Mostrando postagens com marcador sapinho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sapinho. Mostrar todas as postagens

domingo, 31 de janeiro de 2016

Infecção Mamária


Na amamentação pode ocorrer um incômodo no momento da descida do leite materno, especialmente nas primeiras semanas. É um ardor ou formigamento que passa logo, e com o tempo pode até tornar-se prazeroso ou não ser mais percebido.
 

Há situações em que a dor na amamentação é causada por pega errada (dor no início da mamada, que normalmente cede após o bebê parar de mamar), bloqueio ou entupimento de ducto lactífero (a dor pode se direcionar para um local específico da mama, pode-se notar uma bolinha branca ou amarela no mamilo), ingurgitamento mamário (dor e presença das mamas duras "empedradas"), mastite (infecção aguda da mama, geralmente associada a febre e mal estar geral) (veja mais aqui).

Porém, uma dor intensa e profunda na mama, que faz a mãe hesitar para amamentar seu bebê, pode ser sintoma de infecção mamária, mesmo sem febre ou mal estar geral.
 

Geralmente trata-se de dor/ ardência/queimação/ fisgadas que atingem não só o mamilo, mas a profundidade da mama durante e um bom tempo após a mamada.

A infecção pode ter como agentes o fungo "Candida albicans" (o mesmo do sapinho) ou bactérias, sendo a mais comum o "Staphylococcus aureus". Ela pode ser superficial, acometendo somente a pele do mamilo, ou profunda, atingindo a gordura, os ductos lactíferos e glândulas.

Mamilos úmidos (pelo uso de conchas e absorventes) e com fissuras, candidíase vaginal, uso recente de antibióticos, contraceptivos orais, corticóides, presença de sapinho na boca e assaduras por fungos nos bebês, predispõem à ocorrência de infecção por fungo. O uso de bicos artificiais (chupeta, mamadeira, chuquinha) aumenta a possibilidade de ferimentos e infecção nos mamilos por atrapalhar a pega do bebê, que mama errado e machuca os seios. Um estudo mostrou que 54% das mães com crianças menores de um mês, com mamilos fissurados e com dor moderada a grave tinham cultura positiva para "Staphylococcus aureus" (leia mais aqui). Porém, no Brasil, a infecção mamária por bactérias como causa de dor crônica na amamentação não é devidamente valorizada, e os tratamentos podem não oferecer a cobertura adequada, fadando mulheres a amamentar sentindo dores terríveis por meses, chegando a pensar no desmame por não tolerarem mais a situação.


O uso prévio e/ou prolongado de antibióticos, fissura mamilar, presença de lesões na boca do bebê, mamilo avermelhado, descamando, esbranquiçado ou com coceira, sugerem infecção por fungo. Já a história de mastite prévia (também uma infecção das mamas por bactéria, mas que produz sintomas gerais, como febre, calafrios e mal estar geral), fissura mamilar atual ou prévia, podem ser indicativos de infecção por bactérias. Nenhum desses sinais é obrigatório e, muitas vezes, o que se tem é somente a queixa de dor insuportável durante e após a mamada. Os sintomas em ambos os casos são muito semelhantes, e os agentes podem coexistir, causando infecção mista. É muito difícil saber com certeza qual o agente causador da infecção.

A cultura com antibiograma do leite materno, "swab" e raspagem da pele do mamilo geralmente não acrescentam muito valor ao diagnóstico. Em muitos casos, o exame terá resultado negativo, devido a fatores presentes no LM que inibem o crescimento de germes. O resultado negativo não exclui a possibilidade de infecção, tanto no caso de fungos (cuja cultura é lenta e difícil), como de bactérias (devido aos fatores bacteriostáticos). Portanto, ela não é determinante nem imprescindível para se fazer o tratamento, tampouco deve atrasar o seu início. E para que serviria a cultura? Para somar um dado sobre a sensibilidade do germe ao antibiótico que se está usando no tratamento. O tratamento deve ser iniciado após a coleta da amostra para a cultura, ou até mesmo na ausência dela, nos casos em que não seja possível ou se opte por não fazê-la.

O tratamento deve ser por via oral, e pode ser iniciado para um germe (por exemplo, com antifúngico) e, se em cerca de dez dias não houver nenhuma melhora, deve-se associar um tratamento que cubra o outro germe (seguindo o exemplo, antibiótico que cubra "S. aureus"). O tratamento simples (para um germe somente, caso se tenha boa resposta cobrindo aquele germe) ou combinado (caso seja necessária associação) deve ser feito até que se completem três ou quatro semanas, até remissão completa dos sintomas. Tratamentos curtos, ou que não cubram ambos os germes (no caso de não haver resposta com o primeiro tratamento), podem não ter resultados duradouros, ou até mesmo não surtir resultados, podendo levar à suspeita equivocada de fenômeno de Raynaud (causa incomum de dor mamária na amamentação, que acomete principalmente o mamilo, devido a vasoespasmo provocado pela sucção do bebê). Porém, o fenômeno de Raynaud é um diagnóstico de exclusão, ou seja, só deve ser considerado após tratamento prolongado para fungo e bactéria, sem melhora dos sintomas.




quinta-feira, 26 de junho de 2014

Você tem ou teve "sapinho"? - NOVOS DADOS

Tópico criado originalmente no Orkut, em 18/11/2008, pela Luciana Freitas
Fiz aqui uma compilação do post inicial do tópico e das respostas dadas por ela às dúvidas das mães. Deve ajudar muitas que têm "sapinho" e não conseguem melhorar com o tratamento "clássico" de anti-fúngico no seio e na boquinha do bebê.



Meninas,

Fala-se muito de sapinho (cândida, monilíase) no seio da mulher que amamenta. Quando a mama queima, dá fisgadas após as mamadas e os mamilos estão vermelhos e brilhantes, algumas vezes com fissuras, costuma diagnosticar-se o sapinho, que é uma infecção pelo fungo Candida albicans.

Eu mesma já cansei de levantar a possibilidade de sapinho aqui no GVA. Vi vários casos renitentes, que não se curavam ou que retornavam uns tempos depois.

Pois bem, acabo de receber novas informações que colocam tudo isso por terra! Faço parte de uma lista de discussão argentina sobre amamentação e estes dias o sapinho entrou em debate. Para minha surpresa, o que se discute é que raramente esses casos de dor na mama são infecção por Candida albicans! Na verdade, três integrantes de grupos de apoio à amamentação na Argentina e na Espanha mencionaram que em anos de funcionamento nunca tiveram um resultado de cultura positiva para Candida! O que costumam encontrar é infecção bacteriana, com destaque para o Estafilococo aureus. Recebi um texto sobre o assunto, mas está em espanhol. Vou traduzir assim que puder.
Depois disso, o que eu faria caso tivesse os sintomas supostamente de sapinho? Pediria ao médico uma cultura. Só ela pode detectar com precisão o causador do problema. Se ele insistisse em tratamento contra a Candida eu faria o exame sem o pedido. O plano de saúde não pagaria, mas sairia mais barato que 5 latas de Nan . Não esqueçam que essas infecções podem, infelizmente, arruinar com a amamentação!

Bjs
Luciana

Ai, gente, desculpa, mas tô muito enrolada mesmo! O resumo do artigo original, escrito em inglês, está aqui:
 A tradução ao espanhol está aqui:

Como disse no primeiro post, soube dessa discussão pela lista hispânica de amamentação. O que disseram por lá e eu confirmei pesquisando por conta própria é que o S. Aureus (e a Candida Albicans também) é da flora cutânea, mas que é altamente patogênico, cabe ao médico que faz o exame detectar se a quantidade encontrada é normal ou não.
O que se discute é exatamente essa suposta facilidade de se diagnosticar a Candida, pois com isso se dá por encerrado o assunto e muitas mães ficam meses lutando contra o inimigo errado, inclusive desmamando por causa disso. Por exemplo, os grupos de apoio à amamentação na Espanha sempre enviam material para cultura em casos de dor mamilar para um professor da Universidad Complutense especialista no assunto e o resultado até agora é ZERO Candida!

Eu também nunca tive infecção nos seios, mas depois de ter lido tudo isso, não me trataria sem uma cultura. Os dados são contundentes: em 4000 amostras, recolhidas em 8 anos, apenas 4 foram de fungos (nenhum deles de C. Albicans, que seria o sapinho). A infecção é por bactéria mesmo e precisa ser tratada com antibiótico.

O bom é recolher um pouco de leite e esfregar um swab no peito tb. Vc precisa explicar mesmo, porque as infecções mamárias são tão banalizadas como "sapinho" que isso não é feito nunca, mesmo em cidades grandes.

Com o resultado, o médico receitará o ATB certo e a melhora é rápida, em 2/3 dias vc já deve sentir uma melhora.
Essa bactéria, como as outras causadoras das mastites infecciosas, são da flora da nossa pele. Por alguma razão, uma delas se desenvolve além do normal e causa o problema.

Os dois artigos principais sobre o assunto agora estão online:
e

Não é indicada a suspensão da amamentação. Continue dando o peito.

Temos que colocar o "sapinho" assim, entre aspas. O sintoma de infecção é dor, acompanhada ou não de fissuras, vermelhidão, endurecimento, febre, pus etc.

O grande problema dessa infecção é exatamente isso: não tem os sintomas da mastite "clássica", com febre etc. No entanto, até aqui no Brasil já se falava dela há algum tempo, embora não com tanta pesquisa envolvida.

Uma das maiores especialistas em aleitamento, principal assessora do MS para a área fala de infecção por S. Aureus neste artigo:
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...