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sábado, 9 de julho de 2016
Como retomar a amamentação exclusiva
Por Ana Beatriz Herreros e Fernanda Rezende Silva
Revisão: Luciana Freitas, Sarita Oliveira, Daniela Guerreiro do Valle
O processo de retomar a amamentação exclusiva, eliminando o LA (leite artificial) não é fácil - é uma mudança grande para a mãe e para o bebê, por isso a mãe precisa estar ciente que o bebê pode demandar mais atenção e chorar mais (se a mãe sabe que isso vai acontecer o processo fica mais fácil). Se for possível: peça ajuda com a casa (talvez o marido possa tirar alguns dias de folga, por exemplo), mas deve-se escolher bem a quem pedir ajuda, pois não adianta chamar uma amiga que vai dizer o tempo todo "você tem pouco leite", "esse bebê chora de fome". Um sling pode ajudar bastante, pois no sling o bebê pode mamar (e até dormir) enquanto a mãe tem as mãos livres para outras atividades da casa.
A grande maioria dos bebês que tomam LA, o fazem em mamadeira, e muitos deles também usam chupeta. O primeiro passo para a mãe que deseja amamentar exclusivamente é se livrar de mamadeiras, chupetas e bicos (protetores) intermediários de silicone, pois eles influenciam na forma como o bebê suga o peito, afetando a produção de leite. Não adianta iniciar a redução do LA se o bebê ainda usa bicos artificiais, pois o bebê que usa bico artificial não ordenha o seio corretamente, não obtém todo o leite de que precisa, e não estimula adequadamente a produção. Para entender como os bicos artificiais atrapalham leia aqui. Chupetas devem ir para o lixo. Mamadeiras devem ser substituídas por copinho, colher ou colher-dosadora - veja opções aqui. Se a mãe usa bico de silicone também deve se livrar dele (veja dicas aqui).
Se o bebê ainda pega o peito, mesmo que por pouco tempo, isso é ótimo. Bebês que estão totalmente desmamados devem primeiro fazer relactação. Bebês que rejeitam o peito precisam de ajuda para voltar a mamar bem.
Agora vamos aos detalhes do LA - como fazer a redução. Fracione as doses para não ter volumes muito altos poucas vezes ao dia (pode fracionar em 3 a 5 doses, conforme o volume), e fixe os horários para oferecê-lo (você pode oferecer a cada quatro ou cinco horas, conforme os sinais de fome ou a rotina prévia). A livre demanda é só para o peito. Procure não oferecer LA de madrugada. Um exemplo prático: se o seu bebê toma 90 ml de LA 2 vezes ao dia, passe a oferecer 60ml de LA, 3 vezes ao dia. Os horários, neste caso, poderiam ser: 10h, 17h, 20h. Se toma 150ml 3 vezes ao dia, pode passar a tomar 90ml 5x ao dia. Os horários são uma referência. Não se desespere caso não sejam seguidos rigorosamente - é importante ter um planejamento de horários mas não há problema se atrasar ou adiantar um pouco.
Ofereça SEMPRE o peito antes do LA. Tente deixar o máximo de tempo em cada seio, até o bebê largar sozinho ou se irritar demais. Troque de seio uma ou duas vezes antes do LA, para garantir estímulo aos dois seios. Exemplo: bebê mamou o peito direito, reclamou: ofereça o peito esquerdo, bebê reclamou de novo: volte para o peito direito, reclamou mais uma vez: ofereça o peito esquerdo novamente - se o bebê não aceitar de novo o peito esquerdo, ou estiver ficando muito impaciente, aí sim é hora de oferecer o LA. O bebê pode não tomar o LA todo. Tente oferecer, mas não o force a tomar.
Estimule a produção de leite materno. Pratique a livre demanda verdadeira, sempre verificando se a pega está correta. Ofereça o peito o tempo todo, sempre ao menor sinal de que possa querer mamar (aqui o sling ajuda muito). Bebê acordou? Peito! Bebê resmungou? Peito! Bebê agitado? Peito! Ofereça o tempo todo, mas não se chateie caso o bebê, em alguns momentos, não queira mamar - ele está apenas lhe dizendo que está satisfeito. Peito murcho também tem leite. Tomar banho juntos, contato pele-a-pele e cama compartilhada ajudam a estimular ainda mais a produção de leite. Faça intensivo de peito: não deixe passar mais de duas horas sem oferecer o peito durante o dia (a menos que o bebê esteja dormindo) e 3 horas à noite. Não precisa acordar o bebê à noite para mamar, basta oferecer o peito, com o bebê dormindo mesmo: deite ao lado do bebê, toque o mamilo (molhado com um pouco de leite) nos lábios do bebê - se mamar ok, se não mamar deixe o bebê dormir.
Após fixar a quantidade e os horários de LA pode começar a redução: a cada dois dias retirar 10 ml de cada dose de LA oferecida. Se hoje o bebê toma doses de 120 ml: em dois dias reduzir cada dose para 110ml, em mais dois dias reduzir para 100ml, depois 90ml etc.. Sempre oferecer o peito primeiro, depois o LA e depois tentar novamente o peito.
Questões práticas da redução do LA: prepare uma porção múltipla de 30ml, retire a diferença usando uma seringa e JOGUE FORA. Exemplo: se o bebê vai tomar 110ml, prepare 120ml, retire 10ml na seringa e descarte. Jogue fora mesmo o que foi retirado na seringa para não cair na tentação de oferecer ao bebê.
Fique atenta aos sinais do seu bebê. Observe a cor do xixi: se estiver sempre clarinho é um indicador que o bebê está mamando bem. As fezes podem ficar menos frequentes, e isso não é sinal de constipação, já que o LM é melhor aproveitado. Pese seu bebê uma vez por semana, sempre na mesma balança, e esteja consciente de que o ganho de peso poderá desacelerar (bebês de mamadeira geralmente são super alimentados) - se o bebê se mantém com ganho de peso constante e dentro do mesmo canal (espaço entre duas curvas) do gráfico de curvas de percentis ou z scores (que se encontra na caderneta da criança do seu bebê e deveria ser preenchido pelo pediatra), então está tudo indo bem.
A sugestão é reduzir de 10 em 10 ml, porém seu bebê pode querer reduzir mais rápido do que isso - se você se sente segura pode acelerar a redução. Um exemplo: o bebê deveria tomar 90ml em cada dose de LA, mas durante um dia inteiro não tomou mais do que 70ml, então pode continuar a redução a partir dos 70ml.
Resumindo:
1- Jogue fora todos os bicos artificiais (chupetas, mamadeiras, bicos de silicone) e passe a oferecer o mesmo volume de LA em um recipiente seguro (copo, colher).
2- Aumente a produção de leite fazendo um intensivo de peito. Não deixe passar mais de 2 horas sem oferecer o peito de dia nem mais de 3 horas de noite.
Lembre que o bebê deve estar mamando bem no peito, livre da interferência de bicos artificiais, antes de começar a reduzir o LA. Você pode demorar alguns dias na fase 2 até sentir que o bebê está confortável no peito.
3- Redução do LA: a cada 2 dias reduzir 10ml de cada dose de LA, até zerar o volume, ou até chegar ao mínimo com que o bebê ganhe peso e se mantenha na sua curva.
IMPORTANTE: o bebê deve ser pesado uma vez por semana durante toda a redução.
Não pule mamadas, não pule os horários do LA, nem faça a redução de uma vez, pois isso pode atrapalhar o ganho de peso e ser prejudicial ao seu bebê.
quinta-feira, 10 de março de 2016
Porque não dar chá, água, suco e outros líquidos para o bebê menor de 6 meses?
Por Zioneth Garcia
Dar ÁGUA, CHÁ, SUCOS, seja por qual motivo for (curar as "cólicas", gases, melhorar a constipação), atrapalha a amamentação exclusiva e coloca em risco a saúde do bebê sem necessidade. O LM contém BIOATIVOS, bactérias que fazem parte da flora intestinal natural dos seres humanos e entre outras ajudam na digestão de alguns alimentos complexos para os quais os seres humanos não possuem enzimas digestivas e regulam o PH intestinal, os tais probióticos que os fabricantes de LA juram que tem (mas não).
Esses bioativos garantem o equilíbrio da flora intestinal do bebê, atuando como uma proteção ao evitar que bactérias ruins se instalem no tubo digestivos, eles formam um BIOFILME no intestino do bebê que o protegem de doenças infecciosas.
E o que acontece com chá, água, sucos? Todos eles enxugam essa bio-película, deixando o intestino do bebê como um habitat disponível para a primeira bactéria que entrar se instalar e multiplicar rapidamente, o que pode causar uma infecção rapidamente (gastroenterites).
Com a interrupção de AME, o bebê fica desprotegido e coisas simples que antes não eram nenhum risco podem atuar como transmissores, um beijo, levar a mão na boca, chupar um brinquedo, o dosador da vitamina, o chá mesmo. Quanto mais novo o bebê ao qual se administra chá, suco, água, etc, maior é o risco de contaminação.
CUIDADO!!! Não coloque em risco a saúde de seu bebê.
A orientação do Ministério da saúde é aleitamento materno exclusivo até 6 meses. Não precisa dar água, sucos, chás nem nada além de LM. O seu leite tem tudo o que o bebê precisa.
Leia mais:
Caderneta 23. SAÚDE DA CRIANÇA: Nutrição Infantil Aleitamento Materno e Alimentação Complementar. Publicação do Ministério da Saúde. Disponível em <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_nutricao_aleitamento_alimentacao.pdf>
Esses bioativos garantem o equilíbrio da flora intestinal do bebê, atuando como uma proteção ao evitar que bactérias ruins se instalem no tubo digestivos, eles formam um BIOFILME no intestino do bebê que o protegem de doenças infecciosas.
E o que acontece com chá, água, sucos? Todos eles enxugam essa bio-película, deixando o intestino do bebê como um habitat disponível para a primeira bactéria que entrar se instalar e multiplicar rapidamente, o que pode causar uma infecção rapidamente (gastroenterites).
Com a interrupção de AME, o bebê fica desprotegido e coisas simples que antes não eram nenhum risco podem atuar como transmissores, um beijo, levar a mão na boca, chupar um brinquedo, o dosador da vitamina, o chá mesmo. Quanto mais novo o bebê ao qual se administra chá, suco, água, etc, maior é o risco de contaminação.
CUIDADO!!! Não coloque em risco a saúde de seu bebê.
A orientação do Ministério da saúde é aleitamento materno exclusivo até 6 meses. Não precisa dar água, sucos, chás nem nada além de LM. O seu leite tem tudo o que o bebê precisa.
Leia mais:
Caderneta 23. SAÚDE DA CRIANÇA: Nutrição Infantil Aleitamento Materno e Alimentação Complementar. Publicação do Ministério da Saúde. Disponível em <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_nutricao_aleitamento_alimentacao.pdf>
domingo, 3 de agosto de 2014
Mil dias que valem uma vida (Fapesp)
Introdução de outros alimentos durante a amamentação altera o paladar e aumenta o risco de obesidade
Ricardo Zorzetto
Edição Impressa 179 - Janeiro 2011
Os pais têm uma oportunidade rara de influenciar o desenvolvimento dos filhos e de ajudá-los a se tornarem adultos mais saudáveis. Mas é preciso estar atento e agir rápido. Essa chance surge cedo e dura pouco. Começa na concepção e segue por apenas mil dias – os 270 da gestação mais os 730 dos dois primeiros anos de vida. Em princípio, a possibilidade de fazer uma criança que nasce com boa saúde crescer desse modo e assim permanecer por décadas exige a adoção de medidas aparentemente simples: oferecer proteção e aconchego ao bebê e alimentá-lo adequadamente. A alimentação apropriada inclui uma dieta equilibrada da mãe na gravidez, o aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses de vida e, a partir daí, a amamentação acompanhada de água, sucos, chás, papinhas e alimentos sólidos ricos em proteínas, vitaminas e sais minerais, como recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A receita não é nova, mas pode evitar problemas graves de saúde mais tarde. Experimentos com roedores indicam que a substituição do leite materno por outros alimentos – outros tipos de leite, inclusive – nessa fase do desenvolvimento altera o paladar e instala no organismo um desequilíbrio hormonal que pode durar a vida toda e favorecer o ganho de peso. Já a nutrição correta reduz o risco de desenvolver na idade adulta obesidade e doenças cardiovasculares, atestam estudos populacionais conduzidos em cinco países em desenvolvimento (Brasil, África do Sul, Guatemala, Filipinas e Índia). Ainda segundo esses trabalhos, o aleitamento exclusivo favorece o desempenho intelectual.
Por algumas décadas equipes desses países, entre elas a do epidemiologista brasileiro César Victora, avaliaram regularmente o crescimento de 10.912 crianças. Aquelas que começaram a receber outros alimentos antes dos 6 meses de idade – o que ocorreu antes do terceiro mês com 69% dos bebês da amostra brasileira – acumularam mais gordura corporal ao longo da vida. E quanto mais cedo consumiam papinhas, sucos e outros tipos de leite mais gordura concentravam, o que eleva o risco de problemas no coração e de acidente vascular cerebral, responsáveis por 30% das mortes no mundo, relataram os pesquisadores em setembro no International Journal of Epidemiology. “O que mais influenciou o acúmulo de gordura não foi a duração do aleitamento, mas a precocidade da introdução de outros alimentos na dieta da criança”, afirma Victora, professor da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.
Há quase 30 anos Victora, Fernando Barros e uma equipe de epidemiologistas acompanham periodicamente a saúde de todas as crianças nascidas em 1982, 1993 e 2004 em Pelotas, município de 330 mil habitantes no extremo sul do país. Esse seguimento de longo prazo, conhecido como coorte, levou Victora e colaboradores de outros países a rever anos atrás o padrão adequado de desenvolvimento até os 5 anos de idade e a propor uma nova curva de crescimento, reconhecida pela OMS em 2006 e adotada por pediatras de mais de 100 países.
As coortes feitas em Pelotas e em outras regiões do mundo mostraram que as crianças que só recebiam leite materno até o sexto mês de vida cresciam em ritmo diferente das que tomavam mamadeira. Bebês que só mamaram ao peito ganharam peso e ficaram mais altos mais rapidamente nos quatro primeiros meses de vida. Depois se desenvolveram mais devagar. “São crianças saudáveis, mas mais magras”, afirma Victora. Já as que receberam leite em pó e outras formulações que tentam imitar o leite humano engordaram mais rapidamente a partir do segundo semestre após o nascimento.
Uma possível explicação para o crescimento acelerado tardio é o consumo de mais calorias que o recomendado. Marina Rea, do Instituto de Saúde (IS) de São Paulo, e Ana Maria Corrêa, da Universidade Estadual de Campinas, verificaram anos atrás que as crianças que recebiam mamadeiras e outros alimentos nos primeiros meses de vida consumiam até 50% mais calorias que o ideal (ver Pesquisa FAPESP nº 123).
“Nunca é demais repetir: o leite materno é o único alimento de que a criança precisa nos primeiros seis meses”, diz Victora. Mais rico em açúcares e gorduras do que o leite de vaca, o leite humano contém ainda níveis adequados de proteínas e outros nutrientes para o bebê, além de mais de uma centena de compostos imunologicamente ativos.
Mesmo assim, não é fácil seguir a indicação da OMS. A participação maior das mulheres no mercado de trabalho, aliada à desinformação sobre como e por quanto tempo amamentar, contribui para que a dieta das crianças mude antes da hora. “Além disso”, conta Victora, “muitos médicos não respeitam a orientação da OMS e introduzem cedo na dieta alimentos desnecessários nessa fase da vida”.
O resultado é que a proporção de mulheres que amamentam exclusivamente ao peito por seis meses no Brasil é baixa, comparada à de outros países. Mas mais alta que a de 10 anos atrás. Hoje 51% das mães alimentam os filhos exclusivamente ao peito nos quatro primeiros meses de vida – eram 36% em 1999 – e 41% amamentam até o sexto mês, segundo levantamento do Ministério da Saúde coordenado pela pediatra Sonia Venancio, do IS. Ainda aquém do desejável, esse índice melhorou muito. Em 1974 metade das crianças recebia só leite materno por 2,5 meses. Esse tempo passou para 14 meses em 2006.
Sonia avaliou dados de 2008 de 34,4 mil crianças de todas as capitais e do Distrito Federal e notou que, apesar da melhora recente, a evolução é lenta. No primeiro mês após o parto 18% dos bebês já tomavam outros líquidos e aos dois meses metade não mamava só ao peito. “Há muito a fazer”, comenta Sonia, que publicou os dados em meados do ano no Jornal de Pediatria.
Os benefícios da alimentação adequada no início da vida não são apenas físicos. Em outro estudo, publicado em fevereiro no Journal of Nutrition, Victora e colaboradores analisaram o desempenho escolar de 7.945 crianças da Índia, da Guatemala, das Filipinas, do Brasil e da África do Sul. As que apresentaram crescimento saudável na gestação, indicador de dieta materna adequada, e nasceram com peso superior ao da média tiveram mais chance de sucesso. Cada 500 gramas a mais de peso ao nascer representaram 2,5 meses a mais de escolaridade na vida adulta e risco 8% menor de repetir uma série. Mesmo as crianças que no parto tinham menos de 2,5 quilos, peso inferior ao desejável, conseguiram bom desenvolvimento intelectual quando, com dieta adequada, alcançaram o ritmo normal de crescimento e recuperaram o peso ideal para a idade até o segundo ano de vida. Nesse período, elas ganharam em média 9 quilos, e cada 700 gramas que cresceram além da média significaram cinco meses a mais de escolaridade.
“Nos dois primeiros anos a criança ainda tem oportunidade de crescer acima da média e se tornar um adulto saudável se, além da amamentação adequada, receber imunização e boa assistência à saúde”, diz o epidemiologista. Nessa fase crucial do desenvolvimento, que Victora chama de “mil dias de oportunidade”, os órgãos ainda se encontram em formação: os ossos estão se alongando, os músculos se fortalecendo e o cérebro ganhando volume (atinge 70% do tamanho final no segundo ano). “A partir do terceiro ano, o crescimento acelerado acarreta o acúmulo de gordura”, explica.
As mudanças que os epidemiologistas observam usando balanças e fitas métricas começam a ganhar uma explicação fisiológica. Experimentos com roedores vêm ajudando a descortinar os mecanismos bioquímicos pelos quais a introdução de outros alimentos no período de amamentação exclusiva leva ao acúmulo de gordura.
Um deles é a mudança no paladar. Em pesquisa orientada por Raul Manhães de Castro e Sandra Lopes de Souza, da Universidade Federal de Pernambuco, a nutricionista Lisiane dos Santos Oliveira interrompeu a amamentação de um grupo de ratos separando-os da mãe no 15o dia após o nascimento, o equivalente a três meses de vida de um bebê humano, e os deixou comer ração à vontade. Periodicamente, os animais foram pesados e o consumo alimentar foi medido, mas não houve diferença de peso nem de ingestão entre os desmamados cedo e os que receberam leite até o 30o dia de vida.
O contraste só apareceu em um teste de preferência alimentar. Assim que os animais atingiram a idade adulta, os pesquisadores deixaram, simultaneamente, duas dietas distintas à disposição dos ratos por alguns dias: a ração padrão do biotério e outra mais palatável (à base de chocolate e avelã), mais calórica e rica em gorduras. Os dois grupos preferiram a dieta mais saborosa à ração comum. Mas os ratos que pararam de mamar antes comeram bem mais, relatam os pesquisadores em artigo a ser publicado na Behavioural Processes. “Embora não houvesse mudança no peso nem no padrão diário de alimentação dos animais, a preferência por uma dieta mais calórica se manifestou assim que esse tipo de alimento se tornou disponível”, comenta Lisiane. “No longo prazo a preferência por alimentos com alta densidade calórica pode levar a distúrbios metabólicos”, diz a nutricionista.
Outro teste feito pelo grupo de Pernambuco mostrou que os ratos desmamados aos 15 dias, quando adultos, demoravam o dobro do tempo para se saciar. Após breve jejum, eles comiam continuamente por 42 minutos, enquanto os animais que receberam leite materno até o 30o dia davam-se por satisfeitos em 23 minutos. Segundo o trabalho, que será veiculado pela mesma revista, os roedores desmamados cedo apresentaram ainda alterações no padrão diário (circadiano) de consumo de alimentos: comiam mais em momentos do dia ou da noite diferentes daqueles em que os ratos amamentados por mais tempo se nutriam, embora o total fosse semelhante.
Por trás das alterações de comportamento há mudanças hormonais e metabólicas. Em trabalhos apresentados nos últimos anos no Journal of Endocrinology e no Journal of Physiology, a equipe do endocrinologista Egberto Gaspar de Moura, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mostrou que o desmame precoce altera a composição corporal e reduz a sensibilidade ao hormônio leptina, que induz à saciedade e à puberdade (leia texto na página 3).
Adotando um modelo experimental diferente do anterior, o grupo do Rio provocou o desmame antecipado aplicando na rata um composto que impede a produção de prolactina, hormônio que induz a secreção do leite, em vez de tirar os filhotes de perto da mãe. Os animais que desmamaram mais cedo chegaram à idade adulta com peso 10% maior, 40% mais gordura total e até 300% mais gordura visceral (que se forma no interior dos órgãos e é mais nociva). Confirmando o efeito deletério da obesidade visceral, os roedores desmamados antes do tempo tinham níveis sanguíneos mais altos de glicose, colesterol e triglicerídeos e taxas menores de HDL, proteína que retira o colesterol do sangue e evita a formação de placas de gordura nos vasos. Reunidas, essas alterações configuram o que os médicos chamam de síndrome metabólica, condição que potencializa o risco de desenvolver diabetes e problemas cardiovasculares.
Os animais que mamaram menos, quando adultos, também apresentavam níveis sanguíneos de leptina três vezes superior ao normal, observou a equipe do Rio. Apesar da quantidade brutal desse hormônio, que é produzido pelas células de gordura e indica ao corpo a hora de parar de comer, a leptina não produzia efeito nesses animais. Após jejum de 12 horas, os pesquisadores deram leptina a dois grupos de ratos: um amamentado pelo tempo habitual e outro cujo aleitamento fora interrompido. Os roedores do primeiro grupo, como esperado, comeram menos, mas os do segundo seguiram se alimentando – sinal de que não respondiam ao hormônio.
Moura observou ainda outro desequilíbrio hormonal: os ratos desmamados precocemente desenvolveram hipotireoidismo. Eles apresentavam níveis sanguíneos 50% mais baixos do hormônio tireotropina, que ativa a glândula tireoide, produtora de hormônios que estimulam o consumo de energia. Segundo o endocrinologista, o hipotireoidismo pode ser consequência da resistência à leptina. Como a leptina age numa região do cérebro chamada hipotálamo, que comanda a produção de outros hormônios (entre eles a tireotropina), a insensibilidade à leptina pode afetar o funcionamento da tireoide. “Aparentemente essa alteração hormonal e metabólica é um fenômeno de programação epigenética [alteração no funcionamento dos genes]”, diz Moura. Mas ainda é preciso comprovar.
Enquanto não se descobre o que dispara essas alterações e como as controlar de modo eficiente, o melhor é prevenir o problema por meio do aleitamento exclusivo por ao menos seis meses. Em Recife, a equipe da pediatra Sonia Coutinho mostrou que é possível estimular as mães a amamentarem por mais tempo adotando ações baratas, como o treinamento de profissionais da saúde, em especial os agentes comunitários do Programa de Saúde da Família, para orientá-las (ver Pesquisa FAPESP nº 119).
Na Universidade de São Paulo, uma equipe do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) tem uma proposta mais ousada, que não previne as alterações metabólicas associadas ao desmame precoce, mas pode amenizar os problemas de saúde por elas provocados. A sugestão é melhorar a dieta do brasileiro incentivando o consumo de frutas, verduras e legumes, que atualmente é inferior a um quarto do recomendado. Uma das razões do baixo consumo é o preço elevado. Rafael Claro, do Nupens, calculou quanto custaria para as pessoas consumir a quantidade indicada desses alimentos, que deveria corresponder a 12% do total de calorias ingeridas. Como resultado, a dieta ficaria 30% mais cara.
Mas, com redução no preço, mesmo os mais pobres poriam mais vegetais no prato. Em 2007, durante alguns meses, a equipe do Nupens montou no Grajaú, um dos bairros mais pobres da cidade de São Paulo, um ponto que vendia frutas e hortaliças por um preço subsidiado. Como se imaginava, o consumo desses produtos aumentou. “O custo desses alimentos é uma barreira importante ao consumo”, afirma Claro. Como saída, ele propõe que o Estado reduza os impostos sobre esses alimentos e sobretaxe os ultraprocessados, que contêm conservantes, corantes e estabilizantes, além de mais açúcar, gordura e sal. “O dinheiro que o Estado deixaria de recolher”, diz, “seria economizado com a redução em tratamentos de saúde”.
Puberdade antecipada
Ação do hormônio leptina em região do hipotálamo desencadeia o amadurecimento sexual
A neurocientista brasileira Carol Elias deu um passo para desvendar um fenômeno que alarma os médicos norte-americanos: a antecipação da puberdade feminina. Carol e equipe identificaram a região cerebral em que o hormônio leptina age e desperta o amadurecimento sexual. É o núcleo pré-mamilar ventral.
Anos atrás surgiram pistas de que a leptina, secretada por células de gordura e conhecida por reduzir a fome, induzia o desenvolvimento dos órgãos sexuais e a fertilidade. Sem leptina, camundongos e seres humanos não passavam pelas transformações fisiológicas que preparam o corpo para procriar.
Quando esteve na Universidade Harvard, Carol, hoje pesquisadora da Universidade do Texas, ajudou a identificar as regiões cerebrais que produzem receptores de leptina, proteínas às quais o hormônio se liga e estimula o funcionamento dos neurônios. Entre as regiões do hipotálamo que expressam esses receptores, chamou a atenção o núcleo pré-mamilar ventral (NPV), grupo de células que se conecta a uma área cerebral que produz hormônios sexuais.
Mas comprovar que a ação da leptina no NPV induzia a puberdade demorou. Convidada a integrar a equipe de Joel Elmquist no Texas, Carol e os pesquisadores José Donato Júnior, Roberta Cravo e Renata Frazão desenvolveram camundongos geneticamente alterados para, em certas condições, produzir receptor de leptina só nesse núcleo. Segundo artigo publicado em dezembro no Journal of Clinical Investigation, fêmeas inférteis entraram na puberdade com o estímulo da produção desse receptor no NPV.
Há uma explicação: os neurônios desse núcleo acionam células secretoras do hormônio liberador de gonadotrofinas que, por sua vez, ativa a liberação de hormônios sexuais. Esse efeito ajuda a entender por que há mais meninas com 7 e 8 anos de idade na puberdade nos Estados Unidos. “É possível que as taxas mais elevadas de leptina nas crianças obesas estejam estimulando regiões cerebrais que normalmente só seriam ativadas mais tarde”, diz Carol.
> Artigos científicos
1. VICTORA, C.G.; et al. Maternal and child undernutrition: consequences for adult health and human capital. Lancet. v. 371(9.609), p. 340-57. 26 jan. 2008.
2. DE MOURA, E.G. et al. Maternal prolactin inhibition during lactation programs for metabolic syndrome in adult progeny. Journal of Physiology. v. 587(20), p. 4.919-29. 15 out. 2009.
3. OLIVEIRA, L. S. et al. Early weaning programs rats to have a dietary preference for fat and palatable foods in adulthood. Behavioural Processes. No prelo.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Manual para aleitamento de prematuros
Olá, meninas
Ultimamente tenho visto alguns posts de mães de bebês prematuros, assim como a minha pequena Mônica, que nasceu de 32 semanas de gestação.
Por isso, vou postar aqui material sobre nossos pequenos, pois ainda é difícil encontrar na internet material confiável, de acordo com os princípios dessa comunidade, e que tragam informações além das que já sabemos: que se o LM é importante pra bebês nascidos a termo, mais ainda para os prematuros.
Com isso, posto o link pra o "Manual instrucional para aleitamento materno de recém-nascidos pré-termo", de autoria de:
Angela Midori Matuhara (Enfermeira da UCINE –Unidade de Cuidados Intensivos Neonatal do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo) e Masuco Naganuma (Professor-adjunto do Departamento de Enfermagem da UNIFESP)
Os trechos mais relevantes para nós, pois ele faz parte de uma Dissertação de Mestrado ( então não vai "direto ao ponto") são os que destaco abaixo.
Beijos a todas e força para seguirmos nossos instintos de mamíferas :o)
Gabriela Silva
Manual instrucional para aleitamento materno de recém-nascidos pré-termo*
Introdução
O aleitamento materno de prematuros (RNPT) é menos frequente que o de recém-nascidos de termo, devido à imaturidade das crianças e aos distúrbios que costumam apresentar após o nascimento. Estas limitações, porém, não constituem um obstáculo definitivo, e alguns programas de estímulo à prática da amamentação de prematuros têm logrado aumentar significativamente a taxa de amamentação. De modo geral, estas crianças permanecem por períodos prolongados nas unidades neonatais, onde o estímulo à prática da amamentação deve ter início.
A partir destas constatações e da falta de um programa estruturado de ensino dirigido às mães de prematuros quanto ao valor e à prática da amamentação, foi redigido um manual específico. O manual, descrito na seqüência do texto, contém informações encontradas na literatura, e tem como objetivo a programação e estímulo ao aleitamento nas Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) e serviços ambulatoriais que atendam aos prematuros. O manual foi utilizado em caráter experimental por enfermeiras em uma UTIN, como relatado no artigo seqüente desta Revista, e poderia ser utilizado por outros profissionais da área da saúde.
Primeira sessão – a importância do leite materno
O leite materno é o alimento ideal para o bebê, fundamental para a saúde e desenvolvimento da criança, devido às vantagens nutricionais, imunológicas e psicológicas, além de originar proveito para a mãe. O RNPT tem necessidades nutricionais especiais decorrentes de sua velocidade de crescimento e de sua imaturidade funcional.
Vantagens nutricionais: segundo o Ministério da Saúde(2001), o leite materno contém todos os nutrientes que um recém-nascido de termo necessita para os 4-6 meses de vida.
Em relação aos prematuros:
O leite materno oferece maior quantidade de proteína e tem relação caseína/lactoalbumina mais adequada do que o leite de vaca, 30% na forma de caseína e 70% de lactoalbumina. A fração lactoalbumina é digerida com mais facilidade, promovendo o esvaziamento gástrico mais rápido.
• O leite materno contém hidratos de carbono constituídos por lactose e oligossacarídeos. A capacidade de absorção da lactose pelo prematuro é
superior a 90%. Os oligossacarídeos são polímeros de hidratos de carbono com estrutura que mimetiza receptores antigênicos bacterianos, estimula o sistema imune e, assim, protege a mucosa da ação de bactérias.
• O leite materno tem lipídios que constituem 50% do teor calórico ofertado e composição particularmente adequada ao metabolismo do prematuro. A digestão e a absorção dos lipídeos são facilitadas pela estruturação da gordura em glóbulos, pela composição de ácidos graxos, elevada em ácido palmítico, oléico, linoléico e linolênico, e pela presença de lipase no próprio leite, cuja ação é estimulada pelos sais biliares. Adicionalmente, o leite humano contém ácidos graxos de cadeia longa, como o ácido araquidônico e o docosaexaenóico, que estão associados à cognição, ao crescimento e à visão. Os ácidos graxos ômega 3 do leite materno são essenciais para que haja desenvolvimento normal da retina, em especial nos RN de muito baixo peso. Estes ácidos, juntamente com as substâncias antioxidantes vitamina E, β-caroteno e taurina, podem explicar a proteção oferecida pelo leite materno contra o desenvolvimento da retinopatia da prematuridade.
• O leite materno contém vitamina A, importante na proteção do epitélio respiratório quanto à displasia broncopulmonar. A quantidade é maior no leite de mães de prematuros do que nas de RN a termo entre o 6º e o 37º dias de vida, com posterior redução. A concentração de vitamina D no leite de mães
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sábado, 28 de junho de 2014
Icterícia e leite materno
(Texto postado originalmente no GVA do Orkut, por Luciana Freitas)
Informações sobre icterícia retiradas de "Un regalo para toda la vida", de Carlos González:
- é normal o bebê amamentado ter icterícia. Pode ficar amarelado por até 3 meses, sem necessidade de tratamento, pois se trata de um fenômeno fisiológico, que afeta até 60% dos bebês;
- isso acontece não POR CAUSA do leite materno, mas POR FALTA dele. RNs que mamam pouco fazem menos cocô e, por isso, demoram mais a expelir a bilirrubina, que é o que produz o amarelão;
- se após alguns dias não houver melhora e o bebê estiver muito amarelo, é preciso fazer um exame para verificar o nível de bilirrubina. Se estiver alto (entre 20 e 25), é preciso fazer fototerapia; se não, repetir o exame em dois ou três dias para verificar se está baixando. Se estiver baixando, esperar melhora sem tratamento;
- se a bilirrubina estiver acima de 20, é preciso fazer fototerapia (banho de sol não adianta nada); acima de 25, fazer exsanguíneo;
- se persistir, pode ser uma doença chamada Síndrome de Gilbert;
- há icterícia patológica também por problemas enzimáticos, incompatibilidade de RH e outros;
EM NENHUM CASO DE ICTERÍCIA É PRECISO SUSPENDER O ALEITAMENTO MATERNO. Trata-se de um procedimento antiquado e ineficaz.
Artigos recomendados:
Icterícia Neonatal
Management of Hyperbilirubinemia in the Newborn Infant 35 or More Weeks of Gestation
http://pediatrics.aappublications.org/content/114/1/297.full
http://pediatrics.aappublications.org/content/114/1/297.full
Tratamento da icterícia neonatal
10 Motivos que comprovam a importância da pega correta do bebê ao mamar
Por Priscilla Pereira, Terça, 12 de março de 2013 às 17:37
1- Forma o bico do seio naturalmente, até mesmo bicos planos ou invertidos;2- Evita fissuras e mastites consequentes;3- Aliado a oferecer o seio em livre demanda e exclusivamente aos primeiros sinais de fome do bebê, garante que ele mame as três etapas do leite, fundamentais para hidratação e nutrição;4- Dispensa o uso de chupetas pois promove sucção não nutritiva, importante para saciar necessidades da fase oral do bebê;5- Promove a produção de leite de acordo com a necessidade;6- Evita gases e cólicas7- Possibilita que a mãe amamente em diversas posições, inclusive deitada.8- Dispensa o uso de mamadeiras e leite artificiais em praticamente todos os casos, pois o bebe ficará satisfeito com seu leite preferido.9- Melhora o vinculo mãe-bebê: mãe confiante e bebê tranquilo, convivendo em harmonia num ciclo delicado.10- Confirma que amamentar é um ato natural, prazeroso , de muito amor e sem invenções modernas.
Vídeo aula sobre pega correta:
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A importância da correção da pega
Amamentação: estudo português premiado no V Congresso Espanhol de Aleitamento Materno distingue trabalho que corrige a forma como o bebé "pega" na mama
Um estudo português sobre os benefícios de corrigir a forma como um bebé "pega" na mama da mãe quando está a ser amamentado acaba de ser distinguido em Espanha como o melhor sobre a temática do aleitamento materno, refere a Lusa.
O trabalho foi premiado no V Congresso Espanhol de Aleitamento Materno, que decorreu este mês em Múrcia com mais de 700 participantes de vários países.
O estudo conclui que a correção da pega do bebé à mama na primeira mamada aumenta significativamente a duração do aleitamento materno, disse a principal autora, Adriana Pereira.
A investigação envolveu 60 pares de mães e respectivos bebés da região do Vale do Ave, tendo sido feita a observação e avaliação da primeira mamada logo após o parto.
Os bebés foram divididos em dois grupos: num deles uma enfermeira intervinha para corrigir a pega sempre que o bebé apresentava uma ou mais dificuldades, no outro, que serviu de comparação, não havia qualquer intervenção, seguindo-se as rotinas do serviço.
Passados seis meses, os bebés com a primeira pega correta mamaram em média 157 dias, em comparação com apenas 15 dias no caso de pega incorreta, ou seja, os primeiros mamaram em exclusivo 11 vezes mais dias do que os do outro grupo.
Esse êxito «é benéfico não só para a saúde da mãe e do bebé, como para a família, a sociedade e o meio ambiente, segundo atestam todos os estudos científicos até agora realizados», sublinhou.
Nesse sentido, a autora considera muito importante que as mães conheçam e saibam identificar os sinais de pega correta para ajudarem os próprios bebés.
"Às vezes as mães não sabem sequer se o bebé está a mamar, ou pensam que está, mas de maneira incorreta", afirmou.
Adriana Pereira explicou que "o bebé deve ficar com a boca bem aberta quando está a mamar, com o lábio inferior virado para fora e com o queixo a tocar na mama".
Além disso, a auréola (parte escura da mama) "deve ver-se mais acima da boca do que abaixo, e habitualmente as bochechas ficam arredondadas e não chupadas para dentro".
O estudo constatou que 50 por cento dos bebés da amostra tiveram dificuldade na pega durante a primeira mamada, um problema facilmente corrigível através da intervenção da mãe.
Por isso o estudo recomenda a intervenção dos profissionais de saúde ao nível dos Cuidados de Saúde Pré-Natais para ensinar às mães a técnica correta da amamentação e os sinais identificadores da pega correta.
O estudo, feito no âmbito do doutoramento de Adriana Pereira em Ciência Biomédicas pela Universidade do Porto, em 2005, está publicado num livro intitulado "Aleitamento materno - a importância da correcção da pega no processo da amamentação - resultados de um estudo experimental", editado pela Lusociência em 2006.
Adriana Pereira é membro fundador do Comité Nacional para o Aleitamento Materno e formadora nesta área para a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a UNICEF.
Fonte:
Postado por Sandra Cp (moderadora)
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Técnica de compressão da mama
Postado originalmente por Luciana Freitas, em 20/05/2009, no GVA-Orkut
Técnica de compressão da mama
O que é?
Trata-se de uma técnica muito simples e que proporciona o aumento da ingestão de leite. Com ela, o fluxo torna-se mais potente e as mamadas ficam mais fáceis para o bebê, especialmente aquele que tem dificuldades de se manter desperto ou em sucção ativa.
É muito útil em diversas situações, entre elas:
- pouco aumento de peso;
- cólicas;
- mamadas muito longas e freqüentes;
- dutos obstruídos e mastites.
Como fazê-la?
Quando o bebê começar a mamar, deixe-o livremente. Ao perceber que ele parou de sugar, pegue o peito com a mão em forma de concha, bem na base da mama, encostando nas suas costelas e aperte com firmeza, mas sem machucar. Mantenha pressionando e só solte quando o bebê parar de sugar para, então, recomeçar a compressão.
Fontes:
GONZÁLEZ, Carlos. Un regalo para toda la vida – Guía de la lactancia materna. Madrid: Temas de Hoy, 2006.
NEWMAN, J.; PITMAN, T. The Ultimate Breastfeeding Book of Answers. Roseville: Prima, 2000.
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Pode amamentar deitada?
Por Luciana Freitas
Publicado originalmente no GVA do Orkut
Publicado originalmente no GVA do Orkut
CLARO QUE PODE!
Mamar no peito com o bebê deitado é totalmente diferente de tomar mamadeira com o bebê deitado. A questão é que muitos profissionais de saúde desconhecem esse fato e dão as mesmas orientações para duas situações distintas.
Quando o bebê mama no peito, a tuba auditiva é fechada pela valécula e, portanto, o leite não passa para o ouvido como ocorre quando ele toma mamadeira. Na hipótese de passar algo, o leite materno tem propriedades anti-infecciosas; assim é muito diferente a tuba ser invadida por leite artificial e por leite materno.
Pode voltar algo ao ouvido do bebê que mama no peito por refluxo, por isso é importante subir um pouco a cabecinha da criança, com o próprio braço da mãe ou um travesseiro pequeno. Se o bebê mamar de pé e deitar de lado em seguida, o risco do retorno por refluxo é idêntico.
Otite é uma doença muito comum em bebês, então atribuir sua causa ao fato de o bebê mamar no peito deitado é um equívoco.
Vamos parar para pensar um pouco?
1) Como as indígenas amamentam? Sentadas na cadeira de amamentação? Como as mulheres da pré-história amamentavam? Também na cadeira de amamentação ou deitadas? Se isso causasse otite, a humanidade não teria sobrevivido, não é? Afinal, naquela época não existia cadeira de amamentação nem antibióticos para curar otites...
2) Quem está em posição diferente? A mãe ou o bebê?
Fácil de observar que quem está em posição diferente é a MÃE, não o bebê... Então, no que a mudança de posição da MÃE causaria otite no BEBÊ? Isso tem lógica?
Passando, agora, desse simples raciocínio lógico aos argumentos de autoridade.
Diz a Febrasgo - Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia em seu manual sobre aleitamento:
"4. POSIÇÃO DA MÃE
Há várias possibilidades de posições para amamentar. A mulher deve escolher a mais confortável que a deixe mais relaxada naquele momento.
Deitada:–Ela pode deitar-se de lado, apoiando a cabeça e as costas em travesseiros. O bebê deverá permanecer também deitado de lado proporcionando o contato abdome/abdome. Os ombros do bebê devem ser apoiados com os braços da mãe para manter a posição adequada.
–A mulher pode ainda deitar-se em decúbito dorsal (posição útil para as primeiras horas pós-cesariana ou para aquela mulher que tem excedente lácteo muito grande). A criança deve ficar deitada em decúbito ventral, em cima da mãe."
Diz a Sociedade Mineira de Pediatria:
"Há algum problema em amamentar deitada?
O aleitamento pode ser realizado mesma nesta posição sem problemas para o bebê, que inclusive tem uma maior proteção contra infecções dos ouvidos quando é amamentado. Dr Luciano."
Diz o Manual of Pediatric Nutrition, de Hendricks, Duggan e Walker (2000, tradução de Marcus Renato de Carvalho):
"Posicionamento:
. a produção ótima de leite requer uma efetiva pega (abocanhamento do mamilo e aréola) com um posicionamento adequado
. posições de amamentação: "barriga-com-barriga", posição invertida (de bola de futebol americano), ambos deitados de lado...
. importante trazer o bebê ao nível das mamas
. pode haver necessidade de apoiar a mama: mãos em "c", mãos em tesoura , mãos de bailarina
. assegurar que a mãe esteja o mais confortável e relaxada possível, oferecer travesseiros e almofadas para apoio"
Dizem a UNESCO e o Ministério da Saúde, no álbum seriado Promovendo o aleitamento materno (2007):
Todas essas autoridades recomendariam amamentar deitada se isso oferecesse risco ao bebê? Claro que não, né?
Gente, vamos nos libertar desses mitos que só servem para atrapalhar nossas vidas e impedir que sejamos felizes ao lado dos nossos bebês.
Médico que diz que amamentar deitada dá otite não entende a diferença entre mamar no peito e tomar mamadeira!
Amamentem deitadas! É uma delícia!
Amamentação diminui risco de asma
Estudo mostra que amamentação exclusiva por 6 meses oferece proteção contra asma
Amamentação por pelo menos 6 meses reduz o risco da criança desenvolver asma, um novo estudo holandês sugere. A amamentação exclusiva oferece maior proteção ainda.
O estudo foi publicado no dia 21 de julho de 2011 no periodico científico European Respiratory Journal, investigou o impacto da duração da amamentação e introdução de líquidos ou sólidos complementares em adição ao leite materno.
Já se sabia da conexão entre amamentação e risco de asma em estudos prévios. Entretanto, essa é a primeira pesquisa que investigou o impacto da duração da amamentação e a introdução precoce de alimentos ou outros líquidos com o número de episódios de crise de asma que a criança teve mais tarde.
Neste estudo também foram relatadas evidências de que os primeiros sintomas de asma aparecem bem cedo na vida nas crianças que foram amamentadas por pouco tempo ou não foram amamentadas exclusivamente.
"Crianças que nunca foram amamentadas tinham quase 50% mais risco de sintomas de asma do que as que foram amamentadas por mais de 6 meses. Além disso, crianças que foram amamentadas e receberam outros leites e alimentos precocemente tiveram 20% mais crises asmáticas do que bebês que foram exclusivamente amamentados" diz Liesbeth Duijts, médico e PhD, pesquisador da ‘Erasmus Medical Center’ em Rotterdam, Holanda.
Crianças que foram receberam outro tipo de leite, líquido ou sólidos durante os primeiros 4 meses além de leite materno tiveram um risco aumentado de respiração asmática, falta de fôlego, tosse seca e fleuma persistente durante os primeiros 4 anos, comparados com crianças que foram exclusivamente amamentadas.
As conexões mais fortes foram vistos entre respiração ofegante asmática e fleuma persistente, já que as crianças tiveram 1,4 e 1,5 mais chance de desenvolverem estes sintomas se nunca foram amamentadas.
"Sugerimos que quanto maior a duração da amamentação, menor o risco de de sintomas relacionados a asma, comparados com crianças que nunca foram amamentadas", diz Duijts.
Os pesquisadores usaram questionários para obter dados de mais de 5 mil crianças, com questões sobre seus primeiros 12 meses, se foram amamentadas ou não, quando foram desmamadas, e quando sólidos e outros líquidos foram introduzidos. Mais questionários foram completados quando as crianças tinham 1, 2, 3 e 4 anos para checar os sintomas relacionados a asma.
A conexão entre a duração da amamentação exclusiva com os sintomas de asma durante os primeiros 4 anos foi independente de doenças infecciosas ou atópicas.
Agnes Sonnenschein-Furgão der Voort, pesquisador que dirigiu o estudo, concluiu:
"Estes resultados apóiam as estratégias atuais de promoção da amamentação exclusiva por 6 meses em países industrializados. Mais estudos são necessários para investigar o efeito protetor da amamentação nos vários tipos de asma."
Fundação Européia do Pulmão - http://www.european-lung-foundation.org/
Estudo: Duration and exclusiveness of breastfeeding and childhood asthma-related symptoms. Sonnenschein-van der Voort AM, Jaddoe VV, van der Valk RJ, Willemsen SP, Hofman A, Moll HA, de Jongste JC, Duijts L. Eur Respir J. 2011 Jul 20. PMID: 21778163
Tradução- Andréia C. K. Mortensen
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