de todos os alimentos no chão. A criança coloca a mão na boca... Imagine o chão de uma festa infantil... Ah, antes mesmo de aprender a engatinhar, ainda tem a tia com aquela boca que acabou de comer pão com manteiga direto na bochecha do bebê... O pai que bebeu leite... O irmão, o vizinho... Onde há mais “contaminação” pelo alérgeno? No leite da mãe ou em tudo isso que eu disse? Olha, o que eu conheço de criança APLV desmamada e cheia de reações mesmo em exclusividade de fórmula de aminoácidos... Desmamou, privou a criança do LM e de tudo o que envolve a amamentação, mas livrou a criança dos alérgenos? E nem falei de creche e escolinha. Você acha que vão separar utensílios como fazemos em casa? Que vão impedir que uma criança roube um biscoito da outra?

7) Em teoria, a criança com APLV desmamada tem fórmula fornecida pelo poder público. Tudo parece lindo e maravilhoso. Até o dia que o leite atrasa. O leite acaba. O leite, mesmo com liminar, não sai. Não conheço uma mãe cujo filho dependa de fórmulas especiais que nunca tenha passado por isso. Aí, aquele desespero, claro. Junta daqui, pede dali, compra no mercado negro, é enganada por golpistas... Conheço lugares em que as crianças passaram meses sem receber as fórmulas.

8) Já vi criança APLV com os mais variados sintomas, respiratórios, dermatológicos, já vi casos graves de refluxo, otite crônica, esofagite eosinofílica, proctite, enterocolite, hiperplasia nodular linfóide... Algumas já desmamadas quando se juntaram a nós, outras que desmamaram depois, mas muitas que mantiveram a amamentação, felizmente. Desmamou porque a mãe não aguentou a dieta? Perfeito, cada um tem seu limite e ele deve ser respeitado. Mas desmamar porque “fórmula de aminoácidos é a solução” e o “leite materno está fazendo mal ao bebê”, isso eu não aceito e não tem respaldo em evidências científicas... A mãe que quer amamentar costuma lutar por isso, mas ouvir de um médico que é preciso desmamar consegue destruir a segurança de muitas delas. Se o médico já na consulta do diagnóstico diz: “se não melhorar com a dieta vamos entrar com fórmulas especiais” ou “se você não aguentar a dieta”, pronto! Lá se foi a determinação de muitas mães! Eu, com meu filho sangrando bastante por 3 meses nunca ouvi nada disso. Se ouvisse, não me abalaria, porque eu estava determinada. Mas muitas mães ouvem e ficam arrasadas, fracassadas e aí tudo fracassa mesmo.

9) Os casos que você cita que recomendou o desmame eu, obviamente, não conheço. Não estou de forma alguma afirmando que foi um erro e não estou te criticando, mas preciso dizer que nunca vi caso que não melhorasse com ajuste na dieta e apoio e informação à mãe. Eu não chegaria aonde cheguei sem o apoio das minhas queridas companheiras, muitas delas amigas de verdade hoje em dia. Onde eu aprenderia que existe pão de queijo sem queijo? Como eu imaginaria que tem que separar a esponja? Como eu aventaria a hipótese de que há produtos de higiene infantis com proteínas do leite? Xampu, lenços umedecidos, sabonete, creme... Isso tudo e muitos, muitos outros detalhes.

10) Eu poderia escrever não apenas uma mensagem longuíssima como esta, mas talvez um livro com tantas histórias sobre APLV, mas não dá. Deixo, então, uma foto de mães e seus bebês APLVs amamentados. Todos mamaram por mais de um ano, exceto dois que ainda têm menos de 3 meses. Quase todas amamentaram por mais de 2 anos. Uma delas faz dieta de leite, soja e glúten há mais de 2 anos, pois suas gêmeas têm APLV. Eu também estou na montagem, no aniversário de 2 anos do meu filho, eu completando 22 meses sem leite. Ambos em dieta e felizes.



Com carinho e admiração,

Luciana Freitas



*Atualização: em 28/10/2016 o grupo atingiu 15.250 participantes. 

Carta publicada originalmente dia 12/06/2011 em https://www.facebook.com/notes/meu-filho-%C3%A9-al%C3%A9rgico-a-leite/carta-de-uma-m%C3%A3e-aplv-a-um-pediatra/130125460401323

Amamentar um bebê com alergia alimentar não é contra-indicado. Amamentar é... O caminho para a cura!


O leite materno é sempre o melhor alimento. Nos casos que se apresenta qualquer alergia alimentar a primeira conduta deve ser a restrição alimentar da mãe e a procura do profissional idôneo para avaliar o problema (gastropediatra ou alergista). 

O diagnóstico de APLV (Alergia às proteínas do leite de vaca) ou qualquer outra alergia alimentar em bebês depende basicamente do teste clínico, a observação da reação e melhora com a evolução da dieta restritiva na mãe que amamenta. 
Em nenhum caso o desmame é recomendado, mas sim deve de se orientar a mãe a realizar a deita de forma correta, controlando os traços, lendo rótulos dos alimentos e tendo plena consciência do que come. 
O bebê com alergia alimentar que é amamentado tem melhores chances de cura, com menores chances de reações adversas durante introdução alimentar e uma qualidade de vida muito melhor para mãe e bebê. 

A mãe que precisa fazer a dieta restritiva de leite de vaca, soja, ovos, oleaginosas e/ou glúten não precisa encarar isto como uma tragédia na sua vida. É um investimento na saúde e qualidade de vida do seu filho, e uma oportunidade de reavaliar a alimentação familiar para torna-a mais saudável. 

Recomendamos: 

Carta de uma mãe APLV a um pediatra
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2016/10/carta-de-uma-mae-aplv-um-pediatra.html

Intolerância x galactossemia x alergia a leite de vaca
https://www.facebook.com/notes/meu-filho-é-alérgico-a-leite/intolerância-x-galactossemia-x-alergia-a-leite-de-vaca/117234975023705

Orientações sobra a dieta de LV
https://www.facebook.com/notes/meu-filho-é-alérgico-a-leite/orientações-sobra-a-dieta-de-lv/116963151717554

Mas afinal, o que são “traços de leite”?
https://www.facebook.com/notes/meu-filho-é-alérgico-a-leite/mas-afinal-o-que-são-traços-de-leite/118606494886553

Alergia a LV e problemas respiratórios
https://www.facebook.com/notes/meu-filho-é-alérgico-a-leite/alergia-a-lv-e-problemas-respiratórios/118122651601604

O papel dos exames para o diagnóstico da alergia alimentar
https://www.facebook.com/notes/meu-filho-é-alérgico-a-leite/o-papel-dos-exames-para-o-diagnóstico-da-alergia-alimentar/120334648047071

Texto por Zioneth Garcia

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Recomendações quanto à amamentação na vigência de doença/infecção materna

Por Grid Rocha

Quase todas as mães podem ser bem sucedidas na amamentação, o que inclui iniciar a amamentação dentro da primeira hora de vida, amamentar exclusivamente nos primeiros seis meses e continuar a amamentar (com alimentos complementares apropriados) até dois anos de idade ou mais.

Os efeitos positivos da amamentação na saúde das mães e crianças têm sido observados em toda parte. A amamentação reduz o risco de infecções agudas como diarréia, pneumonia, otite, Haemophilus influenzae, meningite e infecção urinária. Também protege contra doenças crônicas como diabete tipo I, colite ulcerativa e doença de Crohn. A amamentação está associada com menor pressão sanguínea média e colesterol total no soro, além de baixa prevalência de diabete tipo II, sobrepeso e obesidade na adolescência e vida adulta. A amamentação retarda a volta à fertilidade da mulher e reduz os riscos de hemorragia pós parto, câncer de mama, pré-menopausa e câncer de ovário.

Muitas mães ao serem acometidas por algum tipo de doença acabam desmamando seus filhos pela falta de informação adequada, pensando ou sendo levadas a pensar que na presença de tais enfermidades não se pode mais amamentar. Pois bem, a boa notícia é que são raras as razões que necessariamente levam ao desmame. Aqui, vamos falar um pouco sobre isso.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Tabagismo e Lactação

Fragmento do artigo Influência do tabagismo na fertilidade, gestação e lactação 
Por: Paulo Roberto Bezerra de Mello, Gilberto Rodrigues Pinto, Clovis Botelho
J. Pediatr. (Rio J.) vol.77 nº 4 Porto Alegre July/Aug. 2001

A lactação constitui um período importante para o desenvolvimento físico e psicológico da criança, com conseqüente redução da morbi-mortalidade infantil no primeiro ano de vida, em especial nos países subdesenvolvidos.

Como na gestação, o tabagismo da mulher durante a lactação se reduziu neste final de século. Haug comparou a prevalência de tabagismo na lactação e observou queda de 38% para 26% entre 1970 e 1991. Também como na gestação, no período de lactação, o tabagismo tem decrescido à medida que o grau de escolaridade e o nível de renda maternas aumentam.

O estudo realizado por Horta et al. mostrou que crianças cujas mães eram tabagistas tiveram 1,34 (95% IC 1,00 - 1,80) mais chances de não terem sido amamentadas até os 6 meses de idade. Observou-se, ainda, que o padrão de resposta relacionado com a dose foi significativo neste caso e era proporcional ao número de cigarros fumados pela mãe por dia. As mães que fumaram durante os seis primeiros meses de vida da criança tinham uma tendência maior de amamentar por menos tempo (RO = 1,44; 95 % IC 1,04 - 1,99).

As conseqüências do tabagismo materno e familiar sobre a lactação e a criança amamentada constituem um somatório de efeitos que também lhe dão características próprias. Além das conseqüências do tabagismo passivo da criança, que está numa fase de quase permanente contato com a mãe dentro do domicílio, se somam as conseqüências sobre a lactação propriamente dita.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Perturbação na Amamentação

Tradução de Sandra Costa e Gabriela de O. M. da Silva do original disponível aqui
Postado originalmente no GVA (orkut)
Agradecimentos à Sara, pela revisão, e a todas as demais moderadoras da GVA :o)

É fácil imaginar que em uma mãe com experiência na amamentação, que ajudou muitas mamães a resolver seus problemas, nada mais afetaria suas experiências pessoais com respeito a amamentação.

Entretanto, há que estar alerta: o fenômeno da perturbação da amamentação pode acontecer com qualquer uma. Ter uma clara perspectiva da perturbação da amamentação pode te ajudar para entender uma mãe que está apoiando ou para você mesma, se vai amamentar em tandem.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Meu bebê mama para dormir. Tenho dúvida se isso é correto.



O ato de sugar para se acalmar e dormir é algo tão natural e instintivo que o bebê o faz desde o útero, sugando o dedo. Alguns bebês são flagrados fazendo isso nas ecografias, mas isso não significa que os outros não façam o mesmo - todo bebê suga o dedo dentro da barriga.
Depois que nasce é natural o bebê sugar o peito para dormir - para o bebê é instintivo fazer isso, então ele pede peito quando está com sono e adormece sugando. E quando a mãe não estiver por perto, o que fazer? O bebê vai se acalmar e dormir sem peito e sem chupeta? 
Os bebês são capazes de adormecer de outra forma se a mãe não está perto - alguns adormecem com o balanço da rede ou carrinho, para outros basta cantar e fazer carinho, alguns são ninados no colo, outros descobrem o dedinho e passam a sugá-lo (e isso não é um problema - veja: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/01/se-o-bebe-esta-chupando-o-dedo-o-que.html) - o importante é que o bebê tenha confiança no cuidador e esteja acostumado com ele (fazer adaptação é muito importante - veja aqui: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/08/adaptacao-um-novo-cuidador-em-4-passos.html). É um erro pensar em dar chupeta, pois além de não ser necessário, a chupeta pode causar desmame e muitos outros problemas (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/07/a-chupeta-o-que-toda-mae-e-pai-deveria.html).
E se mesmo assim a mãe quiser que o bebê durma sem peito, até quando estiver com ela? Alguns bebês podem até aceitar isso, mas a maioria vai protestar, afinal o bebê não entende porque o peito está sendo negado. Se a mãe insiste o bebê chora desesperadamente, passa da hora de dormir, desregula as sonecas, entra em efeito vulcão (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2013/06/o-efeito-vulcao-pular-sonecas-produz.html), começa a pedir mais e mais peito e a mãe entra na neura do "leite fraco/pouco leite". Percebeu que isso não é uma boa ideia? Se a mãe simplesmente respeita a natureza ela tem um bebê descansado, feliz, que mama normalmente, e a mãe não duvida da sua capacidade de nutrir seu filho.
E até quando o bebê precisa do peito para dormir? Cada bebê tem o seu momento de conseguir dormir sozinho - sim, eles chegam nessa fase naturalmente - mas se a mãe está incomodada com este hábito ela pode fazer a Remoção Gentil a partir de 1 ano (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/04/quando-o-seu-bebe-acorda-frequentemente.html).
Muitas mães passaram por isso e conseguiram se ausentar sem precisar de chupeta - você não está sozinha. Neste vídeo a moderadora Gabriela Silva fala sobre volta ao trabalho, adaptação a um novo cuidador, como acalmar e fazer um bebê dormir sem chupeta:https://youtu.be/TGU7e7Z7lFc .

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Volta ao Trabalho e Ausência Ocasional da Mãe




Voltar ao trabalho não é sinônimo de interrupção do aleitamento materno. Se você se programa, pode estocar LM suficiente para garantir o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade, manter o aleitamento materno durante a introdução alimentar e na amamentação continuada.
Neste material você encontrará a resposta às perguntas mais comuns relacionadas com a sua volta ao trabalho ou ausência ocasional - foi criado juntando a experiência de muitas mães, informações técnicas de órgãos de saúde e organizações dedicadas á promoção da amamentação em nível nacional e mundial.

Como ordenhar, como aumentar a produção de Leite para conseguir ordenhar
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/11/volta-ao-trabalho-ordenha.html

Como armazenar, transportar e descongelar o Leite Materno
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/11/quanto-lm-devo-deixar-para-meu-bebe.html



Introdução de alimentos e LA na volta ao trabalho - é necessário?
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/11/introducao-de-alimentos-e-la-na-volta.html

Amamentando ao volta para casa - continua a livre demanda? Como descansar se o bebê mama a noite toda?
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/11/amamentacao-apos-volta-ao-trabalho.html
 



É possível realmente amamentar e trabalhar? Como fica a saudade do bebê? E o rendimento no trabalho? 
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/11/e-realmente-possivel-amamentar-e.html

Vídeos da SMAM 2015 - Moderadoras do GVA contam suas experiências de volta ao trabalho

http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/08/semana-mundial-de-aleitamento-materno.html

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Dermatite e Amamentação - um relato pessoal

Por Fernanda Rezende Silva
 
Minha saga começou quando minha filha estava com 11 meses. Os primeiros dentes superiores estavam nascendo e meu seio direito machucou. Imaginei que o motivo fosse os dentes apontando e uma eventual pega errada, mas se fosse só isso teria resolvido facilmente.
O seio esquerdo também feriu, eu já tinha acabado com a pomada de lanolina que tinha em casa e o problema continuava. Usei cascas de frutas e o problema piorou (hoje entendo porque o GVA e o Ministério da Saúde são contra o uso de cascas e afins).
Depois de um mês tentando soluções caseiras (um grande erro), conversei com uma consultora de amamentação que me disse que talvez meu problema fosse fungos. Consultei então um mastologista e ele me receitou tratamento para fungos (1). Fiz 2 meses de tratamento sem resultado.
Resolvi então me consultar com minha antiga GO (da minha cidade natal) e ela me disse que meu problema não era fungos - eu tinha uma dermatite e precisava me consultar com um dermatologista. O dermato indicado por ela pediu biópsia (eu tinha a mesma dermatite no braço), confirmou o diagnóstico e receitou pomada de corticoide - só aí comecei a ver melhoras.
A pomada resolvia, mas logo a dermatite (2) aparecia de novo. Consultei outros dois dermatologistas, que mantiveram o tratamento. Fiz um teste de alergia, por suspeita de dermatite de contato, que não matou a charada da dermatite misteriosa. Mais alguns meses se passaram e eu continuava com o problema. 

Desenvolvi alergia a lanolina, talvez por ter usado demais (bastava passar um pouquinho que o peito feria na hora). Sabe quando as moderadoras do GVA falam que o melhor para passar no peito é o próprio leite? Então, isso se explica facilmente se você pensar que até lanolina pode causar alergia (na mãe e/ou no bebê) e com leite materno esse risco não existe.
Nesse ponto da história o GVA entrou na minha vida. Descobri o que é APLV - alergia às proteínas do leite de vaca - e descobri que dermatites frequentes podem ser sintoma de APLV
(3). Lembrei que sofro com dermatites desde a infância - elas aparecem em várias partes do corpo - e era comum minha mãe me tratar com pomadas fortes (dessas que hoje só são vendidas com receita médica) - relembrar estes fatos aumentou minha suspeita de alergia a leite.
Eu já tinha parado de tomar leite há anos por causa de enxaqueca, mas ainda consumia os derivados, então passei a ficar mais atenta. Percebi que por duas vezes tive reação após tomar iogurte - a dermatite dos seios ficou forte, a ponto de sangrar.
Marquei consulta com uma pediatra que realmente entende de amamentação e APLV (engraçado eu me consultar com uma pediatra, mas não conheço médico de adultos que entenda de APLV). Ela confirmou minha suspeita, e me disse que tem sido muito comum adultos que foram amamentados pouco tempo desenvolverem alergia a leite (exatamente o meu caso).  

Comecei a dieta restritiva - cortei os derivados de leite e tudo que tem leite. Passei a ler rótulos, perguntar ingredientes em restaurantes, aprendi receitas sem leite. Depois de usar pomadas de corticoide por quase um ano enfim pude amamentar em paz, sem pomadas e sem dor, graças à dieta.
Tentei escrever de forma bem resumida, mas não posso deixar de citar como estava a minha cabeça. Vários profissionais me sugeriram desmamar, e isso doeu muito. Depois de alguns meses de luta eu até evitava tocar no assunto, pois as pessoas me criticavam, então eu preferia dizer que estava tudo bem, mesmo se estivesse com dor. Aprendi algumas coisas nesta jornada que podem ser úteis a outras mães, então vou resumir aqui:
 

-- Alergias podem ser desenvolvidas (antes eu pensava que alergia fosse uma doença que acompanha a pessoa a vida toda). Um exemplo: já vi amigas que sempre usavam esmalte normalmente desenvolverem alergia a esmalte.
-- Se você já tem um histórico de problemas de pele saiba que: eles podem aparecer também nos seios e isso pode acontecer justamente no período de amamentação, mas dermatite tem tratamento e não é motivo para desmame.
-- É possível viver sem leite de vaca e ele é um alimento que, na minha opinião, faz mais mal do que bem.
-- Nem tudo que coça/arde/descama nos seios é candidíase. Os seios estão sujeitos a todo tipo de problema de pele, assim como o restante do corpo,, e quando o caso é realmente uma infecção há mais chances de ser causada por bactérias do que por fungos, por isso é importante o médico pedir exame antes de receitar medicação (4).

-- Profissionais despreparados acham mais fácil indicar desmame do que procurar a causa do problema da mãe, então se você quer continuar amamentando precisa escolher bem onde procurar ajuda.
-- Leite de vaca é um dos alimentos que pode causar alergia, mas não é o único, então no caso de suspeita de alergia o ideal é testar cada alimento suspeito separadamente.
-- Intolerância a lactose não tem NADA a ver com APLV (5).

-- Alergia alimentar não é frescura e "só um pouquinho" pode fazer muito mal. Um exemplo: eu tive reação ao comer um chocolate que tinha apenas traços de leite.

A amamentação aqui segue firme e forte e já dura 39 meses :) Valeu a pena cada dia de luta - meu leite não virou água, continua rico em nutrientes e anticorpos, e ver minha filha super saudável graças ao meu leite é algo que faz tudo valer a pena.


Links:
1 - Esclarecendo a candidíase mamária: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/04/esclarecendo-candidiase-mamaria.html
2 - Os sintomas mais comuns de qualquer dermatite são vermelhidão, coceira, descamação - se você desconfia que possa ter dermatite consulte um médico.
3 - Desconfie de APLV se: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/aplv-desconfie-de-aplv-se.html
4 - Você tem ou teve "sapinho"? Novos dados: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/voce-tem-ou-teve-sapinho-novos-dados.html
5 - Intolerância x galactossemia x alergia LV: http://meufilhoealergicoaleite.blogspot.com.br/2008/09/intolerancia-x-galactossemia-x-alergia.html

sábado, 1 de agosto de 2015

Semana Mundial de Aleitamento Materno - SMAM 2015


Conforme anunciado no post de 25/07 (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/07/smam-2015.html) apresentamos a série de vídeos das moderadoras do GVA sobre o tema "Retornar ao trabalho sem desmamar".

07/08:
 GVA na SMAM 2015: A importância do apoio e o papel dos demais cuidadores do bebê, com a moderadora Mariana Elis.
Muito se tem falado sobre os cuidados com o bebê quando a mãe retorna ao retorno, mas e a mãe, quem cuida dele? Como ela pode ser apoiada?
https://www.youtube.com/watch?v=W7eddFAaMew&feature=youtu.be 

GVA na SMAM 2015 - com a moderadora Karina Takeuti Vaz Rodrigues.
Karina conta sua experiência de volta ao trabalho deixando a filha em creche. Ela teve dificuldades para que a creche aceitasse receber leite materno ordenhado. Se você também passa uma dificuldade como essa, tente estas opções:
- conversar com a nutricionista responsável (em creche pública procure a nutricionista no setor de merenda da prefeitura);
- se a resposta for negativa: protocolar por escrito em duas vias, pedir a resposta por escrito e fazer uma reclamação em algum destes órgãos: MS (Ministério da Saúde), MEC (Ministério da Educação), MP (Ministério Público), CRN (Conselho Regional de Nutricionistas).

https://youtu.be/V8r2h-A6K5Q 

06/08:
GVA na SMAM 2015 - Direitos da mãe trabalhadora que amamenta - com a moderadora Juliana Coutinho Gieppner.
Nestes três vídeos são abordadas questões legais relacionadas à volta ao trabalho e amamentação: licença maternidade, licença de 6 meses, o papel das leis no apoio à amamentação:
- Licença maternidade: https://youtu.be/Shyti_QMvrg
- Licença maternidade de 6 meses : https://youtu.be/ZtVFDKjcOi4
- Comparativo entre a situação do Brasil e da Alemanha: https://youtu.be/WmJpJKcjTPU 
 


05/08:
GVA na SMAM 2015 - Volta ao trabalho com bebê de 5 meses - com Amanda Areias:
- Amamentação exclusiva e retorno ao trabalho com bebê de 5 meses;
- Quando o pediatra não ajuda: como obter informação e apoio para manter a amamentação exclusiva;
- Rotina de ordenha;
- Relacionamento com a creche.
https://youtu.be/3muoKe2KSR4 


04/08: 
GVA na SMAM 2015 - Relato da experiência da moderadora Paula Marconi: volta ao trabalho com bebê de 2 meses, trabalhando em hospital:
- É possível manter a amamentação exclusiva, mesmo quando a mãe retorna ao trabalho e o bebê é muito novinho?
- Pode fazer ordenha em hospital?
- O emocional da mãe na volta ao trabalho.
- Adaptação a um novo cuidador.
- Confusão de bicos.

https://youtu.be/qZ0gtO_9VL0 

03/08:
GVA na SMAM 2015 - vídeo de hoje: "Levando o bebê para o trabalho - com a moderadora Samantha Scardazan"
Relato da experiência pessoal da moderadora Samantha Scardazan, de retorno ao trabalho com o bebê de 7meses, e aspectos emocionais da adaptação e decisão de voltar ao trabalho.

https://youtu.be/9Sv3cOo2UWE 

02/08:
Dando continuidade à série de vídeos do GVA na SMAM 2015 apresentamos o vídeo das moderadoras Daniela Guerreiro do Valle e Leidiana Pereira - neste vídeo são abordados os assuntos: tipos de ordenha, rotina de ordenha; como armazenar, congelar e descongelar o leite materno; como oferecer o leite materno: tipos de recipientes indicados, prós e contras de cada tipo; como a confusão de bicos atrapalha a amamentação e o retorno ao trabalho: https://youtu.be/6m-mumZBWSI 

01/08:
Abrindo a série de vídeos apresentamos o vídeo da moderadora Gabriela Silva, contando sua experiência de volta ao trabalho e como é o processo de adaptação de um bebê a um novo cuidador. 
https://youtu.be/TGU7e7Z7lFc 



quinta-feira, 16 de julho de 2015

As mulheres podem amamentar - como as mudanças culturais as fizeram duvidar disso

Por Fernanda Rezende Silva
Revisão: Juliana Gieppner, Gabriela Silva e Luciana Freitas


Era uma vez um país chamado ABC onde as mulheres amamentavam seus bebês com naturalidade - elas não se sentiam constrangidas por amamentar em público, mesmo se fosse um bebê grande ou uma criança, pois todas faziam isso. Era comum ver crianças de 7 anos que ainda mamavam e ninguém via problemas nisso.

Para amamentar as mães não precisavam de relógios, regras ou artefatos - davam o peito sempre que estavam com seus filhos e eles pediam, e isso não era motivo para se sentirem presas ou cansadas (1). Elas acreditavam no poder do próprio leite pois praticamente todas as mulheres próximas amamentaram, então elas sabiam que não ser capaz de amamentar era algo tão raro quanto uma criança nascer sem um dedo, por exemplo.

Quando uma mulher engravidava ela já tinha a experiência de ter visto outras mães amamentando e já tinha aprendido também, pelo exemplo, que um recém-nascido depende 100% da mãe, então logo se formava sua rede de apoio para o puerpério. Estar com o bebê sempre no colo e dormir junto com o bebê (2) eram coisas tão naturais quanto a própria amamentação.

Num certo dia chega neste país a notícia sobre um artefato que prometia acabar com o choro dos bebês instantaneamente, mesmo sem a mãe do bebê por perto. Diziam que o tal artefato já era usado no "estrangeiro" com sucesso - parecia ser algo tão inovador quanto a televisão ou a internet. Tanta propaganda fez com que vários pais e mães resolvessem testar o objeto, com o inocente pensamento "se for ruim a gente para".

No "estrangeiro" já havia indústrias lucrando com as vendas do artefato, mas elas queriam mais: o departamento de marketing estava encarregado de convencer mais pessoas a usarem o produto e para cumprir esta meta criaram dois mitos, que alavancaram as vendas: chupar chupeta é melhor que chupar dedo (3); bebê que usa chupeta fica menos grudado na mãe e cresce mais "independente".

Durante alguns meses parecia estar tudo bem lá no país ABC, o país do início do texto, mas depois de um tempo já se percebia que a maioria dos bebês haviam desmamado precocemente (antes de 2 anos) (5, 6). Estes bebês pararam de mamar no peito mas continuaram precisando de leite, o que fez aumentar o uso (e as vendas) de mamadeiras.

Algumas pessoas desconfiaram que chupetas e mamadeiras fossem culpadas pelos desmames, mas o efeito nem sempre era imediato, então a maioria das pessoas não fazia essa associação - logo começaram a culpar as mães e duvidar da capacidade delas de produzir leite. As pessoas não tinham explicação para o novo fenômeno "desmame precoce", então quando um bebê desaprendia a mamar no peito diziam que o leite da mãe tinha secado (7) e inventavam as mais fantasiosas histórias para justificar isso, por exemplo: bebê arrotou no peito e isso fez o leite secar, a mãe voltou a menstruar por isso o leite secou, a mãe ficou sem leite porque passou uma grande tristeza (8).

Conforme o tempo foi passando as mães já não tinham muitos exemplos de mulheres próximas que amamentaram e isso fez surgir um novo problema: pega errada (9). Elas colocavam seus bebês para mamar no peito como se fossem tomar mamadeira, os bebês não conseguiam abocanhar corretamente o peito, o uso de chupetas fazia a pega piorar muito, os seios feriam e muitas desistiam pensando "amamentar é muito doloroso, difícil" - esta era a mensagem que infelizmente seria passada para as próximas gerações, tanto que algumas mulheres decidiam nem tentar e já levavam mamadeiras para a maternidade.

Junto com a imagem do "bebê independente" passaram também a vender a ideia de que bebês deveriam dormir em berços, mas para que esta indústria tivesse sucesso também precisavam de um bom argumento, então mais um mito foi criado: dormir com os pais é perigoso, todos os bebês devem dormir em berços (hoje sabemos que é uma ideia tão sensacionalista quanto dizer "uma criança morreu afogada numa piscina, então nenhuma criança deveria entrar em piscinas") (10). E mais um mito colaborou com as vendas de berços: se a mãe amamenta deitada causa otite no bebê (11).

As indústrias estavam rindo à toa, mas não contavam com um detalhe: a fisiologia da raça humana não mudaria tanto em tão pouco tempo, o que significa que os bebês não aceitaram facilmente este novo cenário: eles precisavam estar com suas mães, dormir com elas, mamar também de madrugada (12). Como as mães já não podiam dormir com seus bebês, ficavam extremamente cansadas, ansiavam pelo dia em que seus filhos dormiriam a noite toda (13), e isso criou mercado para "especialistas" do sono - muitas técnicas foram inventadas para tentar enquadrar os bebês que resistiam a toda essa "modernidade". E como estas técnicas poderiam atrapalhar ainda mais a amamentação? Uma delas se baseava no mito de que bebê novinho só chora por fome. Já não havia muitos exemplos de bebês amamentados, então também se perderam as referências sobre os motivos do choro - cada vez que o bebê chorava aparecia uma "boa alma" para dizer: "você tem pouco leite", "seu leite é fraco" (14). O mito do leite fraco surgiu com força total, daí veio a ideia "empanturre esse bebê com leite artificial para ele não acordar à noite". Durante alguns meses a técnica funcionava - o bebê ia dormir realmente empanturrado (como um adulto ao comer uma feijoada) e aí o bebê não acordava nem quando precisava (ex.: apneia em bebê empanturrado pode ser fatal).

Neste ponto da história a inversão já estava feita: as pessoas passaram a considerar normal o comportamento dos bebês de mamadeira, e não o dos bebês de peito. Ficavam com dó do bebê se uma mãe dizia que o bebê não pegou chupeta. Achavam estranho ver crianças com mais de um ano mamando, e aí as mães dos bravos bebês que faziam aniversário mamando se viam na obrigação de desmamar, pois "é feio amamentar bebê grande", "precisa ficar independente", "leite materno vira água depois de um ano" (15). Ah, essa do leite virar água é um mito descarado - as mães passaram a acreditar que mais cedo ou mais tarde todo bebê tomaria mamadeira - êxtase para a indústria de leite artificial. Surgiu a cárie de mamadeira, e junto com ela o mito da cárie do leite materno (16), pois as pessoas passaram a colocar tudo no mesmo bolo, assim como fizeram ao criar a nova regra "todo bebê precisa arrotar depois de mamar": quando se toma mamadeira entra ar, então precisa sim arrotar, mas mamando no peito com a pega correta isso não acontece, por isso essa história do arroto é mais um mito e só fez aumentar o cansaço das mães que tentavam amamentar.

Chegamos no ponto mais triste da história: a grande maioria dos bebês usavam chupeta e mamadeira e desmamavam "sozinhos" por volta de 3 meses. A imagem de um bebê maior mamando no peito passou a ser associada a pobreza (coitada dessa mãe, não pode comprar leite). Apenas 10% dos bebês chegavam a 6 meses com amamentação exclusiva e os efeitos disso eram notáveis: crianças adoecendo com frequência, aumento da mortalidade. Problemas respiratórios passaram a ser considerados "normais", assim como o uso de aparelhos ortodônticos - as pessoas chegavam a dizer "ah, hoje em dia todo mundo usa aparelho, né", sem pararem para pensar que até algumas décadas atrás estes problemas não eram comuns.

É possível reverter este cenário? Será que nos dias de hoje, com a maioria das mães trabalhando fora, é possível amamentar como no início do texto? É possível sim, e este resgate da amamentação já está começando. Vamos quebrar mais um mito? Segundo Gonzalez a média de duração da amamentação é maior entre as mães que trabalham fora do que entre as mães que passam o dia todo com seus filhos (17). Será que é porque as mães que trabalham fora sentem saudades de seus filhos e resistem mais ao desmame? Talvez seja, mas o detalhe mais importante desta pesquisa é comprovar que é possível sim continuar amamentando mesmo trabalhando fora, e se há mulheres seguindo este caminho então podemos afirmar que o resgate da amamentação já começou.

Referências:
1 - Livre Demanda - http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/07/livre-demanda-o-que-e-realmente-dr.html
2 - Eu deveria deixar meu bebê dormir comigo? http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/03/eu-deveria-deixar-meu-bebe-dormir-comigo.html
3 - Se o bebê está chupando o dedo, o que ele pode estar querendo dizer? http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/01/se-o-bebe-esta-chupando-o-dedo-o-que.html
4 - Cama ou quarto compartilhado: promovendo a independência
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/07/cama-ou-quarto-compartilhado-promovendo.html
5 - O que acontece com os músculos bucais quando um bebê usa qualquer bico artificial (chupetas, mamadeiras, bicos de silicone) - http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/03/o-que-acontece-com-os-musculos-bucais.html
6 - A CHUPETA: O que toda mãe (e pai) deveria saber antes de oferecer uma chupeta para o seu bebê - http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/07/a-chupeta-o-que-toda-mae-e-pai-deveria.html
7 - Mamadeira contém “substância” que seca o leite materno - http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/07/mamadeira-contem-substancia-que-seca-o.html
8 - Passei por uma situação de estresse e meu leite acabou!
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/passei-por-uma-situacao-de-estresse-e.html
9 - A importância da correção da pega - http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/a-importancia-da-correcao-da-pega.html
10 - Normas gerais de segurança da cama compartilhada - http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/07/normas-gerais-de-seguranca-da-cama.html
11 - Pode amamentar deitada? http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/pode-amamentar-deitada.html
12 - Porque a amamentação noturna é tão importante - http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/porque-amamentacao-noturna-e-tao.html
13 - 8 fatos sobre o sono dos bebês que todo pai e toda mãe deveriam saber - http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/08/8-fatos-sobre-o-sono-dos-bebes-que-todo.html
14 - Você está amamentando e seu peito está sempre murcho? Que maravilha!!! http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/09/voce-esta-amamentando-e-seu-peito-esta.html
15 - Como o leite materno vira água e a vaca passa a fazer melhor leite que o seu - http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/07/como-o-leite-materno-vira-agua-e-vaca.html
16 - Cáries e Leite Materno - http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/06/leite-materno-nao-causa-caries.html
17 - Trabalho e Amamentação, página 112 do livro "Manual Prático de Aleitamento Materno", Dr. Carlos Gonzalez

Relato de Amamentação e Desmame Natural - Jé Bonizzi e Valentina

Alguns dizem que é muito tempo, que foi muito prolongada. Eu? Eu acho que foi o necessário, o natural.
Você me guiou, do primeiro até o ultimo dia, você me disse quais eram as suas necessidades (fisiológicas / psicológicas).
Valentina, minha pequena, muito obrigada por permitir que eu nutrisse você, por se aconchegar, mamar e me amar. Lembro-me de ti pequena, muito pequena, se aconchegando e mamando, olho no olho a sua mão do tamanho do meu dedo mindinho, do teu chorinho do teu cheiro de cria nova, da força ao sugar o peito e de como tu ficava toda mole e com cara de mamei pra porra vou morrer em leite hahahaha.
Finalizamos os seis primeiros meses somente com leite materno, sem águas, sucos ou chás ou qualquer outra coisa ♥ 
Nunca te neguei peito por estarmos fora de casa, nunca te cobri com um pano, sempre levei a amamentação como o ato natural e fisiológico que ela é. Sim, paguei peitinhos inúmeras vezes com você no sling, te amamentei das formas mais variadas possíveis (tínhamos um álbum aqui no FB que chamava “mamasutra”, você foi, literalmente, amamentada na rua, na chuva, na fazenda e numa casinha de sapê. ♥


Obrigada filha, por conduzir o nosso desmame de forma mais natural possível, tão natural que quando me dei conta você já não mamava mais durante o dia, não mamava mais pra dormir, não mamava mais quando tinha medo ou estava com um dodói (passar leite no machucado pra sarar ainda você pede haahahaha) de mamar a cada 3 minutos você passou a mamar a cada 2/3 dias e cada vez mais espaçado. Hoje faz 11 dias que você não pede pra mamar, meu peito não está cheio, mais ainda tenho bastante leite, como o processo foi 100% natural e nada conduzido o leite foi diminuindo conforme a sua demanda e estamos aqui no corpo normal graças a natureza 100% perfeita! Sem leite empedrado, sem dor no peito!
Agora vou contar pra você sobre a nossa última mamada:
Eu fui no shopping buscar um aquecedor pq o frio estava bravo, e quando voltei você estava meio dormindo e meio acordada, pediu pra ir no banheiro e chorava muito, como se tivesse acordado no susto! Chegando lá tu me disse, chorando horrores :
- Mamãe ocê pode me dar um peito pa me ajudar a fazer um cocô?
E assim, desse jeito romântico, sqn, eu abaixei com as peitolas de fora e te dei mama enquanto você fazia cocô! HAHAHAHHA ♥
Filha obrigada por me proporcionar esses 3A09M07 dias de amamentação ♥ obrigada por me fazer completa e obrigada por esse fechamento de ciclo ♥

















terça-feira, 14 de julho de 2015

Como o leite materno vira água e a vaca passa a fazer melhor leite que o seu

Jenny Thomas, pediatra membro da Associação Americana de Pediatria, membro do Comitê Internacional de Certificação de Consultoria de Aleitamento e da Academy of Breastfeeding Medicine.<p> </p>
http://www.facebook.com/notes/lakeshore-medical-breastfeeding-medicine-clinic/when-breastmilk-turns-to-water-and-a-cow-makes-better-milk-than-you-do/155702701154727

Tradução de Bel Kock-Allaman 


Eu acho que se você amamenta por um ano alguém deveria fazer uma festa para você. O melhor que eu pude fazer foi dar camisetas comemorativas. Eu já dei mais camisetas do que posso contar e atualmente eu tenho uma lista comemorativa para celebrar as mães que conseguiram isso no meu website.


Então, com todas essas mães no meu consultório alcançando esse objetivo, eu comecei a considerar fazer algo para reconhecer as mães que continuavam a amamentar aos 18 meses. Essas mães maravilhosas, que ganharam a camiseta e os parabéns pelo primeiro ano diziam “Não, obrigada.” quando eu mencionei o que tinha em mente – elas não queriam que outras pessoas soubessem. Elas amamentavam, mas não queriam reconhecimento público. Elas amamentavam “no armário” e estavam bem assim.

A revisão dos 12 meses é uma ótima oportunidade para falar dos benefícios de continuar a amamentar além do primeiro ano. Eu vou tentar não dizer “amamentação prolongada” porque isso revela um viés cultural que existe onde eu vivo, mas talvez não onde você viva. Mundialmente, amamentar até os 2 ou 4 anos é simplesmente normal. E antes que o viés cultural interrompa a discussão, a política da Associação Americana de Pediatria diz que “não existe limite para a duração da amamentação e não há evidência psicológica de prejuízo ao desenvolvimento devido à amamentação no terceiro ano de vida ou mais”.

Então, o que acontece aos doze meses? De acordo com a crença popular, no momento em que o seu lindo bebê amamentado está dormindo na noite anterior do seu primeiro aniversário, o mundo se transforma: no dia seguinte, eles descobrem que o leite materno já não serve. Eles descobriram que a vaca faz um leite melhor que a mãe.


E como você faz que uma criança de um ano que ainda não fala entenda isso? Eles estão contando com continuar recebendo a calidez, a expressão de amor e a maravilhosa nutrição que tinham no dia anterior. Qual é a mágica daquele 366º dia da sua vida?

Eu sei que não faz sentido e que o bebê de um ano provavelmente está confuso, mas eu conheço algumas mulheres maravilhosas que acreditam que se elas continuarem a amamentar, seus filhos vão precisar de um complemento de leite de vaca “para que tenham todos os nutrientes”. Eu devo morar no paraíso dos laticínios, onde pessoas usam chapéus de queijo em público, mas o leite da vaca é para os bezerros. E como eu normalmente tenho essa conversa no meio de uma consulta, com a criança presente, eu posso fazer um bom trabalho convencendo a família de que o meu exame clínico sugere que o seu filho não é um bezerro.

Os componentes do leite materno que combatem infecções continuam presentes: lisozima, lactoferrina, imunoglobulina (IgA) estão presentes em quantidades estáveis. Os níveis de proteína, cálcio, ácidos graxos de cadeia longa são mais baixos comparados com o leite de um bebê de 3 meses, mas não estamos falando de bebês de 3 meses que só se alimentam de leite materno. A criança de um ano já come outros alimentos. Além disso, sabemos que mães que amamentam por mais tempo diminuem o seu risco de câncer de mama.

Eu entendo. Muitas pessoas, incluindo os profissionais de saúde, não entendem porque você quer amamentar por mais de um ano. Mas não são eles que tem que acalmar uma criança de 15 meses berrando. Eu só estou dizendo isso – se eu tivesse que escolher entre uma criança chorando que eu tenho que distrair e fazer feliz de alguma maneira e uma criança chorando que eu posso dar o peito e fazer feliz em 5 minutos, eu prefiro o segundo.


Algum dia, eu espero poder fazer algo pelas minhas amigas, as mães que amamentam “no armário” e eu saberei que estarei fazendo progresso aqui no meu pedacinho de mundo. Talvez então nós possamos convencer o resto do mundo que amamentar um bebê de mais de um ano é normal.

domingo, 12 de julho de 2015

Amamentação Durante a Gravidez

Fragmento traduzido de um artigo de Hilary Dervin Flower, MA - Midwifery Today – Winter 2003
Original: http://kellymom.com/pregnancy/bf-preg/bfpregnancy_safety/
[Nota da Moderação GVA: desconhecemos o tradutor e o local de publicação da tradução]

É um assunto pouco discutido, mas uma preocupação bastante comum.
A mãe tem toda razão de evitar desmamar um filho mais velho durante a gravidez. O filho que está sendo amamentado ganha com o leite materno, o qual dá reforços à nutrição e ao sistema imunológico da criança. Desmamar antes dos dois anos de idade pode aumentar o risco daquela criança adoecer.

Preocupações:
*Medo de entrar em trabalho de parto precocemente ou de ter um aborto espontâneo.
*A amamentação vai roubar os nutrientes do feto.
*É demais para o corpo da mãe, ela ficaria cansada.

Amamentação e contrações:

A estimulação do mamilo estimula a liberação de ocitocina (hormônio). A ocitocina é importante na amamentação porque controla a ejeção do leite. A ocitocina também estimula o útero a contrair. A estimulação do mamilo pode intensificar o trabalho de parto se o mesmo já estiver acontecendo. A amamentação depois do parto ajuda o útero (com contrações) a voltar ao tamanho que tinha antes da gravidez.

A amamentação NÃO inicia o trabalho de parto antes da hora certa!

O útero tem receptores sensíveis à ocitocina (células que detectam a presença da ocitocina e causam uma contração). Normalmente, durante as primeiras 38 semanas da gravidez o útero tem poucos destes receptores, os quais aumentam em número aos poucos depois disto até chegarem a 300 vezes mais quando o trabalho de parto já houver iniciado. Isto protege a gravidez.

Também há outros fatores que protegem a gravidez. Para que os receptores possam responder à ocitocina, eles precisam de um tipo de proteína especifica. A progesterona (outro hormônio) bloqueia a conexão entre a ocitocina e os receptores.

A ocitocina sozinha não é capaz de iniciar o trabalho de parto. O útero está na fase de carregar o bebê, bem protegido contra um trabalho de parto precoce.

Várias mulheres entrevistadas e que fizeram parte de pesquisas notaram que sentiam contrações quando o filho estava mamando, mas que as contrações paravam logo depois (dentro de 10 – 15 minutos) da sessão.

É sempre uma decisão da mulher. Numa gravidez saudável não é arriscado amamentar. Numa gravidez de risco a decisão pode ser mais complicada, mas ainda é possível. Existem mulheres que amamentaram durante uma gravidez de alto risco, até mesmo durante uma ameaça de trabalho de parto prematuro, e deram à luz filhos sadios à termo (entre 38 a 42 semanas). Outras acharam melhor desmamar por causa da sua situação. Todas as mulheres devem conhecer os sinais de trabalho de parto precoce. Se perceberem contrações preocupantes devem parar a sessão de amamentação e ver se as contrações cessam. (Seu médico ou parteira também pode querer avaliar o efeito da amamentação sobre o útero – contrações, batimentos cardíacos do bebê, ou colo uterino).

Comendo por três

Uma mulher é capaz de comer o suficiente para o seu feto, sua produção de leite e ela mesma?

Uma dieta básica com alimentos variados e calorias suficientes vai cobrir a maioria das necessidades de mulheres que estão amamentando ou grávidas.

Mulheres já com algum nível de desnutrição podem ter dificuldades, mas uma mulher bem nutrida tem pouca razão para se preocupar.

Reservas de gordura são esvaziadas durante a amamentação exclusiva. Quando o bebê começa a comer outras coisas e continua mamando, as reservas de gordura da mãe voltam aos poucos. Quanto mais tempo ela amamenta, maior quantidade de gordura ela recupera (**nota - é saudável e natural para a mulher ter estas reservas – para manter a gravidez e a amamentação**). Mas se ela engravidar logo depois, ela não vai recuperar estas reservas, e se ela estiver desnutrida e resolver amamentar durante a gravidez, as reservas vão diminuir mais ainda.

Outra preocupação relacionada à amamentação durante a gravidez é com a saúde dos ossos da mulher. Pesquisas mais recentes mostram que a mulher recupera a densidade mineral dos ossos quando o bebê começa a comer outras coisas, e aos 12 meses de idade da criança a densidade mineral dos ossos da mãe deve ter voltado ao normal.

E as necessidades do feto? Pesquisas mostram que as mães que ganharam peso suficiente durante a gravidez tiveram bebês de peso normal (2,52 a 4,93kg). Se a mulher estiver desnutrida (ou sem condições de aumentar sua ingestão alimentar) ela pode ter dificuldades de ganhar peso suficiente na gravidez ou seu bebê pode nascer com peso abaixo do normal. A recomendação de saúde pública, considerando que o desmame precoce pode prejudicar a saúde do bebê, é de dar um maior intervalo entre os filhos.

A produção de leite normalmente diminui no meio da gravidez. As duas perguntas mais importantes são: “Ela está mantendo seu apetite?” e “Ela está ganhando peso dentro do padrão esperado?” Ela precisa ganhar o mesmo peso que ganharia se não estivesse amamentando (meio quilo por semana depois de 20 semanas de gravidez). É preciso avaliar como aumentar o consumo da mãe – se ela estiver com dificuldades. Também é necessário avaliar a hidratação materna. A cor da urina indica: amarela clara – bem hidratada; amarela escura - desidratação.

A sensação de bem-estar da mãe diz tudo. O que o corpo da mãe está dizendo a ela?

A mulher deve estar empoderada e escutar a sabedoria do seu corpo enquanto ela cuida do seu filho e da sua gravidez.
Os hormônios da gravidez podem causar desconforto para a mãe durante a amamentação. Dói! Não sempre, mas para a maioria das mulheres a amamentação provoca alguma dor, a qual poderá ser mais forte numa fase da gravidez do que em outra. Ela também pode se sentir agitada, querendo tirar a criança do peito. A mãe que sente-se comprometida com a continuidade da amamentação pode precisar de apoio durante sua adaptação a estes desconfortos.

É fundamental ajudar cada mulher a processar suas necessidades e escolhas, e apoiá-la em sua decisão de desmamar ou de diminuir o número de mamadas do mais velho.

Hilary Flower – autora do livro Aventuras na Amamentação Tandem: Amamentação durante a gravidez e depois (Adventures in Tandem Nursing: Breastfeeding During Pregnancy and Beyond – 2003).
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