quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Cuidados com o Recém Nascido



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O bebê nasceu! Iniciando os cuidados com o recém-nascido (RN)
Por meio deste texto queremos oferecer uma orientação quanto aos cuidados com o bebê, focando no início da vida dele fora do útero.
Os primeiros cuidados podem ser feitos por você mesma. Se o parto foi natural isso fica mais fácil, mas se precisar de ajuda não hesite em pedir e aceitar. No entanto, tenha em mente e procure deixar explícito para as pessoas que a ajuda não é uma apropriação do bebê. Assim, mostre como você quer cuidar do seu filho e quem ajuda precisa respeitar suas escolhas.
Cuidados com o coto umbilical
Após o corte e o clampeamento do cordão umbilical, resta o coto, que deve ser cuidado até que caia. A média é sete dias, mas há casos que vão de 3 dias a 15 dias ou mais. Portanto, não se assuste, é normal demorar mais, desde que não apresentar mal cheiro ou secreção, embora pequenos sangramentos sejam normais. O coto não deve ser abafado, por isso algumas fraldas, inclusive, apresentam um corte nessa região para que o plástico não funcione como um curativo oclusivo.
O cuidado com o coto consiste em limpar pelo menos três vezes por dia, sempre depois do banho e nas trocas de fralda, com algodão umedecido com álcool 70%. A limpeza deve ser feita passando o algodão em todo o coto e na inserção dele com a barriga. Não se deve simplesmente pingar o álcool, deve-se esfregar delicadamente.
O coto não dói, então o bebê pode chorar nesse momento pois o álcool é gelado e essa sensação é estranha pra ele. Lembre-de de que o choro é a forma de o bebê comunicar tudo o que sente. Estudos mais recentes mostram que a clorexidina aquosa a 2% tem o mesmo efeito do álcool, com a vantagem de não ressecar a pele da barriga.
Após a queda do coto, a cicatriz (o umbigo) ainda requer esses mesmos cuidados até que esteja totalmente cicatrizada. Não enfaixe, não coloque objetos dentro do umbigo nem qualquer outra substância que não estas já citadas. Após o banho, seque bem e limpe com o álcool ou clorexidina.
O que deve ser observado, pois seria uma cicatrização que não tá evoluindo bem e que, portanto, necessitaria de observação do pediatra: vermelhidão na pele ao redor do coto, pele quente, com área endurecida, e secreção tipo pus saindo desse local.

Banhos de sol
Desde os primeiros dias de vida, o bebê pode e deve tomar banhos de sol. Quinze minutos pela manhã são suficientes. Não tem problema se o banho de sol for pela janela, contanto que os raios batam diretamente no bebê, sem interferência do vidro da janela ou de cortinas. Deixe-o somente de fralda nesse momento, mas um gorro pode ser uma boa ideia para o conforto da visão do bebê quanto à claridade. Se quiser, pode deixá-lo mais quinze minutos após as 16h. Mesmo em dias chuvosos, é possível aproveitar qualquer horário do dia deixando as pernas e os braços do bebê expostos por apenas cinco minutos.
O banho de sol nos primeiros dias de vida do bebê é importante para fazer a quebra da bilirrubina, evitando a icterícia (amarelão) e diminuindo as internações para realização de fototerapia (banho de luz). A icterícia não deve ser subestimada, pois em sua forma grave pode causar danos neurológicos.
A icterícia fisiológica costuma ter início após 24 horas de vida e dura, em média, três dias, atingindo seu grau máximo por volta do sétimo dia de vida. A recomendação geral para os pais é observar se a cor amarela está se intensificando (na pele, nos olhos e na mucosas), se a urina se torna escura e as fezes claras, se há alteração do nível de consciência e da frequência de mamada do recém-nascido. Em quaisquer dessas situações deve-se procurar um pediatra. A icterícia que ultrapassa os quinze dias de vida deve ser sempre investigada, ao menos com a dosagem das bilirrubinas no sangue.
A recomendação de não oferecer leite materno para o bebê com icterícia é ultrapassada e não deve ser mais utilizada. A amamentação deve ser mantida durante todo o processo, inclusive se necessitar de fototerapia hospitalar.
Após esse período inicial, o banho de sol deve continuar, de preferência como passeio ao ar livre, pois o sol participa da síntese da vitamina D. Converse também com o pediatra do seu bebê sobre a suplementação medicamentosa da vitamina D.
Outra vantagem da exposição ao sol é a regulação dos ciclos circadianos, ligados ao sono, à vigília e à secreção de hormônios de acordo com o horário do dia. Em países com inverno rigoroso e diminuição do tempo de sol, por exemplo, os índices de depressão aumentam, devido ao aumento da secreção do hormônio melatonina.
Dito isso, reforçamos que o banho de sol é importante não só para o bebê mas também para as crianças e adultos. Para a puérpera será benéfico o tradicional passeio matinal para dar o banho de sol no bebê e também em si mesma.
Icterícia e leite materno
Sobre a vitamina D:

Falando de extero-gestação
A "teoria da extero-gestação”, criada pelo Dr Harvey Karp, afirma que existe o quarto trimestre de gestação para nossa espécie. Esse período, dos três primeiros meses de vida do bebê, deve ser vivenciado no colo da mãe e do pai o máximo de tempo possível. O especialista defende, ainda, a reprodução do ambiente uterino para que o bebê tenha um lugar seguro para acolher sua imaturidade.
Quando se trata de cuidados com o RN, é sempre importante ter em mente essa teoria. Veja o texto do Dr Harvey Karp traduzido para o português por Flávia Mandic e disponibilizado publicamente na internet:

A amamentação
Após o nascimento, graças aos hormônios liberados durante o trabalho de parto e pela perda da placenta, o seu corpo produz o colostro, uma fase do leite materno extremamente importante para o bebê, tanto como alimento, quanto como proteção imunológica. Os bebês têm estômago muito pequeno, então o colostro é sempre muito pouco. Algumas gotas são suficientes para alimentar um recém-nascido.
O terceiro dia após a chegada em casa costuma ser crítico. O bebê pode chorar bastante e mudar alguns aspectos de sua rotina que pareciam estabelecidos desde a maternidade, mas não espere rotina: ele acaba de se dar conta de que nasceu. Nessas horas, seu colo e seu peito vão acalmá-lo. Verifique se a pega está correta, e mesmo que você não sinta sair nada de seu peito continue a oferecer. O estímulo do bebê sugando é de vital importância para descer o leite materno.
A “descida” do leite materno
Dependendo da via de nascimento, do estímulo do bebê, de ter entrado em trabalho de parto ou não, a apojadura (conhecida como “descida do leite”) pode demorar de 3 a 10 dias. A única forma segura de fazer o leite “descer” é manter-se próxima do bebê, oferecendo o peito em livre demanda e mantendo contato físico constante com ele, pele a pele (não “pele a pano” ou “pano a pano”). Descanse com ele sempre, coloque-o para dormir com você.
O leite materno vem em três fases. Primeiro, há o colostro, que costuma ser amarelado e rico em anticorpos passados pela mãe, compondo uma linha de defesa para o bebê, além de ser nutricionalmente suficiente. Apenas o colostro mantem o bebê nutrido até que o próximo leite "desça". As outras duas fases são o leite de transição e o leite maduro. O leite de uma mãe sempre é o que o bebê precisa de acordo com sua idade e com suas necessidades naquela fase. O aspecto do leite humano pode parecer “ralo”, mas não quer dizer que é um leite fraco. Não existe leite fraco! Ele sozinho é o suficiente para a nutrição e a hidratação do bebê nos seis primeiros meses de vida.
Nos primeiros dias da "descida do leite materno" (apojadura), pode haver um leve "empedramento" (ingurgitamento) mamário, às vezes até com uma febre leve que pode surgir repentinamente, seguida de calafrios ou não, que, no geral, não ultrapassa os 38ºC. Essa temperatura é produzida pela tensão mamária antes da descida do leite (geralmente dois ou três dias depois do parto). Faça massagem e sempre amoleça a aréola antes de oferecer o peito ao bebê, assim facilitará a pega. Lembre que na pega correta o bebê deve abocanhar parte da aréola, e não o mamilo.
Sempre ofereça o peito aos primeiros sinais de fome. O peito deve ser oferecido em livre demanda, isso significa não contar tempo de intervalos entre mamadas nem de duração de mamada. Não se preocupe com relógio e horários. Ofereça sempre um peito até o bebê soltar ou dormir e só ofereça o outro se o bebê não aceitar voltar para o mesmo peito em que estava.
Alternar os peitos ao longo do dia fará diferença para você e não para o bebê, você receberá estímulo em ambos os seios e terá uma produção simétrica.
Ofereça o peito mesmo que sinta ele “murcho”, lembre-se de que maior parte do leite materno se produz no momento da mamada, e mesmo nesse peito “murcho” se produz tanto o leite mais rico em água e açúcar, quanto o mais rico em gorduras. O bebê vai conseguir, se você praticar verdadeiramente a livre-demanda, controlar a composição do leite de acordo com as necessidades dele.

Acordar o RN para mamar?
Essa é uma dúvida frequente. Na verdade não é necessário acordar o bebê para mamar, mas, em alguns casos é sim necessário oferecer o peito, sem acordá-lo. Dormir do lado do bebê auxilia nesse processo, pois não acontece de o bebê precisar chegar no sinal tardio de fome, que é o choro, para ter o alimento.
Se o bebê nasceu a termo, com peso entre 3kg e 4,5kg, dorme do lado da mãe e não usa chupeta pra dormir, basta oferecer o peito quando o bebê solicitar, assim que perceber os sinais de fome. Quando estamos dormindo, mas somos mães e temos um bebê pequeno do lado, nosso organismo está em um estado no qual acordamos ao menor ruido do nosso filho.
Se o bebê nasceu prematuro, pequeno para a idade gestacional (PIG) ou com menos de 3kg, ou está com dificuldades para ganhar peso, o peito deve ser oferecido novamente ao bebê, mesmo que ele não peça, antes que complete três horas do fim da última mamada. Isso é o que costumamos chamar de “intensivo de peito”, que é diferente da livre demanda, quando amamentamos quando o bebê pede, demonstra primeiros sinais de fome. Não é preciso fazer algo para despertá-lo, especialmente se a família pratica a cama compartilhada ou se colocar o berço do bebê do lado da cama da mãe. Nessas mamadas, basta colocar o peito na boca do bebê e fazer a compressão da mama para estimulá-lo a sugar mesmo dormindo.

Observando eficiência da mamada
Observe a frequência de xixis do bebê nesse primeiro mês: mais de 5-6 fraldas bem pesadas de xixi ao longo do dia são sinal que ele está mamando bem. Caso esteja trocando poucas fraldas de xixi, teste colocando uma de pano e em 24h conte se molhou por volta de 6 a 8 fraldas. Se isso aconteceu, verifique a pega, a frequência das mamadas, coloque para mamar mais vezes, antes que o bebê solicite o peito. Experimente usar a técnica de compressão da mama: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/...
A amamentação de madrugada tem importância tanto para o bebê como para você, por isso não deve ser subestimada ou retirada antes que o bebê esteja pronto ou a deixe naturalmente. É nesse horário que acontece o pico de prolactina no corpo da mãe, o hormônio que garante a produção de leite materno suficiente para o bebê. Por isso, veja qual é a configuração que mais lhe convém na hora de dormir. O ideal é que o RN esteja no mesmo cômodo que a mãe. Se preferir, podem compartilhar a mesma cama, desde que seguindo normas de segurança essenciais.
Porque a amamentação noturna é tão importante
Normas gerais de segurança da cama compartilhada
“Chupeitar” o peito não existe! Existe a sucção mais fraca e devagar (SNN – sucção não nutritiva), que é tão necessária quanto a sucção da alimentação/mamada, em que você às vezes pode até escutar o barulho do leite sendo engolido. As duas são igualmente importantes, satisfazem as necessidades do bebê e estimulam seu peito para aumentar a produção de leite. Apesar do termo “não nutritiva”, e de nesse momento não ser leite o que o bebê quer, ainda assim o leite é ejetado, em menor quantidade, o que ajuda no ganho de peso.
Lembre que peito é muito mais que alimento! A amamentação oferece a vocês um vínculo único, e o bebê encontra no seu seio conforto, segurança, aconchego, proteção e amor da mãe. Para ele, não basta ser amado: ele precisa se sentir amado.
Não use bicos artificiais, pois eles apresentam grande probabilidade de prejudicar o processo de adaptação e continuidade da amamentação. Nada de chupeta, mamadeira, chuquinhas, nem bico de silicone. Eles podem piorar a incidência de ferimentos causados pela pega errada, atrapalhar o ganho de peso do bebê, levá-lo rapidamente à confusão de bicos e a um desmame muito precoce, além de outros malefícios.
Por exemplo, os problemas da chupeta:
Sobre a confusão de bicos:
FRALDAS
Não use lencinhos umedecidos na rotina. Eles são práticos, mas podem irritar a pele do bebê. Prefira algodão molhado com água morna para limpar o bebê. Atualmente, existem kits com potinhos e garrafa térmica que são úteis justamente para a troca de fraldas. Se possível, prefira lavar com água corrente.
Lembre-se de sempre retirar os resíduos de fezes limpando da frente para trás, para que os resíduos não toquem o órgão genital e a uretra, nas meninas principalmente.
Não puxe o prepúcio (pele que recobre o pênis) do seu bebê menino, ele deve se soltar sozinho ao longo dos próximos meses/anos. Apenas realize a higienização durante o banho. Ao colocar a fralda, assegure-se de que o pênis do bebê ficou para baixo, para evitar vazamentos.
A troca pode ser realizada com o bebê deitado de barriga pra cima, levantando as duas perninhas ao mesmo tempo, segurando os tornozelos com uma das mãos. Retira-se a fralda suja, procede-se à limpeza, coloca-se a fralda limpa por baixo, abaixe as perninhas e feche a fralda. Enquanto a limpeza ocorre, é possível forrar por baixo com um cueiro pequeno ou fralda limpa.
Esta posição não é indicada para pouco tempo após a mamada ou para bebês que regurgitam (golfam/boçam) muito, então, uma alternativa é usar a posição usada para adultos acamados: virar o bebê de lado, retirar a fralda suja, fazer a limpeza, colocar a fralda limpa aberta, virar o bebê para o outro lado a fim de ajustar a fralda, em seguida, de barriga para cima, fechar a fralda, sem apertar na cintura do bebê e, como já dito, sem abafar o coto umbilical. Não apertar a barriguinha do bebê vale tanto para quando fechar a fralda como também para os elásticos das calças de bebês.
Não há necessidade de trocar a fralda a cada xixi, pois ele não assa a pele do bebê. Prefira trocar quando vir que a fralda está pesada ou quando tiver feito cocô. Trocar de quatro a seis vezes ao dia é, em geral, suficiente.
BANHO (BANHEIRA E BALDE)
Não há necessidade de banho imediato após o nascimento, pois o vernix caseoso não deve ser totalmente removido. Opte por uma limpeza com panos úmidos no primeiro dia. Recomenda-se que a remoção do vernix, não reabsorvido pelo organismo seja realizada 24-48 horas após o nascimento. Então, aguarde um dia ou dois para dar banho no RN.
O banho é um momento de relaxamento e prazer para ele e para o cuidador. Portanto, não devemos encará-lo como um momento de tensão, de choro, nem focar na limpeza, pois o RN não se suja como uma criança pequena.
A água não deve ser fria, devido ao desconforto que provoca, mas também não deve ser quente, pois resseca a pele, além do risco de queimadura da sensível pele do RN. Deve ser morna, mas não é necessário verificar com termômetro, a temperatura pode ser medida com as mãos ou antebraços.
O sabonete mais indicado por dermatologistas pediátricos são os líquidos neutros, pois em barra são alcalinos e alteram o pH da pele , diminuindo sua capacidade protetora. Xampus e condicionadores, ainda que próprios para bebês, não são necessários nesse primeiro momento da vida.
Escolha um lugar para a banheira em que você fique confortável e que seja seguro: escolha um suporte, uma mesa ou até mesmo o chão. Tenha uma toalha de fralda e uma toalha de capuz à mão, além do sabonete.
Comece limpando os olhos e o rostinho com o corpo do RN enrolado na toalha de fralda. A Sociedade Brasileira de Oftalmologia recomenda utilizar gaze ou pano limpo molhado em água filtrada ou fervida (e já amornada). Faça movimentos delicados sem apertar os olhos. Esse procedimento deve ser feito uma vez ao dia. Chumaço de algodão também pode ser utilizado. Troque a gaze ou o algodão antes de fazer a limpeza do outro olho.
Aos poucos, coloque-o na água, colocando até seus antebraços e cotovelos juntos, dando suporte ao corpo do bebê. Para transmitir segurança, converse com ele, olhe nos olhos e, a partir desse momento, desenrole-o da toalha lentamente. Você pode fazer movimentos de balançar na água para que ele relembre o ambiente do útero. Faça a espuma do sabonete na sua mão (com uma das mães é possível fazer isso, seja com o sabonete em barra ou líquido) para lavar a região das fraldas, a cabeça e o corpo, passe sua mão em todo o corpo do bebê, inclusive entre os dedinhos e em outras dobras.
O banho de balde (ofurô) pode ser dado desde o início, inclusive é usado como relaxante e estimulante para bebês prematuros em algumas UTIs/CTIs neonatais. Da mesma forma da banheira, você deve procurar um lugar seguro e que fique confortável para você colocar o balde. Encher até pouco mais da metade com água morna, colocar o bebê enrolado na toalha fralda, deixar um tempo assim e em, lentamente, ir desenrolando.
Não se preocupe com sabonetes, use apenas a espuminha no corpo inteiro, como descrito para a banheira, se esse for o primeiro banho do dia. Se for o segundo ou terceiro passe um pouco apenas na região das fraldas. Ou seja, sabonete no corpo inteiro apenas uma vez por dia.
Retire-o aos poucos levando direto para seu colo e cobrindo com uma fralda e toalha por cima. Fique por um tempo com ele assim no colo, desfrute desse momento e deixe-o desfrutar também.
PELE DO BEBÊ
A pele é o maior órgão do corpo, protege o organismo contra ações mecânicas, térmicas e químicas, e de agentes agressores infecciosos e tóxicos. A comunicação do meio externo com o interno envolvido pela pele é mediada por numerosos receptores sensoriais que se encontram na superfície cutânea.
A epiderme e o sistema nervoso possuem a mesma origem: desenvolvem-se, na fase embrionária, a partir do ectoderma. O sentido do tato é o primeiro a se formar durante a vida intrauterina. O contato pele com pele, o toque, os abraços, as carícias serão uma forma de comunicação única entre pais e filhos, especialmente, nos primeiros anos de vida. Diz-se que a partir da 14º semana de gestação o feto é capaz de sentir a pressão dos seus movimentos através do útero.
O RN poderá descamar a pele entre a 1ª e 2ª semana de vida. A solução é passar um óleo de amêndoas (natural, não perfumado) ou de coco para ajudar na emoliência da pele.
Podem aparecer crostas gordurosas sobre a moleira. É normal e se trata da secreção que se acumula no local, também chamadas de “crostas lácteas”. Se não sair com a água do banho, use umas gotas de óleo de amêndoas ou de coco e uma escova de cabelo própria de bebê para ir retirando aos poucos antes do banho, sem forçar.
SOBRE O COLO E OUTROS CUIDADOS:
“Um bebê não existe sozinho, ele existe com sua mãe” (Winnicott).
O bebê após o nascimento precisa de colo, de ninho, de calor, de cheiro. Peecisa disso para fazer a transição do útero para o mundo de forma suave. Antes era o cordão umbilical, agora será o peito, o colo. Deve ser também o colo do pai, pode ser o dos avós ou tios mais íntimos, mas não de muitos outros colos.
O bebê veio programado pela natureza, através de milhares de anos de evolução da espécie humana, para garantir a sua sobrevivência, e, para isso, o cuidado e a proteção da mãe são fundamentais. O que seria do bebê das cavernas se a mãe o deixasse sozinho num canto? Não teríamos chegado até aqui, com certeza. A nossa espécie teria sido extinta pelas feras.
Os bebês têm um mecanismo de defesa ancestral inato, que foi muito útil para defendê-los dos possíveis predadores de nossos antepassados das cavernas. Ao acordarem e se sentirem completamente sozinhos, como no berço ou no carrinho, eles choram e gritam a plenos pulmões, pois não sabem que a mãe está no quarto ao lado e que em nossa casa não há predadores à espreita. Para que esse choro não atraísse os predadores, as mães estavam sempre com o bebê no colo, no peito.
Os que ficavam quietinhos e voltavam dormir, mesmo sentindo fome, acabavam sendo deixados sozinhos e não havia tempo de a mãe voltar para os protegerem. “Ficar quietinhos”, dormir horas seguidas, pode levar o recém-nascido a esquecer da hora de mamar, por isso evite deixar o bebê mais do que duas ou três horas sozinho no berço ou no carrinho, longe de você. O lugar do bebê é próximo de você. A sua respiração, seu cheiro, seu calor são os estímulos que ele precisa para acordar, mamar e se desenvolver bem.
O contato físico constante, o colo contínuo, vai garantir um bebê mais estimulado, que vai mamar na frequência certa e será muito mais calmo. Esse contato físico constante estimula a rápida descida do leite e o aumento da sua produção na medida em que o bebê cresce e aumenta a demanda.
O sling pode ajudá-la muito a ficar com o bebê perto de você e manter as mãos livres para comer ou realizar outras tarefas. Se não tem um sling desde antes do nascimento do bebê, pode improvisar até conseguir um. Vai ser uma ferramenta insubstituível daqui para frente. É muito comum que recém-nascidos colocados para dormir no berço ou no carrinho sozinhos imediatamente após a mamada optem por fazer mamadas intermináveis; assim, garantem que a mãe ficará com eles. Permita que seu filho durma no colo após terminar de mamar, e se precisar deixá-lo no berço por qualquer razão, que seja só algum tempo após a mamada, quando já estiver em uma fase mais profunda do sono.
SEGURANÇA
• Quedas: use berço com seis centímetros entre as barras. Atenção a camas, sofás, trocadores, escadas. Se possível, coloque grades ou redes em janelas.
• Queimaduras: atenção ao manusear o bebê perto de água quente, bebidas quentes, fogão, ferro de passar, panelas, álcool líquido.
• Afogamento: nunca deixe o bebê sozinho durante o banho ou lazer com água, seja em banheiras, baldes, vaso sanitário, pias, tanques, piscinas e praia. Por mais que ele já saiba se sentar, apenas um pouco de água pode ser fatal caso ele escorregue.
• Asfixia: não deixe o bebê brincar sozinho com mantas, sacos plásticos e outras embalagens. Bebês adoram sacos plásticos porque fazem barulho, mas devem manipulá-los somente sob supervisão.
• Choque elétrico: cubra tomadas com tampas apropriadas, resolva problemas com fios desencapados, não deixe tomadas e eletrônicos acessíveis.
• Envenenamento: deixe produtos químicos da área de serviço, banheiros, cozinha, perfumes, cremes e plantas tóxicas fora do alcance do bebê.
• Estrangulamento: não deixe o bebê sem supervisão com sacos plásticos, cordões, cabos, botões, peças de brinquedos, fios de aparelhos, puxadores de cortinas.
• Traumas: cubra quinas de móveis ou supervisione o bebê quando perto de algum, trave portas e partes onde possam se pendurar e cair









segunda-feira, 15 de maio de 2017

Amamentação de gêmeos

Por Sarita Oliveira, com contribuições de  Mariana Santana e Ana Carolina Dantas Loureiro
Revisado por Luciana Freitas

Nosso agradecimento às mães de gêmeos e trigêmeos que confiaram no GVA para o sucesso da amamentação de seus bebês e que nos inspiraram a escrever esse texto em auxílio a outras mães.

Antes do nascimento

- Ter uma rede de apoio pode fazer a diferença. Converse com sua família, explique seu desejo de amamentar os bebês, fale sobre a livre demanda e sobre os riscos dos bicos artificiais.

- Pense em coisas para se distrair enquanto estiver amamentando. Ler, ver TV, conversar, ouvir música... Se a livre demanda de um bebê novinho consome muito tempo da mãe, a disponibilidade é ainda maior com gêmeos. Aceitar que você ficará muito tempo com um bebê no colo mamando é uma preparação psicológica e emocional muito importante para deixar o processo um pouco mais leve.

No hospital

- Informe-se junto à maternidade/hospital quanto às práticas adotadas pelo berçário. Hospital amigo da criança não oferece o leite em mamadeira ou chuquinha, mesmo que o bebê precise ficar internado. Converse com o pediatra, converse com a equipe e certifique-se de que se os bebês precisarem ficar em incubadora e se alimentar lá, não será usada a mamadeira.

- O nascimento de gêmeos pode ser prematuro. Caso isso aconteça, é importante que os bebês tenham acompanhamento por profissional especializado, que conheça métodos seguros de estimulação. Alguns profissionais utilizam a chupeta como meio de ensinar o bebê a sugar, porém isso não é adequado e pode levar a um quadro de confusão de bicos quando o bebê for apresentado ao peito para mamar (veja aqui como estimular o bebê a mamar).  

- Caso os bebês precisem ficar internados, tente manter uma rotina de ordenha (veja aqui como fazer a ordenha e aqui como fazer a massagem de Mohri, que pode ajudar na ordenha). Muitos hospitais possuem lactário, verifique se você pode ordenhar o leite e manter no lactário para que ele seja oferecido aos bebês nos momentos em que você estiver ausente ou caso eles ainda não mamem diretamente no peito. Mesmo que não haja lactário, a rotina de ordenha ajudará a estimular a produção de leite, facilitando o processo quando eles puderem mamar.

Em casa

- Faça a livre demanda, oferecendo o peito sempre que os bebês quiserem aos primeiros sinais de fome (veja aqui como identificar esses sinais), mas, caso os bebês estejam com menos de 3kg, não os deixe sem mamar por intervalos maiores que 2h durante o dia e 3h durante a noite.

- Não ofereça chupeta e mamadeira, nem use o bico intermediário de silicone para amamentar. Se for necessário complementar (seja com leite artificial, seja com o leite materno ordenhado), use o copo ou a colher dosadora, para não haver risco de confusão de bicos e desmame precoce (veja aqui sobre confusão de bicos).

- Verifique a pega! Pode acontecer um certo incômodo nos primeiros dias de amamentação devido ao atrito no peito e por causa do ingurgitamento da aréola, ou seja, o peito muito cheio (veja aqui como fazer no caso de ingurgitamento), mas caso você sinta dor além de uma fisgada no início da mamada e se seu peito está ferido, veja se os bebês estão pegando corretamente o seio - o bebê deve abocanhar a aréola, não apenas o mamilo (veja aqui como corrigir a pega).

- Não é necessário limpar ou higienizar o peito entre as mamadas. Algumas pessoas orientam a limpar o seio entre as mamadas ou quando for trocar o bebê, mas isso não é necessário.

- Para que você consiga descansar, uma boa solução é ordenhar o peito e armazenar o leite para que outra pessoa ofereça ao bebê (veja aqui como ordenhar e armazenar). Lembre-se de não usar a mamadeira para oferecer o leite ordenhado. Outra opção é amamentar deitada e tirar uns bons cochilos enquanto os bebês mamam.

- Alimente-se bem e mantenha-se hidratada. Descanse sempre que possível e faça em casa apenas o essencial. A cama compartilhada pode ser uma aliada para ajudar durante as noites ou durante as sonecas dos bebês (veja aqui como fazer cama compartilhada de forma segura).

- Monte seu kit-amamentação: livros, programas de TV (e os controles remoto dos aparelhos que for usar), fone de ouvido, celular, carregador de celular, uma garrafa de água, coisas para beliscar; tudo deve ser mantido ao alcance da sua mão. Encontre os locais confortáveis de sua casa onde você se sente melhor amamentando.

- Aceite toda a ajuda que puder. A única coisa que só você pode fazer é amamentar. Todo o resto (banho, passeio, trocar fralda, cuidar da casa, fazer comida) pode ser feito por outras pessoas. Compartilhe as atribuições, delegue, deixe que as outras pessoas ditem o ritmo da casa por um tempo. Essa reserva de energia parece pouca, mas será muito importante.

Sugestões de posições para amamentar simultaneamente

- Variação da posição invertida: apoiar os dois bebês sobre almofada/travesseiro. Segurar as cabeças uma ao lado da outra, deixando os pés para trás por baixo dos braços (como se segurasse uma bola de rúgbi).

- Variação da posição clássica: apoiar as cabeças nos braços, deixando os pés para dentro, como se os bebês estivessem cada um sentado de lado em uma das pernas.

- Posição combinada: deixar um dos bebês na posição clássica e o outro na posição invertida. O bebê que ficar na posição invertida apoia a cabeça sobre as pernas do irmão.

- Amamentar deitada de lado: o bebê que mamar o peito que ficar apoiado na cama deve ficar com os pés na direção da cabeça da mãe; o outro bebê, que mamar o peito “de cima”, pode ser apoiado sobre uma almofada, ficando semissentado.

- Amamentar deitada de costas: apoiar os braços sobre travesseiros e neles apoiar os bebês deitados, deixando um seio para cada um.

Veja fotos das posições clicando aqui.

Relatos

Julia Aidar

https://www.facebook.com/notes/grupo-virtual-de-amamenta%C3%A7%C3%A3o-gva/413675808748701/

LuziaeMarcelo Ramos

https://www.facebook.com/groups/grupovirtualdeamamentacao/permalink/870657179717226/

Vanessa Acosta

https://www.facebook.com/groups/grupovirtualdeamamentacao/permalink/888864091229868/

Luhana Laritza Pawlick

https://www.facebook.com/groups/grupovirtualdeamamentacao/permalink/811664425616502

July Moura

https://www.facebook.com/groups/grupovirtualdeamamentacao/permalink/895289697253974/

terça-feira, 2 de maio de 2017

O que tem no leite do bebê?

Artigo de Kelly Winder, publicado originalmente em www.bellybelly.com.au
Adaptado por Andréia Stankiewicz
Você já sentiu curiosidade em saber quais ingredientes são encontrados no leite dos bebês? É surpreendente! Confira os componentes presentes na fórmula infantil e no Leite Materno e perceba as diferenças.

FÓRMULA INFANTIL:
Primeiramente, observe que as formulações mudam ao longo do tempo - ingredientes e composições podem variar um pouco da lista abaixo. Há também uma gama de fórmulas no mercado para atender a diferentes necessidades. Por exemplo, existem fórmulas hipoalergênicas, fórmulas de soja e muito mais. Portanto, esta é uma indicação geral da lista de ingredientes que normalmente pode ser encontrada em uma fórmula.

Água
Carboidratos
- Lactose
- Maltodextrina
Proteína
- Proteína do soro do leite de vaca parcialmente hidrolisada*
Gorduras
- Oleína de palma
- Óleo de soja
- Óleo de coco
- Óleo de açafrão com alto teor de ácido oléico (ou óleo de girassol)
- Óleo de M. alpina (DHA Fungal)
- Óleo de C. cohnii (Algal ARA)
Minerais
- Citrato de potássio
- Fosfato de potássio
- Cloreto de cálcio
- Fosfato tricálcico
- Citrato de sódio
- Cloreto de magnésio
- Sulfato ferroso
- Sulfato de zinco
- Cloreto de sódio
- Sulfato de cobre
- Iodeto de potássio
- Sulfato de manganês
- Selenato de sódio
Vitaminas
- Ascorbato de sódio
- Inositol
- Bitartrato de colina
- Acetato de alfa-tocoferila
- Niacinamida
- Pantotenato de cálcio
- Riboflavina
- Acetato de vitamina A
- Cloridrato de piridoxina
- Tiamina mononitrato
- Ácido fólico
- Filoquinona
- Biotina
- Vitamina D3
- Vitamina B12
Enzima
- Tripsina
Aminoácido
- Taurina
- L-Carnitina (uma combinação de dois diferentes aminoácidos)
Nucleotídeos
- Citidina 5-monofosfato
- Uridina disódica 5-monofosfato
- Adenosina 5-monofosfato
- Guanosina disódica 5-monofosfato
Lecitina de Soja (um emulsificante)
*Um estudo recente encontrou que muitas fórmulas estão sendo feitas nos limites aceitáveis mais elevados da proteína, o que pode ser uma explicação para a ligação entre a fórmula ea obesidade infantil.

LEITE MATERNO:
Os componentes que podem ser encontrados no Leite Materno, em resumo, são:
Água
Carboidratos (fonte de energia)
- Lactose
- Oligossacarídeos
Ácido Carboxílico
- Alfa-hidróxi-ácido
- Ácido lático
Proteínas (construtores musculares e esqueléticos)
- Proteína de soro de leite humano (whey protein)
- Alfa-lactoalbumina
- HAMLET (alfa-lactoalbumina humana anti-células tumorais)
- Lactoferrina
- Fatores antimicrobianos
- Caseína
- Albumina sérica
Nitrogens não-protéicos
- Creatina
- Creatinina
- Uréia
- Ácido Úrico
- Peptídeos
Aminoácidos (os blocos de construção das proteínas)
- Alanina
- Arginina
- Aspartato
- Clicina
- Cistina
- Glutamato
- Histidina
- Isoleucina
- Leucina
- Licina
- Metionina
- Fenilalanina
- Prolina
- Serina
- Taurina
- Teronina
- Triptofano
- Tirosina
- Valina
- Carnitina (aminoácido necessário para utilizar ácidos graxos como fonte de energia)
Nucleotídeos (Compostos químicos que compoem as unidades estruturais de RNA e DNA)
- 5’-Adenosina monofosfato (5”-AMP)
- 3’:5’-Adenosina monofosfato cíclico (3’:5’-cyclic AMP)
- 5’-Citidina monofosfato (5’-CMP)
- Citidina difosfato colina (CDP choline)
- Guanosina difosfato (UDP)
- Guanosina difosfato – manose
- 3’- Uridina monofosfato (3’-UMP)
- 5’-Uridina monofosfato (5’-UMP)
- Uridina difosfato (UDP)
- Uridina difosfato hexose (UDPH)
- Uridina difosfato-N-acetil-hexosamina (UDPAH)
- Uridina ácido difosfoglucurônico (UDPGA)
- Vários outros nucleotídeos do tipo UDP
Gorduras
- Triglicerídeos
- Ácidos graxos poliinsaturados de cadeia longa
- Ácido Docosahexaenóico (DHA) (importante para o desenvolvimento cerebral)
- Ácido Araquidônico (AHA) (importante para o desenvolvimento cerebral)
- Ácido Linoléico
- Ácido Alfa-linolênico (ALA)
- Ácido Eicosapentaenóico (EPA)
- Ácido linoléico conjugado (ácido Rumênico)
Ácidos graxos livres
Ácidos graxos monoinsaturados
- Ácido oléico
- Ácido palmitoléico
- Ácido heptadecenóico
Ácidos graxos saturados
- Esteárico
- Ácido palmítico
- Ácido láurico
- Ácido mirístico
Fosfolipídeos
- Fosfatidilcolina
- Fosfatidiletanolamina
- Fosfatidillinositol
- Lisofosfatidilcolina
- Lisofosfatidiletanolamina
- Plasmalogênios
Esfingolipídeos
- Esfingomielina
- Gangliosideos
- GM1
- GM2
- GM3
- Glucosilceramida
- Glicosfingolipídeos
- Galactosilceramida
- Lactosilceramida
- Globotriaosilceramida (GB3)
- Glogosida (GB4)
Esteróis
- Esqualene
- Lanosterol
- Dimetilsterol
- Metosterol
- Latosterol
- Desmosterol
- Triacilglicerol
- Colesterol 7-dehidrocolesterol
- Estigma e campesterol
- 7-quetocolesterol
- Sitosterol beta-latosterol
- Metabólitos Vitamina D
- Hormônios esteróides
Vitaminas
- Vitamina A
- Betacaroteno
- Vitamina B6
- Vitamina B8 (Inositol)
- Vitamina B12
- Vitamina C
- Vitamina D
- Vitamina E
- A-tocoferol
- Vitamina K
- Tiamina
- Riboflavina
- Niacina
- Ácido Fólico
- Ácido pantotênico
- Biotina
Minerais
- Cálcio
- Sódio
- Potássio
- Ferro
- Zinco
- Clorida
- Fósforo
- Magnésio
- Cobre
- Manganês
- Iodo
- Selênio
- Colina
- Enxofre
- Cromo
- Cobalto
- Flúor
- Níquel
Metal
- Molibdenium (elemento essencial em muitas enzimas)
Fatores de crescimento (ajudam na maturação da mucosa intestinal)
- Citocinas
- Interleucina-1β (IL-1β)
- IL-2
- IL-4
- IL-6
- IL-8
- IL-10
- Fatores estimulantes de colônias de granulócitos (G-CSF)
- Fatores estimulantes de colônias de macrófagos (M-CSF)
- Fatores de crescimento derivados de plaquetas
- Fatores de crescimento vascular endotelial (VEGF)
- Fator de crescimento α-hepatócito (HGF- α)
- HGF-β
- Fator de necrose tumoral - α
- Interferon-γ
- Fator de crescimento epitelial (EGF)
- Fator de crescimento de transformação- α (TGF- α)
- TGF β1
- TGF-β2
- Fator de crescimento tipo-insulínico I (IGF-I)(também conhecido como somatomedina C)
- Fator de crescimento tipo-insulínico II
- Fator de crescimento neural (NGF)
- Eritropoietina
Peptídeos (combinação de aminoácidos)
- HMGF I (Fator de Crescimento Humano)
- HMGF II
- HMGF III
- Colecistoquinina (CCK)
- β-endorfinas
- Hormônio paratireodiano (PTH)
- Peptídeo relacionado ao Hormônio paratireodiano (PTHrP)
- Β-defensina-1
- Calcitonina
- Bombesina Motilina Gastrina (peptídeo liberador gástrico, também conhecido como neuromedina B)
- Neurotensina
- Somatostatina
- Hormônios (Mensageiros químicos que transportam sinais de uma célula, ou grupo de células, para outro através do sangue)
- Cortisol
- Triiodotironina (T3)
- Tiroxina (T4)
- Hormônio Estimulador da Tireóide (TSH) (tirotropina)
- Hormônio liberador da tireóide (TRH)
- Prolactina
- Ocitocina
- Insulina
- Corticoesterona
- Trombopoietina
- Hormônio Liberador de Gonadotropina (GnRH)
- GRH Leptina (ajuda na regulação da saciedade)
- Grelina (ajuda na regulação da saciedade)
- Adiponectina
- Fator inibidor da lactação (FIL)
- Prostaglandinas Eicosanóides (enzimaticamente derivadas dos ácidos graxos)
- PG-E1
- PG-E2
- PG-F2
- Leucotrienos
- Tromboxanos
- Prostaciclinas
Enzimas (catalisadores que suportam as reações químicas no corpo)
- Amilase
- Arisulfatase
- Catalase
- Histaminase
- Lipase
- Lisozima
- PAF-acetilhidrolase
- Fosfatase
- Xantina oxidase
Antiproteases (ligam-se a macromoléculas, como as enzimas, e assim previnem reações alérgicas e anafiláticas)
- a-1-antitripsina
- a-1-antiquimotripsina
Fatores antimicrobianos (usados pelo sistema imunológico para identificar e neutralizar corpos estranhos, como bactérias e vírus)
- Leucócitos (células brancas do sangue)
- Fagócitos
- Basófilos
- Neutrófilos
- Eosinófilos
- Macrófagos
- Linfócitos
- Linfócitos B (células B)
- Linfócitos T (células C)
- Imunoglobullina secretora A (sIgA) (o mais importante fator antimicrobiano)
- IgA2
- IgG
- IgD
- IgM
- IgE
- Complemento C1
- Complemento C2
 - Complemento C3
- Complemento C4
- Complemento C5
- Complemento C6
- Complemento C7
- Complemento C8
- Complemento C9
- Glicoproteínas
-Mucinas (impedem a adesão de virus e bactérias às mucosas)
- Lactaderina
- Alfa-lactoglobulina
- Alpha-2 macroglobulina
- Antígenos de Lewis
- Ribonuclease
- Inibidor de Hemaglutinina
- Fatores Bifidus (estimulam o crescimento de Lactobacillus bifidus – flora benéfica)
- Lactoferrina (se liga ao ferro, impedindo que as bactérias o utilizem como substrato)
- Lactoperoxidase
- Proteína de ligação de B12 (priva os microorganismos de vitamina B12)
- Fibronectina (realiza fagocitoses mais agressivas, minimizando inflamações e reparando danos causados pela inflamação)
- Oligosacarídeos (mais de 200 tipos diferentes!)

Concluindo:
O Leite Materno é reconhecido pelas suas propriedades protetoras e imunológicas que não são encontradas em nenhum outro tipo de leite. O Leite Materno contém prebióticos e probióticos na medida certa, em perfeito equilíbrio, de acordo com as necessidades do bebê humano para estabelecer uma flora intestinal saudável.
Provavelmente o principal fator anti-infeccioso presente no Leite Materno seja um anticorpo chamado IGA secretor (sIgA), que ajuda a proteger o bebê dos patógenos mais comuns encontrados no ambiente em que ele vive (isso é chamado de “proteção direcionada”). Os bebês amamentados podem ter infecções assintomáticas (que não apresentem qualquer sinal de inflamação) por causa dos fatores antiinflamatórios do Leite Materno, os quais atuam sobre as células inflamatórias agudas (como os neutrófilos).
As gorduras presentes no Leite Materno também são essenciais! 88% dessas gorduras são feitas de ácidos graxos de cadeia longa. São esses ácidos graxos de cadeia longa (por exemplo, os ácidos graxos ômega 3, especialmente o DHA) que são constituintes do cérebro e do tecido nervoso e são necessários no início da vida para o desenvolvimento cerebral e visual.
Finalmente, as propriedades de autoregulação do leite humano também são muito importantes - o Leite Materno é feito sob medida para o bebê, com base na idade e necessidades dele a cada momento. "O leite materno que uma mãe faz para seu bebê é diferente no primeiro dia, no dia sete, no dia 30, e assim por diante. Por exemplo, o leite materno feito por uma mãe de um bebê prematuro tem diferentes concentrações de várias substâncias para atender às necessidades especiais de seu bebê. E, ao longo do processo de desmame, o leite materno aumenta a concentração de fatores imunológicos de proteção para dar ao bebê uma dose final de proteção imunológica antes do desmame estar completo.” (Renee Kam, International Board Certified Lactation Consultant).
Portanto, quando você ouvir falar que o Leite Materno é ralo, é fraco e não sustenta, volte e releia esta lista. E nunca esqueça o quanto o seu leite é FORTE e COMPLETO para o seu bebê!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O bebê e a separação

Por José Martins Filho, em A criança terceirizada - os descaminhos das relações familiares no mundo contemporâneo, p.54
Fico muito preocupado quando a mãe de filhos com menos de dois anos de idade, particularmente dos que estão no primeiro ano de vida, decidem viajar durante dez, 15 dias. Isso é realmente traumático para o bebê, que, para se defender da dor profunda da perda (ele imagina que perdeu a mãe para sempre, que seu objeto de amor profundo foi embora, morreu), acaba transferindo seu vínculo, seu afeto para a pessoa que fica cuidando dele (uma avó, uma tia ou alguém da família). Nos casos em que a pessoa que substitui a mãe é alguém a quem a criança já está afeiçoada, a dor não é tão intensa e as consequências menos graves. É como se a criança considerasse sua mãe essa pessoa e não aquela que realmente a deu à luz. Infelizmente, quando a mãe volta, sofre, porque se dá conta que a criança está distante, relutante em vir para seus braços, quer ficar com a babá ou com a vovó, que não a “traíram”. Algumas mulheres, quando enfrentam essa situação, ficam desesperadas. Felizmente, aos poucos, e dependendo de como refaçam o vínculo, a situação tende a voltar ao normal.
Não se pode esquecer, principalmente nesse período de tanto contato, de tanta dependência, de tanta preocupação com a oralidade, a alimentação, a higiene etc., que a parte afetiva é fundamental nas relações humanas. Sem ela, o desenvolvimento enfrenta dificuldades para se realizar plenamente. Baseados nesses conhecimentos é que os pediatras insistem na atenção com afastamentos e distanciamentos. Uma criança de menos de dois anos sofre com afastamentos superiores a 12 horas. Se forem mais de 24 horas, podem marcar profundamente a psique e o comportamento da criança. Será que os pais sabem disso? Será que os pediatras e os psicólogos alertam os pais sobre isso? Falo dos pediatras porque são eles que têm a chance de monitorar e acompanhar as crianças com um pouco de frequência.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

O que fazer se o bebê está mordendo o peito?


Por Pítia Villar e Fernanda Rezende Silva
Revisão: Luciana Freitas



Mordidas no peito são uma reclamação comum das mães que amamentam - algumas chegam até mesmo a pensar em desmame por esse motivo. Vamos entender porque elas acontecem e o que pode ser feito para evitá-las.
O primeiro ponto que deve ser analisado: é mordida mesmo? Em alguns casos, o bebê não está de fato mordendo a mãe, mas ela tem essa sensação, pois sente dor e o peito acaba ferido. Vamos falar sobre as possíveis causas de “falsas mordidas” e, logo em seguida, falaremos das mordidas verdadeiras.

Pega errada
O bebê recém-nascido ainda está aprendendo a mamar; portanto, precisa aprender a pega correta para não ferir o peito da mãe. Se o bebê perde a pega quando está sonolento, é preciso ficar vigilante para agir antes que ele tente segurar o mamilo que escorregou com uma “mordida”. Para evitar esse problema, sugerimos que logo que o bebê começar a ficar “molinho” a mãe coloque o dedo mindinho no canto da boca do bebê, de forma que, se os lábios escorregarem, o bebê vai morder o dedo, e não o mamilo. Não tente tirar o mamilo da boca do bebê quando ele ainda está sonolento pois poderá acordá-lo, apenas mantenha o dedo no canto da boca até que o bebê termine de adormecer para depois tirar o mamilo.

Freio de língua curto

Se o bebê tem o freio curto, então ele precisa ser avaliado por um profissional, pois em muitos desses casos ele não consegue fazer a pega correta e acaba “mordendo” o peito da mãe.

Confusão de bicos

Quando o bebê usa mamadeira, chupeta, copo com bico/canudo, ou se a mãe usa bico intermediário de silicone, pode estar acontecendo problema na pega por causa desses utensílios e isso é sinal de confusão de bicos. Não importa se os bicos foram dados na saída da maternidade, se após o retorno ao trabalho ou se em ausências ocasionais da mãe - em qualquer situação há riscos. Um único uso de mamadeira, por exemplo, pode prejudicar a pega e causar mordidas. Copo de treinamento também pode prejudicar a pega, mesmo se usado sem válvula.

Nascimento de dentes

Quando os dentes nascem, a gengiva do bebê pode doer e coçar, e alguns bebês usam tudo o que estiver ao seu alcance para aliviar o desconforto, até mesmo o peito da mãe. É possível ajudar o seu bebê a aliviar o desconforto recorrendo a mordedores, picolé de leite materno e massagens com as pontas dos dedos na gengiva do bebê. É interessante oferecer esses recursos para ele se distrair durante o dia, tendo atenção especial no momento antes da mamada. Caso o dente esteja rompendo ou já tenha rompido, considere que o bebê ainda não se habituou aos novos “habitantes” da boca e pode levar algum tempo para que a pega se ajuste, portanto fique de olho na pega: peça para o bebê abrir um “bocão” quando for mamar.

Dente lascado ou quebrado 

Há casos em que o bebê quebra o dente parcialmente e ele não é restaurado de imediato, então a mãe começa a ser “mordida” pelo bebê. Depois que o dente é restaurado a sensação de mordida some - ou seja, o dente lascado estava roçando no mamilo e causava essa sensação de mordida. Se você desconfia que possa ser o seu caso, procure um dentista.

Boca ferida ou doente

É importante avaliar cuidadosamente a boca do bebê procurando qualquer situação diferente que possa estar causando incômodo. Estomatite, sapinho e aftas podem fazer com que mamar seja bem dolorido e por isso o bebê pode ter irritação ou mesmo morder o seio materno ao ser amamentado. Caso identifique marcas, feridas ou aftas na boca do bebê que causem incômodo ou dor não force a mamada. Nesse caso, é conveniente que seja oferecido leite materno ordenhado em um copo e que procure auxílio médico; assim, evita-se que o desconforto se transforme em greve de amamentação e qualquer outro dano ao bebê.

Mordidas verdadeiras
Durante a fase oral, que vai do nascimento até cerca de 18 meses, o bebê usa a boca para conhecer e experimentar o universo ao seu redor. É um momento marcado pela necessidade elevada de sucção, que deve ser saciada no seio. Por isso, alguns bebês mordem a mama da mãe e, quando já têm dentes, pode ser doloroso demais. Mesmo sendo algo característico dessa fase, isso não significa que não devemos fazer nada para tentar amenizar as ocorrências.
Se o bebê morde quando a mãe está distraída, pode ser que ele esteja usando a mordida para chamar a atenção materna. Como amenizar ou resolver o problema? Com carinho, brincadeiras, caprichar no contato olho no olho.
O bebê também sente a agitação do local e pode tentar demonstrar seu medo, agitação e insegurança com essas mordidas desagradáveis. Caso você esteja em um recinto agitado, desconhecido ou com visitas em casa, o ideal é tentar se retirar para um local mais calmo, de modo que o bebê mame mais tranquilamente.
Alguns bebês maiores podem acham entediante ficar “só mamando”, procuram mais atividades para fazerem enquanto são amamentados e, por conta disso, acabam descobrindo a “diversão” de mordiscar o mamilo da mãe enquanto mamam. Nesse caso, brinquedinhos ou colares de amamentação podem ajudar a distrai-lo e evitar mordidas.
E quando está tudo bem e o bebê simplesmente morde porque quer, ou porque acha divertido? A mãe deve tomar uma atitude para que o bebê entenda que morder não é bom, não é divertido. Não grite; tire o peito da boca do bebê introduzindo o seu dedo mindinho na lateral da boca para conseguir retirar o mamilo sem machucar mais e fale com voz firme que não é para morder. Não repreenda demasiadamente, mas também não brinque. Manter a postura séria, mesmo que o bebê sorria, faz com que o entendimento dele seja maior, pois a expressão da mãe representa muito mais para o bebê do que as palavras. Use frases curtas, sem muitas palavras, como por exemplo, "morder dói na mamãe". Por fim, espere uns minutos antes de oferecer o peito novamente. Sempre que a situação se repetir, busque ser consistente nas atitudes, repetindo continuamente a mesma ação e as mesmas palavras, se possível, pois o bebê associará "morder = sem peito". 

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