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domingo, 18 de outubro de 2015
Meu bebê quer peito/colo o tempo todo - será que isso é normal?
Tire da cabeça aquela ideia de bebê que só mama a cada 3 horas e nos intervalos está dormindo ou brincando sozinho - não é isso que se deve esperar de um bebê (é até comum um RN só mamar e dormir nos primeiros dias, mas logo isso muda, quando ele percebe que saiu da barriga).
Tudo que um RN quer é estar grudado na mãe. Antes ele estava na barriga, ouvindo o coração da mãe e recebendo alimentação contínua - é claro que este bebê vai procurar as mesmas coisas quando nasce (1). Desde que nasce o bebê já sabe que peito não é só alimento - é carinho, aconchego, segurança - é seu porto seguro.
As melhores dicas que se pode dar a uma grávida são: faça cama compartilhada (2, 3); compre um sling e tente aprender a usá-lo antes do bebê nascer (4). Use o sling em casa, passe o primeiro mês (pelo menos) com o bebê no sling o máximo de tempo possível - deixe-o mamar e dormir no sling. À noite deite com o bebê para amamentá-lo e durma junto (5) - a ocitocina relaxa e adormece também a mãe, não brigue com a natureza tentando ficar acordada, e liberte-se da ideia de bebê arrotar (6). Se puder amamente deitada e durma junto com o bebê também nas sonecas - tudo que uma puérpera precisa é de descanso. Se você não tem ajuda suficiente para isso use e abuse ainda mais do sling - com ele você tem as mãos livres para outras atividades.
O bebê e a mãe se estressam se a família tenta ir contra a natureza: deixar o bebê muito tempo fora do colo, amamentar seguindo horários (7), oferecer bico artificial no lugar do peito (8), passar a noite longe do bebê (9). E porquê os bebês que tomam LA aceitam mais facilmente ficar longe da mãe? Porque eles estão com o estômago pesado: o LA cai no estômago como se fosse uma feijoada, faz o corpo do bebê concentrar todos os esforços nessa digestão difícil.
Você sabia que o corpo da mãe ajuda a regular a temperatura e a respiração do bebê (10)? Isso também explica porque o bebê quer a mãe o tempo todo - até mesmo adormecido ele sente se a mãe se afasta, daí é fácil entender porque a grande maioria dos bebês que ficam grudadinhos na mãe não têm "cólicas" (11): eles não sofrem o estresse de tentar regular a própria temperatura e respiração sozinhos.
Até quando precisa desse grude todo? Quem vai dar sinais é o bebê. Assim como qualquer marco do desenvolvimento, a fase de extero-gestação (12) também varia - alguns bebês evoluem mais rápido que outros.
Como a família pode ajudar: papai, vovós, titias, entendam que o bebê pode demorar um pouquinho a perceber que existe alguém no mundo além da mamãe, não fiquem enciumados, logo ele será louco por vocês também - se o bebê já aceita outros colos, dê colo ao bebê (não o deixe sozinho em berço/cama/carrinho - ele precisa de contato) para que a mãe possa se cuidar. Dica para todos que puderem ajudar: cuidem da casa: ofereçam água e comida à puérpera e não duvidem da capacidade dela de amamentar seu bebê - este é o melhor presente para esta fase.
1 - O Conceito do Continuum - a importância da fase do colo: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/o-conceito-do-continuum-importancia-da.html
2 - Eu deveria deixar meu bebê dormir comigo? http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/03/eu-deveria-deixar-meu-bebe-dormir-comigo.html
3 - Normas gerais de segurança da cama compartilhada - http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/07/normas-gerais-de-seguranca-da-cama.html
4 - Carregadores de bebês -http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2016/11/carregadores-de-bebes.html
5 - Pode amamentar deitada? http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/pode-amamentar-deitada.html
6 - Preciso colocar meu bebê para arrotar? http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/10/preciso-colocar-meu-bebe-para-arrotar.html
7 - Porque a amamentação noturna é tão importante - http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/porque-amamentacao-noturna-e-tao.html
8 - O jogo hormonal entre mãe e filho na cama compartilhada - http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/01/o-jogo-hormonal-entre-mae-e-filho-na.html
9 - Teoria da exterogestação, pelo Dr. Harvey Karp
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/teoria-da-extero-gestacao.html
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sábado, 27 de junho de 2015
O que passa e o que não passa pelo leite materno
Por: Luciana Freitas
Postado originalmente no GVA do Orkut
Esse é um dos meus assuntos favoritos relacionados à amamentação. Ele é, como muitos outros, cheio de equívocos e de mitos que só prejudicam a amamentação. Por isso é importante deixar claro alguns pontos.
Em primeiro lugar, não existe nenhuma comparação possível entre aquilo que se consumido na gestação prejudica o feto e o que, em teoria, prejudica o bebê via leite materno. Quando digo nenhuma, é nenhuma mesmo! Na gravidez, o feto, um ser ainda em formação, recebe diretamente em sua circulação tudo o que a mãe consome. Na amamentação, um ser já formado recebe via oral e em proporção mínima o que é excretado pelo leite materno.
Em segundo lugar, nem tudo passa pelo leite materno. Depende do peso molecular da substância; quanto maior, menos passa. O álcool é um dos raros casos em que a concentração no sangue da mãe é muito similar à que aparece no leite, pois a maioria das substâncias apresentam-se em concentrações muito pequenas, de até 10% daquela que aparece no sangue (que é bem menor que aquela que a mãe consumiu).
Em terceiro lugar, nem tudo o que passa pelo leite, chega à corrente sanguínea do bebê. Dr. González diz, brincando, que a quantidade que passa de um remédio pelo leite é como se o bebê tivesse dado uma lambida no comprimido. Uma amoxicilina, por exemplo, a concentração que chega ao bebê é de 1/500 da dose consumida pela mãe, ou seja, nada!
Em quarto lugar, nem tudo o que chega à corrente sanguínea do bebê é capaz de ter um efeito danoso à sua saúde. Por exemplo, o bebê está com febre, a mãe enche o pobrezinho de antitérmico sem pensar duas vezes; às vezes sem nem esperar que chegue a 38 graus; na hora que essa mãe precisa de um antitérmico porque tem 39 de febre, ela tem medo de tomar!!??? Sem lógica! Todos os remédios que bebês consomem, a mãe que amamenta pode tomar sem nenhum problema!
Em quinto lugar, as substâncias que efetivamente são contraindicadas na amamentação são pouquíssimas. Quase todas as drogas de abuso (cocaína etc) e drogas de combate ao câncer. Há outras (poucas) que devem ser usadas com muito cuidado ou trocadas por uma similar. A imensa maioria é totalmente compatível com a amamentação, em especial se o bebê não é mais um recém-nascido.
Resumindo: quase nunca existe incompatibilidade entre remédios e amamentação. O que existe é falta de informação!
Postado originalmente no GVA do Orkut
Esse é um dos meus assuntos favoritos relacionados à amamentação. Ele é, como muitos outros, cheio de equívocos e de mitos que só prejudicam a amamentação. Por isso é importante deixar claro alguns pontos.
Em primeiro lugar, não existe nenhuma comparação possível entre aquilo que se consumido na gestação prejudica o feto e o que, em teoria, prejudica o bebê via leite materno. Quando digo nenhuma, é nenhuma mesmo! Na gravidez, o feto, um ser ainda em formação, recebe diretamente em sua circulação tudo o que a mãe consome. Na amamentação, um ser já formado recebe via oral e em proporção mínima o que é excretado pelo leite materno.
Em segundo lugar, nem tudo passa pelo leite materno. Depende do peso molecular da substância; quanto maior, menos passa. O álcool é um dos raros casos em que a concentração no sangue da mãe é muito similar à que aparece no leite, pois a maioria das substâncias apresentam-se em concentrações muito pequenas, de até 10% daquela que aparece no sangue (que é bem menor que aquela que a mãe consumiu).
Em terceiro lugar, nem tudo o que passa pelo leite, chega à corrente sanguínea do bebê. Dr. González diz, brincando, que a quantidade que passa de um remédio pelo leite é como se o bebê tivesse dado uma lambida no comprimido. Uma amoxicilina, por exemplo, a concentração que chega ao bebê é de 1/500 da dose consumida pela mãe, ou seja, nada!
Em quarto lugar, nem tudo o que chega à corrente sanguínea do bebê é capaz de ter um efeito danoso à sua saúde. Por exemplo, o bebê está com febre, a mãe enche o pobrezinho de antitérmico sem pensar duas vezes; às vezes sem nem esperar que chegue a 38 graus; na hora que essa mãe precisa de um antitérmico porque tem 39 de febre, ela tem medo de tomar!!??? Sem lógica! Todos os remédios que bebês consomem, a mãe que amamenta pode tomar sem nenhum problema!
Em quinto lugar, as substâncias que efetivamente são contraindicadas na amamentação são pouquíssimas. Quase todas as drogas de abuso (cocaína etc) e drogas de combate ao câncer. Há outras (poucas) que devem ser usadas com muito cuidado ou trocadas por uma similar. A imensa maioria é totalmente compatível com a amamentação, em especial se o bebê não é mais um recém-nascido.
Resumindo: quase nunca existe incompatibilidade entre remédios e amamentação. O que existe é falta de informação!
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