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terça-feira, 29 de março de 2016

Como fica a menstruação durante a amamentação




A menstruação é uma questão que varia muito de mulher para mulher.

Algumas menstruam regularmente ainda nos primeiros meses do bebê, ainda que amamentem em livre demanda, enquanto outras só voltam a menstruar após o desmame total.
Os dois extremos e tudo que se inclui entre esses dois extremos é normal.

As mulheres que amamentam e usam anticoncepcional (os que são compostos apenas por um hormônio, as chamadas "mini pílulas") têm sangramento chamado sangramento de escape, que não é uma menstruação verdadeira, devido ao anticoncepcional.

O mais importante é: leite não seca por causa da menstruação. Fique tranquila!


Se eu começar a ordenhar minha produção de leite vai aumentar? Se eu ordenhar para doação vai faltar leite para o meu bebê? Se eu parar de fazer ordenhas meu leite vai secar?


Por Fernanda Rezende Silva
Revisão: Leidiana Pereira, Bia Ferreira, Luciana Freitas




Estas perguntas são muito frequentes e causam preocupação nas mães, principalmente nas mães de bebês novinhos, que mal conseguem tempo para comer ou tomar um banho (imagine se ainda tiverem que pensar em ordenha como obrigação). Porque uma mãe se preocupa em aumentar a sua produção de leite? Será que a produção realmente está baixa (1)? Não faz sentido produzir leite para sobrar, e um bebê não vai mamar mais só porque estão lhe oferecendo mais leite: se ele se satisfaz com 150ml de LM em uma mamada, ele não vai mamar mais que isso, mesmo se sua mãe estiver produzindo 300ml, da mesma forma que um adulto não comeria 2kg de comida (mesmo diante de uma mesa farta) se no seu estômago só cabem 500g.
Vamos imaginar então que uma mãe tenha necessidade real de aumentar a produção de leite (por exemplo, para fazer um estoque para a volta ao trabalho), então ela questiona: "Se eu ordenhar minha produção vai aumentar?". Para responder esta e as outras questões sobre ordenha primeiro é preciso entender como funciona a produção de leite.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Sensação de pouco leite

Por: Diana Cassar-Uhl, MPH, IBCLC
Tradução: Gabriela de O. M. da Silva

(…)
As preocupações das mães, que as levam a parar de amamentar antes do tempo recomendado, podem estar relacionadas com as expectativas que elas têm a respeito de como os bebês se comportam. Após várias gerações de bebês alimentados com mamadeiras, as famílias perderam a habilidade de passar adiante o conhecimento a respeito de como um bebê amamentado normalmente se comporta. Sem saber a respeito de quanto tempo um bebê normal e sadio pode ficar sem mamar, como são realmente os padrões típicos de sono dos recém-nascidos, e o que os bebês fazem quando começam a sentir fome (antes de chorar, pois o choro é um sinal tardio de fome) as mães podem ter dificuldade em se manterem confiantes que seus corpos serão capazes de produzir leite suficiente. 
 
Os bebês alimentados com fórmulas comumente espaçam mais os horários de alimentação ou dormem por mais tempo do que aqueles que tomam leite humano, pois os leites não-humanos são mais difíceis para o bebê digerir. As mães podem então entender essa necessidade normal de amamentar com frequência, especialmente durante a noite, como um sinal de que o leite delas não é adequado, tanto em qualidade como em quantidade. Isso pode levar ao uso precoce e desnecessário de suplementos, e finalmente causar uma queda real na produção de leite: o bebê dorme por mais tempo enquanto digere as proteínas da fórmula, e o corpo da mãe não recebe o sinal de que mais leite precisa ser produzido(Walker, 2007). 
 
Esses mal entendidos, talvez resultado de falta de informações a respeito do comportamento normal dos bebês ou de um apoio local à amamentação, frequentemente levam a mãe a perceber um problema na amamentação ou produção de leite que na verdade não existe.
 
 

Sensação de Pouco Leite


A sensação de baixa produção de leite, também chamada Sensação de Leite Insuficiente (Neifert & Bunik,2013), acontece quando uma mãe produz leite suficiente para o seu bebê, mas acredita que não, frequentemente porque ela associa incorretamente comportamentos normais do bebê a fome ou insatisfação com o peito.
Vários fatores podem contribuir para essa sensação de pouco leite. Influências sócio-culturais, como uma avó preocupada e insistente que pensa que o bebê “acabou de mamar” então não pode estar precisando ser alimentado novamente, podem diminuir a confiança da mãe em sua capacidade de satisfazer o apetite do bebê. Manejo incorreto da amamentação, utilizando horários fixos para amamentar, que é encorajado por alguns programas de “treinamento para bebês”, pode também atrapalhar a sensibilidade da mãe em entender as necessidades do bebê, uma vez que a ensinam a ver pelo relógio se é hora de amamentar, e não a observar os sinais de fome do filho. 
 
A fisiologia da amamentação, como a mulher acreditar que suas mamas são grandes o bastante, ou se o peito vaza leite, se está endurecido e pesado, ou sente a “descida do leite” quando ele começa a ser produzido, também podem afetar a percepção da mãe a respeito da sua habilidade de produzir leite, apesar de todos esses fatores não serem indicativos da produção de leite. 
 
O estado psicológico da mulher, principalmente se ela estiver deprimida ou ansiosa a respeito de sua capacidade de cuidar do bebê que ela gerou, também pode contribuir para a sensação de baixa produção (Dykes & Williams, 1999). Sem o apoio qualificado, competente e consistente da amamentação em cada comunidade, é difícil saber verdadeiramente quantas mães lutam contra essa sensação de leite insuficiente, ou uma impossibilidade real de amamentar exclusivamente o bebê. 
 
Pesquisas indicam que existe sim uma relação entre o temperamento considerado “difícil” de um bebê e pouco entendimento a respeito dos sinais do bebê (McMeekin, Jansen, Mallan, Nicholson, Magarey, & Daniels, 2013)—um bebê que é muito inquieto ou choroso pode ser considerado faminto, mesmo quando não estiver, e sua mãe pode acabar concluindo que é incapaz de produzir leite suficiente para ele. Apesar de nem sempre sabermos se a mãe produz leite suficiente com a intervenção e apoio competentes, a Sensação de Leite Insuficiente, incluindo preocupação quanto à produção e se o bebê está crescendo o necessário, tem aparecido constantemente entre as razões mais comuns para as mães introduzirem complemento com fórmulas infantis ou mesmo parar de amamentar completamente (Li, Fein, Chen, & Grummer-Strawn, 2008;Gatti, 2008; Ahluwalia, Morrow, & Hsia, 2005).

Enquanto continuamos a identificar fatores de risco para a insuficiência real de leite (variações na anatomia oral do bebê, hipoplasia mamária ou desenvolvimento glandular insuficiente, índice alto de massa corpórea antes da gravidez , resistência à insulina, ou outras disfunções hormonais), é importantíssimo que as mães, acreditem ou não que estejam no grupo de risco, encontrem apoio adequado à amamentação antes mesmo do nascimento dos bebês. Uma aula pré-natal a respeito de amamentação pode ensinar as famílias a reconhecer quando a amamentação está indo bem ou não. Obter ajuda qualificada e competente o mais breve possível, pode fazer uma grande diferença na produção de leite, seja o problema resultado de informações incorretas a respeito do comportamento normal dos recém-nascidos, ou uma dificuldade real na amamentação.


 

Fontes:

Is Your Milk Supply Really Low? @ 
Ahluwalia, I. B., Morrow,B., & Hsia, J. (2005). Why do women stop breastfeeding?Findings from the Pregnancy Risk Assessment and Monitoring System. Pediatrics, 116(6),1408–1412.
Centers for Disease Controland Prevention. (2012). Breastfeeding report card 2012, United States:Outcome indicators. Retrieved from http://www.cdc.gov/breastfeeding/data/reportcard2.htm
Dykes, F. & Williams,C. (1999).  Falling by the wayside: aphenomenological exploration of perceived breast-milk inadequacy in lactatingwomen.  Midwifery,15(4), 232-246.
Ezzo, G. & Bucknam, R.(1995). On becoming babywise. Parent Wise Solutions, Inc.
Ezzo, G. & Ezzo, A. M. (1993). Growing kids God’s way. Growing Families International Press.
Gatti, L. (2008). Maternal perceptions of insufficientmilk supply in breastfeeding. Journal of Nursing Scholarship, 40(4), 355-363.
Li, R., Fein, S. B., Chen,J., & Grummer-Strawn, L. M. (2008).  Why mothers stop breastfeeding:mothers’ self-reported reasons for stopping during the first year.  Pediatrics, 122(Supp.2), S69-S76.
McMeekin, S., Jansen, E.,Mallan, K., Nicholson, J., Magarey, A., & Daniels, L. (2013). Associations between infanttemperament and early feeding practices:  A cross-sectional study ofAustralian mother-infant dyads from the NOURISH randomised controlled trial. Appetite, 60(1), 239-245.doi: 10.1016/j.appet.2012.10.005
Neifert, M. R. & Bunik,M. (2013). Overcoming clinical barriers toexclusive breastfeeding. Pediatric Clinics of North America, 60(1), 115-145. doi:10.1016/j.pcl.2012.10.001
Odom, E. C., Li, R.,Scanlon, K. S., Perrine, C. G., & Grummer-Strawn, L. (2013). Reasons for earlier than desiredcessation of breastfeeding.Pediatrics,131, e726-e732. doi:10.1542/peds.2012-1295
Walker, M. (2007). Breast-feeding: Good starts, goodoutcomes. Journalof Perinatal and Neonatal Nursing, 21(3), 191-197.

Sobre a Autora:

Diana Cassar-Uhl, MPH, IBCLC, tem apoiadofamílias e profissionais de saúde na amamentação desde 2005  como uma Líder na La Leche League, IBCLC,instrutora de amamentação e pesquisadora. Escreveu “FindingSufficiency: Breastfeeding with Insufficient Glandular Tissue,” quesera publicado pela editora PraeclarusPress  em julho de 2014. Apesar das vida acadêmica e carreira amanterem em Washington, DC, Diana mora em Nova York, com o marido e três filhos.



Link para o original em Inglês:

sexta-feira, 18 de julho de 2014

PRODUÇÃO DO LEITE MATERNO

Saiba como o leite materno é produzido em nosso organismo. Entenda qual é o papel da prolactina e a ocitocina na amamentação. Tudo começa durante a gravidez, e muitos fatores podem influenciar o aleitamento.

As mulheres adultas possuem, em cada mama, entre 15 e 25 lobos mamários, que são glândulas túbulo-alveolares constituídas, cada uma, por 20 a 40 lóbulos. Estes, por sua vez, são formados por 10 a 100 alvéolos. Envolvendo os alvéolos, estão as células mioepiteliais e, entre os lobos mamários, há tecido adiposo, tecido conjuntivo, vasos sangüíneos, tecido nervoso e tecido linfático.

O leite produzido nos alvéolos é levado até os seios lactíferos por uma rede de
ductos. Para cada lobo mamário há um seio lactífero, com uma saída independente no mamilo.

A mama, na gravidez, é preparada para a amamentação (lactogênese fase I) sob a ação de diferentes hormônios. Os mais importantes são o estrogênio, responsável pela ramificação dos ductos lactíferos, e o progestogênio, pela formação dos lóbulos. Outros hormônios também estão envolvidos na aceleração do crescimento mamário, tais como lactogênio placentário, prolactina e gonadotrofina coriônica. Apesar de a secreção de prolactina estar muito aumentada na gestação, a mama não secreta leite nesse período graças a sua inibição pelo lactogênio placentário.

Com o nascimento da criança e a expulsão da placenta, há uma queda acentuada nos níveis sanguíneos maternos de progestogênio, com conseqüente liberação de prolactina pela hipófise anterior, iniciando a lactogênese fase II e a secreção do leite. Há também a liberação de ocitocina durante a sucção, hormônio produzido pela hipófise posterior, que tem a capacidade de contrair as células mioepiteliais que envolvem os alvéolos, expulsando o leite neles contido. A produção do leite logo após o nascimento da criança é controlada principalmente por hormônios e a “descida do leite”, que costuma ocorrer até uma semana depois do dia do parto, ocorre mesmo se a criança não sugar o seio. Esse é um período critico para a amamentação já que podem aparecer algumas dificuldades associadas ao estado emocional da mãe, à pega errada que leva aos bicos rachados e mamilos doloridos.

Após a “descida do leite”, inicia-se a fase III da lactogênese, também denominada galactopoiese. Essa fase, que se mantém por toda a lactação, depende principalmente da sucção do bebê e do esvaziamento da mama. Quando, por qualquer motivo, o esvaziamento das mamas é prejudicado, pode haver uma diminuição na produção do leite, por inibição mecânica e química. O leite contém os chamados “peptídeos supressores da lactação”, que são substâncias que inibem a produção do leite. A sua remoção contínua com o esvaziamento da mama garante a reposição total do leite. A prolactina tem um ritmo circadiano, apresentando pulsos de produção durante a noite, durante o sono e enquanto o estímulo de sucção seja mantido. Durante as primeiras seis semanas a prolactina estimula o aparecimento de novos receptores nas células secretoras do leite, tempo no qual o corpo da mãe está se ajustando a demanda do bebê e os níveis de prolactina aumentam.  Se a mãe não amamenta em 2-3 semanas os níveis basais de prolactina descem aos níveis anteriores à gravidez.

Grande parte do leite de uma mamada é produzida enquanto a criança mama, sob o estímulo da prolactina, porém só consegue ser ejetada sob o estimulo da ocitocina, responsável pela contração dos alvéolos carregados de leite.
A ocitocina é liberada principalmente pelo estímulo provocado pela sucção da criança, mas também é disponibilizada em resposta a estímulos condicionados, tais como visão, cheiro e choro da criança, e a fatores de ordem emocional, como motivação, autoconfiança e tranquilidade. Existem receptores de ocitocina no tecido mamário, uterino e vaginal, eles aumentam durante o terceiro trimestre de gravidez e depois do parto, o que favorece a sensibilidade à ocitocina secretada durante a amamentação. A ocitocina provoca contrações uterinas que favorecem a recuperação do útero ao seu estado basal depois do parto, contribuem para aumentar o prazer sexual durante o orgasmo, diminuem as respostas hormonais frente ao estresse e influenciam o comportamento maternal permitindo que o vínculo mãe/filho seja estabelecido.

A dor, o desconforto, o estresse, a ansiedade, o medo, a insegurança e a falta de autoconfiança podem inibir a liberação da ocitocina, prejudicando a saída do leite da mama. Algumas situações estressantes associadas ao parto, técnica defeituosa de sucção, obesidade, prematuridade, baixo peso do RN entre outras podem contribuir para o retraso da descida do leite.  

Nos primeiros dias após o parto, a secreção de leite é pequena, menor que 100ml/dia, mas já no quarto dia a nutriz é capaz de produzir, em média, 600ml de leite. Mesmo que não consiga nada na ordenha o bebê com sua sucção consegue extrair o Leite materno.

Na amamentação, o volume e a composição de leite produzido variam, dependendo do quanto a criança mama e da frequência com que mama. Quanto mais volume de leite e mais vezes a criança mamar, maior será a produção de leite. Uma nutriz que amamenta exclusivamente produz, em média, 800ml por dia no sexto mês. Em geral, uma nutriz é capaz de produzir mais leite do que a quantidade necessária para o seu bebê.


Resumo
- O funcionamento correto da mama depende tanto do sistema hormonal materno como do esvaziamento da mama.
- Prolactina e ocitocina são hormônios fundamentais para a amamentação. A sucção é o mecanismo mais importante para regular a produção do leite.
- Quando não há correto esvaziamento das mamas os peptídeos supressores da lactação freiam a produção de leite.
- A sucção precoce e frequente das primeiras semanas favorece o sucesso da amamentação.
- Qualquer fator que possa estressar a mãe ou o bebê pode afetar o sucesso da amamentação.


Referências

-Asociación española de pediatría. Manual de lactancia materna. De la teoría a la práctica. 2009. Editorial medica pan-americana.

-MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Atenção à Saúde Departamento de Atenção Básica. SAÚDE DA CRIANÇA: Nutrição Infantil Aleitamento Materno e Alimentação Complementar. Série A. Normas e Manuais Técnicos Cadernos de Atenção Básica – n.º 23. 2009.
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