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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

O que fazer se o bebê está mordendo o peito?


Por Pítia Villar e Fernanda Rezende Silva
Revisão: Luciana Freitas



Mordidas no peito são uma reclamação comum das mães que amamentam - algumas chegam até mesmo a pensar em desmame por esse motivo. Vamos entender porque elas acontecem e o que pode ser feito para evitá-las.
O primeiro ponto que deve ser analisado: é mordida mesmo? Em alguns casos, o bebê não está de fato mordendo a mãe, mas ela tem essa sensação, pois sente dor e o peito acaba ferido. Vamos falar sobre as possíveis causas de “falsas mordidas” e, logo em seguida, falaremos das mordidas verdadeiras.

Pega errada
O bebê recém-nascido ainda está aprendendo a mamar; portanto, precisa aprender a pega correta para não ferir o peito da mãe. Se o bebê perde a pega quando está sonolento, é preciso ficar vigilante para agir antes que ele tente segurar o mamilo que escorregou com uma “mordida”. Para evitar esse problema, sugerimos que logo que o bebê começar a ficar “molinho” a mãe coloque o dedo mindinho no canto da boca do bebê, de forma que, se os lábios escorregarem, o bebê vai morder o dedo, e não o mamilo. Não tente tirar o mamilo da boca do bebê quando ele ainda está sonolento pois poderá acordá-lo, apenas mantenha o dedo no canto da boca até que o bebê termine de adormecer para depois tirar o mamilo.

Freio de língua curto

Se o bebê tem o freio curto, então ele precisa ser avaliado por um profissional, pois em muitos desses casos ele não consegue fazer a pega correta e acaba “mordendo” o peito da mãe.

Confusão de bicos

Quando o bebê usa mamadeira, chupeta, copo com bico/canudo, ou se a mãe usa bico intermediário de silicone, pode estar acontecendo problema na pega por causa desses utensílios e isso é sinal de confusão de bicos. Não importa se os bicos foram dados na saída da maternidade, se após o retorno ao trabalho ou se em ausências ocasionais da mãe - em qualquer situação há riscos. Um único uso de mamadeira, por exemplo, pode prejudicar a pega e causar mordidas. Copo de treinamento também pode prejudicar a pega, mesmo se usado sem válvula.

Nascimento de dentes

Quando os dentes nascem, a gengiva do bebê pode doer e coçar, e alguns bebês usam tudo o que estiver ao seu alcance para aliviar o desconforto, até mesmo o peito da mãe. É possível ajudar o seu bebê a aliviar o desconforto recorrendo a mordedores, picolé de leite materno e massagens com as pontas dos dedos na gengiva do bebê. É interessante oferecer esses recursos para ele se distrair durante o dia, tendo atenção especial no momento antes da mamada. Caso o dente esteja rompendo ou já tenha rompido, considere que o bebê ainda não se habituou aos novos “habitantes” da boca e pode levar algum tempo para que a pega se ajuste, portanto fique de olho na pega: peça para o bebê abrir um “bocão” quando for mamar.

Dente lascado ou quebrado 

Há casos em que o bebê quebra o dente parcialmente e ele não é restaurado de imediato, então a mãe começa a ser “mordida” pelo bebê. Depois que o dente é restaurado a sensação de mordida some - ou seja, o dente lascado estava roçando no mamilo e causava essa sensação de mordida. Se você desconfia que possa ser o seu caso, procure um dentista.

Boca ferida ou doente

É importante avaliar cuidadosamente a boca do bebê procurando qualquer situação diferente que possa estar causando incômodo. Estomatite, sapinho e aftas podem fazer com que mamar seja bem dolorido e por isso o bebê pode ter irritação ou mesmo morder o seio materno ao ser amamentado. Caso identifique marcas, feridas ou aftas na boca do bebê que causem incômodo ou dor não force a mamada. Nesse caso, é conveniente que seja oferecido leite materno ordenhado em um copo e que procure auxílio médico; assim, evita-se que o desconforto se transforme em greve de amamentação e qualquer outro dano ao bebê.

Mordidas verdadeiras
Durante a fase oral, que vai do nascimento até cerca de 18 meses, o bebê usa a boca para conhecer e experimentar o universo ao seu redor. É um momento marcado pela necessidade elevada de sucção, que deve ser saciada no seio. Por isso, alguns bebês mordem a mama da mãe e, quando já têm dentes, pode ser doloroso demais. Mesmo sendo algo característico dessa fase, isso não significa que não devemos fazer nada para tentar amenizar as ocorrências.
Se o bebê morde quando a mãe está distraída, pode ser que ele esteja usando a mordida para chamar a atenção materna. Como amenizar ou resolver o problema? Com carinho, brincadeiras, caprichar no contato olho no olho.
O bebê também sente a agitação do local e pode tentar demonstrar seu medo, agitação e insegurança com essas mordidas desagradáveis. Caso você esteja em um recinto agitado, desconhecido ou com visitas em casa, o ideal é tentar se retirar para um local mais calmo, de modo que o bebê mame mais tranquilamente.
Alguns bebês maiores podem acham entediante ficar “só mamando”, procuram mais atividades para fazerem enquanto são amamentados e, por conta disso, acabam descobrindo a “diversão” de mordiscar o mamilo da mãe enquanto mamam. Nesse caso, brinquedinhos ou colares de amamentação podem ajudar a distrai-lo e evitar mordidas.
E quando está tudo bem e o bebê simplesmente morde porque quer, ou porque acha divertido? A mãe deve tomar uma atitude para que o bebê entenda que morder não é bom, não é divertido. Não grite; tire o peito da boca do bebê introduzindo o seu dedo mindinho na lateral da boca para conseguir retirar o mamilo sem machucar mais e fale com voz firme que não é para morder. Não repreenda demasiadamente, mas também não brinque. Manter a postura séria, mesmo que o bebê sorria, faz com que o entendimento dele seja maior, pois a expressão da mãe representa muito mais para o bebê do que as palavras. Use frases curtas, sem muitas palavras, como por exemplo, "morder dói na mamãe". Por fim, espere uns minutos antes de oferecer o peito novamente. Sempre que a situação se repetir, busque ser consistente nas atitudes, repetindo continuamente a mesma ação e as mesmas palavras, se possível, pois o bebê associará "morder = sem peito". 

sábado, 21 de maio de 2016

Estou grávida e quero saber como me preparar para amamentar

Existem muitas recomendações sobre como deve ser a preparação nas mamas para a amamentação, mas são todos falsos. Você não precisa preparar suas mamas, pois elas já estão prontas: você é mamífera, seus peitos são o resultado de milhões de anos de evolução da espécie humana e foram desenhados para alimentar o seu bebê.

Não use cremes hidratantes ou lanolina na aréola e nos mamilos. Igualmente, não esfregue a mama com bucha vegetal ou com toalhas. Tudo isso pode ter o efeito contrário e deixar a pele do mamilo mais fina e sensível.

Tomar sol em qualquer parte do corpo, durante meia hora, até as 10h da manhã ou após as 16h é saudável. No entanto, expor as mamas ao sol não ajuda a evitar fissuras e não representa uma preparação para amamentar. Na verdade, considerando que a maioria das mulheres não costuma expor seus seios ao sol, isso pode até mesmo deixá-los mais sensíveis.

Não importa se seu mamilo é grande, pequeno, plano ou invertido, porque o bebê, ao mamar, não pega o bico e sim a aréola toda ou quase toda. Assim, não é necessário fazer nada para “formar bico” caso seu mamilo seja plano ou invertido. Não use conchas e não faça massagens.

Se não é necessário preparar o corpo, como se preparar para amamentar? O que você precisa preparar é a sua cabeça: estudar pelo menos um pouco sobre amamentação, especialmente sobre a pega correta, que é o que efetivamente evita fissuras. Também é interessante conhecer um pouco sobre o processo de produção de leite materno, refletir sobre alguns (pre)conceitos sobre bebês, sobre sua criação e sobre a própria amamentação.

Amamentar é da nossa espécie, mas, por motivos diversos deixou de ser uma prática habitual durante muitas décadas. Assim, deixou também de ser transmitido de mães para filhas. Por isso, o que em séculos passados se aprendia com a mãe, agora é preciso aprender por meio de outros recursos. Portanto, informe-se, pesquise, fique atenta.

Estes são alguns textos que recomendamos:

Como se preparar para amamentar com sucesso
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2014/01/como-aumentar-as-chances-de-ter-sucesso.html

Expectativas sobre bebês: parte 1 (desenvolvimento físico e sono)
https://www.facebook.com/notes/soluções-para-noites-sem-choro/expectativas-sobre-bebês-parte-1/282770681747348

Expectativas sobre bebês: parte 2 (alimentação e independência)
https://www.facebook.com/notes/soluções-para-noites-sem-choro/expectativas-sobre-bebês-parte-2-de-2/339160729441676

Cesariana eletiva e aleitamento materno: revisão sistemática com metanálise
http://estudamelania.blogspot.com.br/2012/08/cesariana-eletiva-e-aleitamento-materno.html

Indicações reais e fictícias de cesariana
http://estudamelania.blogspot.com.br/2012/08/indicacoes-reais-e-ficticias-de.html

Porque alguns sites e blogs não vão te contar que mamadeiras e chupetas causam desmame e muitos outros prejuízos
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/2015/03/porque-alguns-sites-e-blogs-nao-vao-te.html

Recomendamos que tente ler nossos arquivos e álbuns:

Índice alfabético
http://grupovirtualdeamamentacao.blogspot.com.br/p/indice-alfabetico-gva.html

Álbuns https://www.facebook.com/groups/grupovirtualdeamamentacao/photos/?filter=albums

domingo, 31 de janeiro de 2016

Infecção Mamária


Na amamentação pode ocorrer um incômodo no momento da descida do leite materno, especialmente nas primeiras semanas. É um ardor ou formigamento que passa logo, e com o tempo pode até tornar-se prazeroso ou não ser mais percebido.
 

Há situações em que a dor na amamentação é causada por pega errada (dor no início da mamada, que normalmente cede após o bebê parar de mamar), bloqueio ou entupimento de ducto lactífero (a dor pode se direcionar para um local específico da mama, pode-se notar uma bolinha branca ou amarela no mamilo), ingurgitamento mamário (dor e presença das mamas duras "empedradas"), mastite (infecção aguda da mama, geralmente associada a febre e mal estar geral) (veja mais aqui).

Porém, uma dor intensa e profunda na mama, que faz a mãe hesitar para amamentar seu bebê, pode ser sintoma de infecção mamária, mesmo sem febre ou mal estar geral.
 

Geralmente trata-se de dor/ ardência/queimação/ fisgadas que atingem não só o mamilo, mas a profundidade da mama durante e um bom tempo após a mamada.

A infecção pode ter como agentes o fungo "Candida albicans" (o mesmo do sapinho) ou bactérias, sendo a mais comum o "Staphylococcus aureus". Ela pode ser superficial, acometendo somente a pele do mamilo, ou profunda, atingindo a gordura, os ductos lactíferos e glândulas.

Mamilos úmidos (pelo uso de conchas e absorventes) e com fissuras, candidíase vaginal, uso recente de antibióticos, contraceptivos orais, corticóides, presença de sapinho na boca e assaduras por fungos nos bebês, predispõem à ocorrência de infecção por fungo. O uso de bicos artificiais (chupeta, mamadeira, chuquinha) aumenta a possibilidade de ferimentos e infecção nos mamilos por atrapalhar a pega do bebê, que mama errado e machuca os seios. Um estudo mostrou que 54% das mães com crianças menores de um mês, com mamilos fissurados e com dor moderada a grave tinham cultura positiva para "Staphylococcus aureus" (leia mais aqui). Porém, no Brasil, a infecção mamária por bactérias como causa de dor crônica na amamentação não é devidamente valorizada, e os tratamentos podem não oferecer a cobertura adequada, fadando mulheres a amamentar sentindo dores terríveis por meses, chegando a pensar no desmame por não tolerarem mais a situação.


O uso prévio e/ou prolongado de antibióticos, fissura mamilar, presença de lesões na boca do bebê, mamilo avermelhado, descamando, esbranquiçado ou com coceira, sugerem infecção por fungo. Já a história de mastite prévia (também uma infecção das mamas por bactéria, mas que produz sintomas gerais, como febre, calafrios e mal estar geral), fissura mamilar atual ou prévia, podem ser indicativos de infecção por bactérias. Nenhum desses sinais é obrigatório e, muitas vezes, o que se tem é somente a queixa de dor insuportável durante e após a mamada. Os sintomas em ambos os casos são muito semelhantes, e os agentes podem coexistir, causando infecção mista. É muito difícil saber com certeza qual o agente causador da infecção.

A cultura com antibiograma do leite materno, "swab" e raspagem da pele do mamilo geralmente não acrescentam muito valor ao diagnóstico. Em muitos casos, o exame terá resultado negativo, devido a fatores presentes no LM que inibem o crescimento de germes. O resultado negativo não exclui a possibilidade de infecção, tanto no caso de fungos (cuja cultura é lenta e difícil), como de bactérias (devido aos fatores bacteriostáticos). Portanto, ela não é determinante nem imprescindível para se fazer o tratamento, tampouco deve atrasar o seu início. E para que serviria a cultura? Para somar um dado sobre a sensibilidade do germe ao antibiótico que se está usando no tratamento. O tratamento deve ser iniciado após a coleta da amostra para a cultura, ou até mesmo na ausência dela, nos casos em que não seja possível ou se opte por não fazê-la.

O tratamento deve ser por via oral, e pode ser iniciado para um germe (por exemplo, com antifúngico) e, se em cerca de dez dias não houver nenhuma melhora, deve-se associar um tratamento que cubra o outro germe (seguindo o exemplo, antibiótico que cubra "S. aureus"). O tratamento simples (para um germe somente, caso se tenha boa resposta cobrindo aquele germe) ou combinado (caso seja necessária associação) deve ser feito até que se completem três ou quatro semanas, até remissão completa dos sintomas. Tratamentos curtos, ou que não cubram ambos os germes (no caso de não haver resposta com o primeiro tratamento), podem não ter resultados duradouros, ou até mesmo não surtir resultados, podendo levar à suspeita equivocada de fenômeno de Raynaud (causa incomum de dor mamária na amamentação, que acomete principalmente o mamilo, devido a vasoespasmo provocado pela sucção do bebê). Porém, o fenômeno de Raynaud é um diagnóstico de exclusão, ou seja, só deve ser considerado após tratamento prolongado para fungo e bactéria, sem melhora dos sintomas.




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