Por Maria Birman Cavalcanti
Revisão: Luciana Freitas
O
leite materno é composto principalmente de água, carboidratos, lipídios
e proteínas, além de vitaminas, minerais e componentes imunológicos. No
seio há células que literalmente produzem os componentes do leite sob
demanda (estímulo), mas a água do leite vem do sangue da mãe. O sangue é
"filtrado", e apenas a parte líquida (o plasma) chega nos alvéolos das
glândulas lactíferas, para diluir os componentes nutritivos produzidos
pelo corpo materno. Esses componentes nutritivos seguem uma "receita"
específica, que praticamente não se altera. Por isso o leite materno
sempre tem qualidade e composição adequadas para o bebê, independente da
dieta da mãe. Entretanto, junto com o plasma, chega ao leite uma
amostragem bem pequena das coisas que a mãe consumiu e absorveu.
Uma
porcentagem microscópica de todas as proteínas que chegam na nossa
corrente sanguínea pode chegar ao leite materno. As proteínas são
variadas e sua concentração é muito baixa, e isso é benéfico, pois
estimula o sistema imunológico do bebê. Não há quantidade suficiente
para provocar uma reação intestinal, como gases, dores ou "cólica", a
não ser que o bebê já tenha sensibilidade para alguma proteína
específica (como no caso da APLV).
A dieta da mãe não interfere no funcionamento das células da glândula
lactífera, portanto, a "receita" do leite materno nunca muda: ele é
sempre forte, perfeito e sustenta! A dieta para APLV não muda a
composição do leite materno, só tira a proteína do leite de vaca
circulante no sangue da mãe, pois ela deixa de consumir leite de vaca,
derivados e traços.
E os alimentos que causam gases na mãe, por exemplo, feijão - o pouco que passa para o leite pode afetar o bebê? Alimentos que causam gases não têm esse efeito devido às suas proteínas, mas sim devido a carboidratos específicos - e esses são totalmente degradados, absorvidos ou excretados nos intestinos. Eles não chegam à corrente sanguínea, por isso não passam pelo leite materno e não causam gases no bebê.
Referências:
GONZÁLEZ, Carlos. Manual Prático de Aleitamento Materno. São Paulo: Editora Timo, 2014,p.46 e 47.
Ballard O1, Morrow AL. Pediatrics Clinics of North America 2013 Feb;60(1):49-74.Human milk composition: nutrients and bioactive factors.
(Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3586783/).
Mostrando postagens com marcador AME. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador AME. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
A alimentação da mãe pode causar cólicas e gases no bebê?
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Manual para aleitamento de prematuros
Olá, meninas
Ultimamente tenho visto alguns posts de mães de bebês prematuros, assim como a minha pequena Mônica, que nasceu de 32 semanas de gestação.
Por isso, vou postar aqui material sobre nossos pequenos, pois ainda é difícil encontrar na internet material confiável, de acordo com os princípios dessa comunidade, e que tragam informações além das que já sabemos: que se o LM é importante pra bebês nascidos a termo, mais ainda para os prematuros.
Com isso, posto o link pra o "Manual instrucional para aleitamento materno de recém-nascidos pré-termo", de autoria de:
Angela Midori Matuhara (Enfermeira da UCINE –Unidade de Cuidados Intensivos Neonatal do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo) e Masuco Naganuma (Professor-adjunto do Departamento de Enfermagem da UNIFESP)
Os trechos mais relevantes para nós, pois ele faz parte de uma Dissertação de Mestrado ( então não vai "direto ao ponto") são os que destaco abaixo.
Beijos a todas e força para seguirmos nossos instintos de mamíferas :o)
Gabriela Silva
Manual instrucional para aleitamento materno de recém-nascidos pré-termo*
Introdução
O aleitamento materno de prematuros (RNPT) é menos frequente que o de recém-nascidos de termo, devido à imaturidade das crianças e aos distúrbios que costumam apresentar após o nascimento. Estas limitações, porém, não constituem um obstáculo definitivo, e alguns programas de estímulo à prática da amamentação de prematuros têm logrado aumentar significativamente a taxa de amamentação. De modo geral, estas crianças permanecem por períodos prolongados nas unidades neonatais, onde o estímulo à prática da amamentação deve ter início.
A partir destas constatações e da falta de um programa estruturado de ensino dirigido às mães de prematuros quanto ao valor e à prática da amamentação, foi redigido um manual específico. O manual, descrito na seqüência do texto, contém informações encontradas na literatura, e tem como objetivo a programação e estímulo ao aleitamento nas Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) e serviços ambulatoriais que atendam aos prematuros. O manual foi utilizado em caráter experimental por enfermeiras em uma UTIN, como relatado no artigo seqüente desta Revista, e poderia ser utilizado por outros profissionais da área da saúde.
Primeira sessão – a importância do leite materno
O leite materno é o alimento ideal para o bebê, fundamental para a saúde e desenvolvimento da criança, devido às vantagens nutricionais, imunológicas e psicológicas, além de originar proveito para a mãe. O RNPT tem necessidades nutricionais especiais decorrentes de sua velocidade de crescimento e de sua imaturidade funcional.
Vantagens nutricionais: segundo o Ministério da Saúde(2001), o leite materno contém todos os nutrientes que um recém-nascido de termo necessita para os 4-6 meses de vida.
Em relação aos prematuros:
O leite materno oferece maior quantidade de proteína e tem relação caseína/lactoalbumina mais adequada do que o leite de vaca, 30% na forma de caseína e 70% de lactoalbumina. A fração lactoalbumina é digerida com mais facilidade, promovendo o esvaziamento gástrico mais rápido.
• O leite materno contém hidratos de carbono constituídos por lactose e oligossacarídeos. A capacidade de absorção da lactose pelo prematuro é
superior a 90%. Os oligossacarídeos são polímeros de hidratos de carbono com estrutura que mimetiza receptores antigênicos bacterianos, estimula o sistema imune e, assim, protege a mucosa da ação de bactérias.
• O leite materno tem lipídios que constituem 50% do teor calórico ofertado e composição particularmente adequada ao metabolismo do prematuro. A digestão e a absorção dos lipídeos são facilitadas pela estruturação da gordura em glóbulos, pela composição de ácidos graxos, elevada em ácido palmítico, oléico, linoléico e linolênico, e pela presença de lipase no próprio leite, cuja ação é estimulada pelos sais biliares. Adicionalmente, o leite humano contém ácidos graxos de cadeia longa, como o ácido araquidônico e o docosaexaenóico, que estão associados à cognição, ao crescimento e à visão. Os ácidos graxos ômega 3 do leite materno são essenciais para que haja desenvolvimento normal da retina, em especial nos RN de muito baixo peso. Estes ácidos, juntamente com as substâncias antioxidantes vitamina E, β-caroteno e taurina, podem explicar a proteção oferecida pelo leite materno contra o desenvolvimento da retinopatia da prematuridade.
• O leite materno contém vitamina A, importante na proteção do epitélio respiratório quanto à displasia broncopulmonar. A quantidade é maior no leite de mães de prematuros do que nas de RN a termo entre o 6º e o 37º dias de vida, com posterior redução. A concentração de vitamina D no leite de mães
Marcadores:
aleitamento,
aleitamento materno exclusivo,
amamentação,
amamentação exclusiva,
AME,
manual,
pré-termo,
prematuridade,
prematuro,
recém-nascido,
RN,
RNPT
sábado, 28 de junho de 2014
Icterícia e leite materno
(Texto postado originalmente no GVA do Orkut, por Luciana Freitas)
Informações sobre icterícia retiradas de "Un regalo para toda la vida", de Carlos González:
- é normal o bebê amamentado ter icterícia. Pode ficar amarelado por até 3 meses, sem necessidade de tratamento, pois se trata de um fenômeno fisiológico, que afeta até 60% dos bebês;
- isso acontece não POR CAUSA do leite materno, mas POR FALTA dele. RNs que mamam pouco fazem menos cocô e, por isso, demoram mais a expelir a bilirrubina, que é o que produz o amarelão;
- se após alguns dias não houver melhora e o bebê estiver muito amarelo, é preciso fazer um exame para verificar o nível de bilirrubina. Se estiver alto (entre 20 e 25), é preciso fazer fototerapia; se não, repetir o exame em dois ou três dias para verificar se está baixando. Se estiver baixando, esperar melhora sem tratamento;
- se a bilirrubina estiver acima de 20, é preciso fazer fototerapia (banho de sol não adianta nada); acima de 25, fazer exsanguíneo;
- se persistir, pode ser uma doença chamada Síndrome de Gilbert;
- há icterícia patológica também por problemas enzimáticos, incompatibilidade de RH e outros;
EM NENHUM CASO DE ICTERÍCIA É PRECISO SUSPENDER O ALEITAMENTO MATERNO. Trata-se de um procedimento antiquado e ineficaz.
Artigos recomendados:
Icterícia Neonatal
Management of Hyperbilirubinemia in the Newborn Infant 35 or More Weeks of Gestation
http://pediatrics.aappublications.org/content/114/1/297.full
http://pediatrics.aappublications.org/content/114/1/297.full
Tratamento da icterícia neonatal
10 Motivos que comprovam a importância da pega correta do bebê ao mamar
Por Priscilla Pereira, Terça, 12 de março de 2013 às 17:37
1- Forma o bico do seio naturalmente, até mesmo bicos planos ou invertidos;2- Evita fissuras e mastites consequentes;3- Aliado a oferecer o seio em livre demanda e exclusivamente aos primeiros sinais de fome do bebê, garante que ele mame as três etapas do leite, fundamentais para hidratação e nutrição;4- Dispensa o uso de chupetas pois promove sucção não nutritiva, importante para saciar necessidades da fase oral do bebê;5- Promove a produção de leite de acordo com a necessidade;6- Evita gases e cólicas7- Possibilita que a mãe amamente em diversas posições, inclusive deitada.8- Dispensa o uso de mamadeiras e leite artificiais em praticamente todos os casos, pois o bebe ficará satisfeito com seu leite preferido.9- Melhora o vinculo mãe-bebê: mãe confiante e bebê tranquilo, convivendo em harmonia num ciclo delicado.10- Confirma que amamentar é um ato natural, prazeroso , de muito amor e sem invenções modernas.
Vídeo aula sobre pega correta:
Marcadores:
aleitamento materno exclusivo,
amamentação,
amamentação exclusiva,
AME,
bebê,
bico,
cólicas,
corrigir a pega,
fissuras,
gases,
invertido,
livre demanda,
pega,
pega correta,
peito,
plano,
vínculo
A importância da correção da pega
Amamentação: estudo português premiado no V Congresso Espanhol de Aleitamento Materno distingue trabalho que corrige a forma como o bebé "pega" na mama
Um estudo português sobre os benefícios de corrigir a forma como um bebé "pega" na mama da mãe quando está a ser amamentado acaba de ser distinguido em Espanha como o melhor sobre a temática do aleitamento materno, refere a Lusa.
O trabalho foi premiado no V Congresso Espanhol de Aleitamento Materno, que decorreu este mês em Múrcia com mais de 700 participantes de vários países.
O estudo conclui que a correção da pega do bebé à mama na primeira mamada aumenta significativamente a duração do aleitamento materno, disse a principal autora, Adriana Pereira.
A investigação envolveu 60 pares de mães e respectivos bebés da região do Vale do Ave, tendo sido feita a observação e avaliação da primeira mamada logo após o parto.
Os bebés foram divididos em dois grupos: num deles uma enfermeira intervinha para corrigir a pega sempre que o bebé apresentava uma ou mais dificuldades, no outro, que serviu de comparação, não havia qualquer intervenção, seguindo-se as rotinas do serviço.
Passados seis meses, os bebés com a primeira pega correta mamaram em média 157 dias, em comparação com apenas 15 dias no caso de pega incorreta, ou seja, os primeiros mamaram em exclusivo 11 vezes mais dias do que os do outro grupo.
Esse êxito «é benéfico não só para a saúde da mãe e do bebé, como para a família, a sociedade e o meio ambiente, segundo atestam todos os estudos científicos até agora realizados», sublinhou.
Nesse sentido, a autora considera muito importante que as mães conheçam e saibam identificar os sinais de pega correta para ajudarem os próprios bebés.
"Às vezes as mães não sabem sequer se o bebé está a mamar, ou pensam que está, mas de maneira incorreta", afirmou.
Adriana Pereira explicou que "o bebé deve ficar com a boca bem aberta quando está a mamar, com o lábio inferior virado para fora e com o queixo a tocar na mama".
Além disso, a auréola (parte escura da mama) "deve ver-se mais acima da boca do que abaixo, e habitualmente as bochechas ficam arredondadas e não chupadas para dentro".
O estudo constatou que 50 por cento dos bebés da amostra tiveram dificuldade na pega durante a primeira mamada, um problema facilmente corrigível através da intervenção da mãe.
Por isso o estudo recomenda a intervenção dos profissionais de saúde ao nível dos Cuidados de Saúde Pré-Natais para ensinar às mães a técnica correta da amamentação e os sinais identificadores da pega correta.
O estudo, feito no âmbito do doutoramento de Adriana Pereira em Ciência Biomédicas pela Universidade do Porto, em 2005, está publicado num livro intitulado "Aleitamento materno - a importância da correcção da pega no processo da amamentação - resultados de um estudo experimental", editado pela Lusociência em 2006.
Adriana Pereira é membro fundador do Comité Nacional para o Aleitamento Materno e formadora nesta área para a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a UNICEF.
Fonte:
Postado por Sandra Cp (moderadora)
sexta-feira, 27 de junho de 2014
10 Maiores erros que as mães que querem amamentar cometem
Para algumas mulheres, parece que amamentar é simples, claro e óbvio. Mas para outras, cada dia de amamentação é uma vitória, cada gota de leite materno é uma batalha e o ato por si só é carregado de imagens de falhas, tristeza e toneladas de lágrimas e frustações.
A mãe Laila, que tem uma menina mais nova e um menino mais velho, disse que cometeu um erro tremendo com seu filho ao ordenhar LM e colocar numa mamadeira para seu marido oferecê-lo. Rapidamente ele preferiu as mamadeiras, e então ela teve que ordenhar por todo um ano para que ele tomasse LM, pois rejeitou o seio.
Há algumas poucas razões que impedem a mulher realmente de amamentar, mas a vasta maioria é capaz de fazê-lo sim com sucesso. O problema é que muitas pessoas não sabem muito do ato de amamentar, acham que é natural e acontecerá facilmente ou que alguém lhes ensinará no hospital. Até existem alguns profissionais da saúde que ajudam, mas os segredos e erros ninguém ensina, ao menos que você leia alguns livros sobre o tema.
Seguem então 10 maiores erros da amamentação:
1. Não pedir ajuda: Amamentar é natural e é a maneira mais básica do seu bebê se alimentar, mas não é fácil para muitas mulheres. Consultoras de lactação existem por uma razão. Se você não pode pagar uma, então peça ajuda de amigas que já amamentaram. Elas podem dar dicas de como aumentar a produção de LM, como tratar seios doloridos, como se certificar de que o bebê está mamando suficiente, e todas outras dúvidas que você tem. Elas já passaram por isso também.
2. Assumir que você não tem leite suficiente: Seus seios foram feitos para amamentar seu bebê. Não fique paranóica e desista porque parece que seu bebê está com muita fome. Bebês tem fome, muita fome! Seu trabalho principal é mamar. E mamar. E mamar.
3. Ter medo de amamentar em publico: Não se preocupe com o povo que adora julgar e falar asneiras que não gosta de mães que amamentam em público. Se isso te incomoda mesmo, use um paninho para se cobrir. Mas não assuma que eles- e seu orgulho e julgamentos - estão certos.
Eles não estão. Você está. Tenha confiança nisso.
4. Achar que não pode amamentar porque trabalha fora: Eu tive sorte de amamentar ambos meus filhos por 1 ano e 2 anos e meio quando estava em casa com eles, mas muitas mães que trabalham fora conseguem continuar amamentando, ordenhando LM com auxílio de bombas, estocando e o cuidador (a) oferecendo ao bebê Dá certo com muitas mulheres, e isto é feito em vários lugares do mundo.
5. Desejo de ‘incluir’ o pai: Certamente que você deve incluir o pai! Deixe-o segurar o bebê e trazê-lo para você amamentar. Mas somente a mãe pode fazer leite materno e LM é a melhor coisa para o bebê. Não caia na armadilha da mamadeira porque o pai quer ‘fazer parte de tudo’. Sua produção de LM vai diminuir e você pode ter não conseguir amamentar.
6. Não ensinar seu marido: Só porque o pai não pode amamentar, não significa que ele não pode ser parte. Meu marido anotava o tempo que nosso bebê mamava, dormia, o xixi e coco e isso nos ajudou nas consultas com o pediatra. E também me ajudou a lembrar qual peito que foi o último que o bebê mamou quando estava muito exausta e sonolenta.
7. Se deixar influenciar por ‘bullying’: Há muitas pessoas negativas em todo lugar. Vão te falar que seu bebê está muito velho para amamentar (com 7 meses!!), que seu bebê não está no percentile 99th então ela está passando fome, que amamentar é obceno e que seus peitos vão cair, etc, etc. Não ouça! Para que amamentação dê certo, você tem que amamentar e amamentar frequentemente, em livre demanda. Os outros vão dizer o que querem. Seu trabalho é ignorá-los.
8. Esquecer que é benéfico para você, também: Bebês não são os únicos que ganham com a amamentação, mães também podem emagrecer mais rapidamente e ganham alguma proteção contra câncer de mama, ovário, cervical e osteoporose mais tarde na vida. Todo mundo ganha!
9. Amamentar conforme o relógio: O relógio não lhe diz quando o bebê está satisfeito. Quem diz isso é o bebê! Eu cometi o erro de amamentar com hora marcada e isso resultou em produção insuficiente de leite com meu primeiro bebê. Isto me forçou tomar compostos, a acordar a noite para ordenhar LM e outras medidas para tentar consertar os problemas na produção de LM que eu mesma criei no começo. É fácil de evitar, simplesmente não olhe para o relógio.
10. Dar LA cedo demais: se você der LA muito cedo, sua produção de LM vai diminuir. Nas 6 primeiras semanas, tente não desistir de amamentar, é cedo demais. Após isso seu suprimento de leite estará melhor estabelecido e você poderá escolher o que fazer.
Quais foram seus maiores erros?
Por Sasha Brown-Worsham em 11 de julho de 2011
-----
Pessoal, este artigo foi traduzido diretamente do site acima, mas como esclarecimentos, o GVA não apoia que após as 6 semanas se ofereça LA e não assume que não haveria problema algum. Pelo contrário, sabemos que confusão de bicos podem acontecer a qualquer momento.
O GVA apoia a amamentação exclusiva por 6 meses que tem benefícios para mãe e para o bebê.
Efeito protetor da amamentação exclusiva por 6 meses- artigo na íntegra
Amamentação exclusiva reduz risco de obesidade
Amamentação exclusiva reduz risco de asma
Outro erro que aqui no GVA observamos muito é ter pediatras que não apoiam a amamentação orientando as mães. Claro, se o pediatra é do tipo que acha mais fácil dar mamadeira, que desmama deliberadamente e precocemente, a amamentação está fadada ao insucesso, mesmo que a mãe deseje amamentar.
Sem uma rede de apoio e um profissional da saúde que entenda de manejo de amamentação, a situação é muito difícil. Por isso orientamos que as mães pesquisem e entrevistem pediatras, peçam indicações de pediatras ‘amigos do peito’, perguntem quanto tempo os bebês que eles atendem amamentam em média, etc.
Tradução e comentários finais de Andréia C. K. Mortensen
Amamentação diminui risco de asma
Estudo mostra que amamentação exclusiva por 6 meses oferece proteção contra asma
Amamentação por pelo menos 6 meses reduz o risco da criança desenvolver asma, um novo estudo holandês sugere. A amamentação exclusiva oferece maior proteção ainda.
O estudo foi publicado no dia 21 de julho de 2011 no periodico científico European Respiratory Journal, investigou o impacto da duração da amamentação e introdução de líquidos ou sólidos complementares em adição ao leite materno.
Já se sabia da conexão entre amamentação e risco de asma em estudos prévios. Entretanto, essa é a primeira pesquisa que investigou o impacto da duração da amamentação e a introdução precoce de alimentos ou outros líquidos com o número de episódios de crise de asma que a criança teve mais tarde.
Neste estudo também foram relatadas evidências de que os primeiros sintomas de asma aparecem bem cedo na vida nas crianças que foram amamentadas por pouco tempo ou não foram amamentadas exclusivamente.
"Crianças que nunca foram amamentadas tinham quase 50% mais risco de sintomas de asma do que as que foram amamentadas por mais de 6 meses. Além disso, crianças que foram amamentadas e receberam outros leites e alimentos precocemente tiveram 20% mais crises asmáticas do que bebês que foram exclusivamente amamentados" diz Liesbeth Duijts, médico e PhD, pesquisador da ‘Erasmus Medical Center’ em Rotterdam, Holanda.
Crianças que foram receberam outro tipo de leite, líquido ou sólidos durante os primeiros 4 meses além de leite materno tiveram um risco aumentado de respiração asmática, falta de fôlego, tosse seca e fleuma persistente durante os primeiros 4 anos, comparados com crianças que foram exclusivamente amamentadas.
As conexões mais fortes foram vistos entre respiração ofegante asmática e fleuma persistente, já que as crianças tiveram 1,4 e 1,5 mais chance de desenvolverem estes sintomas se nunca foram amamentadas.
"Sugerimos que quanto maior a duração da amamentação, menor o risco de de sintomas relacionados a asma, comparados com crianças que nunca foram amamentadas", diz Duijts.
Os pesquisadores usaram questionários para obter dados de mais de 5 mil crianças, com questões sobre seus primeiros 12 meses, se foram amamentadas ou não, quando foram desmamadas, e quando sólidos e outros líquidos foram introduzidos. Mais questionários foram completados quando as crianças tinham 1, 2, 3 e 4 anos para checar os sintomas relacionados a asma.
A conexão entre a duração da amamentação exclusiva com os sintomas de asma durante os primeiros 4 anos foi independente de doenças infecciosas ou atópicas.
Agnes Sonnenschein-Furgão der Voort, pesquisador que dirigiu o estudo, concluiu:
"Estes resultados apóiam as estratégias atuais de promoção da amamentação exclusiva por 6 meses em países industrializados. Mais estudos são necessários para investigar o efeito protetor da amamentação nos vários tipos de asma."
Fundação Européia do Pulmão - http://www.european-lung-foundation.org/
Estudo: Duration and exclusiveness of breastfeeding and childhood asthma-related symptoms. Sonnenschein-van der Voort AM, Jaddoe VV, van der Valk RJ, Willemsen SP, Hofman A, Moll HA, de Jongste JC, Duijts L. Eur Respir J. 2011 Jul 20. PMID: 21778163
Tradução- Andréia C. K. Mortensen
Mães diabéticas que amamentam reduzem o risco de obesidade nos bebês
Por Brenda Goodman, revisado pela médica Laura J. Martin, postado em 25 de fevereiro de 2001- WebMD Medical News
Amamentar exclusivamente por 6 meses ou mais reduz o risco de bebês que nasceram de mães com diabetes gestacional se tornarem obesos mais tarde, conforme esse estudo.
O estudo mostra também que a amamentação tem benefícios para a mãe na recuperação de diabete gestacional
"Esse é talvez o primeiro estudo que mostra que se os bebês forem realmente amamentados como o recomendado, ou seja, exclusivamente por 6 meses, ou mais, então seu risco aumentado de obesidade é reduzido aos mesmos níveis de bebês que não foram expostos a diabete na gravidez," diz a pesquisadora Dana Dabelea, médica, doutora em epidemiologia e Professora Associada da Faculdade de Saúde Pública de Colorado, em Denver, EUA.
O estudo, publicado no periódico científico Diabetes Care, foi analisado por outros cientistas e considerado muito importante. Kathleen Marinelli, médica diretora de serviçoes de apoio a amamentação no Centro Médico de Connecticut em Hartford e membro da Academia Americana de Amamentação diz que eles fizeram um ótimo trabalho na definição de quanto o bebê foi alimentado por leite materno ou sua exclusividade. Um problema comum em estudos que envolvem amamentação é como se define quando leite materno o bebê tomou, e a maneira que lidaram com isso nessa pesquisa foi muito bem feita.
"Eles acharam que veriam uma grande diferença entre bebês que nasceram de mães que tiveram diabetes gestacional (DG) e bebês de mães que não tiveram DG, em termos de proteção a obesidade, dependendo de quanto leite materno tomaram," diz Marinelli, que não estava envolvida no estudo. "E os resultados mostraram que se os bebês foram amamentados exclusivamente por 6 meses ou mais, não tiveram diferenças!!
E isso é um ótimo resultado, porque mostra que você pode anular o efeito negativo da DG no bebê se ele mamar exclusivamente por 6 meses ou mais."
E especialistas dizem que os benefícios metabólicos da amamentação também se extendem a mãe, pois a ajudam a se recuperar da DG e a protege contra ter diabete novamente mais tarde em sua vida (já que mães que tiveram DG tem mais propensão a terem diabete mais tarde).
Diabetes maternal e obesidade infantil
No útero, bebês de mães com DG são expostos a mais glicose e ácidos graxos do que os bebês que não tem mães diabéticas. "Então esses fetos são nutridos em demasia, mesmo antes dos bebês nascerem, o que os fazem ter mais peso ao nascer, mas também com maior porcentagem de massa de gordura. Um dos mecanismos propostos é que esses fetos estão sendo super alimentados no útero, e essa hiper-nutrição muda seu ponto de saciedade então eles só se sentem satisfeitos quando comem demais. E eles tendem a consumir mais comida durante a vida toda porque o ponto de saciedade deles foi alterado permanentemente.
Nesse estudo, Dabelea e colaboradores compararam a distribuição de gordura, peso, medida da cintura e índice de massa corporal (IMC) de 89 crianças nascidas de mães que tiveram DG e 379 crianças que nasceram de mães que não tiveram DG. A média de idade das crianças no estudo foi de 10 anos.
As mães foram entrevistadas e perguntadas se amamentaram ou não seus bebês, e por quanto tempo amamentaram e quando introduziram sólidos e outros liquidos. Porque tantas mães fazem alimentação ‘mista’ (amamentam mas também oferecem leite artificial), os pesquisadores desenvolveram uma escala para avaliar estatisticamente quanto a criança foi exposta ao leite materno.
Os pesquisadores descobriram que, entre crianças que foram expostas a diabete no útero, aqueles que foram amamentados por menos de 6 meses tiveram IMC significativamente maiores, cinturas mais grossas e estocaram mais gordura nas junções musculares comparadas com as crianças que foram amamentadas exclusivamente por 6 meses ou mais.
E mais, quando compararam crianças que foram expostas a diabete com as que não foram (mães que não tiveram DG), só viram diferenças significativas naqueles que foram amamentados por menos de 6 meses. Os grupos pareciam quase o mesmo quando amamentados por 6 meses ou mais, indicando que a desvantagem que tinham quando expostos a diabete no útero desapareceu.
Concluíndo, o objetivo da pesquisa foi analisar um grupo de alto risco e verificar se a amamentação tinha impacto no risco de obesidade, e o resultado mostra que sim, amamentação tem esse efeito protetor.
Certamente que todas mulheres deveriam amamentar, mas mulheres que tem diabete e que tiveram DG deveriam estar mais cientes ainda desses efeitos da amamentação exclusive por 6 meses na saúde do seu filho.
Amamentação pode proteger a mãe e o bebê
Outra pesquisa sugere que os benefícios se extendem a mãe também. Se a mãe tem DG e amamenta seu bebê, ela diminue o risco de desenvolver diabete mais tarde na vida diz Marinelli. Diabetes REAL, não somente a diabetes gestacional (DG). Se ela amamenta seu bebê, diminue o risco dele se tornar obeso E diminue o risco de ter diabete, por que há um componente genético na diabete então se há casos na família seu risco é maior. Mas se você foi amamentado, então o risco é diminuído.
A coisa mais importante para ser lembrada é que os benefícios estão relacionados a DURAÇÃO da amamentação exclusiva.
"Quanto mais você amamentar, maiores são os benefícios" ela diz.
Fontes: Crume, T. Diabetes Care, March 2011. Plagemann, A. Diabetes Care, March 2011. Dana Dabelea, médica, PhD, epidemiologista; Professora Associada da Universidade de Colorado, Faculdade de Saúde Pública, Denver.Stephen Daniels, medico, PhD, chefe de pediatria do Hospital da Criança de Denver. Kathleen Marinelli, médica, diretora dos serviços de apoio a lactação, Centro Médico de Crianças de Connecticut, Hartford.
Artigo original- Long-term impact of neonatal breastfeeding on childhood adiposity and fat distribution among children exposed to diabetes in utero.
Crume TL, Ogden L, Maligie M, Sheffield S, Bischoff KJ, McDuffie R, Daniels S, Hamman RF, Norris JM, Dabelea D. Diabetes Care. 2011 Mar;34(3):641-5.
Tradução- Andréia C. K. Mortensen
Efeito protetor da amamentação exclusiva por 6 meses contra infecções na infância
Efeito protetor da amamentação exclusiva por 6 meses contra infecções na infância: um estudo prospectivo
Autores: Fani Ladomenou, Joanna Moschandreas, Anthony Kafatos, Yiannis Tselentis, Emmanouil Galanakis
O que já se sabia sobre isso:
Bebês amamentados são menos vulneráveis a uma série de infecções, incluindo otites e infecções gastrointestinais e respiratórias.
A contribuição deste estudo:
Amamentação exclusiva por 6 meses protege contra infecções comuns na infância e diminui a frequência e severidade de episódios de infecções não somente em países em desenvolvimento mas também em comunidades com programas de vacinações amplos e padrões de saúde adequados. Amamentação parcial não oferece esse efeito protetor contra infecções.
Resumo
Objetivos
Investigar a longo prazo os efeitos da amamentação na frequência e severidade de infecções numa população de bebês bem definida com vacinação apropriada e padrões de saúde adequados.
Modelo de estudo – Uma amostra representativa de 926 bebês foram seguidos com sucesso por até 12 meses, quanto a alimentação e episódios de infecções que incluiram otite média aguda, infecção respiratória aguda, gastroenterite, infecção do trato urinário, conjuntitive e sapinho, registrados com 1, 3, 6, 9 e 12 meses de vida.
(Nota: o estudo prospectivo é quando a pesquisa vai seguindo os indivíduos ao longo do processo ou tratamento, diferente de estudo retrospectivo, quando a pesquisa usa dados que já aconteceram no passado).
Resultados
Bebês amamentados exclusivamente opr 6 meses, como nas recomendações da OMS, apresentaram menos episódios de infecções do que os bebês não amamentados ou amamentados parcialmente, e e esse efeito protetor persistiu após ajustes de potenciais fatores confundidores de infecção aguda respiratória (OR 0.58, 95% CI 0.36 a 0.92), otite aguda média (OR 0.37, 95% CI 0.13 a 1.05) e sapinho (OR 0.14, 95% CI 0.02 a 1.02).
A amamentação exclusiva prolongada foi associada com menos episódios infecciosos com febre (r s =−0.07, p=0.019) e menos admissões hospitalares para infecções (r s =−0.06, p=0.037) no primeiro ano de vida. Amamentação parcial não teve relação com o efeito protetor. Vários fatores confundidores, como idade e nível escolar dos pais, etnicidade, presença de outros irmãos, exposição a tabaco, e estação de nascimento foram demonstrados ter efeito na frequência de infecções na infância.
(Nota: fatores de confundimento são fatores que podem confundir os resultados. Então o estudo ajustou a frequência de infecções para potenciais fatores de confundimento. Assim, com métodos estatísticos já conhecidos e comprovados, eles conseguem saber se um resultado foi decorrente do que se queria estudar, tirando os possíveis fatores de confundimento, como prematuridade, baixo peso de nascimento ou outros).
Conclusões
Resultados desse estudo prospectivo em larga escala numa população bem definida com condições adequadas de saúde sugerem que a amamentação exclusiva contribue para proteção contra infecções comuns na infância e diminui a frequência e severidade de episódios infecciosos. Amamentação parcial não teve esse efeito protetor.
Leite materno é o leite mais apropriado para o bebê humano e a amamentação exclusiva por pelo menos os 6 primeiros meses de vida é recomendada (1). As muitas vantagens da amamentação já foram estudadas, e incluem benefícios financeiros, psicossociais e no desenvolvimento e prevenção de doenças, incluindo infecções (2-6).
Dado a imaturidade do sistema imune dos bebês, essa proteção é de uma importância imensa. Embora se saiba há um bom tempo que bebês amamentados são menos susceptíveis a infecções, alguns estão certos de que as diferenças nos riscos de infecções entre bebês amamentados e que tomam LA são devidos a fatores confundidores e não tem tanta relevância assim em sociedades com alto padrão de saúde (7- 8). Além disso, estudos recentes tem sempre focalizado em infecções em particular ou no efeito da amamentação nos primeiros meses, com poucas investigações no efeito protetor da amamentação na primeira infância e com pouca atenção a um espectro mais amplo de infecções (2, 9–12). Além disso, mais atenção tem sido dada aos efeitos da amamentação na frequência do que na severidade das infecções.
Neste estudo estudamos prospectivamente o efeito da amamentação em ambas frequência, expressa em números de episódios infecciosos, e severidade, expressa em necessidade de visitas ao médico e hospitalizações para infecções comuns da primeira infância, numa população bem definida, vacinada e com padrões de saúde adequados. Baseado em experiências existentes no campo, o estudo foi designado a investigar: primeiro a hipótese de que a amamentação protege contra infecções comuns, segundo a explorar o impacto da amamentação exclusiva e sua duração e terceiro a investigar seu impacto durante o primeiro e segundo semestres de vida do bebê (1-6 meses e 6-12 meses).
Métodos
Design, ambiente e população estudada
O estudo foi conduzido como observação prospectiva numa população fixa em Creta, uma ilha grega de 601 159 habitantes (dados do censo de 2001). De um total de 6878 nascimentos em 2004, uma amostragem representative de 1049 (15.2%) pares de mães e bebês foram recrutados, como descrito. Amostras foram baseadas nos nascimentos consecutivos em dias randômicos de outubro a dezembro de 2004 e de abril a julho de 2005.
A amostragem feita em dois períodos facilitou a análise dos efeitos da amamentação nas infecções em relação a estação do ano do nascimento. Durante o período do estudo, os bebês foram rotineiramente imunizados com vacina para difteria-tetanus-e pertussis acelular pertussis (3 doses), poliomielite (inativada, 2 ou 3 doses), Haemophilus influenzaedo tipo B (3 doses), Hepatite B (3 doses), Neisseria meningitidis conjugada do grupo C (3 doses) e Streptococcus pneumoniae conjugada 7-valente (3 doses), o que fez dessa amostra uma população bem vacinada. Bebês foram cuidados por pediatras da família, e para consultas fora do horário comercial hospitais com emergências pediátricas eram facilmente encontrados. Vacinações foram financiadas pelos seguros sociais, resultando em alta taxa de imunização na infância. Esses bebês não frequentavam berçários ou escolinhas na primeira infância.
Entrevista
Todas mães foram entrevistadas pelo mesmo investigador (FL) na maternidade.
Ênfase especial foi dada em fazer perguntas simples para facilitar a participação das mães com níveis baixos de alfabetização. As mães receberam informações detalhadas sobre o estudo e seus direitos de se absterem a qualquer momento. Todas concordaram em participar exceto uma mãe imigrante que respondeu ao questionário inicial mas não teve acesso ao telefone para mais contatos.
O questionário da visita na maternidade consistiu de 19 questões de escolha múltipla e 14 questões abertas sober informações da família, fonte de cuidados médicos, etnicidade e anos de educação completados pela mãe e pelo pai, saúde da mãe e bebê durante a gravidez e nascimento e intenção e experiência de amamentação. Subsequentemente as mães foram contactadas por telefone pelo mesmo investigador quando os bebês tinham 1, 3, 6, 9 e 12 meses. Os questionários de seguimento consistiram de questões de múltipla escolha com informações sobre amamentação, vacinações, visitas ao pediatra e hospitalizações e todos episódios de doenças desde a entrevista passada. O Comitê de Pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade de Creta aprovou o protocolo de estudo.
Definições
Amamentação exclusiva foi definida como bebê que recebe somente leite materno e nenhum outro tipo de líquido ou sólido. Amamentação parcial foi definida quando o bebê recebe leite materno em combinação com LA ou outros líquidos.
Nossas definições se focalizaram no consumo de leite materno de bebês e não se especificou em outros tipos de alimentos ou líquidos. Entretanto, no estudo bebês como regra receberam leite como única fonte de nutrição e não tomaram líquidos como água glicosilada ou sucos de frutas, então, amamentação exclusiva foi geralmente idêntica como amamentação total.
A maioria dos bebês iniciavam alimentação sólida aos 6 meses. Exposição de tabaco no meio ambiente
quarta-feira, 25 de junho de 2014
A importância do aleitamento materno exclusivo
O leite materno é fundamental para a saúde das crianças nos seis primeiros meses de vida, por ser um alimento completo, fornecendo inclusive água, com fatores de proteção contra infecções comuns da infância, isento de contaminação e perfeitamente adaptado ao metabolismo da criança. Além do mais, o ato de amamentar é importante para as relações afetivas entre mãe e filho.
Já foi demonstrado que a complementação do leite materno com água ou chás nos primeiros seis meses de vida é desnecessária, inclusive em dias secos e quentes (Goldberg e Adams, 1983; Brown et al., 1986; Almroth e Bidinger, 1990; Sachdev et al., 1991; Ashraf et al., 1993). Recém-nascidos normais nascem suficientemente hidratados para não necessitar de líquidos, além do leite materno, apesar da pouca ingestão de colostro nos dois ou três primeiros dias de vida (World Health Organization / UNICEF, 1989).
A amamentação exclusiva tem sido recomendada por oferecer maior proteção contra infecções (Cunningham, 1979; Victora et al., 1987; Brown et al., 1989; Lucas e Coli, 1990). O efeito protetor do leite materno contra diarréias, como foi citado anteriormente, pode diminuir consideravelmente quando a criança recebe, além do leite da mãe, qualquer outro alimento, incluindo água ou chá (Brown et al., 1989; Victora et al., 1989, Popkin et al., 1990). Portanto, o aleitamento materno exclusivo – sem complementação com água ou chás – deve ser enfatizado nos primeiros meses de vida, considerando, entre outros fatores, que uma parcela significativa da população brasileira vive em condições precárias e a diarréia é ainda importante causa de mortalidade infantil.
Estudo recente levantou a possibilidade de o aleitamento materno exclusivo proteger as crianças amamentadas contra a transmissão vertical do HIV (Coutsoudis et al., 1999). Nesse estudo, as crianças filhas de mães HIV positivas que foram exclusivamente amamentadas tiveram uma chance menor de se infectarem com o vírus aos três meses (14,6%), quando comparadas com as crianças parcialmente amamentadas (24,1%). Os autores sugerem que a alimentação artificial pode lesionar a mucosa do trato gastrintestinal, por infecção ou reação alérgica, o que facilitaria a penetração do vírus. Se esses achados forem confirmados, o valor do aleitamento materno exclusivo será ainda maior, especialmente nos países em desenvolvimento com altas taxas de infecção pelo HIV. Os filhos de mães HIV positivas poderão usufruir dos benefícios da amamentação exclusiva sem aumentar os riscos de adquirir a infecção pelo HIV.
Sob o ponto de vista nutricional, a complementação precoce é desvantajosa para a nutrição da criança, além de reduzir a duração do aleitamento materno (Popkin et al., 1983; Loughlin et al., 1985; Kurinij et al., 1988; Winikoff et al., 1989, Zeitlin et al., 1995) e prejudicar a absorção de nutrientes importantes existentes no leite materno, como o ferro e o zinco (Saarinen e Siimes, 1979; Oski e Landaw, 1980; Bell et al., 1987). A complementação com outros alimentos e líquidos não nutritivos diminui o volume total do leite materno ingerido, independente do número de mamadas (Sachdev et al., 1991; Drewett et al., 1993). Como os alimentos oferecidos às crianças pequenas, nos primeiros anos de vida, não são nutricionalmente tão adequados quanto o leite materno, outro fator que deve ser considerado na amamentação não exclusiva é o uso de mamadeiras para ofertar líquidos à criança.
Essa prática pode ser prejudicial, uma vez que a mamadeira é uma importante fonte de contaminação, além de reduzir o tempo de sucção das mamas, interferindo na amamentação sob livre demanda, alterar a dinâmica oral e retardar o estabelecimento da lactação (Hollen, 1976; Monte et al., 1997; World Health Organization 1998b). A técnica de sucção da mama e da mamadeira / chupeta são distintas (Neifert et al., 1995). Os movimentos da boca e da língua necessários para a sucção da mama são diferentes daqueles utilizados para sugar a mamadeira, confundindo o bebê. De fato, recém-nascidos, expostos à mamadeira, podem apresentar dificuldade em sugar o peito (Newman, 1990; 1993). Alguns bebês amamentados, após exposição à mamadeira, choram, ficam inquietos, pegam e largam o peito por dificuldades na sucção, o que pode diminuir a autoconfiança de suas mães, por acreditarem que os bebês não gostam de seu leite, que rejeitam o peito, entre outros. Vários estudos relatam associação entre o uso da mamadeira e desmame precoce (World Health Organization, 1998b).
Outro risco conhecido da alimentação artificial é a diluição inadequada do leite, muitas vezes por falta de recursos das mães, na tentativa de fazer com que o leite dure mais. Fómulas / leites fluidos muito diluídos ou muito concentrados são prejudiciais para a criança por influir no ganho de pesopara menos ou para mais, respectivamente.
A amamentação exclusiva é importante também na diminuição da fertilidade após o parto. Sabe-se que a ausência de menstruação devido à lactação depende da freqüência e da duração das mamadas (McNeilly et al., 1985). Em comunidades onde as mulheres amamentam por menos tempo e começam a complementar a dieta da criança mais cedo, o período em que a mulher fica sem menstruar depois do parto é menor (Howie e McNeilly, 1982; Vitzthum, 1989; Gray et al., 1990).
Existe consenso de que a mulher que amamenta exclusivamente, em livre demanda, até os seis meses após o parto e cuja menstruação ainda não tenha retornadoapresenta proteção contra nova gravidez (Family Health International, 1988). O espaçamento entre os nascimentos conferido pelo aleitamento materno é importante para a saúde da criança, especialmente nas populações menos privilegiadas (Palloni e Millman, 1986; Tu, 1989). A mortalidade em crianças que nasceram até dois anos após o nascimento de um irmão ou cujas mães engravidaram antes que completassem dois anos, em 39 países em desenvolvimento, é consideravelmente maior do que a encontrada entre as crianças que têm uma diferença de dois ou mais anos com o irmão mais próximo (Huttly et al., 1992).
NÃO HÁ DÚVIDAS QUANTO ÀS VANTAGENS DA AMAMENTAÇÃO EXCLUSIVA NOS SEIS PRIMEIROS MESES DE VIDA DA CRIANÇA E QUANTO ÀS DESVANTAGENS DA INTRODUÇÃO PRECOCE DE ALIMENTOS E MESMO LÍQUIDOS, COMO ÁGUA OU CHÁS, E DO USO DE MAMADEIRAS/CHUPETAS.
Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Política de Saúde. Organização Pan Americana da Saúde. Guia alimentar para crianças menores de dois anos / Secretaria de Políticas de Saúde, Organização Pan Americana da Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2002.
Assinar:
Postagens (Atom)

