segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Chupeta x Dedo x Peito

por Andréia Stankiewicz, 



Tudo o que acontece desde o útero, no momento do parto, nos primeiros anos de vida e também na infância, são determinantes na formação dos indivíduos. Por isso, estímulos fisiológicos nesse período são tão importantes para o desenvolvimento do bebê. E nossas escolhas, fundamentais (!) já que repercutirão diretamente sobre a vida de um novo ser.

Vou tentar explicar um pouco da diferença peito x dedo x chupeta, através de uma espécie de "parecer técnico", embasada nas evidências da Ortopedia Funcional dos Maxilares, ok?

1. Dedo é natural; chupeta, não!
Chupar o dedo faz parte do processo de desenvolvimento do bebê. Muitos já o fazem desde o útero! É uma exploração inerente à fase oral (que vai até em torno de 1 ano e meio a 2 anos de vida). Com o tempo e a presença de outros estímulos (peito, alimentos, brinquedos, mordedores, engatinhar, andar, falar, etc...) o dedo vai sendo esquecido. Isso é o normal, não há motivos para preocupações! Tem fases que o bebê pode querer chupar mais mesmo, até a mão inteira, como, por exemplo, quando os dentinhos estão para nascer, pois a gengiva coça, dói, irrita. Mas passa!
Já a chupeta é imposta pelos pais e não faz parte do desenvolvimento natural, tanto é que a maioria dos bebês demora a aceitar a dita cuja.

A sucção feita com a chupeta é bem diferente da sucção normal feita no peito, pois os músculos são utilizados de forma diferente (ou seja, chupeta é uma academia de ginástica anti-natural)

 2. O dedo é mais anatômico do que a chupeta.
Tomando como padrão ouro de sucção infantil a amamentação, observa-se que ao sugar o dedo, este fica numa posição mais parecida dentro da boca com o bico do peito da mãe. Ele vai até o limite entre o palato duro e o palato mole, estimulando nesta região o desenvolvimento de um ponto neural chamado de "ponto de náusea" (aquele que "dispara" a ânsia de vômito). A língua também fica numa posição mais parecida com a da amamentação (mais anteriorizada). Já a chupeta não tem uma proctratibilidade tal qual o peito, e seu bico ou termina no meio da boca (no caso das chupetas normais) ou logo na entrada da cavidade oral (no caso das ortodônticas), atrás da região dos incisivos superiores; estimulando erroneamente aí a formação daquele ponto neural. Com a chupeta, a língua é "empurrada para trás" (na garganta), ficando numa posição mais posteriorizada, com a ponta baixa e o dorso elevado, ao contrário do que seria o normal. Tanto o dedo é mais fisiológico e anatômico, que não atrapalha a amamentação, enquanto que a introdução de bicos artificiais pode sim atrapalhar (a chamada "confusão de bicos") ou ainda comprometer o ganho de peso, pois o bebê tende a solicitar menos o peito.


3. Hábitos de sucção não-nutritivos persistentes
Não importa se for o dedo, a chupeta, o lábio, a língua, o braço, um brinquedo, paninho, seja lá o que for... Os estragos são semelhantes: palato profundo e atrésico, queixo pequeno e retro-posicionado, base do nariz estreita, cantinho do olho “caído”, olheiras persistentes, perda do vedamento dos lábios, boca aberta, respiração bucal, língua baixa e flácida, alterações na rota de crescimento dos ossos da face, dentes tortos e mordida errada, falta de espaço, dificuldades para respirar, mastigar, engolir, falar, distúrbios do sono - ronco, apneia, bruxismo, terror noturno... - problemas posturais da coluna (lordose, escoliose, “pé chato”), patologias respiratórias de repetição - rinite, bronquite/asma, sinusite, amigdalite, otite, gripes/resfriados frequentes -, etc. etc. etc.
Daí vem o medo da maioria dos pais e profissionais quanto ao dedo, justificando que a chupeta é mais fácil de tirar. O que é um erro!

A grande maioria dos bebês vai deixar de chupar o dedo naturalmente (como já foi explicado), até o final da fase oral se receber estímulos positivos: amamentação com boa-pega, em livre demanda, mamando até ficar satisfeito, exclusiva até pelo menos os 6 meses, desmame gradual e preferencialmente prolongando a amamentação nos primeiros anos de vida da criança (até 2 anos ou mais); uma introdução de alimentos bacana, tanto na qualidade como na consistência; ter liberdade para explorar o ambiente, brincar, colocar coisas na boca...enfim, se o desenvolvimento estiver normal, é uma fase e passa! Caso isto não ocorra, é necessário avaliar o que aconteceu e intervir para que as coisas voltem ao seu curso natural. Profissionais de várias áreas podem ajudar (dentista, fono, psicólogo, pediatra...).

Existe uma técnica chamada de Mamilo, utilizada por alguns dentistas ortopedistas capacitados, que é super legal e eficaz na remoção de qualquer hábito oral que se prolongue além do normal; e que atua não contra o hábito, mas a favor da biologia e da fisiologia da criança, consertando os estragos que houverem e ao mesmo tempo esgotando a necessidade neural de sucção que tenha ficado.
A chupeta um dia será tirada pelos pais e, se a criança ainda não tiver esgotado essa necessidade neural até então, muito provavelmente substituirá por outro hábito (roer unha, arrancar "pelinha" do dedo, morder lápis/caneta...). No caso da chupeta, não é uma fase que passa, ela é dada pra depois ser "arbitrariamente" tirada (quando achamos que está "na hora"). E não existe uso racional, como muitos profissionais preconizam. Afinal, os pais não têm como saber a medida certa do quanto o bebê precisa sugar para se satisfazer, enquanto que o dedo, o bebê auto-gerencia (! rsrsrs).
Ah, outra coisa: muitos dentistas falam que é só tirar a chupeta que o dentinho torto volta pro lugar. É verdade, mas o osso todo que "entortou" não volta! E no futuro faltará espaço para os dentes permanentes, além de outros problemas morfo-funcionais bem complicados.

4. Não é tudo culpa da genética!
Colocar a culpa dos dentes tortos e ossos mal-formados apenas na genética não reflete a realidade. Os fatores ambientais são fundamentais na manifestação de certas características. E por isso, as escolhas que fazemos pelos nossos filhos são tão importantes, inclusive a de oferecer ou não uma chupeta! Claro que existem biotipos mais suscetíveis aos hábitos e outros mais resistentes. Entretanto, se considerarmos que a função determina a forma, e a chupeta prejudica a função...isto quer dizer que a chupeta DEFORMA! (mais que o dedo que prejudica menos as funções). Vou tentar explicar melhor: vamos supor (uma estória, bem trágica, tá certo?) dois irmãos gêmeos: um deles caiu do berço quando era bebê e ficou paraplégico (toc, toc, toc, bate na madeira 3x! rsrsrs). Vocês concordam que, apesar da genética idêntica, o desenvolvimento entre os dois irmãos será bem diferente? Um terá as pernas atrofiadas e o outro não. Na boca acontece a mesma coisa! Ela atrofia por falta de uso, ou melhor, por funcionar errado, pela presença de estímulos neuro-motores patológicos que influenciarão diretamente o crescimento. A chupeta é um destes estímulos (junto com falta de amamentação ou o desmame precoce, uso de mamadeira ou copos de transição, respiração bucal, dieta macia e de má-qualidade, etc). Vocês sabiam que 80% do crescimento mandibular ocorre até os 6 anos de vida? E já repararam como a face e a boca do bebê crescem rapidamente no primeiro, segundo anos? Por isso que estímulos ruins neste período são tão "catastróficos", digamos assim.


5. Todo mundo conhece alguém que chupou chupeta e
tem dentes ótimos ou que ficou até com o dedo torto de tanto que chupou o dedo...

Bem, tudo é relativo. Infelizmente, são poucos os profissionais que sabem detectar precocemente uma mal-oclusão (isto é, antes dos 6-7 anos; lá por 2, 3 anos ou até menos). Muitas vezes os sinais são sutis e incipientes (os dentes até parecem normais), e passam despercebidos pela maioria dos pais e profissionais de saúde. Dificilmente uma criança "escapa ilesa" de um hábito de chupeta. O que pode acontecer são alguns raros casos de biotipos mais favoráveis nos quais os danos são menores. Por outro lado, é uma porcentagem muito pequena de crianças que "viciam" no dedo, e hoje existem formas eficazes e tranquilas de remover o hábito bem precocemente (lá por volta dos 2 anos), sem traumas. E a amamentação é a principal forma de prevenção!

Ou seja, acho que deu pra entender a mensagem: o dedo é menos pior!!! Pode deixar o bebê chupar. É válido usar alguns recursos quando a criança está chupando o dedo como oferecer o peito, distrair a criança com alguma outra coisa, brincar, cantar, desviar a atenção...reforço negativo ( do tipo "tira o dedo da boca", "é feio", "é sujo", "ai, que nojo"...) não é produtivo e pode servir até como forma da criança chamar a atenção dos pais. Nossa ansiedade com o dedo também pode ser percebida pela criança, estimulando ainda mais o hábito. Agora, dar chupeta não é legal!

Pode até parecer radicalismo, mas quem se dispõe a estudar a fundo como as chupetas funcionam, e lida profissionalmente (ou pessoalmente) no dia-a-dia com seus efeitos, não consegue defendê-las...nem um pouquinho!

Ah, mamadeiras, idem! Mas aí, já é outra estória...

O fato do bebê chupar dedo, embora seja super natural e normal, acabou virando um grande mito. Os pais/familiares muitas vezes têm medo de que o hábito persista e grande parte dos profissionais, inclusive das áreas médica e odontológica, acabam orientando equivocadamente sua substituição pela chupeta, causando uma série de (reais!) problemas no lugar do "problema" imaginário que é o seu bebê chupar dedo.
Nessa fase (a fase oral, que vai até mais ou menos uns 2 anos), o bebê leva tudo à boca, suas próprias mãozinhas, inclusive. Ele chupa o dedo pra se acalmar, pra "experimentar", pra brincar, pra mostrar que quer mamar...Aqui em casa, por exemplo, quando RN, a Luiza, minha filhota de 1 aninho, quase nunca chorava pra mamar, ela só chupava os dedinhos e logo ganhava o peito! Era o seu jeitinho de mostrar que estava com fome. Depois, quando começa a nascer os dentinhos, as gengivas coçam, o bebê fica irritado e o dedinho passa a servir como um excelente recurso para aliviar o incômodo. No transcorrer do seu desenvolvimento, o bebê passa a ter outros estímulos e maneiras de se expressar, brincar, se acalmar... e o dedo vai sendo esquecido. Mas isso tudo só acontece se for bem estimulado. Como? Principalmente através da amamentação!!!

Em livre demanda (mas LD de verdade, sem olhar relógio! afinal, quem melhor que o próprio bebê pra saber a hora que precisa mamar, seja por fome, vontade de sugar, estar no colo, se acalmar, dormir, etc.) E prolongada por tanto tempo quanto for a necessidade de cada criança (a OMS fala, até os 2 anos ou MAIS). O desmame ideal seria um desmame espontâneo, gradual, natural. Algumas vezes, mesmo sem querer, a mãe acaba provocando um desmame precoce, por ex., com a introdução de chupetas e mamadeiras/copos de transição ou até mesmo realizando um desmame noturno que acaba diminuindo sua produção de leite e levando ao desmame completo.
Oferecer a chupeta é um grande equívoco culturalmente estabelecido. Estaremos substituindo a necessidade de sucção pela necessidade do objeto! E isso explica inclusive o fato da necessidade de sucção com bicos artificiais nunca ser plenamente satisfeita, sempre fica um déficit.
Não é plenamente satisfeita porque a necessidade de sucção não é apenas o sugar em si, mas ter o seio materno por perto, que logicamente faz ter a mãe por perto, são necessidades psico-emocionais mais amplas. 

A chupeta representa uma tentativa de preencher que acaba deixando mais um vazio, já que vai chupar infinitamente, sem ter o calor, o cheirinho, a voz, o afeto da mãe junto.

Prevenir com a amamentação em LD é muito mais eficaz e coerente do que tentar corrigir dando chupeta. (contribuição de Gabriela Silva)

Então, se a dúvida é dedo X chupeta? A resposta é dedo. E VIVA O PEITO!

Mamilo é uma técnica q foi desenvolvida por uma dentista muito especial, a Dra. Gabriela Dorothy de Carvalho (que inclusive é membro da WABA e faz um trabalho muito bonito com crianças respiradoras bucais e promovendo a amamentação), juntamente com sua equipe, formada por um grupo de profissionais do Núcleo de Estudos em Ortopedia dos Maxilares - Respirador Bucal, o NEOM-RB (www.neom-rb.com.br). Assim, não são todos os dentistas que conhecem ou executam essa técnica, mas ela vem sendo cada vez mais difundida. Ele é um acessório colocado nos aparelhos ortopédicos que, ao mesmo tempo que faz a correção dos estragos causados pelos hábitos deletérios de sucção, ajuda a criança a abandonar o hábito. É uma bolinha que, quando colocada no lugar certo (no ponto de sucção), faz com que a criança sugue o Mamilo até satisfazer completamente sua vontade, "estressando" o hábito. Gradualmente essa bolinha vai sendo desgastada até que a necessidade neural de sucção seja satisfeita. É eficaz na remoção de hábitos de sucção de dedo, chupeta, língua, lábio...


Em seu livro SOS Respirador Bucal, a Dra. Gabriela fala: "Sempre é possível obter uma resposta favorável do organismo quando nossos procedimentos clínicos ou aparatológicos não são direcionados contra a alteração presente, mas sim a favor da fisiologia, da biologia e da saúde." Ou seja, o Mamilo não atua impedindo a sucção, e sim fazendo com que a criança esgote um possível déficit neural de sucção que tenha ficado, chupando o aparelhinho e aos poucos não sentindo mais essa vontade.

Este aparelho pode ser usado a partir dos 2 anos ou tão logo a criança que esteja apresentando problemas por conta da sucção prolongada possa cooperar. E por que usar aparelho tão cedo? Porque alterações funcionais na respiração, mastigação, deglutição, fala, prejudicam a saúde, a qualidade de vida e o desenvolvimento equilibrado da criança. Por isso é preciso intervir tão logo o problema seja identificado a fim de romper um ciclo que levará ao surgimento de outros problemas bem graves (respiratórios - as ites: rinites, bronquites, sinusites, otites, amigdalites...frequentes; fonoarticulatórios; dentários; de postura; de alimentação; pedagógicos/comportamentais - TDAH, ansiedade, entre outros; distúrbios do sono - bruxismo, terror noturno, xixi na cama em crianças grandes; etc...).


Mamilo é feito em acrílico, o mesmo material utilizado para fazer os aparelhos dentários. Depois de polimerizado ele fica durinho. Pode ser confeccionado de 2 maneiras: em laboratório, onde é feito primeiro um molde da boquinha da criança e depois é feito o aparelho já com o Mamilo posicionado; ou então ele pode ser colocado depois que o aparelho já estiver adaptado na boca. A primeira forma é mais fácil de fazer e tem a vantagem de que o polimento fica melhor, ou seja, o Mamilo fica bem lisinho e super gostoso de chupar - parece uma balinha! hehehe. A segunda forma tem uma grande vantagem, ao meu ver, que é a de ficar numa posição ótima dentro da boca. É feito assim: quando a "bolinha" já está quase pronta (endurecendo), a gente coloca ela no aparelho e pede pra criança chupar do jeitinho que ela está acostumada a fazer com o dedo/chupeta, etc. Dessa forma, o Mamilo fica bem anatômico e colocado exatamente no ponto de sucção, onde ela mais gosta de sugar.

O aparelho em si vai depender do tipo de problema da criança. Existem vários tipos de aparelhos ortopédicos mecânicos e funcionais e o Mamilo pode ser acoplado em qualquer um deles. Em geral, para crianças pequenas prefere-se um tipo de aparelhinho que fica fixo no céu da boca e que tem uma ação rápida (em torno de 3 meses de uso), com resultados muito satisfatórios, especialmente sobre o aspecto respiratório.
Nosso site andou um pouco "abandonado" ultimamente por conta da maternidade, trabalho e outros projetos, enfim...mas prometo em breve colocar mais informações e fotos sobre o tratamento e o trabalho que realizamos para q vocês possam visualizar melhor tudo isso. Pode deixar q eu venho avisar assim que estiver no "ar". Também no livro da Dra. Gabriela fala bastante a respeito. Chama-se: SOS Respirador Bucal - Uma visão funcional e clínica da amamentação (Ed. Lovise).

Ao contrário da maioria dos colegas que têm uma visão mais odontocêntrica (focada nos dentes), nós observamos que chupar o dedo faz menos estragos sob o aspecto funcional do que os bicos artificiais. Isso porque enquanto suga o dedo, como na ordenha do peito, o padrão de respiração é nasal. E a respiração é primordial, pois comanda vários outros desdobramentos biológicos e estímulos neuro-musculares. Com os bicos artificiais perde-se o selamento labial e inicia um desequilíbrio/incoordenação nas válvulas vitais (nariz, boca, palato, epiglote). Mas nessa fase é possível intervir com 100% de eficácia, sem provocar traumas de nenhum tipo na criança, pois como eu expliquei, o Mamilo não impede a sucção, ele busca a satisfação neural completa para eliminar a necessidade do hábito naturalmente.
http://www.vivavita.com.br/arquivos/artigos/o_uso_do_aparelho_mamilo_para_tratamento_do_habito_de_succao_digital.pdf


Andréia Stankiewicz
(dentista odontopediatra, professora de pós-graduação, homeopata, ortodontista e ortopedista funcional dos maxilares)

Chupar o dedo no útero é normal. Chupar o dedo no útero é normal.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Bebês em aleitamento materno precisam fazer jejum antes de exames e procedimentos?

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas dormindo, bebê e texto

Qual o tempo necessário de jejum para a realização de exame de sangue em bebês? O jejum total é realmente imprescindível para fazer um simples exame de sangue? E em caso de cirurgia, qual o tempo necessário?

O leite materno é rapidamente digerido e por esse motivo não é necessário restringir a amamentação previamente à realização de exames laboratoriais simples, como, por exemplo, para hemogramas ou coagulogramas.

Para os casos de cirurgias, sugerimos verificar com o cirurgião e com o anestesista se pode ser seguida a orientação da American Society of Anesthesiologists, recomendando que “para pacientes de qualquer idade, previamente hígidos [sadios] e que serão submetidos a procedimentos cirúrgicos eletivos com uso de anestesia períodos de jejum [...] de 4 h para leite materno”, conforme exposto no estudo "Changing paradigms in preoperative fasting: results of a joint effort in Pediatric Surgery".

Fontes:
http://sbac.org.br/.../Nordestgaard-BG-Fasting-is-not...
http://www.anestesiologiausp.com.br/wp-content/uploads/POP-138-Jejum-pré-operatório.pdf
http://www.e-lactancia.org/.../preoperative.../synonym/
https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/78402
http://www.scielo.br/.../pt_0066-782X-abc-108-03-0195.pdf
http://www.scielo.br/.../pt_0102-6720-abcd-30-01-00007.pdf

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Cuidados com o Recém Nascido



A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas dormindo, bebê e close-up

O bebê nasceu! Iniciando os cuidados com o recém-nascido (RN)
Por meio deste texto queremos oferecer uma orientação quanto aos cuidados com o bebê, focando no início da vida dele fora do útero.
Os primeiros cuidados podem ser feitos por você mesma. Se o parto foi natural isso fica mais fácil, mas se precisar de ajuda não hesite em pedir e aceitar. No entanto, tenha em mente e procure deixar explícito para as pessoas que a ajuda não é uma apropriação do bebê. Assim, mostre como você quer cuidar do seu filho e quem ajuda precisa respeitar suas escolhas.
Cuidados com o coto umbilical
Após o corte e o clampeamento do cordão umbilical, resta o coto, que deve ser cuidado até que caia. A média é sete dias, mas há casos que vão de 3 dias a 15 dias ou mais. Portanto, não se assuste, é normal demorar mais, desde que não apresentar mal cheiro ou secreção, embora pequenos sangramentos sejam normais. O coto não deve ser abafado, por isso algumas fraldas, inclusive, apresentam um corte nessa região para que o plástico não funcione como um curativo oclusivo.
O cuidado com o coto consiste em limpar pelo menos três vezes por dia, sempre depois do banho e nas trocas de fralda, com algodão umedecido com álcool 70%. A limpeza deve ser feita passando o algodão em todo o coto e na inserção dele com a barriga. Não se deve simplesmente pingar o álcool, deve-se esfregar delicadamente.
O coto não dói, então o bebê pode chorar nesse momento pois o álcool é gelado e essa sensação é estranha pra ele. Lembre-de de que o choro é a forma de o bebê comunicar tudo o que sente. Estudos mais recentes mostram que a clorexidina aquosa a 2% tem o mesmo efeito do álcool, com a vantagem de não ressecar a pele da barriga.
Após a queda do coto, a cicatriz (o umbigo) ainda requer esses mesmos cuidados até que esteja totalmente cicatrizada. Não enfaixe, não coloque objetos dentro do umbigo nem qualquer outra substância que não estas já citadas. Após o banho, seque bem e limpe com o álcool ou clorexidina.
O que deve ser observado, pois seria uma cicatrização que não tá evoluindo bem e que, portanto, necessitaria de observação do pediatra: vermelhidão na pele ao redor do coto, pele quente, com área endurecida, e secreção tipo pus saindo desse local.

Banhos de sol
Desde os primeiros dias de vida, o bebê pode e deve tomar banhos de sol. Quinze minutos pela manhã são suficientes. Não tem problema se o banho de sol for pela janela, contanto que os raios batam diretamente no bebê, sem interferência do vidro da janela ou de cortinas. Deixe-o somente de fralda nesse momento, mas um gorro pode ser uma boa ideia para o conforto da visão do bebê quanto à claridade. Se quiser, pode deixá-lo mais quinze minutos após as 16h. Mesmo em dias chuvosos, é possível aproveitar qualquer horário do dia deixando as pernas e os braços do bebê expostos por apenas cinco minutos.
O banho de sol nos primeiros dias de vida do bebê é importante para fazer a quebra da bilirrubina, evitando a icterícia (amarelão) e diminuindo as internações para realização de fototerapia (banho de luz). A icterícia não deve ser subestimada, pois em sua forma grave pode causar danos neurológicos.
A icterícia fisiológica costuma ter início após 24 horas de vida e dura, em média, três dias, atingindo seu grau máximo por volta do sétimo dia de vida. A recomendação geral para os pais é observar se a cor amarela está se intensificando (na pele, nos olhos e na mucosas), se a urina se torna escura e as fezes claras, se há alteração do nível de consciência e da frequência de mamada do recém-nascido. Em quaisquer dessas situações deve-se procurar um pediatra. A icterícia que ultrapassa os quinze dias de vida deve ser sempre investigada, ao menos com a dosagem das bilirrubinas no sangue.
A recomendação de não oferecer leite materno para o bebê com icterícia é ultrapassada e não deve ser mais utilizada. A amamentação deve ser mantida durante todo o processo, inclusive se necessitar de fototerapia hospitalar.
Após esse período inicial, o banho de sol deve continuar, de preferência como passeio ao ar livre, pois o sol participa da síntese da vitamina D. Converse também com o pediatra do seu bebê sobre a suplementação medicamentosa da vitamina D.
Outra vantagem da exposição ao sol é a regulação dos ciclos circadianos, ligados ao sono, à vigília e à secreção de hormônios de acordo com o horário do dia. Em países com inverno rigoroso e diminuição do tempo de sol, por exemplo, os índices de depressão aumentam, devido ao aumento da secreção do hormônio melatonina.
Dito isso, reforçamos que o banho de sol é importante não só para o bebê mas também para as crianças e adultos. Para a puérpera será benéfico o tradicional passeio matinal para dar o banho de sol no bebê e também em si mesma.
Icterícia e leite materno
Sobre a vitamina D:

Falando de extero-gestação
A "teoria da extero-gestação”, criada pelo Dr Harvey Karp, afirma que existe o quarto trimestre de gestação para nossa espécie. Esse período, dos três primeiros meses de vida do bebê, deve ser vivenciado no colo da mãe e do pai o máximo de tempo possível. O especialista defende, ainda, a reprodução do ambiente uterino para que o bebê tenha um lugar seguro para acolher sua imaturidade.
Quando se trata de cuidados com o RN, é sempre importante ter em mente essa teoria. Veja o texto do Dr Harvey Karp traduzido para o português por Flávia Mandic e disponibilizado publicamente na internet:

A amamentação
Após o nascimento, graças aos hormônios liberados durante o trabalho de parto e pela perda da placenta, o seu corpo produz o colostro, uma fase do leite materno extremamente importante para o bebê, tanto como alimento, quanto como proteção imunológica. Os bebês têm estômago muito pequeno, então o colostro é sempre muito pouco. Algumas gotas são suficientes para alimentar um recém-nascido.
O terceiro dia após a chegada em casa costuma ser crítico. O bebê pode chorar bastante e mudar alguns aspectos de sua rotina que pareciam estabelecidos desde a maternidade, mas não espere rotina: ele acaba de se dar conta de que nasceu. Nessas horas, seu colo e seu peito vão acalmá-lo. Verifique se a pega está correta, e mesmo que você não sinta sair nada de seu peito continue a oferecer. O estímulo do bebê sugando é de vital importância para descer o leite materno.
A “descida” do leite materno
Dependendo da via de nascimento, do estímulo do bebê, de ter entrado em trabalho de parto ou não, a apojadura (conhecida como “descida do leite”) pode demorar de 3 a 10 dias. A única forma segura de fazer o leite “descer” é manter-se próxima do bebê, oferecendo o peito em livre demanda e mantendo contato físico constante com ele, pele a pele (não “pele a pano” ou “pano a pano”). Descanse com ele sempre, coloque-o para dormir com você.
O leite materno vem em três fases. Primeiro, há o colostro, que costuma ser amarelado e rico em anticorpos passados pela mãe, compondo uma linha de defesa para o bebê, além de ser nutricionalmente suficiente. Apenas o colostro mantem o bebê nutrido até que o próximo leite "desça". As outras duas fases são o leite de transição e o leite maduro. O leite de uma mãe sempre é o que o bebê precisa de acordo com sua idade e com suas necessidades naquela fase. O aspecto do leite humano pode parecer “ralo”, mas não quer dizer que é um leite fraco. Não existe leite fraco! Ele sozinho é o suficiente para a nutrição e a hidratação do bebê nos seis primeiros meses de vida.
Nos primeiros dias da "descida do leite materno" (apojadura), pode haver um leve "empedramento" (ingurgitamento) mamário, às vezes até com uma febre leve que pode surgir repentinamente, seguida de calafrios ou não, que, no geral, não ultrapassa os 38ºC. Essa temperatura é produzida pela tensão mamária antes da descida do leite (geralmente dois ou três dias depois do parto). Faça massagem e sempre amoleça a aréola antes de oferecer o peito ao bebê, assim facilitará a pega. Lembre que na pega correta o bebê deve abocanhar parte da aréola, e não o mamilo.
Sempre ofereça o peito aos primeiros sinais de fome. O peito deve ser oferecido em livre demanda, isso significa não contar tempo de intervalos entre mamadas nem de duração de mamada. Não se preocupe com relógio e horários. Ofereça sempre um peito até o bebê soltar ou dormir e só ofereça o outro se o bebê não aceitar voltar para o mesmo peito em que estava.
Alternar os peitos ao longo do dia fará diferença para você e não para o bebê, você receberá estímulo em ambos os seios e terá uma produção simétrica.
Ofereça o peito mesmo que sinta ele “murcho”, lembre-se de que maior parte do leite materno se produz no momento da mamada, e mesmo nesse peito “murcho” se produz tanto o leite mais rico em água e açúcar, quanto o mais rico em gorduras. O bebê vai conseguir, se você praticar verdadeiramente a livre-demanda, controlar a composição do leite de acordo com as necessidades dele.

Acordar o RN para mamar?
Essa é uma dúvida frequente. Na verdade não é necessário acordar o bebê para mamar, mas, em alguns casos é sim necessário oferecer o peito, sem acordá-lo. Dormir do lado do bebê auxilia nesse processo, pois não acontece de o bebê precisar chegar no sinal tardio de fome, que é o choro, para ter o alimento.
Se o bebê nasceu a termo, com peso entre 3kg e 4,5kg, dorme do lado da mãe e não usa chupeta pra dormir, basta oferecer o peito quando o bebê solicitar, assim que perceber os sinais de fome. Quando estamos dormindo, mas somos mães e temos um bebê pequeno do lado, nosso organismo está em um estado no qual acordamos ao menor ruido do nosso filho.
Se o bebê nasceu prematuro, pequeno para a idade gestacional (PIG) ou com menos de 3kg, ou está com dificuldades para ganhar peso, o peito deve ser oferecido novamente ao bebê, mesmo que ele não peça, antes que complete três horas do fim da última mamada. Isso é o que costumamos chamar de “intensivo de peito”, que é diferente da livre demanda, quando amamentamos quando o bebê pede, demonstra primeiros sinais de fome. Não é preciso fazer algo para despertá-lo, especialmente se a família pratica a cama compartilhada ou se colocar o berço do bebê do lado da cama da mãe. Nessas mamadas, basta colocar o peito na boca do bebê e fazer a compressão da mama para estimulá-lo a sugar mesmo dormindo.

Observando eficiência da mamada
Observe a frequência de xixis do bebê nesse primeiro mês: mais de 5-6 fraldas bem pesadas de xixi ao longo do dia são sinal que ele está mamando bem. Caso esteja trocando poucas fraldas de xixi, teste colocando uma de pano e em 24h conte se molhou por volta de 6 a 8 fraldas. Se isso aconteceu, verifique a pega, a frequência das mamadas, coloque para mamar mais vezes, antes que o bebê solicite o peito. Experimente usar a técnica de compressão da mama: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/...
A amamentação de madrugada tem importância tanto para o bebê como para você, por isso não deve ser subestimada ou retirada antes que o bebê esteja pronto ou a deixe naturalmente. É nesse horário que acontece o pico de prolactina no corpo da mãe, o hormônio que garante a produção de leite materno suficiente para o bebê. Por isso, veja qual é a configuração que mais lhe convém na hora de dormir. O ideal é que o RN esteja no mesmo cômodo que a mãe. Se preferir, podem compartilhar a mesma cama, desde que seguindo normas de segurança essenciais.
Porque a amamentação noturna é tão importante
Normas gerais de segurança da cama compartilhada
“Chupeitar” o peito não existe! Existe a sucção mais fraca e devagar (SNN – sucção não nutritiva), que é tão necessária quanto a sucção da alimentação/mamada, em que você às vezes pode até escutar o barulho do leite sendo engolido. As duas são igualmente importantes, satisfazem as necessidades do bebê e estimulam seu peito para aumentar a produção de leite. Apesar do termo “não nutritiva”, e de nesse momento não ser leite o que o bebê quer, ainda assim o leite é ejetado, em menor quantidade, o que ajuda no ganho de peso.
Lembre que peito é muito mais que alimento! A amamentação oferece a vocês um vínculo único, e o bebê encontra no seu seio conforto, segurança, aconchego, proteção e amor da mãe. Para ele, não basta ser amado: ele precisa se sentir amado.
Não use bicos artificiais, pois eles apresentam grande probabilidade de prejudicar o processo de adaptação e continuidade da amamentação. Nada de chupeta, mamadeira, chuquinhas, nem bico de silicone. Eles podem piorar a incidência de ferimentos causados pela pega errada, atrapalhar o ganho de peso do bebê, levá-lo rapidamente à confusão de bicos e a um desmame muito precoce, além de outros malefícios.
Por exemplo, os problemas da chupeta:
Sobre a confusão de bicos:
FRALDAS
Não use lencinhos umedecidos na rotina. Eles são práticos, mas podem irritar a pele do bebê. Prefira algodão molhado com água morna para limpar o bebê. Atualmente, existem kits com potinhos e garrafa térmica que são úteis justamente para a troca de fraldas. Se possível, prefira lavar com água corrente.
Lembre-se de sempre retirar os resíduos de fezes limpando da frente para trás, para que os resíduos não toquem o órgão genital e a uretra, nas meninas principalmente.
Não puxe o prepúcio (pele que recobre o pênis) do seu bebê menino, ele deve se soltar sozinho ao longo dos próximos meses/anos. Apenas realize a higienização durante o banho. Ao colocar a fralda, assegure-se de que o pênis do bebê ficou para baixo, para evitar vazamentos.
A troca pode ser realizada com o bebê deitado de barriga pra cima, levantando as duas perninhas ao mesmo tempo, segurando os tornozelos com uma das mãos. Retira-se a fralda suja, procede-se à limpeza, coloca-se a fralda limpa por baixo, abaixe as perninhas e feche a fralda. Enquanto a limpeza ocorre, é possível forrar por baixo com um cueiro pequeno ou fralda limpa.
Esta posição não é indicada para pouco tempo após a mamada ou para bebês que regurgitam (golfam/boçam) muito, então, uma alternativa é usar a posição usada para adultos acamados: virar o bebê de lado, retirar a fralda suja, fazer a limpeza, colocar a fralda limpa aberta, virar o bebê para o outro lado a fim de ajustar a fralda, em seguida, de barriga para cima, fechar a fralda, sem apertar na cintura do bebê e, como já dito, sem abafar o coto umbilical. Não apertar a barriguinha do bebê vale tanto para quando fechar a fralda como também para os elásticos das calças de bebês.
Não há necessidade de trocar a fralda a cada xixi, pois ele não assa a pele do bebê. Prefira trocar quando vir que a fralda está pesada ou quando tiver feito cocô. Trocar de quatro a seis vezes ao dia é, em geral, suficiente.
BANHO (BANHEIRA E BALDE)
Não há necessidade de banho imediato após o nascimento, pois o vernix caseoso não deve ser totalmente removido. Opte por uma limpeza com panos úmidos no primeiro dia. Recomenda-se que a remoção do vernix, não reabsorvido pelo organismo seja realizada 24-48 horas após o nascimento. Então, aguarde um dia ou dois para dar banho no RN.
O banho é um momento de relaxamento e prazer para ele e para o cuidador. Portanto, não devemos encará-lo como um momento de tensão, de choro, nem focar na limpeza, pois o RN não se suja como uma criança pequena.
A água não deve ser fria, devido ao desconforto que provoca, mas também não deve ser quente, pois resseca a pele, além do risco de queimadura da sensível pele do RN. Deve ser morna, mas não é necessário verificar com termômetro, a temperatura pode ser medida com as mãos ou antebraços.
O sabonete mais indicado por dermatologistas pediátricos são os líquidos neutros, pois em barra são alcalinos e alteram o pH da pele , diminuindo sua capacidade protetora. Xampus e condicionadores, ainda que próprios para bebês, não são necessários nesse primeiro momento da vida.
Escolha um lugar para a banheira em que você fique confortável e que seja seguro: escolha um suporte, uma mesa ou até mesmo o chão. Tenha uma toalha de fralda e uma toalha de capuz à mão, além do sabonete.
Comece limpando os olhos e o rostinho com o corpo do RN enrolado na toalha de fralda. A Sociedade Brasileira de Oftalmologia recomenda utilizar gaze ou pano limpo molhado em água filtrada ou fervida (e já amornada). Faça movimentos delicados sem apertar os olhos. Esse procedimento deve ser feito uma vez ao dia. Chumaço de algodão também pode ser utilizado. Troque a gaze ou o algodão antes de fazer a limpeza do outro olho.
Aos poucos, coloque-o na água, colocando até seus antebraços e cotovelos juntos, dando suporte ao corpo do bebê. Para transmitir segurança, converse com ele, olhe nos olhos e, a partir desse momento, desenrole-o da toalha lentamente. Você pode fazer movimentos de balançar na água para que ele relembre o ambiente do útero. Faça a espuma do sabonete na sua mão (com uma das mãos é possível fazer isso, seja com o sabonete em barra ou líquido) para lavar a região das fraldas, a cabeça e o corpo, passe sua mão em todo o corpo do bebê, inclusive entre os dedinhos e em outras dobras.
O banho de balde (ofurô) pode ser dado desde o início, inclusive é usado como relaxante e estimulante para bebês prematuros em algumas UTIs/CTIs neonatais. Da mesma forma da banheira, você deve procurar um lugar seguro e que fique confortável para você colocar o balde. Encher até pouco mais da metade com água morna, colocar o bebê enrolado na toalha fralda, deixar um tempo assim e em, lentamente, ir desenrolando.
Não se preocupe com sabonetes, use apenas a espuminha no corpo inteiro, como descrito para a banheira, se esse for o primeiro banho do dia. Se for o segundo ou terceiro passe um pouco apenas na região das fraldas. Ou seja, sabonete no corpo inteiro apenas uma vez por dia.
Retire-o aos poucos levando direto para seu colo e cobrindo com uma fralda e toalha por cima. Fique por um tempo com ele assim no colo, desfrute desse momento e deixe-o desfrutar também.
PELE DO BEBÊ
A pele é o maior órgão do corpo, protege o organismo contra ações mecânicas, térmicas e químicas, e de agentes agressores infecciosos e tóxicos. A comunicação do meio externo com o interno envolvido pela pele é mediada por numerosos receptores sensoriais que se encontram na superfície cutânea.
A epiderme e o sistema nervoso possuem a mesma origem: desenvolvem-se, na fase embrionária, a partir do ectoderma. O sentido do tato é o primeiro a se formar durante a vida intrauterina. O contato pele com pele, o toque, os abraços, as carícias serão uma forma de comunicação única entre pais e filhos, especialmente, nos primeiros anos de vida. Diz-se que a partir da 14º semana de gestação o feto é capaz de sentir a pressão dos seus movimentos através do útero.
O RN poderá descamar a pele entre a 1ª e 2ª semana de vida. A solução é passar um óleo de amêndoas (natural, não perfumado) ou de coco para ajudar na emoliência da pele.
Podem aparecer crostas gordurosas sobre a moleira. É normal e se trata da secreção que se acumula no local, também chamadas de “crostas lácteas”. Se não sair com a água do banho, use umas gotas de óleo de amêndoas ou de coco e uma escova de cabelo própria de bebê para ir retirando aos poucos antes do banho, sem forçar.
SOBRE O COLO E OUTROS CUIDADOS:
“Um bebê não existe sozinho, ele existe com sua mãe” (Winnicott).
O bebê após o nascimento precisa de colo, de ninho, de calor, de cheiro. Precisa disso para fazer a transição do útero para o mundo de forma suave. Antes era o cordão umbilical, agora será o peito, o colo. Deve ser também o colo do pai, pode ser o dos avós ou tios mais íntimos, mas não de muitos outros colos.
O bebê veio programado pela natureza, através de milhares de anos de evolução da espécie humana, para garantir a sua sobrevivência, e, para isso, o cuidado e a proteção da mãe são fundamentais. O que seria do bebê das cavernas se a mãe o deixasse sozinho num canto? Não teríamos chegado até aqui, com certeza. A nossa espécie teria sido extinta pelas feras.
Os bebês têm um mecanismo de defesa ancestral inato, que foi muito útil para defendê-los dos possíveis predadores de nossos antepassados das cavernas. Ao acordarem e se sentirem completamente sozinhos, como no berço ou no carrinho, eles choram e gritam a plenos pulmões, pois não sabem que a mãe está no quarto ao lado e que em nossa casa não há predadores à espreita. Para que esse choro não atraísse os predadores, as mães estavam sempre com o bebê no colo, no peito.
Os que ficavam quietinhos e voltavam dormir, mesmo sentindo fome, acabavam sendo deixados sozinhos e não havia tempo de a mãe voltar para os protegerem. “Ficar quietinhos”, dormir horas seguidas, pode levar o recém-nascido a esquecer da hora de mamar, por isso evite deixar o bebê mais do que duas ou três horas sozinho no berço ou no carrinho, longe de você. O lugar do bebê é próximo de você. A sua respiração, seu cheiro, seu calor são os estímulos que ele precisa para acordar, mamar e se desenvolver bem.
O contato físico constante, o colo contínuo, vai garantir um bebê mais estimulado, que vai mamar na frequência certa e será muito mais calmo. Esse contato físico constante estimula a rápida descida do leite e o aumento da sua produção na medida em que o bebê cresce e aumenta a demanda.
O sling pode ajudá-la muito a ficar com o bebê perto de você e manter as mãos livres para comer ou realizar outras tarefas. Se não tem um sling desde antes do nascimento do bebê, pode improvisar até conseguir um. Vai ser uma ferramenta insubstituível daqui para frente. É muito comum que recém-nascidos colocados para dormir no berço ou no carrinho sozinhos imediatamente após a mamada optem por fazer mamadas intermináveis; assim, garantem que a mãe ficará com eles. Permita que seu filho durma no colo após terminar de mamar, e se precisar deixá-lo no berço por qualquer razão, que seja só algum tempo após a mamada, quando já estiver em uma fase mais profunda do sono.
SEGURANÇA
• Quedas: use berço com seis centímetros entre as barras. Atenção a camas, sofás, trocadores, escadas. Se possível, coloque grades ou redes em janelas.
• Queimaduras: atenção ao manusear o bebê perto de água quente, bebidas quentes, fogão, ferro de passar, panelas, álcool líquido.
• Afogamento: nunca deixe o bebê sozinho durante o banho ou lazer com água, seja em banheiras, baldes, vaso sanitário, pias, tanques, piscinas e praia. Por mais que ele já saiba se sentar, apenas um pouco de água pode ser fatal caso ele escorregue.
• Asfixia: não deixe o bebê brincar sozinho com mantas, sacos plásticos e outras embalagens. Bebês adoram sacos plásticos porque fazem barulho, mas devem manipulá-los somente sob supervisão.
• Choque elétrico: cubra tomadas com tampas apropriadas, resolva problemas com fios desencapados, não deixe tomadas e eletrônicos acessíveis.
• Envenenamento: deixe produtos químicos da área de serviço, banheiros, cozinha, perfumes, cremes e plantas tóxicas fora do alcance do bebê.
• Estrangulamento: não deixe o bebê sem supervisão com sacos plásticos, cordões, cabos, botões, peças de brinquedos, fios de aparelhos, puxadores de cortinas.
• Traumas: cubra quinas de móveis ou supervisione o bebê quando perto de algum, trave portas e partes onde possam se pendurar e cair









Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...