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domingo, 31 de janeiro de 2016
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
Porque meu bebê está acordando tanto?
"Minha filha adormeceu até rápido, mas logo acordou. Amamentei, ela dormiu de novo. Em poucos minutos acordou. Só aí eu percebi que ela estava toda suada e o calor estava atrapalhando o sono dela".
"Meu bebê passou a noite acordando de meia em meia hora. Quando amanheceu entendi o motivo: dois novos dentinhos".
"Meu filho ainda acorda de madrugada, mas geralmente só uma vez. Nesta noite ele acordou demais. Fiquei nervosa, não consegui acalmá-lo sozinha. Quando meu marido o pegou no colo percebeu que ele estava cheio de picadas de pernilongos".
"Meu bebê ainda acorda duas vezes à noite, mama e volta a dormir. Eu sei que isso é normal, pois o ciclo de sono dos bebês é diferente dos adultos, e sei que não é fome - ele pede peito simplesmente porque precisa de ajuda (no caso, precisa sugar) para voltar a dormir. Por enquanto isso não me incomoda (nem acordo totalmente, só viro para o lado para ele mamar) mas se um dia incomodar farei a Remoção Gentil."
"Viajamos para outra cidade. Minha filha adormeceu e em menos de meia hora estava chorando. Eu quase chorei junto quando toquei sua pele e vi que ela estava passando frio".
"Ele tinha tomado vacina 3 dias atrás, estava tudo bem e fomos viajar. No avião chorou o tempo todo. Um senhor ao meu lado dizia que era fome, mas meu bebê não saía do peito - eu sabia que não era fome. Só acalmou depois que dei o analgésico - era reação da vacina".
"Minha filha ganhou um macacão lindo e eu a vesti com ele para ela dormir. Ela estava resmungando mas dormiu no peito. Acordou duas vezes, amamentei, dormiu de novo. Na terceira vez decidi que eu precisava descobrir o que a incomodava. Abri o macacão para ver se a fralda estava suja e percebi que o tecido do macacão a havia deixado com a pele toda avermelhada".
"Naquela noite ele não largou o peito. Adormeceu, mas não me deixava tirar o peito da boca. Eu dormi junto, com meu bebê plugado. No dia seguinte ele começou a engatinhar - aquele grude todo era um salto de desenvolvimento".
"Minha filha nunca dormiu bem. Pensei que fosse fome e dei fórmula à noite. Ela dormiu por mais tempo, mas acordou cheia de manchas vermelhas na pele. Tratei com pomada, mas isso se repetiu vários dias, até eu descobrir que o desconforto dela não era fome - era alergia alimentar."
"Tivemos uma noite tensa - bebê chorando muito, não dormia, quando conseguia adormecer logo acordava. A avó dizia que era fome. O tio dizia que era manha. Eu sabia que não era nada disso, e já estávamos quase indo para o hospital quando ele vomitou um giz de cera que tinha engolido - depois disso voltou a ser o meu bebê feliz".
"Era o dia do batizado da minha filha. De manhã estávamos na igreja e ela tirou sonecas no meu colo. À tarde fomos comemorar em um churrasco da família, minha filha passou de colo em colo e eu pensava 'se tiver sono dorme', daí não cuidei das sonecas dela, ela se distraiu muito e não tirou nenhuma boa soneca à tarde. O resultado foi efeito vulcão à noite - ela chorava, chorava, às vezes chegava a adormecer mas acordava logo em seguida, só conseguiu dormir de verdade às 3h da manhã".
"Meu filho era muito ligado ao avô. No dia do velório do avô decidi não levá-lo para ele não sentir a tensão. Não adiantou nada - ele passou uma semana dormindo mal. Crianças sentem tudo mesmo."
"Estávamos na fase de introdução alimentar, e eu tive a péssima ideia de dar batata doce para a minha filha no jantar (era a primeira vez que ela comia batata doce). Ela passou a noite cheia de gases, se espremendo, chorando, acordando toda hora".
"Dois meses sem chuva, a seca estava maltratando. Meu filho só conseguiu dormir para valer depois que eu levei para o quarto uma toalha encharcada".
"Tivemos uma noite tensa. Minha bebê chorava, chorava, e não conseguia dormir. Percebi que uma das orelhas estava sem brinco. Gelei de medo dela ter engolido, mas logo encontrei o brinco preso na roupa dela - estava machucando seu bracinho".
"A empregada trocou a roupa de cama da casa toda, inclusive do berço do meu bebê. Na hora de dormir ele não ficava mais de 10 minutos no berço. Pensei que fosse fome, dei leite artificial e ele dormiu. Quando amanheceu percebi que a empregada havia colocado o lençol por cima de um brinquedo, que estava, claro, incomodando meu bebê e atrapalhando o sono dele. Entendi então que, após tomar o leite artificial, ele dormiu por causa da digestão pesada, e não porque tinha fome. O motivo do choro estava lá ainda, não havia sido resolvido, e seu corpinho foi sobrecarregado por uma digestão difícil".
Você ainda continua achando que só fome faz o seu bebê acordar?
domingo, 18 de outubro de 2015
Meu bebê quer peito/colo o tempo todo - será que isso é normal?
Tire da cabeça aquela ideia de bebê que só mama a cada 3 horas e nos intervalos está dormindo ou brincando sozinho - não é isso que se deve esperar de um bebê (é até comum um RN só mamar e dormir nos primeiros dias, mas logo isso muda, quando ele percebe que saiu da barriga).
Tudo que um RN quer é estar grudado na mãe. Antes ele estava na barriga, ouvindo o coração da mãe e recebendo alimentação contínua - é claro que este bebê vai procurar as mesmas coisas quando nasce (1). Desde que nasce o bebê já sabe que peito não é só alimento - é carinho, aconchego, segurança - é seu porto seguro.
As melhores dicas que se pode dar a uma grávida são: faça cama compartilhada (2, 3); compre um sling e tente aprender a usá-lo antes do bebê nascer (4). Use o sling em casa, passe o primeiro mês (pelo menos) com o bebê no sling o máximo de tempo possível - deixe-o mamar e dormir no sling. À noite deite com o bebê para amamentá-lo e durma junto (5) - a ocitocina relaxa e adormece também a mãe, não brigue com a natureza tentando ficar acordada, e liberte-se da ideia de bebê arrotar (6). Se puder amamente deitada e durma junto com o bebê também nas sonecas - tudo que uma puérpera precisa é de descanso. Se você não tem ajuda suficiente para isso use e abuse ainda mais do sling - com ele você tem as mãos livres para outras atividades.
O bebê e a mãe se estressam se a família tenta ir contra a natureza: deixar o bebê muito tempo fora do colo, amamentar seguindo horários (7), oferecer bico artificial no lugar do peito (8), passar a noite longe do bebê (9). E porquê os bebês que tomam LA aceitam mais facilmente ficar longe da mãe? Porque eles estão com o estômago pesado: o LA cai no estômago como se fosse uma feijoada, faz o corpo do bebê concentrar todos os esforços nessa digestão difícil.
Você sabia que o corpo da mãe ajuda a regular a temperatura e a respiração do bebê (10)? Isso também explica porque o bebê quer a mãe o tempo todo - até mesmo adormecido ele sente se a mãe se afasta, daí é fácil entender porque a grande maioria dos bebês que ficam grudadinhos na mãe não têm "cólicas" (11): eles não sofrem o estresse de tentar regular a própria temperatura e respiração sozinhos.
Até quando precisa desse grude todo? Quem vai dar sinais é o bebê. Assim como qualquer marco do desenvolvimento, a fase de extero-gestação (12) também varia - alguns bebês evoluem mais rápido que outros.
Como a família pode ajudar: papai, vovós, titias, entendam que o bebê pode demorar um pouquinho a perceber que existe alguém no mundo além da mamãe, não fiquem enciumados, logo ele será louco por vocês também - se o bebê já aceita outros colos, dê colo ao bebê (não o deixe sozinho em berço/cama/carrinho - ele precisa de contato) para que a mãe possa se cuidar. Dica para todos que puderem ajudar: cuidem da casa: ofereçam água e comida à puérpera e não duvidem da capacidade dela de amamentar seu bebê - este é o melhor presente para esta fase.
1 - O Conceito do Continuum - a importância da fase do colo: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/o-conceito-do-continuum-importancia-da.html
2 - Eu deveria deixar meu bebê dormir comigo? http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/03/eu-deveria-deixar-meu-bebe-dormir-comigo.html
3 - Normas gerais de segurança da cama compartilhada - http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/07/normas-gerais-de-seguranca-da-cama.html
4 - Carregadores de bebês -http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2016/11/carregadores-de-bebes.html
5 - Pode amamentar deitada? http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/pode-amamentar-deitada.html
6 - Preciso colocar meu bebê para arrotar? http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/10/preciso-colocar-meu-bebe-para-arrotar.html
7 - Porque a amamentação noturna é tão importante - http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/porque-amamentacao-noturna-e-tao.html
8 - O jogo hormonal entre mãe e filho na cama compartilhada - http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/01/o-jogo-hormonal-entre-mae-e-filho-na.html
9 - Teoria da exterogestação, pelo Dr. Harvey Karp
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/teoria-da-extero-gestacao.html
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segunda-feira, 18 de maio de 2015
Quem produz o leite materno - a mãe ou o bebê?
Por Fernanda Rezende Silva
Revisão: Luciana Freitas e Zioneth Garcia
O título deste texto pode parecer absurdo, mas não é. O bebê influencia sim, e muito, no processo de produção do leite materno. É ele quem comanda.
Vamos imaginar que o peito da mãe é uma máquina de produzir alimento, e o bebê é o operador desta máquina. Se o operador nem chegar perto da máquina é óbvio que ela permanecerá desligada e nenhum alimento será produzido, e o contrário também é verdadeiro, se o operador estiver em permanente contato com esta máquina, operando-a o tempo todo, muito alimento será produzido. Ok, esta parte não é novidade. Sabemos que quanto mais o bebê suga, mais leite é produzido,e que se o bebê não suga (ou suga errado) a produção de leite é comprometida, então vamos entender como funciona o processo (se você ainda não sabia que o leite materno é produzido enquanto o bebê mama então leia este texto: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/09/voce-esta-amamentando-e-seu-peito-esta.html).
O bebê nasceu com a missão de operar a máquina-peito, e esta operação não se resume a ligar/desligar, ele decide em que momento que tipo de alimento será produzido. Ele é um operador inteligente: pode enviar um comando do tipo "agora quero o alimento X", ou "chega de X, agora quero Y". Traduzindo isso: o bebê, por meio do tempo de mamada e de potência da sucção, “diz” ao corpo da mãe que agora ele quer um leite menos gorduroso, ou que quer o leite mais gorduroso. O leite vai aumentando sua quantidade de gorduras, então não existe um leite “fraco” e um leite “gordo”, é algo gradual . Alguns exemplos do que o bebê diria para a mãe:
- "Mamãe, já mamei 10 minutos de leite com menos gordura e matei a sede, agora quero mamar mais 20 minutos, então vai aumentando a gordura desse!".
- "Mamãe, não se assuste - dessa vez só quero matar a sede, não tenho fome - assim que eu tiver fome eu mamo mais e lhe peço um leite com mais gordura".
- "Mamãe, já estou tão craque que agora quero só 1 minuto de leite com menos gordura e nos 4 minutos seguintes, vai aumentando a gordura desse leite. Ah! Mamãe, agora consigo me satisfazer em apenas 5 minutos".
Sim, é o bebê que diz ao corpo da mãe que tipo de leite quer, quanto quer, em que momento quer, por isso a livre demanda verdadeira é tão importante (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/07/livre-demanda-o-que-e-realmente-dr.html). E como o bebê pode executar este processo mágico de ir mudando a gordura do leite no meio da mamada? Ele intensifica a mamada, fica mais tempo no peito… Um bebê saudável nasce pronto para operar a máquina-peito e, se ele não sofrer interferências externas ele vai executar este processo perfeitamente.
"Ah, mas meu bebê ganhou pouco peso neste mês". Porque isso nem sempre é um problema? O ganho de peso isoladamente não significa saúde
(http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2013/06/por-que-nao-tiramos-balanca-do-pedestal.html). Se um bebê saudável ganhou pouco peso em um mês específico mas cresce e se desenvolve bem então pode não haver motivo para preocupação, depende de cada caso - ele vai engordar conforme a sua necessidade.
"Mas meu bebê tem mamado horas seguidas, meu leite não satisfaz!". Hora de desfazer o mito "bebê só mama e dorme" e aprender um pouco sobre picos de crescimento e saltos de desenvolvimento. Peito não é só alimento - bebês novinhos querem mesmo grudar na mãe (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/o-conceito-do-continuum-importancia-da.html), e nos picos e saltos grudam mais ainda (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/pico-de-crescimento-e-salto-de.html).
O que poderia então atrapalhar o bebê a ponto dele não conseguir mamar bem? Existem alguns fatores como a prematuridade, por exemplo, que fazem com que o bebê tenha dificuldade para mamar (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/02/como-estimular-o-bebe-aprender-ou.html). Outro exemplo é a anquiloglossia: se o bebê tem o freio de língua curto então pode ser que ele não consiga executar perfeitamente todos os movimentos necessários com a boca e língua, e isso sim pode atrapalhar as mamadas e consequentemente a produção de leite (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/11/anquiloglossia-freio-de-lingua-curto.html).
Porque então tantas mulheres dizem "Não tive leite" ou "Meu leite secou", mesmo quando o bebê não tem nenhum problema para "operar a máquina"? Nesses casos o bebê nasce preparado para operar a máquina-peito, mas ele sofre interferências externas dos tais bicos artificiais (chupetas e mamadeiras). Imagine que o operador usa os 5 dedos da mão direita para executar o comando "produzir alimento X", mas aí ele começa a carregar um objeto com esta mão e passa a não dispor mais dos 5 dedos para esta ação (passa a fazê-lo só com 4 dedos) - ele sentirá cada vez mais dificuldade para fazer este movimento até que a tarefa se torne muito difícil e ele pode até desistir. Este texto explica o que acontece nestes casos: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/03/o-que-acontece-com-os-musculos-bucais.html.
Você já entendeu que quem produz leite materno não é a máquina-peito sozinha - o bebê é quem comanda o processo. Pois é, então isso também significa que não adianta NADA empanturrar a máquina com matéria-prima - o operador-bebê só vai pedir o alimento que ele realmente necessita. Algumas mães pensam que precisam comer muita comida calórica para ter o leite mais gorduroso e assim o bebê engordar melhor - isso não faz sentido, basta você lembrar que os bebês das africanas mal nutridas também engordam. Já vimos o caso de uma mãe que comia muita comida calórica enquanto a filha engordava no ritmo normal e esperado para o biotipo dela - o que esta mãe conseguiu foram 32 kg extras ao final da amamentação (ou seja, o que a mãe comeu a mais virou gordura no corpo dela, já que o bebê não requisitava esta gordura no leite materno).
A matéria-prima é importante, então a mãe deve se alimentar bem? Sim, a mãe deve se alimentar bem, mas sem neuras. Sabe a tal máquina-peito? Então, ela tem as receitas armazenadas, o que significa que seu resultado final varia muito pouco: a maior parte dos nutrientes do leite materno vem das reservas nutricionais da mãe (todos os seres humanos possuem reservas de nutrientes no corpo) então a mãe na verdade precisa se alimentar bem para repor estas reservas, e não para produzir leite de qualidade. Um exemplo: já foi comprovado que a mãe pode aumentar bastante o consumo de alimentos com ferro e mesmo assim o leite materno terá sempre a mesma quantidade de ferro, independente do que a mãe comeu. Se a mãe simplesmente não está comendo alimentos com ferro o leite também continua bom, mas este caso representa perigo de anemia para a mãe, por isso ela não pode fazer dietas malucas e precisa mesmo se alimentar bem.
Se o leite materno tem uma receita pronta, que praticamente não varia, e só se produz leite conforme o bebê solicita, faz sentido pensar que a mãe precisa beber X litros de água por dia, ou pensar que beber mais água ajuda a produzir mais leite? Não, isso também não faz sentido. Uma mulher que amamenta sentirá mais sede naturalmente, mas não precisa se obrigar a tomar vários litros de água por dia para garantir a produção de leite (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/beber-muita-agua-para-ter-mais-leite.html). Lembra da receita do leite materno? Então, nela consta a proporção de água necessária para produzir leite - tudo que vier além disso será eliminado pelo corpo.Você estava aí se culpando porque não comeu o alimento X ou Y, pensando que seu leite não seria bom por causa disso? Pode desencanar - agora você já sabe que quem comanda a produção é o bebê e que todas as mulheres têm em seus corpos a receita do leite perfeito - nenhuma mulher precisa de canjica ou suco de uva para ter mais leite ou um leite de melhor qualidade.
Revisão: Luciana Freitas e Zioneth Garcia
O título deste texto pode parecer absurdo, mas não é. O bebê influencia sim, e muito, no processo de produção do leite materno. É ele quem comanda.
Vamos imaginar que o peito da mãe é uma máquina de produzir alimento, e o bebê é o operador desta máquina. Se o operador nem chegar perto da máquina é óbvio que ela permanecerá desligada e nenhum alimento será produzido, e o contrário também é verdadeiro, se o operador estiver em permanente contato com esta máquina, operando-a o tempo todo, muito alimento será produzido. Ok, esta parte não é novidade. Sabemos que quanto mais o bebê suga, mais leite é produzido,e que se o bebê não suga (ou suga errado) a produção de leite é comprometida, então vamos entender como funciona o processo (se você ainda não sabia que o leite materno é produzido enquanto o bebê mama então leia este texto: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/09/voce-esta-amamentando-e-seu-peito-esta.html).
O bebê nasceu com a missão de operar a máquina-peito, e esta operação não se resume a ligar/desligar, ele decide em que momento que tipo de alimento será produzido. Ele é um operador inteligente: pode enviar um comando do tipo "agora quero o alimento X", ou "chega de X, agora quero Y". Traduzindo isso: o bebê, por meio do tempo de mamada e de potência da sucção, “diz” ao corpo da mãe que agora ele quer um leite menos gorduroso, ou que quer o leite mais gorduroso. O leite vai aumentando sua quantidade de gorduras, então não existe um leite “fraco” e um leite “gordo”, é algo gradual . Alguns exemplos do que o bebê diria para a mãe:
- "Mamãe, já mamei 10 minutos de leite com menos gordura e matei a sede, agora quero mamar mais 20 minutos, então vai aumentando a gordura desse!".
- "Mamãe, não se assuste - dessa vez só quero matar a sede, não tenho fome - assim que eu tiver fome eu mamo mais e lhe peço um leite com mais gordura".
- "Mamãe, já estou tão craque que agora quero só 1 minuto de leite com menos gordura e nos 4 minutos seguintes, vai aumentando a gordura desse leite. Ah! Mamãe, agora consigo me satisfazer em apenas 5 minutos".
Sim, é o bebê que diz ao corpo da mãe que tipo de leite quer, quanto quer, em que momento quer, por isso a livre demanda verdadeira é tão importante (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/07/livre-demanda-o-que-e-realmente-dr.html). E como o bebê pode executar este processo mágico de ir mudando a gordura do leite no meio da mamada? Ele intensifica a mamada, fica mais tempo no peito… Um bebê saudável nasce pronto para operar a máquina-peito e, se ele não sofrer interferências externas ele vai executar este processo perfeitamente.
"Ah, mas meu bebê ganhou pouco peso neste mês". Porque isso nem sempre é um problema? O ganho de peso isoladamente não significa saúde
(http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2013/06/por-que-nao-tiramos-balanca-do-pedestal.html). Se um bebê saudável ganhou pouco peso em um mês específico mas cresce e se desenvolve bem então pode não haver motivo para preocupação, depende de cada caso - ele vai engordar conforme a sua necessidade.
"Mas meu bebê tem mamado horas seguidas, meu leite não satisfaz!". Hora de desfazer o mito "bebê só mama e dorme" e aprender um pouco sobre picos de crescimento e saltos de desenvolvimento. Peito não é só alimento - bebês novinhos querem mesmo grudar na mãe (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/o-conceito-do-continuum-importancia-da.html), e nos picos e saltos grudam mais ainda (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/pico-de-crescimento-e-salto-de.html).
O que poderia então atrapalhar o bebê a ponto dele não conseguir mamar bem? Existem alguns fatores como a prematuridade, por exemplo, que fazem com que o bebê tenha dificuldade para mamar (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/02/como-estimular-o-bebe-aprender-ou.html). Outro exemplo é a anquiloglossia: se o bebê tem o freio de língua curto então pode ser que ele não consiga executar perfeitamente todos os movimentos necessários com a boca e língua, e isso sim pode atrapalhar as mamadas e consequentemente a produção de leite (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/11/anquiloglossia-freio-de-lingua-curto.html).
Porque então tantas mulheres dizem "Não tive leite" ou "Meu leite secou", mesmo quando o bebê não tem nenhum problema para "operar a máquina"? Nesses casos o bebê nasce preparado para operar a máquina-peito, mas ele sofre interferências externas dos tais bicos artificiais (chupetas e mamadeiras). Imagine que o operador usa os 5 dedos da mão direita para executar o comando "produzir alimento X", mas aí ele começa a carregar um objeto com esta mão e passa a não dispor mais dos 5 dedos para esta ação (passa a fazê-lo só com 4 dedos) - ele sentirá cada vez mais dificuldade para fazer este movimento até que a tarefa se torne muito difícil e ele pode até desistir. Este texto explica o que acontece nestes casos: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/03/o-que-acontece-com-os-musculos-bucais.html.
Você já entendeu que quem produz leite materno não é a máquina-peito sozinha - o bebê é quem comanda o processo. Pois é, então isso também significa que não adianta NADA empanturrar a máquina com matéria-prima - o operador-bebê só vai pedir o alimento que ele realmente necessita. Algumas mães pensam que precisam comer muita comida calórica para ter o leite mais gorduroso e assim o bebê engordar melhor - isso não faz sentido, basta você lembrar que os bebês das africanas mal nutridas também engordam. Já vimos o caso de uma mãe que comia muita comida calórica enquanto a filha engordava no ritmo normal e esperado para o biotipo dela - o que esta mãe conseguiu foram 32 kg extras ao final da amamentação (ou seja, o que a mãe comeu a mais virou gordura no corpo dela, já que o bebê não requisitava esta gordura no leite materno).
A matéria-prima é importante, então a mãe deve se alimentar bem? Sim, a mãe deve se alimentar bem, mas sem neuras. Sabe a tal máquina-peito? Então, ela tem as receitas armazenadas, o que significa que seu resultado final varia muito pouco: a maior parte dos nutrientes do leite materno vem das reservas nutricionais da mãe (todos os seres humanos possuem reservas de nutrientes no corpo) então a mãe na verdade precisa se alimentar bem para repor estas reservas, e não para produzir leite de qualidade. Um exemplo: já foi comprovado que a mãe pode aumentar bastante o consumo de alimentos com ferro e mesmo assim o leite materno terá sempre a mesma quantidade de ferro, independente do que a mãe comeu. Se a mãe simplesmente não está comendo alimentos com ferro o leite também continua bom, mas este caso representa perigo de anemia para a mãe, por isso ela não pode fazer dietas malucas e precisa mesmo se alimentar bem.
Se o leite materno tem uma receita pronta, que praticamente não varia, e só se produz leite conforme o bebê solicita, faz sentido pensar que a mãe precisa beber X litros de água por dia, ou pensar que beber mais água ajuda a produzir mais leite? Não, isso também não faz sentido. Uma mulher que amamenta sentirá mais sede naturalmente, mas não precisa se obrigar a tomar vários litros de água por dia para garantir a produção de leite (http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/beber-muita-agua-para-ter-mais-leite.html). Lembra da receita do leite materno? Então, nela consta a proporção de água necessária para produzir leite - tudo que vier além disso será eliminado pelo corpo.Você estava aí se culpando porque não comeu o alimento X ou Y, pensando que seu leite não seria bom por causa disso? Pode desencanar - agora você já sabe que quem comanda a produção é o bebê e que todas as mulheres têm em seus corpos a receita do leite perfeito - nenhuma mulher precisa de canjica ou suco de uva para ter mais leite ou um leite de melhor qualidade.
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Meu leite sempre acaba de tarde
Por: Gabriela Silva e Luciana Freitas
“Meu filho tem dois meses e meu leite diminuiu muito. Todas as vezes que ele vai mamar, especialmente no final da tarde e de noite, ele chora, rejeita o peito, puxa o bico com força. Demora a dormir porque está com fome, só berra e se joga pra trás. Acho também que além do leite diminuindo pode ser refluxo, pelo menos foi o que algumas pessoas disseram. Não pesei ele este mês ainda, mas deve ter ganhado pouco, porque ele só mama bem de manhã e de madrugada, quando tenho bastante leite.”
Ao longo de todos os anos de existência do GVA, recebemos com frequência postagens semelhantes a essa, que relatam problemas em bebês que têm entre 1 e 4 meses, aproximadamente, os quais a mãe atribui a uma diminuição do seu leite. No entanto, esses problemas, que parecem ser com a amamentação, costumam ser, na verdade, com o sono. Sim, com o sono!
Bebês com menos de um mês, em geral, dormem muito, adormecem sozinhos, sem que as mães precisem se preocupar com isso. Porém, após esse período, os bebês começam a precisar de ajuda para dormir. O cuidador deve perceber quando eles estão com sono e precisam ser colocados para dormir, seja por meio do embalo ou de qualquer outro meio que os faça pegar no sono (carrinho, rede, sling,cadeirinha do carro, bola de pilates etc).
Quando isso não acontece e a criança passa muitas horas acordada, e entre os dois e os quatro meses eles não aguentam mais do que 1h30 ou 2h no máximo acordados, inicia-se um processo de irritação que inclui, em muitos casos, rejeitar o peito da mãe e agir como no caso que usamos acima para ilustrar nosso texto. O bebê fica exausto, procura o peito pra dormir porque sabe que a mamãe e o peito são seu porto seguro, mas irritado de sono não tem paciência com nada. Reclama do peito, mas quando o solta reclama porque quer mais peito.Troca de um lado pra outro, chora, se joga pra trás, puxa os cabelos, bate comas mãozinhas no próprio rosto, geralmente os olhinhos estão avermelhados. Tudo isso é sinal de sono, mas nós mães sempre pensamos naquilo que tanto nos assombra: “O peito está secando! Não consigo produzir leite suficiente!”
Sim, ao final da tarde estamos nós também exaustas, afinal a maioria cuida sozinha do bebê e muitas vezes também de outros filhos, sem contar as tarefas domésticas... É um trabalho muito cansativo, apesar de escutarmos piadinhas do tipo “Está aproveitando pra descansar, né? Fica só cuidando do bebê, não trabalha fora mais, aproveite as ‘férias’!”.
Essa exaustão faz com que nossa percepção do choro e incômodo do bebê esteja muito mais sensível, então o mesmo choro que escutamos ainda de manhã cedo, e conseguimos contornar com criatividade e paciência, ao final do dia nos parece um choro desesperador e não temos mais ideia do que fazer para acalmar o bebê e nos acalmarmos também.
O que fazer, então? Mudar de ares, sair do ambiente tenso e assim conseguir respirar pra tentar novamente fazer o bebê dormir e mamar:
- tomar banho juntos (banheira ou chuveiro);
- dançar ao som de músicas que vocês gostem;
- passear de sling pela vizinhança;
- ir à pracinha ou ao play, para se distraírem e ver outras crianças brincando (ajuda a lembrar que tudo passa e logo será o nosso bebê correndo e se divertindo ali).
O principal é lembrar que é ilógico o mesmo peito que produz leite suficiente durante todo o dia, simplesmente secar no final da tarde. Pense: “É sono, vamos relaxar pra dormir. É sono, vamos relaxar pra dormir...”. Tente descobrir o que mais funciona para você como forma de relaxar, e então quando esses dias difíceis surgirem, lembre que é sono e não falta de leite. Seu corpo é perfeitamente capaz de nutrir seu bebê!
Para saber mais a respeito do sono dos bebês e os efeitos de ficarem muito tempo acordados, indicamos os links abaixo:
Tabela de sono
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/05/tabela-de-sono-dos-bebes.html
O efeito vulcânico – como a falta de boas sonecas durante o dia causa irritação e “birras”
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2013/06/o-efeito-vulcao-pular-sonecas-produz.html
“Meu filho tem dois meses e meu leite diminuiu muito. Todas as vezes que ele vai mamar, especialmente no final da tarde e de noite, ele chora, rejeita o peito, puxa o bico com força. Demora a dormir porque está com fome, só berra e se joga pra trás. Acho também que além do leite diminuindo pode ser refluxo, pelo menos foi o que algumas pessoas disseram. Não pesei ele este mês ainda, mas deve ter ganhado pouco, porque ele só mama bem de manhã e de madrugada, quando tenho bastante leite.”
Ao longo de todos os anos de existência do GVA, recebemos com frequência postagens semelhantes a essa, que relatam problemas em bebês que têm entre 1 e 4 meses, aproximadamente, os quais a mãe atribui a uma diminuição do seu leite. No entanto, esses problemas, que parecem ser com a amamentação, costumam ser, na verdade, com o sono. Sim, com o sono!
Bebês com menos de um mês, em geral, dormem muito, adormecem sozinhos, sem que as mães precisem se preocupar com isso. Porém, após esse período, os bebês começam a precisar de ajuda para dormir. O cuidador deve perceber quando eles estão com sono e precisam ser colocados para dormir, seja por meio do embalo ou de qualquer outro meio que os faça pegar no sono (carrinho, rede, sling,cadeirinha do carro, bola de pilates etc).
Quando isso não acontece e a criança passa muitas horas acordada, e entre os dois e os quatro meses eles não aguentam mais do que 1h30 ou 2h no máximo acordados, inicia-se um processo de irritação que inclui, em muitos casos, rejeitar o peito da mãe e agir como no caso que usamos acima para ilustrar nosso texto. O bebê fica exausto, procura o peito pra dormir porque sabe que a mamãe e o peito são seu porto seguro, mas irritado de sono não tem paciência com nada. Reclama do peito, mas quando o solta reclama porque quer mais peito.Troca de um lado pra outro, chora, se joga pra trás, puxa os cabelos, bate comas mãozinhas no próprio rosto, geralmente os olhinhos estão avermelhados. Tudo isso é sinal de sono, mas nós mães sempre pensamos naquilo que tanto nos assombra: “O peito está secando! Não consigo produzir leite suficiente!”
Sim, ao final da tarde estamos nós também exaustas, afinal a maioria cuida sozinha do bebê e muitas vezes também de outros filhos, sem contar as tarefas domésticas... É um trabalho muito cansativo, apesar de escutarmos piadinhas do tipo “Está aproveitando pra descansar, né? Fica só cuidando do bebê, não trabalha fora mais, aproveite as ‘férias’!”.
Essa exaustão faz com que nossa percepção do choro e incômodo do bebê esteja muito mais sensível, então o mesmo choro que escutamos ainda de manhã cedo, e conseguimos contornar com criatividade e paciência, ao final do dia nos parece um choro desesperador e não temos mais ideia do que fazer para acalmar o bebê e nos acalmarmos também.
O que fazer, então? Mudar de ares, sair do ambiente tenso e assim conseguir respirar pra tentar novamente fazer o bebê dormir e mamar:
- tomar banho juntos (banheira ou chuveiro);
- dançar ao som de músicas que vocês gostem;
- passear de sling pela vizinhança;
- ir à pracinha ou ao play, para se distraírem e ver outras crianças brincando (ajuda a lembrar que tudo passa e logo será o nosso bebê correndo e se divertindo ali).
O principal é lembrar que é ilógico o mesmo peito que produz leite suficiente durante todo o dia, simplesmente secar no final da tarde. Pense: “É sono, vamos relaxar pra dormir. É sono, vamos relaxar pra dormir...”. Tente descobrir o que mais funciona para você como forma de relaxar, e então quando esses dias difíceis surgirem, lembre que é sono e não falta de leite. Seu corpo é perfeitamente capaz de nutrir seu bebê!
Para saber mais a respeito do sono dos bebês e os efeitos de ficarem muito tempo acordados, indicamos os links abaixo:
Tabela de sono
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/05/tabela-de-sono-dos-bebes.html
O efeito vulcânico – como a falta de boas sonecas durante o dia causa irritação e “birras”
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2013/06/o-efeito-vulcao-pular-sonecas-produz.html
quarta-feira, 18 de março de 2015
O que acontece com os músculos bucais quando um bebê usa qualquer bico artificial (chupetas, mamadeiras, bicos de silicone)
Por Fernanda Rezende Silva e Zioneth Garcia
Muitas pessoas não entendem porque a chupeta pode causar desmame, afinal chupeta não serve para alimentar o bebê como a mamadeira. Vamos fazer uma comparação para entender o que acontece nestes casos.
Imagine que você é um atleta que pratica o esporte EXP e você precisa malhar a panturrilha para conseguir o máximo de performance no seu esporte. Ok, você sabendo disso vai investir na malhação da panturrilha, mas num belo dia você pensa "vamos engrossar a coxa", aí você começa a malhar a coxa também. Deu certo, você não viu nenhum prejuízo imediato, aí você pensa "vou continuar". Não dá para dobrar o tempo de malhação (seria esforço demais) então ao aumentar o tempo da coxa automaticamente você diminui o da panturrilha. Nisso se passam algumas semanas e você está feliz malhando cada vez mais a coxa e menos a panturrilha. O problema é que depois desse tempo sua performance no esporte diminuiu - você começa a ficar preocupado, procura consultorias esportivas e ouve o que já sabia mas achava que não iria acontecer com você: "precisa malhar SÓ a panturrilha, investir todo seu esforço nela, senão os músculos dela vão perdendo a força e logo você não vai mais conseguir exercer o esporte EXP".
Você resolve voltar a exercitar só a panturrilha, investindo todo o seu tempo de malhação nela e... Sente MUITA dor, afinal os músculos dela estavam sendo pouco exercitados. Você chora de dor, de arrependimento, e neste momento você precisa tomar uma decisão importante: vencer a dor, voltando a malhar a panturrilha com dedicação, ou desistir do seu esporte. Você que é adulto, consciente, pode se forçar a esse trabalho e tem chances de corrigir o problema - agora pense: e se fosse um bebê?
O esporte descrito acima não existe, mas a situação pode acontecer: se você deixar de exercitar um músculo ele perde o tônus e aí quando for preciso usar este músculo novamente você pode ter dificuldade ou até mesmo sentir dor. A comparação que queremos fazer é com o uso por bebês de bicos artificiais (mamadeiras, chupetas e bicos de silicone) e a sucção do peito. Quando um bebê suga o peito da mãe ele está exercitando principalmente os músculos usados na mastigação, movimentando toda a mandíbula (imagine você pronunciando a sílaba AE - é este movimento que o bebê faz para sugar no peito). Quando um bebê suga bicos artificiais ele exercita os músculos usados ao assoviar - um grupo restrito que apenas consegue realizar um movimento curto (imagine você pronunciando a sílaba UI - é este movimento que o bebê faz para sugar bicos artificiais). Cada vez que o bebê suga um bico artificial ele está deixando de sugar o peito, ou seja, ele está investindo seu esforço de sucção nos músculos errados. Aos poucos o bebê começa a ter dificuldades em sugar o peito da mãe, porque os músculos envolvidos nesta tarefa estão caindo em desuso. Aí a mãe pensa: "mas eu continuei oferecendo o peito!". Ok, mas é claro que se o bebê usa qualquer outro bico ele passa menos tempo no peito do que deveria, e o estímulo dos músculos da sucção do peito vai diminuindo. Chega um momento em que o bebê começa a sugar o peito como se fosse a mamadeira/chupeta - ele pode até obter algum leite mas não faz uma mamada efetiva. Os músculos envolvidos na sucção do peito vão cada vez mais perdendo o tônus até que chega um momento em que mamar no peito se torna uma tarefa muito difícil - o bebê demonstra esta dificuldade rejeitando o seio.
Se entendemos esta questão dos músculos fica mais fácil compreender porque bebês que só usam chupeta (não usam mamadeira) também desmamam, ou seja, a chupeta sozinha é capaz de causar desmame, já que ela também provoca essa alteração de músculos trabalhados. Isso também explica porque mamadeiras não devem ser usadas nem para tomar água: o problema da mamadeira não é o conteúdo, é o tipo de sucção incorreto que ela provoca.
Ao entender que a alteração do tônus dos músculos é gradual também conseguimos entender porque a maioria dos desmames não acontece de um dia para o outro: os músculos vão perdendo o tônus devagar, não é de uma hora para o outra que um músculo perde a força a ponto de ser difícil utilizá-lo (pode levar meses) e é claro que muitos fatores influenciam a duração desse processo até chegar ao desmame (idade do bebê, tempo de uso de bicos artificiais, uso de mais de um tipo de bico, etc.).
Você pode estar se perguntando neste momento: se os músculos errados são exercitados e todo o corpo da criança está em formação então isso pode ter mais efeitos além da amamentação. Sim, a arcada dentária pode ser prejudicada, a fala e até a respiração - é aí que começam problemas como a respiração bucal, que só serão diagnosticados anos mais tarde, quando ninguém mais se lembra dos bicos artificiais.
Muitas pessoas não entendem porque a chupeta pode causar desmame, afinal chupeta não serve para alimentar o bebê como a mamadeira. Vamos fazer uma comparação para entender o que acontece nestes casos.
Imagine que você é um atleta que pratica o esporte EXP e você precisa malhar a panturrilha para conseguir o máximo de performance no seu esporte. Ok, você sabendo disso vai investir na malhação da panturrilha, mas num belo dia você pensa "vamos engrossar a coxa", aí você começa a malhar a coxa também. Deu certo, você não viu nenhum prejuízo imediato, aí você pensa "vou continuar". Não dá para dobrar o tempo de malhação (seria esforço demais) então ao aumentar o tempo da coxa automaticamente você diminui o da panturrilha. Nisso se passam algumas semanas e você está feliz malhando cada vez mais a coxa e menos a panturrilha. O problema é que depois desse tempo sua performance no esporte diminuiu - você começa a ficar preocupado, procura consultorias esportivas e ouve o que já sabia mas achava que não iria acontecer com você: "precisa malhar SÓ a panturrilha, investir todo seu esforço nela, senão os músculos dela vão perdendo a força e logo você não vai mais conseguir exercer o esporte EXP".
Você resolve voltar a exercitar só a panturrilha, investindo todo o seu tempo de malhação nela e... Sente MUITA dor, afinal os músculos dela estavam sendo pouco exercitados. Você chora de dor, de arrependimento, e neste momento você precisa tomar uma decisão importante: vencer a dor, voltando a malhar a panturrilha com dedicação, ou desistir do seu esporte. Você que é adulto, consciente, pode se forçar a esse trabalho e tem chances de corrigir o problema - agora pense: e se fosse um bebê?
O esporte descrito acima não existe, mas a situação pode acontecer: se você deixar de exercitar um músculo ele perde o tônus e aí quando for preciso usar este músculo novamente você pode ter dificuldade ou até mesmo sentir dor. A comparação que queremos fazer é com o uso por bebês de bicos artificiais (mamadeiras, chupetas e bicos de silicone) e a sucção do peito. Quando um bebê suga o peito da mãe ele está exercitando principalmente os músculos usados na mastigação, movimentando toda a mandíbula (imagine você pronunciando a sílaba AE - é este movimento que o bebê faz para sugar no peito). Quando um bebê suga bicos artificiais ele exercita os músculos usados ao assoviar - um grupo restrito que apenas consegue realizar um movimento curto (imagine você pronunciando a sílaba UI - é este movimento que o bebê faz para sugar bicos artificiais). Cada vez que o bebê suga um bico artificial ele está deixando de sugar o peito, ou seja, ele está investindo seu esforço de sucção nos músculos errados. Aos poucos o bebê começa a ter dificuldades em sugar o peito da mãe, porque os músculos envolvidos nesta tarefa estão caindo em desuso. Aí a mãe pensa: "mas eu continuei oferecendo o peito!". Ok, mas é claro que se o bebê usa qualquer outro bico ele passa menos tempo no peito do que deveria, e o estímulo dos músculos da sucção do peito vai diminuindo. Chega um momento em que o bebê começa a sugar o peito como se fosse a mamadeira/chupeta - ele pode até obter algum leite mas não faz uma mamada efetiva. Os músculos envolvidos na sucção do peito vão cada vez mais perdendo o tônus até que chega um momento em que mamar no peito se torna uma tarefa muito difícil - o bebê demonstra esta dificuldade rejeitando o seio.
Se entendemos esta questão dos músculos fica mais fácil compreender porque bebês que só usam chupeta (não usam mamadeira) também desmamam, ou seja, a chupeta sozinha é capaz de causar desmame, já que ela também provoca essa alteração de músculos trabalhados. Isso também explica porque mamadeiras não devem ser usadas nem para tomar água: o problema da mamadeira não é o conteúdo, é o tipo de sucção incorreto que ela provoca.
Ao entender que a alteração do tônus dos músculos é gradual também conseguimos entender porque a maioria dos desmames não acontece de um dia para o outro: os músculos vão perdendo o tônus devagar, não é de uma hora para o outra que um músculo perde a força a ponto de ser difícil utilizá-lo (pode levar meses) e é claro que muitos fatores influenciam a duração desse processo até chegar ao desmame (idade do bebê, tempo de uso de bicos artificiais, uso de mais de um tipo de bico, etc.).
Você pode estar se perguntando neste momento: se os músculos errados são exercitados e todo o corpo da criança está em formação então isso pode ter mais efeitos além da amamentação. Sim, a arcada dentária pode ser prejudicada, a fala e até a respiração - é aí que começam problemas como a respiração bucal, que só serão diagnosticados anos mais tarde, quando ninguém mais se lembra dos bicos artificiais.
Referência:
- Pesquisa mostra que copo deve substituir mamadeira: https://www.facebook.com/notes/167481276637578/
domingo, 8 de fevereiro de 2015
Como estimular o bebê a aprender (ou reaprender) a mamar
Por Zioneth Garcia, Fernanda Rezende Silva, Marcos Mendes e Ana Beatriz Herreros
Existem várias situações nas quais um bebê pode precisar de ajuda para aprender (ou reaprender) a mamar no peito: logo que nasce, quando passa por períodos longos de internação sem a possibilidade de mamar e quando passa por confusão de bicos - para todas essas situações as técnicas descritas neste texto serão úteis.
É estranho pensar que um bebê que acabou de nascer possa precisar de ajuda para mamar, pois este ato deveria ser instintivo. Sim, mamar é instintivo, o bebê precisa mamar para sobreviver, mas mamar e estimular corretamente o seio é uma aprendizagem e esta pode levar mais tempo em alguns casos. Na prática isso não deveria ser um problema - é normal a dupla mãe/bebê demorar um pouco a se acertar - mas nós sabemos que existe uma expectativa muito grande para que este bebê ganhe peso logo, então, para tentar evitar a indicação precoce de LA, é uma boa ideia dar uma ajudinha para que o bebê fique logo craque na arte de mamar.
Algumas interferências sofridas no nascimento, que levam à separação do bebê de sua mãe, podem atrapalhar o instinto de sucção do recém nascido, por exemplo: prematuridade (mesmo tardia), hipoglicemia, desconforto respiratório, falta de preparo da equipe médica (que acaba separando mãe e filho sem necessidade). É importante ressaltar que mesmo em casos de cesárea, se o bebê se encontra saudável, o alojamento conjunto desde o momento do nascimento é um direito da dupla protegido por lei. O bebê pode e deve ser colocado no colo da mãe para ter seu primeiro contato físico e tentar mamar, ativando assim seus instintos de sucção inatos.
E porque falamos em reaprender a mamar? Porque as dificuldades enfrentadas desde o nascimento têm provocado desmames cada vez mais precoces, porém queremos que as mães saibam que é possível reverter o quadro na maioria das vezes. Muitos bebês passam por confusão de bicos o que os leva a desaprender a mamar no peito - eles se acostumam com o tipo de sucção da chupeta e/ou da mamadeira (e com o fluxo contínuo da mamadeira, que não é o mesmo do peito) e por isso têm dificuldade para mamar no seio - tentam fazer no peito o mesmo tipo de sucção da mamadeira/chupeta, mas a sucção/ordenha do peito é completamente diferente da sucção dos bicos artificiais (no peito o bebê ordenha o leite antes de mamar), por isso bebês em confusão de bicos estão desaprendendo a mamar: são incapazes de obter do seio da mãe o alimento e o conforto emocional que ele deve oferecer.
O que pode ser feito então quando um bebê precisa de ajuda para mamar? O primeiro passo é, sem dúvida eliminar os bicos artificiais. Não adianta nada tentar ensinar um bebê a mamar se ele continua usando chupeta e/ou mamadeira - isso só trará mais sofrimento para mãe e bebê. Se o bebê toma LA (leite artificial) este deve continuar a ser oferecido até sua mãe garantir a sucção eficiente do seio (que estimula a volta da produção de leite materno na quantidade que o bebê precisa), porém esse LA deve ser oferecido de outra forma (copinho, por exemplo).
O segundo passo é estimular o bebê a procurar o seio. A mãe pode ficar sem sutiã e sem blusa, deitada na cama, de forma confortável (por exemplo, apoiada em travesseiros) com o bebê deitado de bruços (só de fralda) sobre seu peito, perto do seu coração, acariciando-lhe as costas e conversando com ele, de forma que ele fique tranquilo, relaxado - assim ele terá estímulo para procurar o seio. Outra ideia é a mãe ficar sem blusa e sem sutiã e colocar o bebê só de fralda em um sling - ele ficará coladinho no corpo da mãe, sentindo seu cheiro - isso ajudará a estimular a vontade de mamar, e o livre acesso ao peito facilitará as tentativas do bebê. O contato pele a pele sempre acalma, fazendo disso uma rotina o bebê passará a associar o seio a essa sensação de calma e segurança.
Especialmente para casos de confusão de bicos, costuma funcionar: amamentar o bebê quando ele estiver sonolento, tomar banho de chuveiro com o bebê (e tentar amamentar o bebê no banho).
As dicas acima ajudam, mas sempre é melhor (e muito mais fácil) prevenir do que remediar: não tenha bicos artificiais em casa, não use nunca - esta atitude pode parecer difícil mas com certeza evitará problemas futuros.
Existem várias situações nas quais um bebê pode precisar de ajuda para aprender (ou reaprender) a mamar no peito: logo que nasce, quando passa por períodos longos de internação sem a possibilidade de mamar e quando passa por confusão de bicos - para todas essas situações as técnicas descritas neste texto serão úteis.
É estranho pensar que um bebê que acabou de nascer possa precisar de ajuda para mamar, pois este ato deveria ser instintivo. Sim, mamar é instintivo, o bebê precisa mamar para sobreviver, mas mamar e estimular corretamente o seio é uma aprendizagem e esta pode levar mais tempo em alguns casos. Na prática isso não deveria ser um problema - é normal a dupla mãe/bebê demorar um pouco a se acertar - mas nós sabemos que existe uma expectativa muito grande para que este bebê ganhe peso logo, então, para tentar evitar a indicação precoce de LA, é uma boa ideia dar uma ajudinha para que o bebê fique logo craque na arte de mamar.
Algumas interferências sofridas no nascimento, que levam à separação do bebê de sua mãe, podem atrapalhar o instinto de sucção do recém nascido, por exemplo: prematuridade (mesmo tardia), hipoglicemia, desconforto respiratório, falta de preparo da equipe médica (que acaba separando mãe e filho sem necessidade). É importante ressaltar que mesmo em casos de cesárea, se o bebê se encontra saudável, o alojamento conjunto desde o momento do nascimento é um direito da dupla protegido por lei. O bebê pode e deve ser colocado no colo da mãe para ter seu primeiro contato físico e tentar mamar, ativando assim seus instintos de sucção inatos.
E porque falamos em reaprender a mamar? Porque as dificuldades enfrentadas desde o nascimento têm provocado desmames cada vez mais precoces, porém queremos que as mães saibam que é possível reverter o quadro na maioria das vezes. Muitos bebês passam por confusão de bicos o que os leva a desaprender a mamar no peito - eles se acostumam com o tipo de sucção da chupeta e/ou da mamadeira (e com o fluxo contínuo da mamadeira, que não é o mesmo do peito) e por isso têm dificuldade para mamar no seio - tentam fazer no peito o mesmo tipo de sucção da mamadeira/chupeta, mas a sucção/ordenha do peito é completamente diferente da sucção dos bicos artificiais (no peito o bebê ordenha o leite antes de mamar), por isso bebês em confusão de bicos estão desaprendendo a mamar: são incapazes de obter do seio da mãe o alimento e o conforto emocional que ele deve oferecer.
O que pode ser feito então quando um bebê precisa de ajuda para mamar? O primeiro passo é, sem dúvida eliminar os bicos artificiais. Não adianta nada tentar ensinar um bebê a mamar se ele continua usando chupeta e/ou mamadeira - isso só trará mais sofrimento para mãe e bebê. Se o bebê toma LA (leite artificial) este deve continuar a ser oferecido até sua mãe garantir a sucção eficiente do seio (que estimula a volta da produção de leite materno na quantidade que o bebê precisa), porém esse LA deve ser oferecido de outra forma (copinho, por exemplo).
O segundo passo é estimular o bebê a procurar o seio. A mãe pode ficar sem sutiã e sem blusa, deitada na cama, de forma confortável (por exemplo, apoiada em travesseiros) com o bebê deitado de bruços (só de fralda) sobre seu peito, perto do seu coração, acariciando-lhe as costas e conversando com ele, de forma que ele fique tranquilo, relaxado - assim ele terá estímulo para procurar o seio. Outra ideia é a mãe ficar sem blusa e sem sutiã e colocar o bebê só de fralda em um sling - ele ficará coladinho no corpo da mãe, sentindo seu cheiro - isso ajudará a estimular a vontade de mamar, e o livre acesso ao peito facilitará as tentativas do bebê. O contato pele a pele sempre acalma, fazendo disso uma rotina o bebê passará a associar o seio a essa sensação de calma e segurança.
Especialmente para casos de confusão de bicos, costuma funcionar: amamentar o bebê quando ele estiver sonolento, tomar banho de chuveiro com o bebê (e tentar amamentar o bebê no banho).
As dicas acima ajudam, mas sempre é melhor (e muito mais fácil) prevenir do que remediar: não tenha bicos artificiais em casa, não use nunca - esta atitude pode parecer difícil mas com certeza evitará problemas futuros.
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Sobre desmame: a "técnica do mamá dodói"
Por Luzinete R. C. Carvalho ( Psicanalista )
Algumas pessoas pensam que para quem defende a amamentação continuada a palavra "desmame" é proibida.
Isto está bem longe da verdade, eu mesma não tenho nenhum problema em falar sobre desmame.
Apenas gosto de deixar vários aspectos claros antes de mergulhar neste ponto específico.
Gosto de tratar o assunto com o cuidado e a profundidade que ele merece.
Já que há tanto envolvido, para se falar em desmame não se pode ser superficial, não dá para ser simplista.
É preciso entender que desmame e amamentação não são assuntos separados, não são coisas diferentes!
Desmame é uma parte do processo, é uma parte da história, é a parte final da história de amamentação!
E acredito que quanto mais falarmos sobre desmame melhor será, pois iremos compreender cada vez mais sobre tudo que envolve a amamentação, inclusive sua fase final que é o desmame.
A amamentação deve ser exclusiva até os 6 meses e continuada por até dois anos ou mais.
Existem muitos estudos que comprovam os benefícios da amamentação por vários anos, existem estudos sérios que comprovam que o leite materno não "vira água" após 1 ou 2 anos, na verdade, o leite materno continua sendo rica fonte de nutrientes e anticorpos por todo o tempo que durar a amamentação.
Vale lembrar que o desmame natural existe, um desmame em que mesmo sem sofrer interferências, mesmo sem sofrer reprimendas e sem ter seu acesso ao peito negado, a criança vai diminuindo as mamadas aos poucos, até que deixa de mamar definitivamente.
A criança vai encontrando, com a ajuda da mãe, outros meios de se sentir consolada, protegida e segura, vai encontrando outros meios se conectar com a mãe, substituindo cada vez mais o peito por abraços, carinhos, beijos, brincadeiras, danças, palavras, etc.
O leite materno continua sendo o principal alimento do bebê até pelo menos 12 meses, e é fato que algumas vezes os bebês realmente gostam de mamar mais do que gostam de comer, mas é falsa a ideia de que passam fome porque "só" mamam.
Aos poucos, conforme vão conhecendo outros alimentos, de preferência saudáveis, frescos e livres de industrializados, eles vão se interessando por outras fontes de nutrição além do peito. E podem continuar sendo amamentados sem nenhum problema, na verdade, obtendo muitos benefícios físicos e emocionais.
Enfim, tudo isso é necessário falar antes de entrarmos de fato no assunto desmame.
Depois de ter realmente avaliado suas verdadeiras razões, se a mãe decide desmamar seu filho, se ela, por suas razões, não quiser esperar pelo desmame natural, ela deve conduzir o desmame de forma gradual, respeitando o tempo da criança, nunca abrupto, negando ou criando artimanhas e estratégias para manter o peito inacessível.
Mas eis que entre os piores métodos que se usa para desmamar uma criança, está a técnica do "mamá dodói".
Quem nunca ouviu falar de alguém que desmamou um bebê dizendo que o mamá estava dodói, machucado ou doente?
E que para tornar mais convincente a estratégia, usou de curativos, faixas, band-eids, tintas vermelhas simulando sangue, pequenas encenações de dor?
Eu levo em conta os vários casos de gente que usou desta "técnica" e diz que o filho não ficou traumatizado, mas alerto que o trauma advindo deste tipo de desmame poderá refletir na vida adulta!
Pensar que o peito é limitado a alimentação física é desconsiderar muitas coisas relacionadas a amamentação.
Pode-se trocar o leite pelo suco, por leite de vaca, ou por qualquer outro alimento, mas o peito também é a sensação de segurança, afeto, aconchego e prazer, e isso não pode ser simplesmente ignorado ou retirado abruptamente.
Existem pessoas que não se acham merecedoras de coisas boas, ou estão sempre temerosas de que quando algo bom acontece logo algo ruim também acontecerá, pessoas que não creem que aquilo que acontece é bom "de verdade", nunca conseguem simplesmente desfrutar das boas coisas.
Pessoas que não conseguem sentir prazer sem sentir medo!
Estão sempre desconfiadas e/ou com medo.
A ansiedade está sempre presente.
Pessoas assim acabam deixando passar oportunidades, não conseguem se entregar verdadeiramente em um relacionamento, não conseguem manter a mente positiva.
Não conseguem desfrutar da alegria por medo de que algo ruim aconteça.
Pessoas que não lidam de forma positiva com o prazer.
Pessoas que se encaixam neste perfil podem ter em comum que foram desmamadas através da história do "mamá doente", do "mamá machucado".
Pessoas que quando bebês/crianças tiveram o peito, que era fonte de alegria, prazer e carinho, tirado e transformado em fonte de doença, ferimento, coisa ruim!
Colocar band-aid, esparadrapo, passar remédio no peito, ou pior: deixar a criança provar do peito com alguma substância de gosto ruim, pode causar tudo isso no futuro!
Claro que não se pode afirmar que todos que passaram por um desmame através desta técnica sofreram ou sofrerão danos, existem muitas variáveis que podem interferir, a vida é composta de muitos outros acontecimentos e cada um vai lidar com as experiências que teve de um modo muito particular.
Para alguns, isso nem contará como parte das lembranças, ou realmente não interferirá de modo algum em sua vida.
Mas podemos afirmar que é um risco.
Se não se convencer pelas hipóteses de prováveis futuros problemas, se não quiser ouvir falar em danos psicológicos, se quiser ignorar os riscos, este é um direito seu que eu compreendo.
Para algumas pessoas tomar decisões baseadas em possibilidades é algo impraticável. Para algumas pessoas, decidir algo hoje pensando no que pode acontecer daqui 20 ou 30 anos pode soar absurdo, e eu realmente compreendo isso.
Portanto, se esta linha de "prevenir algo incerto" não lhe agrada, sugiro que a gente use uma outra linha de raciocínio para entender as razões para esta técnica não ser adequada, pense apenas nos fatos: podemos afirmar que dizer que o peito está dodói e usar de artimanhas e encenações para convencer a criança de que isso está acontecendo é uma MENTIRA.
E certamente não é este o tipo de relação que você quer criar com seu filho, não é mesmo?
Sem falar que é privar de uma hora para outra, o acesso da criança a algo que é importante para ela. Para isso basta que pense em algo que goste, que lhe seja muito importante, e que esteja habituado a ter, e imaginar como seria se lhe tirassem isso de uma hora para a outra, por conta de um problema sério que nada tem a ver com você.
É sem dúvidas, causar sofrimento, ansiedade, preocupações (que não são por um motivo real) e tristeza para a criança.
Preciso ressaltar que o uso desta técnica não tem nada a ver com a mãe avisar o bebê ou criança que o jeito dela mamar pode estar machucando seu seio.
São coisas absolutamente diferentes.
Levando em conta que a amamentação é uma relação íntima e profunda entre mãe e filho, tudo que diz respeito a esta relação deve ser comunicado ao bebê/criança, obviamente levando em conta o grau de entendimento da criança e a linguagem usada para que ela possa compreender.
Se o bebê ou criança está mamando de um jeito que causa dor, que machuca, que causa desconforto para a mãe, ela precisa ser ajudada a compreender isso.
A criança precisa ser ajudada a aprender a mamar com cuidado, com carinho, sem gestos que causem dor ou incômodo.
É preciso que a criança seja avisada e ensinada a como cuidar do mamá.
Justamente para que a amamentação seja saudável e alegre para os principais envolvidos.
A amamentação é um forte elo, uma das (muitas) maneiras de criar um vínculo poderoso entre mãe e filho, e justamente por isso, a amamentação deve ser sempre fonte de aprendizagem e crescimento para ambos.
Poder conversar de forma clara e sincera é estabelecer bases sólidas para o diálogo, e construir uma relação de confiança que existirá para sempre entre mãe e filho.
E falar que determinado jeito de mamar, ou determinado gesto é incômodo ou causa dor, é falar a VERDADE, ou seja, muito distante de toda a encenação, de toda a artimanha que envolve a tal "técnica do mamá dodói".
Ajudar a criança a entender que precisa tomar cuidado com o peito da mãe ou até pedir para que ela mame menos, é dizer a verdade, dizer que o leite "estragou", que o peito está doente, e por isso a criança não poderá mais mamar, é MENTIRA.
Cedo ou tarde a criança saberá que foi enganada, que tudo que viu e ouviu sobre o mamá era uma invenção, uma maneira de enganá-la, uma grande mentira, contada principalmente por quem ela mais ama e confia.
Caso já tenha usado desta técnica para tentar o desmame, se ainda houver tempo, simplesmente reconsidere e volte atras, diga que o mamá sarou, e conduza o desmame de outra maneira.
Se o desmame já é irreversível, tente focar sua relação com seu filho na verdade e sinceridade, se houver meios ou motivos aparentes, conte a verdade para ele, diga que não sabia que seria ruim fazer daquele jeito, que sente muito e que não mais vai contar mentiras para ele.
Eu nunca soube de um único caso em que a amamentação por muitos anos foi um problema na vida da pessoa, mas já vi casos em que o tipo de desmame feito causou prejuízos.
Portanto, o problema nem sempre é o desmame, e sim a maneira como ele foi conduzido.
Lembre-se, que embora raro hoje em dia, cercado de preconceitos e ignorância, o desmame natural é plenamente possível, a criança vai deixando de mamar aos poucos até que deixa definitivamente, tendo suprido todas as suas necessidades físicas e emocionais, crescendo bem resolvida, e forte emocional e psiquicamente.
O mais importante é construir uma relação de confiança com os filhos, e a amamentação pode ajudar muito nesta construção, mas é preciso que os adultos envolvidos sejam atentos, sensíveis e empáticos ao lidar com os bebês e crianças.
Confiança se constrói um pouco a cada dia, baseando a relação no carinho, no respeito e na sinceridade.
Crianças compreendem muito bem aquilo que dizemos, e compreendem ainda melhor aquilo que nem falamos, por isso reflita bem antes de tomar qualquer decisão.
Gosto de tratar o assunto com o cuidado e a profundidade que ele merece.
Já que há tanto envolvido, para se falar em desmame não se pode ser superficial, não dá para ser simplista.
É preciso entender que desmame e amamentação não são assuntos separados, não são coisas diferentes!
Desmame é uma parte do processo, é uma parte da história, é a parte final da história de amamentação!
E acredito que quanto mais falarmos sobre desmame melhor será, pois iremos compreender cada vez mais sobre tudo que envolve a amamentação, inclusive sua fase final que é o desmame.
A amamentação deve ser exclusiva até os 6 meses e continuada por até dois anos ou mais.
Existem muitos estudos que comprovam os benefícios da amamentação por vários anos, existem estudos sérios que comprovam que o leite materno não "vira água" após 1 ou 2 anos, na verdade, o leite materno continua sendo rica fonte de nutrientes e anticorpos por todo o tempo que durar a amamentação.
Vale lembrar que o desmame natural existe, um desmame em que mesmo sem sofrer interferências, mesmo sem sofrer reprimendas e sem ter seu acesso ao peito negado, a criança vai diminuindo as mamadas aos poucos, até que deixa de mamar definitivamente.
A criança vai encontrando, com a ajuda da mãe, outros meios de se sentir consolada, protegida e segura, vai encontrando outros meios se conectar com a mãe, substituindo cada vez mais o peito por abraços, carinhos, beijos, brincadeiras, danças, palavras, etc.
O leite materno continua sendo o principal alimento do bebê até pelo menos 12 meses, e é fato que algumas vezes os bebês realmente gostam de mamar mais do que gostam de comer, mas é falsa a ideia de que passam fome porque "só" mamam.
Aos poucos, conforme vão conhecendo outros alimentos, de preferência saudáveis, frescos e livres de industrializados, eles vão se interessando por outras fontes de nutrição além do peito. E podem continuar sendo amamentados sem nenhum problema, na verdade, obtendo muitos benefícios físicos e emocionais.
Enfim, tudo isso é necessário falar antes de entrarmos de fato no assunto desmame.
Depois de ter realmente avaliado suas verdadeiras razões, se a mãe decide desmamar seu filho, se ela, por suas razões, não quiser esperar pelo desmame natural, ela deve conduzir o desmame de forma gradual, respeitando o tempo da criança, nunca abrupto, negando ou criando artimanhas e estratégias para manter o peito inacessível.
Mas eis que entre os piores métodos que se usa para desmamar uma criança, está a técnica do "mamá dodói".
Quem nunca ouviu falar de alguém que desmamou um bebê dizendo que o mamá estava dodói, machucado ou doente?
E que para tornar mais convincente a estratégia, usou de curativos, faixas, band-eids, tintas vermelhas simulando sangue, pequenas encenações de dor?
Eu levo em conta os vários casos de gente que usou desta "técnica" e diz que o filho não ficou traumatizado, mas alerto que o trauma advindo deste tipo de desmame poderá refletir na vida adulta!
Pensar que o peito é limitado a alimentação física é desconsiderar muitas coisas relacionadas a amamentação.
Pode-se trocar o leite pelo suco, por leite de vaca, ou por qualquer outro alimento, mas o peito também é a sensação de segurança, afeto, aconchego e prazer, e isso não pode ser simplesmente ignorado ou retirado abruptamente.
Existem pessoas que não se acham merecedoras de coisas boas, ou estão sempre temerosas de que quando algo bom acontece logo algo ruim também acontecerá, pessoas que não creem que aquilo que acontece é bom "de verdade", nunca conseguem simplesmente desfrutar das boas coisas.
Pessoas que não conseguem sentir prazer sem sentir medo!
Estão sempre desconfiadas e/ou com medo.
A ansiedade está sempre presente.
Pessoas assim acabam deixando passar oportunidades, não conseguem se entregar verdadeiramente em um relacionamento, não conseguem manter a mente positiva.
Não conseguem desfrutar da alegria por medo de que algo ruim aconteça.
Pessoas que não lidam de forma positiva com o prazer.
Pessoas que se encaixam neste perfil podem ter em comum que foram desmamadas através da história do "mamá doente", do "mamá machucado".
Pessoas que quando bebês/crianças tiveram o peito, que era fonte de alegria, prazer e carinho, tirado e transformado em fonte de doença, ferimento, coisa ruim!
Colocar band-aid, esparadrapo, passar remédio no peito, ou pior: deixar a criança provar do peito com alguma substância de gosto ruim, pode causar tudo isso no futuro!
Claro que não se pode afirmar que todos que passaram por um desmame através desta técnica sofreram ou sofrerão danos, existem muitas variáveis que podem interferir, a vida é composta de muitos outros acontecimentos e cada um vai lidar com as experiências que teve de um modo muito particular.
Para alguns, isso nem contará como parte das lembranças, ou realmente não interferirá de modo algum em sua vida.
Mas podemos afirmar que é um risco.
Se não se convencer pelas hipóteses de prováveis futuros problemas, se não quiser ouvir falar em danos psicológicos, se quiser ignorar os riscos, este é um direito seu que eu compreendo.
Para algumas pessoas tomar decisões baseadas em possibilidades é algo impraticável. Para algumas pessoas, decidir algo hoje pensando no que pode acontecer daqui 20 ou 30 anos pode soar absurdo, e eu realmente compreendo isso.
Portanto, se esta linha de "prevenir algo incerto" não lhe agrada, sugiro que a gente use uma outra linha de raciocínio para entender as razões para esta técnica não ser adequada, pense apenas nos fatos: podemos afirmar que dizer que o peito está dodói e usar de artimanhas e encenações para convencer a criança de que isso está acontecendo é uma MENTIRA.
E certamente não é este o tipo de relação que você quer criar com seu filho, não é mesmo?
Sem falar que é privar de uma hora para outra, o acesso da criança a algo que é importante para ela. Para isso basta que pense em algo que goste, que lhe seja muito importante, e que esteja habituado a ter, e imaginar como seria se lhe tirassem isso de uma hora para a outra, por conta de um problema sério que nada tem a ver com você.
É sem dúvidas, causar sofrimento, ansiedade, preocupações (que não são por um motivo real) e tristeza para a criança.
Preciso ressaltar que o uso desta técnica não tem nada a ver com a mãe avisar o bebê ou criança que o jeito dela mamar pode estar machucando seu seio.
São coisas absolutamente diferentes.
Levando em conta que a amamentação é uma relação íntima e profunda entre mãe e filho, tudo que diz respeito a esta relação deve ser comunicado ao bebê/criança, obviamente levando em conta o grau de entendimento da criança e a linguagem usada para que ela possa compreender.
Se o bebê ou criança está mamando de um jeito que causa dor, que machuca, que causa desconforto para a mãe, ela precisa ser ajudada a compreender isso.
A criança precisa ser ajudada a aprender a mamar com cuidado, com carinho, sem gestos que causem dor ou incômodo.
É preciso que a criança seja avisada e ensinada a como cuidar do mamá.
Justamente para que a amamentação seja saudável e alegre para os principais envolvidos.
A amamentação é um forte elo, uma das (muitas) maneiras de criar um vínculo poderoso entre mãe e filho, e justamente por isso, a amamentação deve ser sempre fonte de aprendizagem e crescimento para ambos.
Poder conversar de forma clara e sincera é estabelecer bases sólidas para o diálogo, e construir uma relação de confiança que existirá para sempre entre mãe e filho.
E falar que determinado jeito de mamar, ou determinado gesto é incômodo ou causa dor, é falar a VERDADE, ou seja, muito distante de toda a encenação, de toda a artimanha que envolve a tal "técnica do mamá dodói".
Ajudar a criança a entender que precisa tomar cuidado com o peito da mãe ou até pedir para que ela mame menos, é dizer a verdade, dizer que o leite "estragou", que o peito está doente, e por isso a criança não poderá mais mamar, é MENTIRA.
Cedo ou tarde a criança saberá que foi enganada, que tudo que viu e ouviu sobre o mamá era uma invenção, uma maneira de enganá-la, uma grande mentira, contada principalmente por quem ela mais ama e confia.
Caso já tenha usado desta técnica para tentar o desmame, se ainda houver tempo, simplesmente reconsidere e volte atras, diga que o mamá sarou, e conduza o desmame de outra maneira.
Se o desmame já é irreversível, tente focar sua relação com seu filho na verdade e sinceridade, se houver meios ou motivos aparentes, conte a verdade para ele, diga que não sabia que seria ruim fazer daquele jeito, que sente muito e que não mais vai contar mentiras para ele.
Eu nunca soube de um único caso em que a amamentação por muitos anos foi um problema na vida da pessoa, mas já vi casos em que o tipo de desmame feito causou prejuízos.
Portanto, o problema nem sempre é o desmame, e sim a maneira como ele foi conduzido.
Lembre-se, que embora raro hoje em dia, cercado de preconceitos e ignorância, o desmame natural é plenamente possível, a criança vai deixando de mamar aos poucos até que deixa definitivamente, tendo suprido todas as suas necessidades físicas e emocionais, crescendo bem resolvida, e forte emocional e psiquicamente.
O mais importante é construir uma relação de confiança com os filhos, e a amamentação pode ajudar muito nesta construção, mas é preciso que os adultos envolvidos sejam atentos, sensíveis e empáticos ao lidar com os bebês e crianças.
Confiança se constrói um pouco a cada dia, baseando a relação no carinho, no respeito e na sinceridade.
Crianças compreendem muito bem aquilo que dizemos, e compreendem ainda melhor aquilo que nem falamos, por isso reflita bem antes de tomar qualquer decisão.
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terça-feira, 25 de novembro de 2014
Como eliminar a chupeta
Este texto é para você que acabou de ler sobre os malefícios da chupeta e por isso resolveu jogá-la fora, mas não sabe como começar o processo de retirada e como fazer isso de forma que seu bebê não sofra.
Ok, vamos começar entendendo qual é a real função da chupeta: ela é uma substituta (pobre) do peito. Todo bebê tem necessidade de sucção, que deveria ser suprida no peito, portanto, ao retirar a chupeta, o mais correto é colocar o bebê no peito, sempre antecipando os sinais de irritação e choro. Isso é a verdadeira livre demanda: o bebê suga o peito da mãe não só quando tem fome, mas sempre que precisa. Até a sucção não nutritiva tem sua importância na amamentação: ela ajuda a regular a produção de leite de acordo com a demanda do bebê.
Ok, vamos começar entendendo qual é a real função da chupeta: ela é uma substituta (pobre) do peito. Todo bebê tem necessidade de sucção, que deveria ser suprida no peito, portanto, ao retirar a chupeta, o mais correto é colocar o bebê no peito, sempre antecipando os sinais de irritação e choro. Isso é a verdadeira livre demanda: o bebê suga o peito da mãe não só quando tem fome, mas sempre que precisa. Até a sucção não nutritiva tem sua importância na amamentação: ela ajuda a regular a produção de leite de acordo com a demanda do bebê.
Se a mãe ainda está em casa com o bebê (não voltou a trabalhar ainda) a chupeta pode ir direto para o lixo, e o bebê provavelmente solicitará mais a mãe até finalizar essa transição. A maioria dos bebês prefere o peito à chupeta, então essa troca não costuma ser traumática, desde que a mãe esteja disponível realmente, ou seja, ela não deve ficar regulando as mamadas, não deve ficar incomodada se o bebê estiver apenas "chupetando". Um sling pode ser muito útil - o bebê fica no colo, mamando, enquanto a mãe tem as mãos livres para outras atividades.
Quando a mãe já retornou ao trabalho: nesse caso realmente é mais complicado, pois o bebê não terá a mãe para confortá-lo. O ideal aqui seria tentar diminuir gradativamente o uso da chupeta, e para isso o cuidador precisará dedicar muita atenção ao bebê. Se a chupeta era usada para acalmar qualquer choro, tentar substituí-la por brincadeiras, distrações, água. Se a chupeta só era usada nos momentos do sono, passar a ninar o bebê de outra forma, sem chupeta (ex.: colo, rede, carrinho, sling). E se o bebê descobrir o dedo como substituto da chupeta: ok, ele conseguiu uma forma de se acalmar sozinho, não se preocupe pois o dedo nem sempre é vilão.
Quando o bebê já está maior e já tem um grande apego pela chupeta: neste caso deve-se avaliar muito bem se vale a pena fazer a retirada. Pode-se tentar conversar com a criança, oferecer distrações, mas não vale a pena amedrontá-la nem punir de forma alguma (lembre que o uso da chupeta foi uma decisão dos pais), nem oferecer prêmios. Se a criança já desmamou e não chupa dedo ela não conseguirá facilmente um substituto para a chupeta, correndo o risco de levar para a vida adulta a necessidade de sucção não suprida (o que pode causar problemas psicológicos) logo, nestes casos, é melhor esperar que a criança abandone o hábito espontaneamente.
Quando o bebê já está maior e já tem um grande apego pela chupeta: neste caso deve-se avaliar muito bem se vale a pena fazer a retirada. Pode-se tentar conversar com a criança, oferecer distrações, mas não vale a pena amedrontá-la nem punir de forma alguma (lembre que o uso da chupeta foi uma decisão dos pais), nem oferecer prêmios. Se a criança já desmamou e não chupa dedo ela não conseguirá facilmente um substituto para a chupeta, correndo o risco de levar para a vida adulta a necessidade de sucção não suprida (o que pode causar problemas psicológicos) logo, nestes casos, é melhor esperar que a criança abandone o hábito espontaneamente.
Segue um relato de retirada natural da chupeta: http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/06/sobre-um-dos-meus-erros-e-seus-reflexos.html
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Como identificar sinais de Confusão de Bicos
Por Leidiana Pereira
Revisão: Zioneth Garcia e Luciana Freitas
Por mais que seja um costume cultural e muitos achem que não há problema algum em oferecer mamadeira e/ou chupeta a um bebê, desde os recém-nascidos até os mais velhos, é inquestionável o que sugerem as evidências científicas. Existem vários estudos e textos que indicam malefícios do uso de bicos artificiais. Por exemplo, Carlos Gonzalez, pediatra espanhol apoiador da amamentação, é autor de um texto no qual explica para as mães sobre a confusão de bicos (1). Andréia Stankiewicz, odontopediatra, em seu ensaio “A chupeta: o que toda mãe (e pai) deveria saber antes de oferecer uma chupeta para o seu bebê" (2), aborda amplamente os malefícios do uso desses bicos. Cristine Nogueira Nunes, doutora em Design, desenvolveu uma tese reconhecendo os efeitos do desenho da mamadeira em uma abordagem multidisciplinar (3) e, como resultado, criou o blogMamadeira nunca mais.
No Grupo Virtual de Amamentação, sempre chamou a nossa atenção o número expressivo de mães que nos procuram com bebês em processo de desmame por confusão de bicos. Iniciamos, então, a reunir esses casos e o resultado pode parecer surpreendente para aqueles que negam a possibilidade de o bebê que usa bicos artificiais deixar o peito em função disso (4). Muitas vezes acontece de a mãe estar muito cansada, ter que cuidar da casa, ter mais de um filho, estar em época de retorno ao trabalho e não contar com uma rede que possa dar o suporte necessário durante esse período tão importante de amamentação e de cuidados com o bebê. Portanto, esses e outros fatores podem acabar contribuindo para que a chupeta e mamadeira entrem em cena, prejudicando diretamente a amamentação. Os motivos e justificativas para o seu uso são incontáveis, porém é importante salientar que nosso trabalho é alertar, informar e orientar para que a amamentação transcorra de forma saudável, equilibrada e sem interferência de artifícios não apenas desnecessários, mas prejudiciais à saúde de nossos filhos. Como dissemos anteriormente, não importa se o bebê começou a fazer uso dos bicos artificiais quando sai da maternidade ou quando já está com 18 meses; tampouco importa se usa muitas ou poucas horas por dia: o risco existe, é iminente e pode acontecer a qualquer momento, por mais que a mãe não perceba os sinais.
Em todos os casos acompanhar de perto os diferentes sinais que o bebê oferece é importante para saber identificar as causas das necessidades aumentadas de sucção em cada idade, dessa forma é possível oferecer alternativas que satisfaçam realmente as necessidades do bebê. Não é raro a necessidade de sucção aumentar nos picos de crescimento e saltos de desenvolvimento, essa sucção aumentada é o mecanismo que o organismo do bebê tem para sinalizar ao corpo da sua mãe que deve aumentar a produção de leite materno para a próxima fase de vida, e nesses casos o uso de chupetas e mamadeiras podem atrapalhar enormemente a adequação da produção de leite materno à nova fase de vida do bebê. Muitas vezes a chupeta é um mecanismo usado para acalmar o bebê enquanto sua mãe ou cuidador realiza outras tarefas. Porém, aprender a priorizar, delegar e adiar as outras atividades é importante para conseguir observar e atender as necessidades dos bebês no tempo certo. O bebê que pede sucção está pedindo sua mãe e ao receber uma chupeta pode acabar dormindo sem mamar, de fralda suja, com uma etiqueta incomodando ou simplesmente com a sensação de ter sido abandonado. O uso de carregadores, ninho e diferentes estratégias para alongar as sonecas pode permitir a realização de algumas tarefas domesticas sem precisar que o bebê supra a sucção com bicos artificiais. Quando o bebê é deixado ao cuidado de terceiros mais que a sucção é importante suprir a demanda de atenção e carinho, se ele é amamentado suprirá sua demanda de sucção com sua mãe. A alimentação pode ser oferecida em copinho, colher ou copinho de transição de bico rígido e sem válvula. Em casos em que o bebê procura na sucção o alivio para o mal-estar da dentição podem ser usados como alternativas o uso de mordedores geladinhos, massagens na gengiva com os dedos da mãe ou pai ou mesmo oferecer picolé de leite materno, dessa forma o bebê obterá o alivio que precisa.
Aqui vamos ater-nos exatamente neste ponto: quais os sinais que o bebê amamentado que também faz uso de chupetas ou mamadeiras dá quando está passando pela confusão de bicos? Vamos dividi-los em três grupos distintos: sinais moderados, graves e muito graves.
SINAIS MODERADOS:
- morder o seio com maior frequência;
- apresentar dificuldade para realizar a pega do seio inicialmente, ele pode abocanhar o seio segurando-o pelo mamilo, pode ser necessário ajudá-lo a abrir a boca para acertar a pega;
- ao final da mamada empurra o seio para fora da boca para segurar apenas o mamilo;
- aceitar mamar apenas quando está dormindo ou sonolento;
- deixar os mamilos feridos ou assados após a mamada.
SINAIS GRAVES:
- chorar ao final das mamadas, querendo pegar a chupeta para dormir;
- chorar ou "brigar" com o seio no começo da mamada porque não sai leite materno imediatamente;
- recusar o seio como consolo em diversas situações.
SINAIS MUITO GRAVES:
- ter ânsia de vômito quando abocanha o seio;
- preferir claramente a mamadeira ou a chupeta ao seio;
- pouco ganho de peso.
As mães que amamentam e que desejam manter o aleitamento devem ter a atenção voltada ao bebê, caso faça uso dos bicos artificiais, pois esses sinais são importantes e servem de alerta de que algo não está bem com a amamentação. Nos casos de bebês que apresentem um ou mais sinais semelhantes aos da confusão de bicos e que realmente não façam nenhum tipo de uso de bicos artificiais, outras possibilidades devem ser levantadas, de preferência com o acompanhamento de um profissional ou de um grupo de apoio à amamentação.
As recomendações da Organização Mundial da Saúde, que são, em geral, seguidas pelos respectivos Ministérios da Saúde dos países, são muito claras em relação à amamentação, destacando-se aqui o número 9: “Não dar bicos artificiais ou chupetas a crianças amamentadas.” (5). Devemos entender que essa orientação não pode ser infundada e tomarmos consciência de que o uso de bicos artificiais por lactentes pode causar um desmame precoce, leia-se, aquele que ocorre antes dos 2 anos de idade da criança, além de outros problemas, de diversas naturezas.
Cabe às mães, pais e cuidadores em geral, oferecer aos bebês todo apoio emocional e nutricional de que eles necessitam, preferencialmente sem a interferência de apoios artificiais. Bebê precisa de calor humano e não de uma borracha que tenta imitar o seio materno.
Referências
1. Carlos González. 2009. Comer, Amar, Mamar. Madrid: Temasdehoy, p.288-291.
2. Stankiewicz, Andréia. A chupeta: O que toda mãe (e pai) deveria saber antes de oferecer uma chupeta para o seu bebê. Disponível em:http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/07/a-chupeta-o-que-toda-mae-e-pai-deveria.html
3. Nunes, Cristine Nogueira. O design da mamadeira por uma avaliação periódica da produção industrial. Disponível em:http://www.bvsam.icict.fiocruz.br/lildbi/docsonline/pdf/Cristine_Nogueira_Nunes.pdf
4. Grupo Virtual de Amamentação. Confusão de Bicos é real. 2014. Disponivel em:
5.UNICEF. Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno. Disponível em:http://www.unicef.org/brazil/pt/activities_9999.htm
sábado, 28 de junho de 2014
10 Motivos que comprovam a importância da pega correta do bebê ao mamar
Por Priscilla Pereira, Terça, 12 de março de 2013 às 17:37
1- Forma o bico do seio naturalmente, até mesmo bicos planos ou invertidos;2- Evita fissuras e mastites consequentes;3- Aliado a oferecer o seio em livre demanda e exclusivamente aos primeiros sinais de fome do bebê, garante que ele mame as três etapas do leite, fundamentais para hidratação e nutrição;4- Dispensa o uso de chupetas pois promove sucção não nutritiva, importante para saciar necessidades da fase oral do bebê;5- Promove a produção de leite de acordo com a necessidade;6- Evita gases e cólicas7- Possibilita que a mãe amamente em diversas posições, inclusive deitada.8- Dispensa o uso de mamadeiras e leite artificiais em praticamente todos os casos, pois o bebe ficará satisfeito com seu leite preferido.9- Melhora o vinculo mãe-bebê: mãe confiante e bebê tranquilo, convivendo em harmonia num ciclo delicado.10- Confirma que amamentar é um ato natural, prazeroso , de muito amor e sem invenções modernas.
Vídeo aula sobre pega correta:
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