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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Dermatite e Amamentação - um relato pessoal

Por Fernanda Rezende Silva
 
Minha saga começou quando minha filha estava com 11 meses. Os primeiros dentes superiores estavam nascendo e meu seio direito machucou. Imaginei que o motivo fosse os dentes apontando e uma eventual pega errada, mas se fosse só isso teria resolvido facilmente.
O seio esquerdo também feriu, eu já tinha acabado com a pomada de lanolina que tinha em casa e o problema continuava. Usei cascas de frutas e o problema piorou (hoje entendo porque o GVA e o Ministério da Saúde são contra o uso de cascas e afins).
Depois de um mês tentando soluções caseiras (um grande erro), conversei com uma consultora de amamentação que me disse que talvez meu problema fosse fungos. Consultei então um mastologista e ele me receitou tratamento para fungos (1). Fiz 2 meses de tratamento sem resultado.
Resolvi então me consultar com minha antiga GO (da minha cidade natal) e ela me disse que meu problema não era fungos - eu tinha uma dermatite e precisava me consultar com um dermatologista. O dermato indicado por ela pediu biópsia (eu tinha a mesma dermatite no braço), confirmou o diagnóstico e receitou pomada de corticoide - só aí comecei a ver melhoras.
A pomada resolvia, mas logo a dermatite (2) aparecia de novo. Consultei outros dois dermatologistas, que mantiveram o tratamento. Fiz um teste de alergia, por suspeita de dermatite de contato, que não matou a charada da dermatite misteriosa. Mais alguns meses se passaram e eu continuava com o problema. 

Desenvolvi alergia a lanolina, talvez por ter usado demais (bastava passar um pouquinho que o peito feria na hora). Sabe quando as moderadoras do GVA falam que o melhor para passar no peito é o próprio leite? Então, isso se explica facilmente se você pensar que até lanolina pode causar alergia (na mãe e/ou no bebê) e com leite materno esse risco não existe.
Nesse ponto da história o GVA entrou na minha vida. Descobri o que é APLV - alergia às proteínas do leite de vaca - e descobri que dermatites frequentes podem ser sintoma de APLV
(3). Lembrei que sofro com dermatites desde a infância - elas aparecem em várias partes do corpo - e era comum minha mãe me tratar com pomadas fortes (dessas que hoje só são vendidas com receita médica) - relembrar estes fatos aumentou minha suspeita de alergia a leite.
Eu já tinha parado de tomar leite há anos por causa de enxaqueca, mas ainda consumia os derivados, então passei a ficar mais atenta. Percebi que por duas vezes tive reação após tomar iogurte - a dermatite dos seios ficou forte, a ponto de sangrar.
Marquei consulta com uma pediatra que realmente entende de amamentação e APLV (engraçado eu me consultar com uma pediatra, mas não conheço médico de adultos que entenda de APLV). Ela confirmou minha suspeita, e me disse que tem sido muito comum adultos que foram amamentados pouco tempo desenvolverem alergia a leite (exatamente o meu caso).  

Comecei a dieta restritiva - cortei os derivados de leite e tudo que tem leite. Passei a ler rótulos, perguntar ingredientes em restaurantes, aprendi receitas sem leite. Depois de usar pomadas de corticoide por quase um ano enfim pude amamentar em paz, sem pomadas e sem dor, graças à dieta.
Tentei escrever de forma bem resumida, mas não posso deixar de citar como estava a minha cabeça. Vários profissionais me sugeriram desmamar, e isso doeu muito. Depois de alguns meses de luta eu até evitava tocar no assunto, pois as pessoas me criticavam, então eu preferia dizer que estava tudo bem, mesmo se estivesse com dor. Aprendi algumas coisas nesta jornada que podem ser úteis a outras mães, então vou resumir aqui:
 

-- Alergias podem ser desenvolvidas (antes eu pensava que alergia fosse uma doença que acompanha a pessoa a vida toda). Um exemplo: já vi amigas que sempre usavam esmalte normalmente desenvolverem alergia a esmalte.
-- Se você já tem um histórico de problemas de pele saiba que: eles podem aparecer também nos seios e isso pode acontecer justamente no período de amamentação, mas dermatite tem tratamento e não é motivo para desmame.
-- É possível viver sem leite de vaca e ele é um alimento que, na minha opinião, faz mais mal do que bem.
-- Nem tudo que coça/arde/descama nos seios é candidíase. Os seios estão sujeitos a todo tipo de problema de pele, assim como o restante do corpo,, e quando o caso é realmente uma infecção há mais chances de ser causada por bactérias do que por fungos, por isso é importante o médico pedir exame antes de receitar medicação (4).

-- Profissionais despreparados acham mais fácil indicar desmame do que procurar a causa do problema da mãe, então se você quer continuar amamentando precisa escolher bem onde procurar ajuda.
-- Leite de vaca é um dos alimentos que pode causar alergia, mas não é o único, então no caso de suspeita de alergia o ideal é testar cada alimento suspeito separadamente.
-- Intolerância a lactose não tem NADA a ver com APLV (5).

-- Alergia alimentar não é frescura e "só um pouquinho" pode fazer muito mal. Um exemplo: eu tive reação ao comer um chocolate que tinha apenas traços de leite.

A amamentação aqui segue firme e forte e já dura 39 meses :) Valeu a pena cada dia de luta - meu leite não virou água, continua rico em nutrientes e anticorpos, e ver minha filha super saudável graças ao meu leite é algo que faz tudo valer a pena.


Links:
1 - Esclarecendo a candidíase mamária: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/04/esclarecendo-candidiase-mamaria.html
2 - Os sintomas mais comuns de qualquer dermatite são vermelhidão, coceira, descamação - se você desconfia que possa ter dermatite consulte um médico.
3 - Desconfie de APLV se: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/aplv-desconfie-de-aplv-se.html
4 - Você tem ou teve "sapinho"? Novos dados: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/voce-tem-ou-teve-sapinho-novos-dados.html
5 - Intolerância x galactossemia x alergia LV: http://meufilhoealergicoaleite.blogspot.com.br/2008/09/intolerancia-x-galactossemia-x-alergia.html

terça-feira, 14 de julho de 2015

Como o leite materno vira água e a vaca passa a fazer melhor leite que o seu

Jenny Thomas, pediatra membro da Associação Americana de Pediatria, membro do Comitê Internacional de Certificação de Consultoria de Aleitamento e da Academy of Breastfeeding Medicine.<p> </p>
http://www.facebook.com/notes/lakeshore-medical-breastfeeding-medicine-clinic/when-breastmilk-turns-to-water-and-a-cow-makes-better-milk-than-you-do/155702701154727

Tradução de Bel Kock-Allaman 


Eu acho que se você amamenta por um ano alguém deveria fazer uma festa para você. O melhor que eu pude fazer foi dar camisetas comemorativas. Eu já dei mais camisetas do que posso contar e atualmente eu tenho uma lista comemorativa para celebrar as mães que conseguiram isso no meu website.


Então, com todas essas mães no meu consultório alcançando esse objetivo, eu comecei a considerar fazer algo para reconhecer as mães que continuavam a amamentar aos 18 meses. Essas mães maravilhosas, que ganharam a camiseta e os parabéns pelo primeiro ano diziam “Não, obrigada.” quando eu mencionei o que tinha em mente – elas não queriam que outras pessoas soubessem. Elas amamentavam, mas não queriam reconhecimento público. Elas amamentavam “no armário” e estavam bem assim.

A revisão dos 12 meses é uma ótima oportunidade para falar dos benefícios de continuar a amamentar além do primeiro ano. Eu vou tentar não dizer “amamentação prolongada” porque isso revela um viés cultural que existe onde eu vivo, mas talvez não onde você viva. Mundialmente, amamentar até os 2 ou 4 anos é simplesmente normal. E antes que o viés cultural interrompa a discussão, a política da Associação Americana de Pediatria diz que “não existe limite para a duração da amamentação e não há evidência psicológica de prejuízo ao desenvolvimento devido à amamentação no terceiro ano de vida ou mais”.

Então, o que acontece aos doze meses? De acordo com a crença popular, no momento em que o seu lindo bebê amamentado está dormindo na noite anterior do seu primeiro aniversário, o mundo se transforma: no dia seguinte, eles descobrem que o leite materno já não serve. Eles descobriram que a vaca faz um leite melhor que a mãe.


E como você faz que uma criança de um ano que ainda não fala entenda isso? Eles estão contando com continuar recebendo a calidez, a expressão de amor e a maravilhosa nutrição que tinham no dia anterior. Qual é a mágica daquele 366º dia da sua vida?

Eu sei que não faz sentido e que o bebê de um ano provavelmente está confuso, mas eu conheço algumas mulheres maravilhosas que acreditam que se elas continuarem a amamentar, seus filhos vão precisar de um complemento de leite de vaca “para que tenham todos os nutrientes”. Eu devo morar no paraíso dos laticínios, onde pessoas usam chapéus de queijo em público, mas o leite da vaca é para os bezerros. E como eu normalmente tenho essa conversa no meio de uma consulta, com a criança presente, eu posso fazer um bom trabalho convencendo a família de que o meu exame clínico sugere que o seu filho não é um bezerro.

Os componentes do leite materno que combatem infecções continuam presentes: lisozima, lactoferrina, imunoglobulina (IgA) estão presentes em quantidades estáveis. Os níveis de proteína, cálcio, ácidos graxos de cadeia longa são mais baixos comparados com o leite de um bebê de 3 meses, mas não estamos falando de bebês de 3 meses que só se alimentam de leite materno. A criança de um ano já come outros alimentos. Além disso, sabemos que mães que amamentam por mais tempo diminuem o seu risco de câncer de mama.

Eu entendo. Muitas pessoas, incluindo os profissionais de saúde, não entendem porque você quer amamentar por mais de um ano. Mas não são eles que tem que acalmar uma criança de 15 meses berrando. Eu só estou dizendo isso – se eu tivesse que escolher entre uma criança chorando que eu tenho que distrair e fazer feliz de alguma maneira e uma criança chorando que eu posso dar o peito e fazer feliz em 5 minutos, eu prefiro o segundo.


Algum dia, eu espero poder fazer algo pelas minhas amigas, as mães que amamentam “no armário” e eu saberei que estarei fazendo progresso aqui no meu pedacinho de mundo. Talvez então nós possamos convencer o resto do mundo que amamentar um bebê de mais de um ano é normal.
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