terça-feira, 29 de setembro de 2020

Amamentação após mamoplastia



A mamoplastia de aumento ou redutora, na maioria das vezes não atrapalham a amamentação, e definitivamente não a impedem. Já a cirurgia de correção de mamilos invertidos pode ter impacto negativo na amamentação.

Na mamoplastia de aumento com prótese, não há manipulação de tecido glandular, podendo ser posicionada sob o músculo ou sob as glândulas. Mesmo quando implantada pela aréola, não manipula ductos, que se localizam na parte mais central do mamilo, onde não há manipulação cirúrgica. Portanto, não têm qualquer interferência com a amamentação.

A correção da ptose mamária (mamas caídas), bem como a mamoplastia redutora são feitas, na sua maioria, pela técnica de “T” invertido, com formato de âncora, com corte também ao redor da aréola. Na correção da ptose, tão somente excesso de pele e gordura são retirados, com o mamilo sendo reposicionado, sem manipulação de ductos ou glândulas. Na redução de mamas, além da retirada de excesso de pele e gordura, pode ser retirada maior ou menor quantidade de tecido glandular. Os fatores que podem influenciar a amamentação neste caso são: tempo desde a cirurgia e tecido glandular retirado. O primeiro fator, por conta da sensibilidade nos mamilos, que pode dificultar a ejeção do LM (estimulada principalmente por nervos locais). Mulheres com mais de dois anos de cirurgia tendem a ter maior regeneração das terminações nervosas lesadas e mais sensibilidade nos mamilos. O segundo, por retirada excessiva de glândulas (geralmente cirurgias onde houve retirada de mais de 700- 800g de cada mama). Na retirada excessiva de glândulas, pode haver baixa produção, mas não é regra, pois as glândulas restantes se hipertrofiam e podem dar conta da produção.

As cirurgias de correção de mamilos invertidos (cuja causa são ductos curtos que invaginam o mamilo), geralmente têm impacto negativo na amamentação, pois dependendo da técnica, se baseiam justamente no corte dos ductos para liberação dos mamilos, deixando poucos ou nenhum ducto em funcionamento. Por isso são contraindicadas em mulheres que pretendem amamentar, devendo-se dar preferência a métodos não cirúrgicos.

Mas como saber se estou produzindo leite suficiente? Amamentando e observando o ganho de peso e diurese do bebê.

Os principais vilões da amamentação no caso de redução de mamas são a própria insegurança da mãe e a falta de apoio e de conhecimento da equipe de saúde. A descida do leite e estabelecimento da amamentação podem demorar um pouco mais nas mães com redução de mamas, por isso, paciência e parcimônia são bem-vindos. O uso precoce de leite artificial (muitas vezes já na maternidade), bicos artificiais (chupetas, chuquinhas e mamadeiras e intermediários de silicone) podem realmente comprometer de maneira definitiva a amamentação.

Então como proceder? Amamente já na maternidade. Pratique a livre demanda (mamar quanto e quando quiser) e não deixe de oferecer o peito por mais de 2h de dia e 3h de noite. O leite inicial é o colostro, que vem em pequena quantidade (gotinhas) e é importantíssimo para a imunidade do bebê. A descida do leite pode demorar vários dias (até mesmo em mães que não têm cirurgia mamária). Tenha calma, descanse com o bebê, alimente-se de maneira saudável e ingira líquidos. Ordenha manual ou com bomba não mede produção. A sucção/ordenha do bebê é a melhor forma de estímulo à produção e extração de LM. As melhores maneiras de avaliar sua produção são verificando a urina do bebê (que deve ser clara e sem odor - para isso você deve deixar o bebê sem fralda e observar o xixi), e o ganho de peso. Ele deve recuperar o peso do nascimento com cerca de 15 dias (com pega correta, livre demanda respeitada e sem bicos artificiais). Se isto não ocorrer, outras possibilidades, além da cirurgia, devem ser investigadas (problemas na pega, infecção urinária, freio de língua curto, alergia a proteína do leite de vaca, etc). Pode ser que o bebê realmente precise de complementação inicial. Muitas vezes, a mãe consegue a retirada total ou parcial do LA após a estabilização da produção, ou o bebê precise se manter em aleitamento misto. Isso ainda é amamentar. Toda quantidade de leite materno é importante para o bebê, e melhor do que nenhum LM. Você pode manter o aleitamento misto (se necessário, após tentativa de redução orientada e assistida) e ainda assim chegar à amamentação prolongada, desde que evite fatores que levam ao desmame precoce, principalmente o uso de bicos artificiais. No caso de aleitamento misto, o LA deve ser oferecido em copo ou colher (vide texto Alternativas à mamadeira).
Por fim, nunca deixe de tentar e de persistir. Muitos vão querer minar sua confiança sem ao menos  deixar você tentar. Não desista. Qualquer quantidade de LM é melhor do que nenhum.
Lembre-se de que o peito é muito mais que alimento, ele é conforto, aconchego, segurança para seu bebê - ofereça o peito como forma de amor.

Textos recomendados: 
Deixar o leite artificial
https://www.facebook.com/groups/266812223435061/doc/393140884135527/

Vídeo Amamentação e Mamoplastia - Pítia Villar
https://www.youtube.com/watch?v=0Ithi9zxMeY

sábado, 12 de setembro de 2020

Bebê alérgico a leite de vaca? Isso existe?

Por Luciana Freitas

 

Sim, existe. Estima-se que cerca de 6% das crianças menores de 3 anos tenham alguma alergia alimentar e o maior vilão é o leite de vaca. A notícia boa é que a alergia a leite costuma curar-se ainda na infância, ao contrário das demais, inclusive as alimentares.

Alergia é uma resposta do sistema imunológico a uma substância que o organismo identifica como estranha. No caso do leite de vaca, não é de se espantar que o corpo de uma criança o identifique como algo estranho; afinal, bebês humanos estão programados geneticamente para receber leite humano, não o de outros mamíferos. Essa resposta imunológica pode manifestar-se de muitas formas, por meio de sintomas gastrointestinais, respiratórios, dermatológicos, entre outros. Assim, bebês alérgicos a leite podem ter problemas diversos, muitas vezes associados, como sangue nas fezes causado por colite e proctite, cólica, vômito, refluxo, constipação ou diarreia, rinite, bronquite, otite de repetição e dermatite. Sintomas que podem confundir as mães e também os médicos.

A alergia a leite de vaca, ou melhor, às proteínas do leite de vaca (APLV) não deve confundir-se com intolerância à lactose (IL). Enquanto que a primeira é uma doença relativamente frequente em bebês, a segunda é muito rara. A IL é a incapacidade de digerir o açúcar do leite, que é a lactose. Ela se manifesta por meio de quadros exclusivamente gastrointestinais, principalmente cólicas e diarreias. Todos os mamíferos nascem com a capacidade de digerir a lactose, por uma questão de sobrevivência da espécie: filhote que não digere a lactose, em condições naturais, morre. Dessa forma, a intolerância é uma anormalidade genética muito rara em bebês e que se descobre nos primeiros dias de vida. Seu tratamento é simples, pois basta administrar ao bebê a enzima lactase, que é a responsável pela digestão da lactose. Dessa forma, o aleitamento materno pode e deve ser mantido.

E a APLV, como deve ser tratada? Com dieta rigorosa de leite e derivados. O melhor a se fazer é manter o aleitamento materno (exclusivo até os 6 meses e continuado até os 2 anos ou mais), com a mãe e o bebê em dieta rigorosa. É preciso ler todos os rótulos e verificar se há leite e derivados no produto, observar se os traços de leite (resquícios de leite de outro alimento que foi processado no mesmo maquinário) estão rotulados, ligar para o SAC para se certificar das informações, até mesmo separar utensílios, caso outras pessoas da família consumam leite e derivados. Não, não é um exagero. Alergia é qualitativa, não quantitativa; portanto, um litro ou um mililitro de leite é a mesma coisa para o alérgico. E, lembre-se: a cura depende da exclusão total, por isso quanto mais rigorosa for a dieta, maior a possibilidade de uma cura rápida. Em casos de bebês já desmamados, há formulas especiais hidrolisadas e de aminoácidos. As fórmulas de soja não devem ser consumidas antes dos 6 meses de idade por bebês APLV e, após essa idade, continuam sendo contraindicadas para aqueles que têm sintomas gastrointestinais. Além disso, cerca de 50% dos bebês alérgicos a leite apresentam também alergia a soja, motivo pelo qual muitas vezes ela é cortada preventivamente da dieta. Outro vilão para o bebê APLV pode ser a carne vermelha, com uma porcentagem de 10% de probabilidade de reação cruzada.

Se você acha que seu bebê pode ter APLV, consulte um bom gastropediatra. Ele é o profissional adequado para diagnosticar e tratar o problema. Paralelamente, procure informar-se e buscar apoio de outros pais APLV.


Amamentar? Por quê?

Por Luciana Freitas

Publicado em setembro de 2010

 

Nos últimos anos, a amamentação, após décadas de império das mamadeiras, voltou a tornar-se uma prática socialmente relevante. Aqui e acolá ainda há alguma tia, alguma avó, alguma vizinha (e, às vezes, até mesmo algum pediatra) que insiste em afirmar que leite de peito é “fraco” e que “não sustenta”, mas a elas são, sem dúvida, figuras que tendem a permanecer no passado. Assim, hoje em dia é mais freqüente ouvirmos comentários positivos acerca do leite materno e da sua superioridade com relação ao leite de vaca e às fórmulas infantis.

Se todos (ou quase todos) estão convencidos da importância do aleitamento materno, a maioria hesitaria diante da simples pergunta: quais são, exatamente, os benefícios da amamentação? Tentarei respondê-la a partir das pesquisas nessa área, que estão em franco desenvolvimento. A cada dia, descobre-se uma nova propriedade do leite materno ou outra importante vantagem da amamentação. Veremos apenas algumas delas.

O leite humano possui nutrientes balanceados e de acordo com as necessidades de bebês humanos. Também é rico em substâncias anti-infecciosas e em fatores de crescimento. Ele tem fácil digestão e protege a criança de infecções gastrintestinais, respiratórias e urinárias. Além disso, também previne alergias, especialmente a mais frequente na primeira infância, que é a alergia às proteínas do leite de vaca. Importante papel desempenha o leite materno na melhor aceitação de alimentos pelo bebê e na prevenção de várias doenças como obesidade, diabetes, pressão alta, otite, asma, parasitoses intestinais, diarreias e doenças cardiovasculares. Bebês que não são amamentados têm mais diarreia, infecções respiratórias, desnutrição, deficiência de vitamina A, alergia a leite e sobrepeso, entre outros problemas. Enfim, crianças amamentadas têm menores índices de mortalidade que as não amamentadas. Muitos motivos para amamentar, não?

No entanto, as vantagens do aleitamento materno não se restringem aos bebês: as mães também se beneficiam. A amamentação proporciona um menor sangramento pós-parto e, portanto, menor índice de anemias. Além disso, mulheres que amamentaram sofrem menos de câncer de mama, de ovário e de endométrio e ainda têm menos fraturas causadas pela osteoporose. Como se não fosse o bastante, a amamentação representa um gasto calórico diário equivalente a uma aula de spinning!

Até mesmo sociedade se beneficia da amamentação, pois o leite materno é grátis e reduz os gastos com médicos, hospitais e medicamentos, o que permite uma significativa economia, tanto para as famílias, quanto para o poder público. E, finalmente, amamentar é ecológico, pois não produz de detritos inorgânicos.

Esses benefícios mencionados, embora sejam muitos, não são os únicos proporcionados pela amamentação; há muitos outros. Foram citados apenas aqueles que dizem respeito ao aspecto nutricional e imunológico do leite materno. Sequer foi comentando o mundo de benefícios afetivos e psicológicos desse ato natural, belo e importante que é amamentar.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Curvas de peso: como interpretá-las?

Por Maria Birman Cavalcanti
Revisão: Luciana Freitas e Gabriela Silva


“Seu bebê está abaixo da curva!”

Você já ouviu isso em tom de alerta, de que algo não vai bem? O pediatra olhou o gráfico na caderneta de vacinação e disse que seu leite não era suficiente, que não era forte, que não era gorduroso? Ele disse que seu bebê precisava tomar complemento e justificou com essa afirmação? Mas o que é essa curva afinal?

Curva é como chamamos um dos instrumentos utilizados para avaliar o desenvolvimento do bebê. A curva é o caminho desenhado nos gráficos que ficam no final da Caderneta da Criança, documento produzido pelo Ministério da Saúde e que todas as crianças devem possuir. Ter a Caderneta preenchida por um profissional de saúde é um direito! 

Cada bebê tem sua própria curva, seu próprio caminho, seu ritmo. Essa curva desenhada individualmente pode ser avaliada, e classificada como adequada ou não, quando comparada às referências presentes no gráfico. Na versão atual da Caderneta da Criança, os gráficos mostram cinco linhas: uma verde, duas vermelhas e duas pretas. 

A curva verde marca a mediana. Isso significa que ela divide a população em duas partes iguais, metade para cima, metade para baixo. Quer dizer que a metade dos bebês saudáveis do mundo têm menos peso do que o que a linha verde indica; a outra metade, também saudável, tem mais peso. A curva verde não representa um padrão ideal de ganho de peso! “Chegar” nela não é um objetivo a ser perseguido e não é necessário para ter saúde! 

As curvas vermelhas marcam o caminho que os bebês mais extremos, aqueles bem grandes e os bem pequenos, fazem ao longo de seu crescimento e de ganho de peso. Nós não somos todos iguais, somos? Há adultos de 1,49m e de 1,89m igualmente saudáveis, independentemente de sua altura. É claro que essas pessoas também têm pesos diferentes (e filhos de tamanhos diferentes)! Bebês cujos peso está próximo dessas curvas são menos comuns, menos frequentes na população, mas tão saudáveis quanto os bebês que estão próximos da linha verde.

As curvas pretas são nosso sinal de alerta. É muito raro um bebê apresentar o peso marcado na linha preta sem que haja alguma aspecto a ser investigado sobre sua saúde. Quando o peso de um bebê está próximo à linha preta do gráfico, é preciso investigar para entender o que pode estar acontecendo: tanto pode ser um desses raros casos de bebês muito pequenos (ou muito grandes), como um caso de problema real de ganho de peso. 

Mas... A palavra mais importante de todo esse texto é mesmo curva. Durante a avaliação do ganho de peso de um bebê, é preciso observar se o traço feito com a caneta desenha uma curva parecida com as linhas coloridas já existentes no gráfico, seguindo uma inclinação parecida. Se o ganho de peso segue esse padrão, que chamamos de ascendente, ou seja, de subida, ele é satisfatório. Quando a curva vai perdendo sua inclinação, isso é, quando o caminho de ganho de peso do bebê vai caindo, é preciso prestar atenção. Por exemplo, se um bebê nos primeiros meses estava um pouco acima da linha verde e mais tarde vai se aproximando da vermelha, é preciso investigar o que está acontecendo. É diferente de um bebê que já nasce pequeno, ali entre a linha verde e a linha vermelha inferior, e segue ganhando peso num padrão ascendente sempre entre essas duas linhas, algo que é esperado e saudável. 

Figura 1:  Curva com ganho de peso estável
Figura 2: Curva com queda inicial no ganho de peso e depois aumento no ganho

O que é a livre demanda?

Por Mariana Santana
Revisão: Luciana Freitas e Gabriela Silva


Um dos pilares para o sucesso da amamentação é o que chamamos de livre demanda. No entanto, até hoje persistem muitas dúvidas e más orientações sobre o que seria amamentar em livre demanda. A cultura do aleitamento materno foi tão diminuída e a medicalização do nascimento tão ampliada que, hoje, os adultos costumam desconhecer as necessidades de um bebê e buscam ansiosos por regras a seguir. Daí que surgem orientações de amamentar a cada 2 ou 3h, algo completamente distante do comportamento mais comum de uma criança pequena.

Um bebê recém-nascido pode mamar a cada 2 ou 3h, mas também é comum que ele queira mamar absolutamente o tempo todo! Nessa fase, ele busca se sentir acolhido como estava no útero e não existe melhor lugar pra isso do que o peito e o colo da mãe. Tenhamos em mente que o peito não é só alimento, mas é também o melhor lugar de afago, aconchego e segurança para uma criança pequena. No peito ele sente o calor, o cheiro e os sons do corpo da mãe e, por que não, se alimenta de forma contínua, como no útero.

É importante que os pais estejam atentos ao bebê, percebendo seus sinais precoces de fome para alimentá-lo. O choro já é um sinal tardio: antes disso a criança dará outros sinais que são bastante particulares. Com o tempo, os pais vão instintivamente aprendendo que sinais são esses, mas, geralmente, começam a ficar agitados, virando a cabeça, fazendo biquinho, sugando “o nada”, sugando a língua, movimentando-se como se procurando o peito, soltando saliva pelo cantinho da boca etc. Coloque-o próximo ao peito e ele mamará com gosto! Assim, fazer livre demanda não é esperar para amamentar somente quando o bebê chorar, mas sempre que ele parecer estar com fome ou simplesmente quiser estar no peito. 

O bebê passará também por mudanças sutis ou bruscas no padrão das mamadas. Ora passarão longos períodos sem mamar, ora requisitarão muito mais o peito. Isso é muito comum e costuma assustar bastante a família, que erroneamente pensa que o leite está acabando. Tratam-se dos saltos de desenvolvimento ou dos picos de crescimento que ocorrem de forma mais ou menos regular em todos os bebês [1]. Esses períodos são importantes para regular a produção de leite, avisando ao corpo da mãe as necessidades de cada fase do desenvolvimento.

Em alguns casos, como o de bebês pequenos para a idade gestacional (PIG), grandes para a idade gestacional (GIG) ou prematuros, a livre demanda precisa ganhar um reforço. Nesses casos além de oferecer sempre que a criança pedir, reforçamos a amamentação, algo que no GVA chamamos de "intensivão de peito". O que significa? Que para esses bebês, vamos amamentar pelo menos a cada 2h (de dia) e 3h (de noite/madrugada), mesmo que eles pareçam estar ainda dormindo ou quietinhos, sem fome. Eles precisam ganhar peso e nem sempre conseguem acordar sozinhos ou chorar pedindo pra mamar.

Diferente do que circula no senso comum, esse cuidado não se relaciona com risco de hipoglicemia[2/3], mas por conta da maior dificuldade que esses bebês possuem de ganhar peso. Por isso, o intensivo de peito deve ser mantido até que o peso se estabilize. Para as crianças fora desses grupos, caso não haja recuperação do peso de nascimento em até 10 dias, é recomendado que sejam também submetidos a um intensivo de peito. 

É recomendável, ainda, que o bebê durma próximo à mãe, pelo menos no mesmo cômodo, nos primeiros meses de vida. Isso porque quando a criança se percebe sozinha, pode adotar o comportamento de dormir por longos períodos, que é uma forma instintiva de guardar energia. Essa “hibernação” frequente pode trazer problemas no ganho de peso e no desenvolvimento. Se não for possível manter a criança próxima, também recomendamos o intensivo de peito até estabilização no ganho de peso.

Lembre que a livre demanda também implica em não controlar qual mama será oferecida de cada vez. Exceto em casos específicos [4], não há motivo para oferecer uma mama em determinado período, ou alternar, necessariamente, a mama que será oferecida. Quando for amamentar, basta oferecer a mama que lhe parece mais confortável, seja pela posição em que está, seja por estar mais cheia ou pesada ou por precisar de uma ou outra mão livre. Atenção para não oferecer sempre a mesma mama, pelo risco de ingurgitamento (“empedramento”) e também para não aumentar a diferença natural de tamanho que todas temos entre as duas mamas. Novamente, devemos perceber os sinais do bebê: caso ele rejeite a mama, seja no início ou no meio da mamada, teste a outra.

Outro ponto muito importante: amamentação não combina com relógio, em nada. Não apenas para indicar quando dar o peito, mas também quanto ao tempo da mamada. Circula uma ideia, totalmente errada, de que o bebê deve fica no máximo 15 minutos no peito. Imagine alguém dizendo que você só pode comer por 5 ou 10 minutos, beber água por apenas 1 minuto ou algo parecido com isso? É fundamental para a saúde do bebê que ele fique no peito o tempo que quiser, inclusive porque ele é o responsável por controlar a composição do leite materno. Isso mesmo. Conforme ele vai mamando, o leite vai tornando-se mais rico em gorduras e é ele, o bebê, que pela sucção torna isso possível.

Por fim, é importante considerar que o leite materno é o principal alimento durante o primeiro ano de vida e que não se recomenda nenhum tipo de restrição à livre demanda até o primeiro aniversário. Isso significa não marcar horários mínimos ou máximos, oferecer o peito sempre que solicitado e não iniciar desmame, nem mesmo o noturno. Após um ano de vida, a livre demanda pode continuar se for confortável para a dupla, mas a partir deste momento podem surgir algumas limitações, caso isso seja vontade da mulher, e não de terceiros.


Referências:

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

FAQ "choro no final da tarde"

A cólica em bebes é um nome genérico que se da a qualquer choro sem causa determinada, então antes de dizer "meu bebe sofre de cólicas" analise a situação. O choro com hora marcada, geralmente final de tarde, geralmente está associado ao cansaço. O desconforto por gases é normal, os puns são uma sensação nova para o bebe, o que lhe deixa desconfortável. O uso de chupetas pode entre outras favorecer a inclusão de gases no sistema digestivo do bebe, se está em uso suspenda imediatamente.

Outro fator importante que pode favorecer a aparição de gases ou a irritação no bebe é o cansaço acumulado, bebe novinhos especialmente, se deixados acordados mais 2 hs ficam muito irritados e tem dificuldade para dormir. Observe os sinais de cansaço de seu bebe e coloque para dormir rapidamente, ele não sabe adormecer sozinho precisa da ajuda do peito e o embalo, se for preciso permita que alguma soneca seja no colo para que seja quebrado o ciclo de cansaço acumulado.
Use exterogestação, colocar o bebe para mamar e dormir aos primeiros sinais de sono e cansaço. Capriche na livre demanda e não ofereça chás, nem nada diferente ao LM. Evite dar remédios para gases mesmo que sejam receitados, a maioria tem como efeito secundário a dor abdominal, cólica real, e evacuação dolorida devido á forte movimentação dos intestinos.
recomendamos ler sobre o tema nesses textos:

Alternativas para tratar os Gases do bebe https://www.facebook.com/groups/266812223435061/doc/358434994272783/

O efeito Vulcão- pular sonecas produz birra, irritação e mais dificuldades de dormir?
https://www.facebook.com/groups/266812223435061/doc/266817410101209/

IMPORTANTE:
Dar ÁGUA, CHÁ, SUCOS para curar as "cólicas" do bebe atrapalham a amamentação exclusiva e pior colocam em risco a saúde do bebe sem necessidade. O LM contem BIOATIVOS, os tais pro-bioticos que os fabricantes de LA juram que tem (mas não). Esses bioativos garantem o equilíbrio da flora intestinal do bebe, atuando como uma proteção ao evitar que bactérias ruins se instalem no tubo digestivos, eles formam um BIOFILME nos intestino do bebe que o protegem de doenças. E o que acontece com chá, água, sucos? todos eles enxugam essa bio película, deixando o intestino do bebe como um habita disponível para a primeira bactéria que entrar se instalar e multiplicar rapidamente, o que pode causar uma infecção rapidamente (gastro enterites). Com a interrupção de AME, o bebe fica desprotegido e coisas simples que antes não eram nenhum risco podem atuar como transmissores, um beijo, levar a mão na boca, chupar um brinquedo, o dosador da vitamina, o chá mesmo. Entre mais novo o bebe ao qual se administra chá, suco, água, etc, maior é o risco de contaminação. CUIDADO, não coloque em risco a saúde de seu bebe.
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