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sábado, 9 de julho de 2016
Como retomar a amamentação exclusiva
Por Ana Beatriz Herreros e Fernanda Rezende Silva
Revisão: Luciana Freitas, Sarita Oliveira, Daniela Guerreiro do Valle
O processo de retomar a amamentação exclusiva, eliminando o LA (leite artificial) não é fácil - é uma mudança grande para a mãe e para o bebê, por isso a mãe precisa estar ciente que o bebê pode demandar mais atenção e chorar mais (se a mãe sabe que isso vai acontecer o processo fica mais fácil). Se for possível: peça ajuda com a casa (talvez o marido possa tirar alguns dias de folga, por exemplo), mas deve-se escolher bem a quem pedir ajuda, pois não adianta chamar uma amiga que vai dizer o tempo todo "você tem pouco leite", "esse bebê chora de fome". Um sling pode ajudar bastante, pois no sling o bebê pode mamar (e até dormir) enquanto a mãe tem as mãos livres para outras atividades da casa.
A grande maioria dos bebês que tomam LA, o fazem em mamadeira, e muitos deles também usam chupeta. O primeiro passo para a mãe que deseja amamentar exclusivamente é se livrar de mamadeiras, chupetas e bicos (protetores) intermediários de silicone, pois eles influenciam na forma como o bebê suga o peito, afetando a produção de leite. Não adianta iniciar a redução do LA se o bebê ainda usa bicos artificiais, pois o bebê que usa bico artificial não ordenha o seio corretamente, não obtém todo o leite de que precisa, e não estimula adequadamente a produção. Para entender como os bicos artificiais atrapalham leia aqui. Chupetas devem ir para o lixo. Mamadeiras devem ser substituídas por copinho, colher ou colher-dosadora - veja opções aqui. Se a mãe usa bico de silicone também deve se livrar dele (veja dicas aqui).
Se o bebê ainda pega o peito, mesmo que por pouco tempo, isso é ótimo. Bebês que estão totalmente desmamados devem primeiro fazer relactação. Bebês que rejeitam o peito precisam de ajuda para voltar a mamar bem.
Agora vamos aos detalhes do LA - como fazer a redução. Fracione as doses para não ter volumes muito altos poucas vezes ao dia (pode fracionar em 3 a 5 doses, conforme o volume), e fixe os horários para oferecê-lo (você pode oferecer a cada quatro ou cinco horas, conforme os sinais de fome ou a rotina prévia). A livre demanda é só para o peito. Procure não oferecer LA de madrugada. Um exemplo prático: se o seu bebê toma 90 ml de LA 2 vezes ao dia, passe a oferecer 60ml de LA, 3 vezes ao dia. Os horários, neste caso, poderiam ser: 10h, 17h, 20h. Se toma 150ml 3 vezes ao dia, pode passar a tomar 90ml 5x ao dia. Os horários são uma referência. Não se desespere caso não sejam seguidos rigorosamente - é importante ter um planejamento de horários mas não há problema se atrasar ou adiantar um pouco.
Ofereça SEMPRE o peito antes do LA. Tente deixar o máximo de tempo em cada seio, até o bebê largar sozinho ou se irritar demais. Troque de seio uma ou duas vezes antes do LA, para garantir estímulo aos dois seios. Exemplo: bebê mamou o peito direito, reclamou: ofereça o peito esquerdo, bebê reclamou de novo: volte para o peito direito, reclamou mais uma vez: ofereça o peito esquerdo novamente - se o bebê não aceitar de novo o peito esquerdo, ou estiver ficando muito impaciente, aí sim é hora de oferecer o LA. O bebê pode não tomar o LA todo. Tente oferecer, mas não o force a tomar.
Estimule a produção de leite materno. Pratique a livre demanda verdadeira, sempre verificando se a pega está correta. Ofereça o peito o tempo todo, sempre ao menor sinal de que possa querer mamar (aqui o sling ajuda muito). Bebê acordou? Peito! Bebê resmungou? Peito! Bebê agitado? Peito! Ofereça o tempo todo, mas não se chateie caso o bebê, em alguns momentos, não queira mamar - ele está apenas lhe dizendo que está satisfeito. Peito murcho também tem leite. Tomar banho juntos, contato pele-a-pele e cama compartilhada ajudam a estimular ainda mais a produção de leite. Faça intensivo de peito: não deixe passar mais de duas horas sem oferecer o peito durante o dia (a menos que o bebê esteja dormindo) e 3 horas à noite. Não precisa acordar o bebê à noite para mamar, basta oferecer o peito, com o bebê dormindo mesmo: deite ao lado do bebê, toque o mamilo (molhado com um pouco de leite) nos lábios do bebê - se mamar ok, se não mamar deixe o bebê dormir.
Após fixar a quantidade e os horários de LA pode começar a redução: a cada dois dias retirar 10 ml de cada dose de LA oferecida. Se hoje o bebê toma doses de 120 ml: em dois dias reduzir cada dose para 110ml, em mais dois dias reduzir para 100ml, depois 90ml etc.. Sempre oferecer o peito primeiro, depois o LA e depois tentar novamente o peito.
Questões práticas da redução do LA: prepare uma porção múltipla de 30ml, retire a diferença usando uma seringa e JOGUE FORA. Exemplo: se o bebê vai tomar 110ml, prepare 120ml, retire 10ml na seringa e descarte. Jogue fora mesmo o que foi retirado na seringa para não cair na tentação de oferecer ao bebê.
Fique atenta aos sinais do seu bebê. Observe a cor do xixi: se estiver sempre clarinho é um indicador que o bebê está mamando bem. As fezes podem ficar menos frequentes, e isso não é sinal de constipação, já que o LM é melhor aproveitado. Pese seu bebê uma vez por semana, sempre na mesma balança, e esteja consciente de que o ganho de peso poderá desacelerar (bebês de mamadeira geralmente são super alimentados) - se o bebê se mantém com ganho de peso constante e dentro do mesmo canal (espaço entre duas curvas) do gráfico de curvas de percentis ou z scores (que se encontra na caderneta da criança do seu bebê e deveria ser preenchido pelo pediatra), então está tudo indo bem.
A sugestão é reduzir de 10 em 10 ml, porém seu bebê pode querer reduzir mais rápido do que isso - se você se sente segura pode acelerar a redução. Um exemplo: o bebê deveria tomar 90ml em cada dose de LA, mas durante um dia inteiro não tomou mais do que 70ml, então pode continuar a redução a partir dos 70ml.
Resumindo:
1- Jogue fora todos os bicos artificiais (chupetas, mamadeiras, bicos de silicone) e passe a oferecer o mesmo volume de LA em um recipiente seguro (copo, colher).
2- Aumente a produção de leite fazendo um intensivo de peito. Não deixe passar mais de 2 horas sem oferecer o peito de dia nem mais de 3 horas de noite.
Lembre que o bebê deve estar mamando bem no peito, livre da interferência de bicos artificiais, antes de começar a reduzir o LA. Você pode demorar alguns dias na fase 2 até sentir que o bebê está confortável no peito.
3- Redução do LA: a cada 2 dias reduzir 10ml de cada dose de LA, até zerar o volume, ou até chegar ao mínimo com que o bebê ganhe peso e se mantenha na sua curva.
IMPORTANTE: o bebê deve ser pesado uma vez por semana durante toda a redução.
Não pule mamadas, não pule os horários do LA, nem faça a redução de uma vez, pois isso pode atrapalhar o ganho de peso e ser prejudicial ao seu bebê.
quarta-feira, 20 de abril de 2016
Até mesmo o uso ocasional de fórmula tem seus riscos
Revisado e adaptado por: Andréia Freire
Postado originalmente no GVA do orkut por Lislie Andrade, em 04/03/2008
É alto o número de bebês que recebem complemento nos primeiros dias de vida, a grande maioria começa a tomar leite artificial sem real necessidade. Mas o que acontece quando o leite materno não é o único alimento no pequeno intestino do bebê?
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Fases de crescimento e desenvolvimento que modificam o sono do bebê e da criança
Por Andréia C. K. Mortensen
Veja a publicação original aqui
O desenvolvimento e o crescimento do bebê no primeiro ano e além podem provocar alterações no seu sono.Veja como saltos de desenvolvimento, picos de crescimento e angústia de separação podem interferir no sono.
O primeiro ano da criança é uma fase de mudanças extraordinárias para toda a família. Esse período é excitante e desafiador, quando bebês aprendem a comunicar suas necessidades e pais aprendem como atendê-las.
Você pode pensar que o desenvolvimento do seu bebê (como aprender a rolar, engatinhar e andar) e seu crescimento não tem nada a ver com o sono, mas a verdade é que caminham juntos! Abaixo uma descrição dos fenômenos chamados saltos de desenvolvimento, picos de crescimento e angústia de separação.
sábado, 22 de novembro de 2014
Alerta: a banalização do uso das sondas de relactação e seus riscos
Por: Fernanda Rezende Silva
Revisão: Zioneth Garcia e Dji Nane
Muitas mães, por acharem que não produzem leite suficiente, recorrem ao uso da sonda de relactação, e ela não deveria ser a primeira opção - vamos entender o porquê.
A técnica de relactação serve para RE-lactar, ou seja, só deveria ser usada por mães que já não produzem mais leite e querem retomar a amamentação. Ok, mas qual o problema em usar a sonda só para complementar?
Vamos começar entendendo como é o fluxo de leite na sonda: o bebê recebe LM e LA. Se o bebê recebe mais leite do que seria o normal, ele vai sugar menos tempo, logo a produção não será realmente estimulada como deveria. Além disso o bebê pode se acostumar a este fluxo (quando a sonda é usada por muito tempo) e depois fica complicado tirar - infelizmente o que acontece nestes casos é que a mãe, por não acreditar que será capaz de produzir leite sozinha, aumenta cada vez mais a quantidade de LA e por fim o bebê já não suga mais LM: é um bebê desmamado tomando LA pela sonda.
Usar a sonda fora de casa é algo complicadíssimo - muitas mães deixam de sair de casa por esse motivo. Algumas saem de casa sem a sonda e aí vem o perigo: pensar que podem dar uma única mamadeira fora de casa, que isso não vai atrapalhar (uma única mamada nestas condições - sonda + mamadeira - pode causar confusão de bicos).
Bebês maiores simplesmente não aceitam a sonda (com razão!). Se um bebê está acostumado ao aconchego do peito, a mamar o peito livre, realmente ele não vai aceitar um "caninho" entrando na sua boca - mais um motivo para restringir o uso da sonda apenas às primeiras semanas do bebê.
Quais seriam então as opções para a mãe que precisa complementar? Copinho comum, colher, colher-dosadora. Todos os bebês precisarão usar alguma destas opções após os 6 meses, quando começarão a tomar água, então aqui não cabe o argumento "é difícil usar copinho ou colher" - mais cedo ou mais tarde o bebê vai usar, pois a mamadeira é contra-indicada totalmente em qualquer idade. Para qualquer uma das opções escolhida: o ideal é que a quantidade de LA seja reduzida gradativamente, de forma que o bebê volte a mamar LM exclusivo e não fique dependente do LA.
A técnica de relactação serve para RE-lactar, ou seja, só deveria ser usada por mães que já não produzem mais leite e querem retomar a amamentação. Ok, mas qual o problema em usar a sonda só para complementar?
Vamos começar entendendo como é o fluxo de leite na sonda: o bebê recebe LM e LA. Se o bebê recebe mais leite do que seria o normal, ele vai sugar menos tempo, logo a produção não será realmente estimulada como deveria. Além disso o bebê pode se acostumar a este fluxo (quando a sonda é usada por muito tempo) e depois fica complicado tirar - infelizmente o que acontece nestes casos é que a mãe, por não acreditar que será capaz de produzir leite sozinha, aumenta cada vez mais a quantidade de LA e por fim o bebê já não suga mais LM: é um bebê desmamado tomando LA pela sonda.
Usar a sonda fora de casa é algo complicadíssimo - muitas mães deixam de sair de casa por esse motivo. Algumas saem de casa sem a sonda e aí vem o perigo: pensar que podem dar uma única mamadeira fora de casa, que isso não vai atrapalhar (uma única mamada nestas condições - sonda + mamadeira - pode causar confusão de bicos).
Bebês maiores simplesmente não aceitam a sonda (com razão!). Se um bebê está acostumado ao aconchego do peito, a mamar o peito livre, realmente ele não vai aceitar um "caninho" entrando na sua boca - mais um motivo para restringir o uso da sonda apenas às primeiras semanas do bebê.
Quais seriam então as opções para a mãe que precisa complementar? Copinho comum, colher, colher-dosadora. Todos os bebês precisarão usar alguma destas opções após os 6 meses, quando começarão a tomar água, então aqui não cabe o argumento "é difícil usar copinho ou colher" - mais cedo ou mais tarde o bebê vai usar, pois a mamadeira é contra-indicada totalmente em qualquer idade. Para qualquer uma das opções escolhida: o ideal é que a quantidade de LA seja reduzida gradativamente, de forma que o bebê volte a mamar LM exclusivo e não fique dependente do LA.
Segue um texto explicativo sobre o uso da sonda, para quem realmente precisa usar:
"A técnica de relactação é justamente para RE-lactar, usada quando a mãe deixou por qualquer motivo de oferecer o peito: mães adotivas, ou em caso de cirurgia mamária com comprometimento de ductos ou glândulas onde a produção foi fisicamente afetada.
A relactação deve ter um começo e um fim, desde o primeiro dia que se começa deve se ter claro que não é para sempre, que num certo dia semana ela vai terminar. O recomendado geralmente é não estender a relactação por mais do que 6 semanas.
É importante que desde o começo o fluxo da sonda seja regulado, para que o bebê se acostume com o fluxo de LM do peito, nem toda sucção deve levar leite.
A relactação sozinha não faz milagres, deve ser associada à livre demanda e auto-confiança. SE A MÃE PRODUZ QUALQUER QUANTIDADE DE LM A RELACTAÇÃO TEVE SUCESSO E NÃO É MAIS NECESSÁRIA: pode começar diminuir o LA usando copinho.
Uma vez que se consegue LM em volume aceitável, é ideal passar oferecer o complemento que está sendo usado na sonda, num copinho. Lembre que existe sucção não-nutritiva, na sonda fica difícil saber até onde o bebê continua com fome e até onde está sugando por conforto.
Toda mamada deve começar e terminar pelo peito sozinho. Se o bebê adormece no peito, que seja no peito sem sonda."
"A técnica de relactação é justamente para RE-lactar, usada quando a mãe deixou por qualquer motivo de oferecer o peito: mães adotivas, ou em caso de cirurgia mamária com comprometimento de ductos ou glândulas onde a produção foi fisicamente afetada.
A relactação deve ter um começo e um fim, desde o primeiro dia que se começa deve se ter claro que não é para sempre, que num certo dia semana ela vai terminar. O recomendado geralmente é não estender a relactação por mais do que 6 semanas.
É importante que desde o começo o fluxo da sonda seja regulado, para que o bebê se acostume com o fluxo de LM do peito, nem toda sucção deve levar leite.
A relactação sozinha não faz milagres, deve ser associada à livre demanda e auto-confiança. SE A MÃE PRODUZ QUALQUER QUANTIDADE DE LM A RELACTAÇÃO TEVE SUCESSO E NÃO É MAIS NECESSÁRIA: pode começar diminuir o LA usando copinho.
Uma vez que se consegue LM em volume aceitável, é ideal passar oferecer o complemento que está sendo usado na sonda, num copinho. Lembre que existe sucção não-nutritiva, na sonda fica difícil saber até onde o bebê continua com fome e até onde está sugando por conforto.
Toda mamada deve começar e terminar pelo peito sozinho. Se o bebê adormece no peito, que seja no peito sem sonda."
Sobre a sonda-dedo: está "na moda" usar esta técnica, mas só deveria ser indicada para prematuros incapazes de sair da incubadora e que não podem ser amamentados ou pegos no colo - para eles sim, se usa a sonda dedo para estimular a sucção ao mesmo tempo em que são alimentados (seja com LM ou LA). A técnica não serve para bebês que têm condições de sugar o peito da mãe.
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Tem mesmo pouco leite, baixo peso? NAN é a solução?
Por Andréia C. K. Mortensen
Revisão de Luciana FreitasDiagnóstico precipitado de "pouco leite", “baixo peso” e introdução precoce de leite artificial
Produção insuficiente de leite materno e baixo ganho de peso do bebê são queixas muito frequentes entre as mães. Geralmente a solução apresentada para esses casos por pediatras e outros profissionais da saúde é a introdução de leite artificial.
Porém, antes de diagnosticar essas duas situações, é preciso prestar atenção nos seguintes pontos:
1) Importantíssimo para o sucesso da amamentação é verificar se a pega no peito está correta: o bebê abre bem a boca, abocanha o mamilo e grande parte da aréola, alcançando os depósitos de leite localizados na região. Ao fechar a boca, os lábios ficam voltados para fora e vedam a passagem de ar, favorecendo o correto padrão de respiração pelo nariz. A língua se posiciona sob o mamilo, à frente, entre os rodetes de gengiva que comprimem a aréola, ajudando o bico a se alongar em até três vezes o seu tamanho dentro da boca do bebê. Tal alongamento é necessário para que alcance e toque o ponto de estímulo neural da deglutição, na região posterior do palato ("céu da boca") da criança. O recém-nascido obtém o leite por trabalho muscular (ordenha), não havendo, em momento algum, pressão negativa ou sucção, como infelizmente ocorre com a mamadeira e a chupeta.
Algumas imagens para ajudar:






Pega incorreta resulta numa ordenha ineficiente, não saciando as duas necessidades básicas do bebê - fisiológica (por leite materno) e neural (de trabalho muscular) -, além de causar fissuras mamilares e outros problemas, o que resulta em dor na mama durante a amamentação. Se notar que a pega não está correta, interrompa a sucção introduzindo delicadamente o dedo mínimo entre a boca do bebê e o seio e reinicie o processo. Não deixe que a criança continue mamando com pega incorreta.

2) A amamentação deve ser praticada em livre demanda para garantir que o bebê seja suprido em todas as suas necessidades nutricionais, inclusive hidratação. Desse modo, ele pode retirar todo o leite de que precisa conforme a sua vontade. Amamentação não combina com relógio: deixe o bebê comandar!
Para maiores informações, dois textos interessantes:
"Amamentação à la carte".
“A importância da livre demanda”
http://www.facebook.com/note.php?note_id=167469133305459
3) Se mesmo com a técnica (pega e posição) adequada e regime de livre demanda o bebê não ganhar peso, é preciso verificar se a mãe não está interrompendo a mamadaou trocando o bebê de peito antes que ele termine. O leite vai aumentando sua quantidade de gordura ao longo da mamada. Se o bebê for interrompido no meio de uma mamada, ele não irá cumprir o seu objetivo que pode ser, naquela mamada, o de mamar bastante leite gorduroso (às vezes ele quer apenas matar a sede). Portanto, deixe-o mamar à vontade, até quando ele quiser, porque ele é que sabe o que precisa naquele momento. Quando o bebê largar uma mama e quiser mamar mais, seja na hora ou mais tarde, você poderá oferecer o outro peito, então os dois vão ser estimulados. Dessa forma, para assegurar um bom ganho de peso é preciso: pega adequada, livre demanda e o respeito à vontade do bebê de permanecer no mesmo peito durante a mamada. Alguns recém-nascidos também sugam muito lentamente nos primeiros dias e precisam de muito tempo no peito (prepare-se, porque essa situação não dura para sempre!).
4) Se o bebê continuar não adquirindo peso apesar da efetivação dos três itens acima, é necessário conferir a hipótese de infecção urinária, que é uma das causas de baixo ganho de peso corpóreo em recém-nascidos.
5) Porém, mais importante que o valor registrado na balança é observar odesenvolvimento da criança. Bebê saudável não é o bebê que engorda muito. Recém-nascidos ganham peso em proporções inconstantes, mas devem dobrar o valor do nascimento até os seis meses e triplicá-lo até um ano de idade de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo as orientações da OMS para o aleitamento materno, a quantificação rigorosa do ganho de peso do bebê pelos pais deve ser desincentivada. Os valores podem variar muito, porque cada criança tem o seu próprio ritmo de crescimento. É importante considerar o biotipo do bebê: como são os pais? Gordinhos, magrinhos, altos, baixos? A genética tem uma grande influência na estrutura física do indivíduo. Além disso, existem flutuações normais no peso. Colocar frequentemente a criança na balança pode levar os pais à insegurança. Pesar o filho antes e depois da mamada também não deve ser parâmetro para medir a quantidade de leite.
As novas curvas de crescimento revisadas pela OMS baseando-se em bebês alimentados com leite materno estão no link e fotos abaixo. Lembre-se de verificar com o pediatra de seu filho se ele está usando as curvas atualizadas!


6) O colostro, que começa a ser produzido no terceiro trimestre de gestação, é o primeiro alimento e a primeira "vacina" do bebê.
Leia o artigo "Amamentação na primeira hora, proteção sem demora!"-
Ele começa a ser secretado logo após o nascimento e é produzido em baixa quantidade justamente porque o recém-nascido ainda não está com os rins totalmente preparados para processar grande volume de líquidos. No período inicial, enquanto o leite não desce - demora entre três e cinco dias ou mais -, o colostro é suficiente e perfeitamente adequado ao bebê; portanto, continue colocando-o no peito frequentemente. Se a criança estiver mamando colostro em livre demanda e em contato contínuo com a mãe, seu choro nesse início de vida dificilmente poderá ser associado à fome e às colicas. Técnicas muito eficientes para acalmar o bebê na fase imediatamente apósao nascimento são as aplicadas na teoria da Exterogestação. Leia o artigo na íntegra, utilíssimo para bebês novinhos!
Teoria da Extero-gestação para bebes novinhos - Dr. Karp
7) A OMS cita que oferecer água ou leite artificial ao bebê ao invés de permitir-lhe o aproveitamento dos benefícios do colostro enquanto o leite materno não desce não é justificável.
8) Nas primeiras duas semanas de vida é natural o bebê perder até 10% de seu peso(excesso de líquidos retidos que são eliminados) e só voltar a recuperar o peso perdido após esse período, para então começar a ganhar peso propriamente dito.
Permita que seu filho mame o colostro e estimule a produção de leite materno, não interferindo nesse processo natural introduzindo mamadeiras.
9) Geralmente de seis a oito semanas após o parto, a mulher passa a não ter mais ejeções entre as mamadas e seus seios ficam desinchados, porque o corpo para de produzir leite em excesso e se autorregula conforme as necessidades do bebê, contanto que ele seja amamentado em livre demanda e sem uso de chupetas e mamadeiras. Portanto, é normal sentir os peitos murchos depois de um mês. O leite não fica armazenado no peito: a maior parte é produzida na hora da mamada (a não ser na fase imediatamente pós-parto, quando os peitos costumam até vazar). O engurgitamento das mamas nas primeiras semanas nada tem a ver com a quantidade de leite produzida e sim com uma inflamação temporária no início da lactação. Peitos cheios e vazamento são problemas iniciais, que desaparecem assim que a amamentação estiver estabelecida.
10) É absolutamente normal o bebê diminuir o ganho de peso a partir do terceiro mês de vida. O Dr. Carlos González, autor do livro Mi Niño no me Come, recomendado pela La Leche League International, chamou essa fase de "a crise dos três meses": "Por volta de 2-3 meses de idade, alguns bebês tornam-se tão eficientes na mamada que são capazes de mamar tudo o que precisam em 5 ou 7 minutos, algumas vezes em 3 minutos. Se ninguém disso isso para a mãe e ela espera que a criança fique no seio por “pelo menos 10 minutos”, ela vai achar que seu filho não está mamando o suficiente". Além disso, o bebê que ganhava peso rapidamente, agora está caindo na curva de crescimento. A mãe também notou que os seios não enchem mais como antes e não vazam. Todos esses fatos são normais, mas a mulher que não está ciente disso pode achar que há algo errado.
11) Outro mito moderno que muitas vezes ilude a mãe é que as crianças, à medida que o tempo passa, aprendem a dormir mais. Na realidade, elas passam mais tempo acordadas quando vão crescendo. É verdade que um dia vão dormir mais horas seguidas e, finalmente, a noite inteira, mas dificilmente isso acontece aos quatro meses de idade. Ao longo dos primeiros meses de vida, é mais provável que você observe seu bebê dormindo menos. Muitas crianças mamam várias vezes por noite ainda durante os primeiros anos (o que, para a mãe, é muito mais fácil do que preparar mamadeiras de madrugada). Dar LA não ajuda no sono e pode provocar desmame precoce. Estudo recente prova que não há diferenças no sono de bebês amamentados ou que tomam LA. Veja o texto Leite artificial ajuda no sono?? Estudo desmistifica essa noção comum!:
12) Tem mãe que nunca vê o próprio leite, ou seja, nunca consegue ordenhar uma gota com auxílio de bomba (manual ou elétrica) ou mesmo por ordenha manual, mas o bebê mama exclusivamente ao seio e se desenvolve muito bem. Portanto, a quantidade de leite extraída não é confiável para determinar o volume de leite produzido, não deve ser usada como medida de produção de leite suficiente.
13) Nas primeiras semanas, para saber se a produção materna de leite está adequada, pode-se contar quantas vezes por dia a criança urina: 5-6 fraldas molhadas indicam que ela está bem hidratada e a quantidade de leite é suficiente.
Casos reais de baixa produção de leite:
- Quando o bebê tem um repentino ganho de peso ou crescimento e o peito "ainda não teve tempo" de adequar a produção, ele pode pedir para mamar de hora em hora. Os picos/estirões de crescimento acontecem justamente por essa razão: aumentar a produção de leite materno. Esses fenômenos ocorrem por volta dos sete-dez dias, duas-três semanas, quatro-seis semanas, três meses, quatro meses, seis meses e nove meses, em média, e continuam ao longo do desenvolvimento da criança. A mãe deve respeitar os pedidos constantes para mamar e oferecer o peito, ou seja, amamentar em livre demanda, inclusive à noite. Só assim a sua produção se ajustará perfeitamente às necessidades do bebê, o que acontece em alguns dias. Oferecer leite artificial durante os picos de crescimento impede que o organismo da mãe se adapte à nova demanda, podendo iniciar um desmame precoce desnecessário, em alguns casos.

- Quando a mulher está cansada, exausta, beirando uma depressão pós-parto. Nesses casos, são necessários orientação real e efetiva e talvez aconselhamento médico. Apoio de uma rede de mulheres é muito importante. Procure grupos de apoio de amamentação em tua cidade ANTES mesmo do bebê nascer.
Onde achar grupos e bancos de leite (que dão orientação sobre amamentação):
- Quando a mulher começa a desacreditar de sua capacidade de nutrir o bebê. Ao oferecer leite artificial antes da mamada, o organismo entende que não precisa produzir a quantidade extra que a criança já tomou. Sem total confiança na capacidade de amamentar, a mulher coloca o bebê ao seio "já sabendo que não tem leite". Com a autoestima baixa é como se a mãe desistisse, "jogasse a toalha" e, então, pode ter a sensação de que o leite diminuiu.
O que fazer para aumentar a produção?
Quando a mulher passa a achar que produz menos pelos motivos acima citados ou quando o bebê repentinamente aumenta a demanda, pode-se tentar as seguintes medidas antes de recorrer ao leite artificial:
Físicas: descansar durante o dia, beber água sempre que sentir sede, deitar com a criança, amamentar pelo menos uma vez de madrugada (não precisa acordar o bebê, é só pegá-lo e colocá-lo ao seio mesmo dormindo), oferecer o peito mais vezes que o habitual durante o dia e amamentar sempre que a criança demonstrar interesse. Em casos em que a produção efetivamente parou porque a criança já está usando LA, mamadeiras e chupetas, pode-se tentar relactar, técnica muito simples. Ver aqui o texto O que é relactação e para que serve?
Emocionais: conscientize-se que, apesar do seu poder de gerar e nutrir, a mulher, quando tem um filho, fica pode ficar bastante fragilizada. Ela precisa receber muito apoio, boa orientação e amor, caso contrário, é possível que não consiga amamentar com sucesso. É importante cercar-se de pessoas que transmitam mensagens de otimismo, carinho, apoio, e não o contrário, de desestímulo. Parentes (quase sempre com boas intenções) chegam dizendo que amamentar dá muito trabalho, que o leite é fraco, que o bebê precisa de um complemento, etc. Esse tipo de "conselho" pode minar a autoestima da mãe. Não existe leite fraco. A natureza é sabia e poderosa. Nós, seres humanos, não estaríamos aqui se não fosse pelo leite materno. Ele chega sempre, e mais facilmente quando realmente o desejamos e temos orientação. A informação é muito importante, mas o apoio pode ser determinante. Uma criança não é responsabilidade só dos pais, é de todos. Ela é o nosso amanhã. Temos que respeitá-la e apoiar quem tem coragem de gerá-la. Apoio logístico consiste em ajuda efetiva para cuidar do bebê (pode vir do pai, da avó, da tia, de uma babá, de uma amiga, de qualquer um que o faça por amor e com muita atenção e cuidado). Apoio moral consiste no amor, no reconforto, na paciência, no incentivo, no respeito e nas boas vibrações das pessoas próximas. Amamentar é dar amor, mas, para fazê-lo, a mulher precisa recebê-lo!
Entretanto, a tendência parece ser chegar no consultório do pediatra com uma queixa sobre amamentação e sair com uma prescrição de leite artificial, pois é muito mais fácil fechar o diagnóstico de "pouco leite" como algo fixo, definitivo, imutável, do que trabalhar, orientar, aconselhar, visitar e acompanhar a mãe. Quanto mais desesperada estiver a mulher, mais ela terá a tendência de gerar o diagnóstico equivocado, e o pediatra então concluirá que ela não vai conseguir mesmo amamentar. Na maioria dos casos, dar de mamar é um ato de fé e persistência, mas é preciso ter apoio e orientação.
Definitivamente, Leite artificial não é a solução!

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